Nova Castro: tragedia

João Baptista Gomes Júnior · Capítulo 19 de 36

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Nova Castro: tragedia

Scena VI.

Em Conselho d'Estado não decido

Qual ser deva o castigo de seus crimes,

E o supplicio da infame, que os motiva.

Treme do meu furor, malvado, treme:

Este dia talvez, dia horroroso!

Será na longa serie das idades,

De eterno espanto a Portugal, e ao Mundo.

 

S VI.

D. Pedro, e D. Sancho.

 

Ped. Inda mais horroroso do que pensas

Certamente será, se não desistes

De tão crueis designios. Que impiedade!

O supplicio d'Ignez! Da minha Esposa!..

Como posso deixar de rebellar-me!

Como evitar hum crime necessario,

Que o dever, e a ternura me prescrevem?..

Hum crime disse?.. Ah, não; longe os remorsos;

Defender huma Esposa não he crime;

Crime fôra deixa-la ao desamparo.

Longe, maximas vãs, leis oppressivas,

Que a tyrrania impoz sobre a ignorancia,

Nada se deve aos Pais pela existencia:

Os desvelos depois, seus beneficios

São os titulos só que lhes conferem

Á nossa obediencia hum jus sagrado.

Meu coração revoca os seus direitos:

Arrependo-me só de arrepender-me

Pelos ter justamente sustentado.

Querias, Rei cruel, afferrolhar-me

Em segura prisão, para a teu salvo