Noticias de Portugal

Manoel Severim de Faria · Capítulo 44 de 177

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§. VII.

armas esta Cruz;[108] e o mesmo se pode entender dos Almadas, Albergarias, e Farinhas, que trazem estas armas, que provavelmente se deviaõ là achar, florecendo entaõ nestas Familias Cavalleiros de muito nome, como em suas linhagens se refere; o mesmo se pòde dizer das outras, que hà no Reyno.

As Cruzes da Cruzada tomavaõ por insignias os que hiaõ à Conquista da Terra Santa, e saõ como as de Christo; como se vè nos Cavalleiros Gaitanes de Castella, e cà as trazem os Pimenteis, e Teixeiras.

Outras Cruzes hà, como as de S. Jorge, que tomaõ os escudos

de alto a baixo, e de ilharga.[109] Estas se introdusiraõ por devaçaõ do Santo, por ser advogado da Milicia, e particularmente o invocavaõ os Ingleses, e Portugueses nas pelejas. As que hà em Portugal desta fórma, parece se deviaõ tomar na batalha, que se deu em Alcacere do Sal aos quatro Reys Mouros, que o vinhaõ

descercar; [110] porque antes da peleja viraõ os nossos no Ceo hum homem muy resplandecente com huma Cruz vermelha nos peitos; em memoria do qual he de crer, que os que presentes se acharaõ, tomaraõ por insignia este divino sinal na mesma fórma, em que lhes appareceo.

As Familias, que trazem Cruzes floreteadas, saõ: Alarcaõ, Albergaria, Leaõ, Meira, Meireles, Moreiras, Pereiras, Soares de Albergaria, Sisneiros.

As que trazem Cruzes da Cruzada, saõ Bulhoens, Gançoso, Pimenteis, Teixeira.

As que trazem Cruzes de S. Jorge, saõ Almeidas, Atouguia, Beja, Frades, Loja, Mello, Pào, Sarzildes, Veigas.

 

§. VII.

 

Aspas.