Nova Castro: tragedia
Acto V.
S I.
D. Affonso.
Que afflicção, que tumulto n'alma sinto!
Vacillante, confuso, atribulado,
Mal posso respirar. Ceos! que tormento!
D'hum lado a compaixão, d'outro a Justiça...
Formidavel Justiça! Em fim venceste.
Satisfeito estarás, dever tyranno...
O supplicio de Ignez... Oh Deos, e pude,
Tremendo, subscrever da sua morte
A rigida sentença!.. Eu me horroriso:
Dentro em meu coração queixosas sinto
Bradar a compaixão, e a natureza...
Que! surdo á sua voz, consentir devo,
Que á morte, a meu pezar, severamente
Seja a Mãi de meus Netos condemnada?
E por que crimes? Por amar meu Filho?
Ah, não: he tempo ainda; revoguemos
A sentença cruel... Porém que faço?..
O público socego, o bem do Estado,
O popular clamor, o exemplo, tudo,
Tudo em fim contra a triste me constrange,
E me estorva o prazer de perdoar-lhe,
Ah, dura condição! Pezado Sceptro,
E haverá quem dos Reis inveje a sorte?
Tormentoso lugar, terrivel Solio,