Relações Internacionais: Teoria e História
Capítulo 18 · China, o Império
DO CENTRO
Ao longo dos séculos, a China experim entou o ritm o dos ciclos
pendulares de abertura e fecham ento em relação ao m undo exterior. Os períodos de abertura corresponderam à hegem onia do com ércio, dos com erciantes e dos portos; os de isolam ento, à hegem onia das elites político-m ilitares e do poder territorializado. O conflito entre essas tendências refletiu a disputa entre as dinastias e a burocracia confuciana de Pequim , de um lado, e os em preendedores dos portos do Leste e Sudeste, de outro.
O “im pério do centro” alcançou o seu auge com a dinastia Tsing.
Nos séculos XVII e XVIII, o im pério deteve o avanço russo na Manchúria, anexou a Mongólia e o Tibete e estabeleceu um a prolongada Pax chinesa, entre 1683 e 1830. Mas no período seguinte, a corrupção na burocracia im perial e o fortalecim ento das potências industriais provocaram a subordinação da China aos interesses com erciais estrangeiros. O Tratado de Nanquim , em 1842, determ inou a cessão de Hong Kong à Grã-Bretanha e a abertura de cinco portos ao com ércio internacional, inaugurando a época dos “tratados iníquos”. Em 1860, britânicos e franceses im punham a abertura de m ais 11 portos e os russos, que j á ocupavam o território m anchu ao Norte do rio Am ur, avançavam até o Mar do Japão.
Entre 1850 e 1864, o poder im perial foi abalado pela revolta dos
Tai-ping, baseada em valores cristãos de um igualitarism o fundam entalista que desafiavam o confucionism o. A dinastia foi salva da revolta dos Tai-ping por um a intervenção de forças estrangeiras, m as m ergulhou em crise term inal depois da derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895, que custou a perda de Taiwan. A revolta antieuropeia e chauvinista dos boxers, que teve a conivência do governo im perial, representou o últim o suspiro da dinastia. Com a derrota dos boxers e o colapso do poder im perial, abriu-se o cam inho para a revolução de Sun Yatsen e a proclam ação da república, em 1912.
A China da decadência Tsing constituiu o palco principal das
disputas entre as grandes potências pela hegem onia no Oriente. O Tratado de Nanquim , um a obra da diplom acia britânica, consagrou a doutrina de Open Door, que assegurava a abertura chinesa ao com ércio internacional e a igualdade form al das potências estrangeiras no intercâm bio com o im pério em crise. O Open Door servia à m aior das potências com erciais, a Grã-Bretanha, que controlava 80% do com ércio chinês. As outras potências – França, Alem anha e Rússia – logo procuraram estabelecer zonas de influência exclusivas, no litoral e nos portos interiores, ao longo dos grandes rios. As zonas de influência deveriam assegurar não apenas m onopólios com erciais m as, sobretudo, concessões ferroviárias e m inerais.
Os russos, que com partilhavam m ais de 6,4 m il quilôm etros de
fronteiras terrestres com a China, representavam a m aior preocupação britânica. Avançando até o litoral da Manchúria, am eaçavam apossar-se de um a posição estratégica dom inante no Oriente, o que conduziu a Grã-Bretanha a estabelecer a sua própria área de influência no vale do Yang-tsé Kiang, a firm ar um a aliança com o Japão e a solicitar o apoio dos Estados Unidos para o j á m oribundo Open Door. As guerras Sino-Japonesa e Russo-Japonesa, separadas por um a década, assinalaram a entrada decisiva de Tóquio no j ogo chinês e a constituição da sua “Esfera de co-prosperidade do Leste Maior asiático”.
Os Estados Unidos ingressaram tardiam ente no j ogo chinês A
corrosão progressiva do Open Door culm inou com o arrendam ento à Grã-Bretanha do enclave continental de Kowloon, contíguo a Hong Kong, em 1898. Kowloon serviria para m anter e am pliar o contrabando entre Hong Kong e a China, pois perm itia circundar a alfândega im perial. Assim , os britânicos desferiam um golpe fatal contra a doutrina da qual tinham se beneficiado durante décadas. Nesse contexto, o secretário de Estado am ericano, John Hay, rem eteu às potências as célebres cartas do Open Door, que defendiam a “liberdade de com ércio” e a integridade territorial da China.
Kennan sublinhou a carência de valor efetivo das cartas do Open
Door:
Provavelm ente se pensou que respondiam a um pedido que os britânicos nos haviam dirigido. De fato, não representava a política inglesa do m om ento; estava, de certa form a, inclusive, em colisão com ela. Podia ter representado as aspirações do Serviço de Aduanas Marítim as da China Im perial ante certos acontecim entos que am eaçavam seu futuro. Não era um a política nova, m as velha. Não era um a política am ericana, pois há tem po regia as relações britânicas com a China. Não era um a política que, em geral, tivesse um futuro; era antiquada e j á tinha sido parcialm ente superada pelos acontecim entos.
