Perícia Técnica: Direito e Engenharia de Segurança do Trabalho
8. O desafio na visão do engenheiro
O DESAFIO NA VISÃO DO
ENGENHEIRO
A condução da perícia simulada envolveu duas etapas. A primeira delas
foi a preparação em sala de aula, com a apresentação do caso a ser
analisado, compartilhamento de fotografias do local e do objeto da perícia –
reclamação quanto à elegibilidade do adicional de periculosidade.
Na simulação da perícia, conforme já descrito, foram atribuídos os
seguintes papéis:
Prof. Marcelo Chohfi – observador;
Prof. Ivan Rigoletto – dono do posto de gasolina;
Profa. Ana Magano – assistente dos advogados do reclamante;
Alunos de Engenharia de Segurança do Trabalho dividida entre
peritos judiciais e assistentes técnicos;
Alunos de Direito Processual do Trabalho I, sétimo semestre,
divididos entre representantes do reclamante e da reclamada;
Reclamante – aluno Ronaldo Castelo Branco.
Houve a percepção, por parte dos alunos, que as condições de
insalubridade realmente estavam presentes. Em consulta ao prof. Marcelo,
ele aproveitou para compartilhar sua experiência em definir o papel de peritos, esclarecendo que cabe a esses profissionais identificar potenciais
condições de trabalho que também possam ser objeto de análise em seu
laudo pericial, bem como receber a devida atenção e interpretação pela
autoridade judicial competente.
Os alunos que não participaram diretamente das atividades de simulação
permaneceram realizando observações, tomando notas e propondo questões
nos momentos dos intervalos para discussão. Observou-se, nessa simulação,
o enorme interesse por parte de todos os participantes em entender o que
estava acontecendo, as sutilezas e interpretações da legislação aplicável, o
papel e o comportamento de reclamante e reclamada, as questões cruciais a
serem avaliadas em uma atividade de perícia e a conduta dos advogados e
engenheiros peritos no processo.
Quanto às questões cruciais a serem avaliadas, as principais
oportunidades estavam em:
Entender as reais atividades do reclamante;
Entender se realmente havia condições para que o reclamante
realmente permanecesse todo o tempo em sua cabine de
recebimento, definido como o seu posto de trabalho;
Definir, por medição, as distâncias entre as bombas de combustível
e o posto de trabalho do reclamante;
Identificar os agentes químicos potencialmente presentes no
ambiente de trabalho que pudessem afetar as condições de saúde
do reclamante;
Avaliar quantitativamente os agentes químicos presentes e
compará-los com os limites de tolerância aplicáveis;
Permitir a ambas as partes a apresentação de suas versões a
respeito dos fatos, elaborando questões que possibilitassem o pleno
entendimento do que era efetivamente realizado;
Garantir o bom andamento da perícia em relação a conflitos
pessoais entre as partes, elemento que muitas vezes está presente
em situação real.
O grande objetivo da atividade foi simular uma condição de perícia de
campo o mais próxima possível do real, permitindo aos alunos compreender
a dificuldade e complexidade de tal momento ao longo do processo
trabalhista.
O planejamento para a condução desta aula e da aula imediatamente
seguinte, de argumentação para impugnação do laudo e as respostas em
réplica dos peritos, foi executado, com um nível de envolvimento bem
elevado por parte dos alunos de Engenharia. As atividades desenvolvidas
foram as seguintes:
Recapitulação, pelo professor, da forma de redação de um laudo,
seu conteúdo mínimo, itens desejáveis e estruturação, utilizando os
slides compartilhados na primeira fase de embasamento teórico;
Discussão sobre os aspectos de periculosidade presentes na
reclamação inicial e os elementos principais para enquadramento
ou não nos critérios de elegibilidade;
Discussão detalhada sobre os aspectos de insalubridade,
notadamente sobre agentes químicos presentes, limites de
tolerância, formas de analisar esse assunto considerando-se a
presença de amostragens para avaliação quantitativa e também a
ausência dessas amostragens, aspectos adicionais a serem
propostos, diferenças entre a perícia de engenharia e a perícia
médica com proposição de formas de abordagem do assunto;
Apresentação de dois modelos didáticos de laudos periciais,
preservadas as identidades de reclamante e reclamada, com o
objetivo de contextualizar os alunos na dimensão e no aspecto dos
laudos a serem produzidos por eles;
Disponibilização de tempo para a confecção dos laudos periciais
com a presença do professor, oferecendo comentários e
esclarecendo as dúvidas que foram surgindo no processo, uma vez
que o curso é noturno e os alunos não têm tanta disponibilidade
para se reunirem fora do ambiente das aulas.
Para a aula imediatamente seguinte, a proposta foi de fazer o laudo
pericial do perito judicial passar pelas etapas semelhantes às do mundo real,
atribuindo-se as seguintes tarefas:
Aos grupos de assistentes técnicos foi entregue o laudo pericial do
perito para análise e comentários para proposição de impugnação
na forma de parecer técnico, considerando um tempo de duas horas
para essa etapa. O professor também preparou um parecer técnico
de contestação para um dos grupos;
Posteriormente, os documentos produzidos pelo grupo de
assistentes técnicos foram encaminhados para os grupos dos laudos
periciais para resposta, com tempo máximo de uma hora para tal.
Ao final dessa fase, todos os documentos – laudo pericial, parecer
técnico e contestação – foram encaminhados para os alunos de Direito para
serem incluídos em suas estratégias.
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