Nova Castro: tragedia
Scena IV.
Mas deixar para sempre o que mais amo!..
Sou Esposa, sou Mãi... Ceos! Desfalleço!(43)
Queridos filhos... Desgraçados orphãos!..
E que será de vós quando vos falte.
A mais terna das Mãis, o Pai mais terno!..
Ah Senhor! Se inflexivel ao meu pranto,
A minha situação te não commove,
Presta ouvidos á voz da Natureza:
Mova-te a compaixão o desamparo
Destas victimas tenras, e innocentes:
Elles culpa não tem dos meus delictos.
Não te lembres, Senhor, que são meus filhos;
Ah, não: lembra-te só, que são teus netos...
Mas tu choras? Que vejo! Os Ceos me ouvírão:
Tuas lagrimas vem em meu soccorro,
Ellas o meu perdão já me annuncião.
Acaba de extinguir os meus temores,
Dize, dize, Senhor, que me perdoas.
(42) Prostra-se outra vez aos pés de Affonso. (43) Abraça os filhos com a maior ternura, e afflicção.
Af. Não posso resistir... Oh quem podéra
Neste instante deixar de ser Monarcha!
S IV.
D. Affonso, Ignez, seus filhos, e Coelho.(44)
(44) Ignez, apenas avista Coelho, levanta-se atemorisada.
Coel. Por ti, Senhor, se espera: vem, não tardes;
Que já começa o Povo a amotinar-se.
Ign. Oh Deos! Eu morro!