Nova Castro: tragedia

João Baptista Gomes Júnior · Capítulo 13 de 36

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Nova Castro: tragedia

Scena X.

Quaesquer que sejão, estrangeiras forças;

Mas por dever, por gloria, e por costume.

E para lhe mostrar como procedo,

Hoje mesmo desterro de meus Reinos,

E á sua guarda entrego Ignez de Castro,

Que elle julga estorvar da Infanta as nupcias.

Podes certificar-lhe, que consorte

Ha de meu Filho ser da Filha sua.

Emb. Nem era de esperar que hum Rei tão sabio

Procedesse jámais d'outra maneira,

Prompto vou expedir ao meu Monarcha

A plausivel resposta, que lhe envias.

 

S X.

D. Affonso, Coelho, e Pacheco.

 

Af. Sem demora, Pacheco, apromptar faze,

Para Ignez conduzir, segura escolta:

Vai, Coelho, dizer-lhe que se apreste:

Partirá hoje Ignez para Castella,

E meu filho comigo para a Corte.

Coel. Oxalá que assim seja! Mas duvido.

Em castigar avaro em demasia,

Além de ser, Senhor, simples desterro

Aos delictos de Ignez pena mui leve;

Receio que de horriveis attentados

Seja origem fatal este projecto.

Fôra talvez melhor lançar mão logo

Dos efficazes, ultimos remedios.

Eu conheço o caracter de teu filho:

Mal souber que roubar-lhe Ignez intentas,

Dos filiaes deveres esquecido,

Com braço armado, temo que se atreva

Contra seu proprio Pai.

Af. .................. Nem tal profiras:

Não faças a meu filho essa injustiça:

De tão feio attentado basta a idéa

Para me horrorisar. Ide ligeiros

Fazer que as minhas ordens se executem.

Ah! Se alguem se atrevesse a contravi-las,

Seu tremendo castigo serviria

De memorando exemplo ao Mundo inteiro.