Mas com o Kennan registrou: “A fórm ula tinha um a ressonância
idealista e elevada; soaria bem em casa; era obviam ente favorável aos interesses com erciais am ericanos”. Por isso, foi recebida com adm iração e apoio pelo público interno, incorporando-se à tradição idealista da política externa dos Estados Unidos.
O ciclo maoísta
A instauração da república não significou a recuperação da
soberania chinesa. A desintegração política e territorial se aprofundava, enquanto crescia a influência im perial j aponesa. Na década de 1920, a herança de Sun Yatsen bipartiu-se, originando o longo conflito entre o Kuom intang (KMT) nacionalista de Chiang Kaishek e o Partido Com unista Chinês (PCC) de Mao Tsé-tung.
Chiang Kaishek logrou derrotar os “senhores da guerra” dissidentes
em 1928, estabelecendo seu regim e em Pequim . Mas o Kuom intang passou a enfrentar o desafio dos com unistas, prim eiro nas cidades e, depois da Longa Marcha (1934-1935), no cam po. Entretanto, a anexação da Manchúria pelos j aponeses m odificou todo o panoram a, proporcionando as condições para a frente com um de nacionalistas e com unistas contra o invasor estrangeiro.
No pós-guerra, com a retirada j aponesa, a frente com um se
desfez e a guerra civil foi retom ada. Os Estados Unidos deram apoio form al ao Kuom intang, m as, consum idos pela evolução dram ática da confrontação com a União Soviética na Europa, não se envolveram efetivam ente no conflito chinês. Mao Tsé-tung ouviu e ignorou as advertências de Stalin para que interrom pesse a ofensiva revolucionária. Em 1949, os com unistas tom aram Pequim e o regim e de Chiang Kaishek, escoltado por em barcações am ericanas, refugiou-se em Taiwan.
A Revolução Chinesa, que se estendeu por m ais de duas décadas,
resultou na form ação de um Estado centralizado, capaz de assegurar a soberania política e territorial de Pequim . A República Popular da China, fundada por Mao Tsé-tung, pode ser com preendida com o um a reação violenta ao período de abertura da decadência Tsing e à subordinação do “im pério do centro” às grandes potências.
No plano histórico, o ciclo m aoísta, que se estendeu até o início da
década de 1970, representou um novo período de fecham ento e isolam ento. A natureza autocrática do poder com unista, ainda que singular, recuperou e atualizou inúm eros traços das dinastias tradicionais chinesas. O isolam ento correspondeu a um proj eto de definição de um a identidade nacional e à edificação de um aparelho de Estado capaz de controlar o território im enso e acolher o universo plural das culturas regionais. Com o regim e brutal de Mao Tsé-tung, a China em ergiu com o unidade geopolítica centralizada e potência continental asiática.
As relações com a União Soviética perm item distinguir duas fases
distintas ao longo do ciclo m aoísta. Entre 1949 e 1960, Pequim optou pelo alinham ento incondicional com Moscou, expresso tanto no plano estratégico, por m eio de program as de cooperação m ilitar, com o no econôm ico, com os planos quinquenais direcionados para a industrialização intensiva. Nessa fase, as tensões que tinham m arcado o relacionam ento do Partido Com unista Chinês (PCC) com a liderança de Stalin, antes da tom ada do poder por Mao Tsé-tung, ficaram encobertas pela conj untura m undial da Guerra Fria. A aplicação da Doutrina Trum an à Ásia determ inava a form ação do “cordão sanitário” em torno da China e estim ulava a aproxim ação Pequim -Moscou.
Entre 1960 e 1972, Pequim reforçou o isolam ento do exterior por
m eio do rom pim ento com Moscou, desenvolveu o am bicioso program a de capacitação nuclear e redirecionou a econom ia para padrões autárquicos originais. O Cism a Sino-Soviético teve com o causa fundam ental a aspiração chinesa de possuir um arsenal nuclear próprio e autônom o. O ponto m ais crítico das relações entre os dois países foi atingido em 1969, quando se registraram com bates esporádicos ao longo do rio Ussuri, em trechos contestados da fronteira com um .
Rom pida com a União Soviética, a China viveu anos de aguda
instabilidade interna, especialm ente após 1966, quando se iniciou a cham ada Revolução Cultural. A Revolução Cultural correspondeu a intensa radicalização política e a profundas divisões nas cúpulas com unistas. Acusados de “direitism o” e “revisionism o”, os dirigentes m oderados do PCC tornaram -se alvo de cam panhas de desm oralização e expurgos. Multidões exaltadas de adeptos de Mao Tsé-tung e Lin Piao form aram as Guardas Verm elhas, organizações de j ovens m aoístas.
