Nova Castro: tragedia
Scena X.
Quaesquer que sejão, estrangeiras forças;
Mas por dever, por gloria, e por costume.
E para lhe mostrar como procedo,
Hoje mesmo desterro de meus Reinos,
E á sua guarda entrego Ignez de Castro,
Que elle julga estorvar da Infanta as nupcias.
Podes certificar-lhe, que consorte
Ha de meu Filho ser da Filha sua.
Emb. Nem era de esperar que hum Rei tão sabio
Procedesse jámais d'outra maneira,
Prompto vou expedir ao meu Monarcha
A plausivel resposta, que lhe envias.
S X.
D. Affonso, Coelho, e Pacheco.
Af. Sem demora, Pacheco, apromptar faze,
Para Ignez conduzir, segura escolta:
Vai, Coelho, dizer-lhe que se apreste:
Partirá hoje Ignez para Castella,
E meu filho comigo para a Corte.
Coel. Oxalá que assim seja! Mas duvido.
Em castigar avaro em demasia,
Além de ser, Senhor, simples desterro
Aos delictos de Ignez pena mui leve;
Receio que de horriveis attentados
Seja origem fatal este projecto.
Fôra talvez melhor lançar mão logo
Dos efficazes, ultimos remedios.
Eu conheço o caracter de teu filho:
Mal souber que roubar-lhe Ignez intentas,
Dos filiaes deveres esquecido,
Com braço armado, temo que se atreva
Contra seu proprio Pai.
Af. .................. Nem tal profiras:
Não faças a meu filho essa injustiça:
De tão feio attentado basta a idéa
Para me horrorisar. Ide ligeiros
Fazer que as minhas ordens se executem.
Ah! Se alguem se atrevesse a contravi-las,
Seu tremendo castigo serviria
De memorando exemplo ao Mundo inteiro.