Nova Castro: tragedia
Scena V.
Que eu já prevía então: oh caro Esposo!
Lança do coração fataes transportes;
Não percas tempo, vai, corre a prostrar-te
Aos pés do grande Affonso; mas submisso,
Ao beijar de teu Pai a mão augusta,
Sobre ella de teus olhos chova o pranto.
Pondera que te perdes, que me perdes,
Se com elle furioso praticares;
Só nos pode salvar docil brandura:
Se não queres matar-me, sê submisso.
Ped. O temor de affligir-te pode tudo.
Respeitoso serei, terei brandura,
Se elle brandura igual usar comigo.
Nada temas, Princeza: Adeos. Eu juro
Pelos Ceos outra vez, e por ti mesma,
Que inda que o Mundo inteiro se me opponha,
Castro ha de ser de Portugal Rainha.(11)
(11) Parte.
Ign. Não te apartes, D. Sancho, do seu lado:
Moderem teus conselhos seus transportes.
Sanc. Dai forças, justos Ceos, ás minhas vozes,
Lançai a Portugal piedosas vistas.
S V.
Ignez só.
Que temor, infeliz! de mim se apossa!(12)
Caro Principe!.. Esposo!.. oh Deos, quem sabe
Se a ver-te tornarão inda os meus olhos.
Vai, ó Castro, abraçar-te aos caros filhos,
E entrega-te nas mãos da Providencia.
(12) Sem poder despregar os olhos do caminho que tomou D. Pedro.