Nova Castro: tragedia
Scena VI.
Em Conselho d'Estado não decido
Qual ser deva o castigo de seus crimes,
E o supplicio da infame, que os motiva.
Treme do meu furor, malvado, treme:
Este dia talvez, dia horroroso!
Será na longa serie das idades,
De eterno espanto a Portugal, e ao Mundo.
S VI.
D. Pedro, e D. Sancho.
Ped. Inda mais horroroso do que pensas
Certamente será, se não desistes
De tão crueis designios. Que impiedade!
O supplicio d'Ignez! Da minha Esposa!..
Como posso deixar de rebellar-me!
Como evitar hum crime necessario,
Que o dever, e a ternura me prescrevem?..
Hum crime disse?.. Ah, não; longe os remorsos;
Defender huma Esposa não he crime;
Crime fôra deixa-la ao desamparo.
Longe, maximas vãs, leis oppressivas,
Que a tyrrania impoz sobre a ignorancia,
Nada se deve aos Pais pela existencia:
Os desvelos depois, seus beneficios
São os titulos só que lhes conferem
Á nossa obediencia hum jus sagrado.
Meu coração revoca os seus direitos:
Arrependo-me só de arrepender-me
Pelos ter justamente sustentado.
Querias, Rei cruel, afferrolhar-me
Em segura prisão, para a teu salvo