Nova Castro: tragedia

João Baptista Gomes Júnior · Capítulo 15 de 36

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Nova Castro: tragedia

Scena II.

Que do Esposo te apartes; não resistas;

He força obedecer; enfrêa n'alma,

Suffoca as afflicções, cala os queixumes:

Co'as desgraças os crimes não mistures:

Mas deixa-lo!.. Ai de mim... Deixa-lo!.. Agora,

Agora he que eu conheço as furias todas,

Toda a força d'amor: elle triunfa

Da razão, da virtude, e dos Ceos mesmo.

 

S II.

Ignez, e Elvira.

 

Elv. Senhora... (Ai triste!.. o pranto me suffoca!)

Se he certo que impias ordens te condemnão

A deixar Portugal, a triste Elvira,

Que protestou viver, morrer comtigo,

Sempre junto ao teu lado, a qualquer parte

A que te arroje a sorte, ha de seguir-te:

Confio que esta graça me concedas.

Ign. Ah! Não venhas juntar aos meus pezares

O quadro da Amizade consternada:

Para esmagar-me o coração sensivel

Bem basta Amor, a Natureza basta.

Não posso resistir a tantos males,

Aos golpes da saudade que retalhão

Da atribulada Ignez o peito afflicto.

Mais pranto com teu pranto não me arranques,

Que a hum terno coração inda mais custão

As lagrimas que move, que as que verte.

He mesmo o ser amado hum bem funesto,

Que exacerba a desgraça aos desgraçados.

Elv. He possivel haver almas tão duras,

Que hum tão sensivel coração flagellem!...

Mas ah!.. Porque aos pezares succumbimos?

D. Pedro he teu Esposo; elle ha de oppôr-se

Defensor poderoso em teu soccorro;

Ha de frustrar da tyrannia as ordens;

Nelle pois confiemos: a excita-lo

Bastarão tuas lagrimas...

Ign. ................... Que dizes!

Que terrivel idéa me despertas!

Em vez de confortar-me, vens, Elvira,

Abater-me a constancia, aconselhar-me

A que contra seu Pai revolte hum filho?..

Ah! Não... Embora Ignez infeliz seja;

Mas nunca origem de rebeldes crimes:

Amortecida já, mas inda accesa

Brilha a luz da razão dentro em minha alma.

Não consintas, oh Ceos, que amor a apague;

Fortalecei meu peito. Sim, eu devo,

Eu devo submetter-me ao meu destino:

Cumprão-se as duras leis do duro fado:

Amargurada irei longe do Esposo

Acabar entre as garras da saudade...

Porém os caros filhos... Ah! comigo,

Comigo os levarei. Doces penhores

Do mais constante amor, sereis ao menos

Na minha adversidade terno allivio...

Entre os meus braços sempre, sempre unidos

Da inconsolavel Mãi ao peito anciado,

Cobertos de caricias, de suspiros,

Banhados com meu pranto, em seus semblantes

O semblante verei do Esposo ausente.

Aprenderão de mim... Mas ah! Que digo!..

Quereria eu acaso, associando

Ao pavoroso horror do meu destino