Mas a m anipulação desenfreada das m assas populares pelas
facções palacianas em conflito contribuiu para a desm oralização duradoura do sistem a totalitário. A tentativa de golpe de Lin Piao contra Mao Tsé-tung, em 1971, assinalou a ruptura da aliança entre os radicais e o centro m aoísta, que tinha funcionado com o dínam o da Revolução Cultural. Quando, poucos m eses depois, Lin Piao foi postum am ente acusado de traição, toda a legitim idade da operação de m anipulação de m assas com eçou a entrar em colapso. Um j ovem designado para viver num povoado rural expressou a perplexidade das bases m aoístas diante das reviravoltas do conflito na cúpula do Estado totalitário:
Quando Liu Qao-qi foi derrubado, nós dem os todo apoio. Naquela época, Mao Tsé-tung foi elevado às alturas: ele era o Sol verm elho e não sei que m ais. Mas a história de Lin Piao nos deu um a lição im portante. Acabam os vendo que os dirigentes lá de cim a podiam dizer hoj e que um a coisa era redonda e am anhã, que era chata. Nós perdem os a fé no sistem a.
Nos anos da Revolução Cultural, o isolam ento internacional chinês foi am enizado apenas pela aproxim ação com o Movim ento dos Países Não-Alinhados, que conhecia sua época áurea. As teses terceiro-m undistas se tornaram m arca registrada da versão m aoísta do socialism o. Entretanto, a colaboração com os Não-Alinhados foi sem pre precária e parcial devido à traj etória pró-soviética da Índia e do Egito, que ocupavam posições de vanguarda no m ovim ento.
Um episódio curioso e significativo desse período foi o reatam ento
de relações entre Pequim e Paris, em 1964, possibilitado pelo rom pim ento entre a França e o governo de Taiwan. Essa estranha aproxim ação decorria do paralelism o entre a situação dos dois países, engaj ados em program as nucleares autônom os e na denúncia, a partir de perspectivas divergentes, da dupla hegem onia das superpotências.
O ciclo m aoísta se encerrou com a aproxim ação sino-am ericana
de 1971-1972. No plano interno, ao que tudo indica, a ruptura da aliança entre o centro m aoísta e os radicais de Lin Piao foi precipitada pela decisão de Mao Tsé-tung de j ogar a carta am ericana contra a União Soviética. Mas essa reviravolta na política externa chinesa decorreu da profunda percepção de insegurança vigente desde os conflitos de fronteira de 1969. O núcleo da liderança chinesa, form ado por Mao Tsé-tung e Chou En Lai, considerava seriam ente a hipótese de um ataque nuclear soviético e enxergava a aproxim ação geopolítica com os Estados Unidos com o um a necessidade vital para a segurança da China.
A visita de Nixon a Pequim , em fevereiro de 1972, m arcou a
reorganização da paisagem diplom ática do Oriente. Em setem bro, eram retom adas as relações diplom áticas sino-j aponesas e, em outubro, Pequim assum ia a cadeira chinesa no Conselho de Segurança da ONU. Menos de um ano depois do histórico encontro entre Nixon e Mao Tsé-tung, os Acordos de Paris encerravam a participação de forças am ericanas na Guerra do Vietnã. A Revolução Cultural só se encerrou, oficialm ente, em 1976, com as m ortes de Chou En Lai e Mao Tsé-tung.
“Não importa a cor do gato...”
Mao Tsé-tung realizou a reviravolta estratégica, m as foi preciso
que o “Grande Tim oneiro” deixasse o com ando para que a China em preendesse a aventura da abertura econôm ica. Essa aventura, que prossegue, gerou um novo im pulso para a econom ia m undial capitalista e criou um poderoso foco de crescim ento econôm ico no Oriente.
A m orte de Mao Tsé-tung representou um golpe fatal no instável e
turbulento equilíbrio entre as facções na cúpula com unista chinesa. Durante a transição de com ando, sob a direção form al do m aoísta Hua Guofeng, o centro aliou-se aos reform istas que tinham sido m arginalizados e perseguidos na Revolução Cultural. Deflagrou-se um a cam panha de desm oralização dos radicais, que sofreram perseguições e expurgos. Reabilitado, o principal líder reform ista, Deng Xiaoping, conduziu a luta contra o cham ado Bando dos Quatro, os dirigentes rem anescentes da facção radical.
