Nova Castro: tragedia

João Baptista Gomes Júnior · Capítulo 27 de 36

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Nova Castro: tragedia

Acto V.

 

 

S I.

D. Affonso.

 

Que afflicção, que tumulto n'alma sinto!

Vacillante, confuso, atribulado,

Mal posso respirar. Ceos! que tormento!

D'hum lado a compaixão, d'outro a Justiça...

Formidavel Justiça! Em fim venceste.

Satisfeito estarás, dever tyranno...

O supplicio de Ignez... Oh Deos, e pude,

Tremendo, subscrever da sua morte

A rigida sentença!.. Eu me horroriso:

Dentro em meu coração queixosas sinto

Bradar a compaixão, e a natureza...

Que! surdo á sua voz, consentir devo,

Que á morte, a meu pezar, severamente

Seja a Mãi de meus Netos condemnada?

E por que crimes? Por amar meu Filho?

Ah, não: he tempo ainda; revoguemos

A sentença cruel... Porém que faço?..

O público socego, o bem do Estado,

O popular clamor, o exemplo, tudo,

Tudo em fim contra a triste me constrange,

E me estorva o prazer de perdoar-lhe,

Ah, dura condição! Pezado Sceptro,

E haverá quem dos Reis inveje a sorte?

Tormentoso lugar, terrivel Solio,