Nova Castro: tragedia
Scena II.
Eu não posso deixar quando te escuto,
De reprender-te, ó filho, e de ensinar-te:
Talvez por ti mandado á sepultura,
Bem depressa no Throno me succedas;
Não te esqueças então dos meus dictames:
Poupa o sangue dos miseros Vassallos,
Do mais infimo delles préza a vida
Outro tanto que a tua; teme a guerra,
Que ao proprio vencedor sempre he funesta:
No meio do triunfo os bons Reis chorão.
Nessa mesma tão célebre batalha,
Que julgas me cingio de louro eterno,
Quando juncavão do Salado as margens
Os montões de cadaveres sem conto
De infieis derrotados inimigos;
Por perder trinta só dos meus Soldados,
Muito cara julguei esta victoria,
E, dentro de mim proprio recolhido,
Mais pranto derramei, do que elles sangue.
Os Reis devem ser Pais de seus Vassallos;
Nada mais que o seu bem deve importar-lhes...
Elle exige estas nupcias, que te ordeno;
Suas vozes escuto, e não as tuas.
Já te disse que dei minha palavra,
E torno-te a dizer que has de cumpri-la.
Affonso he teu Monarcha: mando, e basta.
Hoje mesmo comigo para a Corte
Vê que deves partir, vai preparar-te.
Ped. Teus passos seguirei, porém debalde...
Celebrar o consorcio que pertendes...
Quizera obedecer-te, mas não posso...
Sem que te diga mais, assaz te digo.
S II.