Nova Castro: tragedia

João Baptista Gomes Júnior · Capítulo 6 de 36

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Nova Castro: tragedia

Scena V.

Que eu já prevía então: oh caro Esposo!

Lança do coração fataes transportes;

Não percas tempo, vai, corre a prostrar-te

Aos pés do grande Affonso; mas submisso,

Ao beijar de teu Pai a mão augusta,

Sobre ella de teus olhos chova o pranto.

Pondera que te perdes, que me perdes,

Se com elle furioso praticares;

Só nos pode salvar docil brandura:

Se não queres matar-me, sê submisso.

Ped. O temor de affligir-te pode tudo.

Respeitoso serei, terei brandura,

Se elle brandura igual usar comigo.

Nada temas, Princeza: Adeos. Eu juro

Pelos Ceos outra vez, e por ti mesma,

Que inda que o Mundo inteiro se me opponha,

Castro ha de ser de Portugal Rainha.(11)

(11) Parte.

 

Ign. Não te apartes, D. Sancho, do seu lado:

Moderem teus conselhos seus transportes.

Sanc. Dai forças, justos Ceos, ás minhas vozes,

Lançai a Portugal piedosas vistas.

 

S V.

Ignez só.

 

Que temor, infeliz! de mim se apossa!(12)

Caro Principe!.. Esposo!.. oh Deos, quem sabe

Se a ver-te tornarão inda os meus olhos.

Vai, ó Castro, abraçar-te aos caros filhos,

E entrega-te nas mãos da Providencia.

(12) Sem poder despregar os olhos do caminho que tomou D. Pedro.