Mas Deng Xiaoping, depois de derrotar os radicais, voltou as suas
baterias para os m aoístas. No final de 1978, os m uros de Pequim estavam forrados de panfletos políticos – os dazibaos – contra Hua Guofeng e até m esm o contra Mao Tsé-tung. Em 1980, Zao Jiang substituía Hua Guofeng na direção do Estado e o Bando dos Quatro era j ulgado e condenado. Sem dispor de cargos oficiais de direção do Estado ou do Partido Com unista, Deng Xiaoping controlava todas as rédeas do poder.
A reviravolta política foi acom panhada pela deflagração de um
am bicioso program a de reform as econôm icas. O Program a das Quatro Modernizações, anunciado em 1978, preconizava m udanças profundas na agricultura, indústria, defesa, ciência e tecnologia. A sua estratégia consistia em prom over a integração controlada da econom ia chinesa ao m ercado m undial. A China de Deng Xiaoping procurava o cam inho para se afirm ar com o grande potência asiática e ator decisivo no sistem a internacional.
O novo “Grande Tim oneiro” expressou o sentido das reform as por
interm édio de um aforism o que se tornou célebre: “Não im porta a cor do gato, desde que cace os ratos”. A autorização para a abertura de em presas privadas, a elim inação dos controles burocráticos sobre os preços e os salários, e a supressão do coletivism o rural introduziam a dinâm ica da acum ulação privada e o j ogo da oferta e da procura na econom ia chinesa. Em 1992, os teóricos oficiais definiram o novo m odelo por m eio de um a expressão curiosa e paradoxal: “econom ia socialista de m ercado”.
Desde o início, as reform as privilegiaram os investim entos
estrangeiros e o com ércio internacional. A criação, a partir de 1984, de enclaves destinados a receber em preendim entos privados estrangeiros — as Zonas Econôm icas Especiais (ZEEs) — estruturou um a nova relação entre a econom ia chinesa e o m ercado m undial. A colônia britânica de Hong Kong passou a funcionar com o corredor de entrada dos fluxos de capitais externos que se im plantavam na China. A m ão-de-obra barata e disciplinada, o vasto m ercado consum idor potencial e as regras liberais das ZEEs passaram a atrair em presas j aponesas, am ericanas e europeias. As elites econôm icas de origem chinesa na diáspora – em Hong Kong, Taiwan, Cingapura e na Malásia – tam bém funcionaram com o fontes de vultosos investim entos.
A abertura econôm ica não deveria ter contrapartida na esfera
política. Mas o m onopólio de poder pela elite dirigente com unista sofreu forte contestação em 1989, no contexto da glasnost prom ovida por Gorbachev na União Soviética. Naquela ocasião, quando Pequim e Moscou exploravam as possibilidades de um a reaproxim ação diplom ática e preparava-se um a visita oficial de Gorbachev à China, os estudantes de Pequim deflagraram m anifestações de rua em nom e da liberdade e da dem ocracia. A chegada do dirigente reform ista soviético, em abril, coincidiu com o auge da m obilização estudantil, que repercutia sobre os trabalhadores e se difundia por outras grandes cidades chinesas.
Em Pequim , os estudantes ocupavam a Praça da Paz Celestial e
virtualm ente paralisavam a cidade. Após a partida de Gorbachev, foi decretada a lei m arcial e convocaram -se tropas do Exército para reprim ir os m anifestantes. Contudo, evidenciou-se a divisão entre os com andos m ilitares e pipocaram as recusas a cum prir as ordens da cúpula política. Soldados e populares chegaram a confraternizar durante dias, nos quais o poder do governo chinês pareceu evaporar-se. O im passe foi rom pido no início de j unho, quando a hesitação deu lugar à violenta repressão. Blindados invadiram a Praça da Paz Celestial, alvej ando estudantes e populares. A ofensiva deixou um núm ero controvertido de m ortos, m as certam ente superior a 2 m il. Em seguida, sucederam -se prisões e condenações à pena de m orte.
As dem onstrações da Praça da Paz Celestial assinalaram a
em ergência das aspirações de soberania popular e liberdades políticas com o fenôm eno de m assas. Não que a China desconhecesse m obilizações de m assas. Durante a Cam panha das Cem Flores (1957) e na Revolução Cultural (1966-1976) ocorreram m obilizações m uito m aiores que as da cham ada Prim avera de Pequim de 1989. Contudo, aquelas dem onstrações im pressionantes desenvolveram -se à som bra das lutas faccionais na elite dirigente: não expressavam um m ovim ento popular autônom o, m as a instrum entalização das m assas pelo regim e totalitário.
A supressão violenta da Prim avera de Pequim m aterializou a
opção pela estabilidade política a qualquer custo. Mas não im pediu a continuidade e até o aprofundam ento da abertura econôm ica. O volum e de investim entos estrangeiros experim entou crescim ento contínuo durante a década de 1990, até a crise asiática de 1997. A China tornou-se o segundo m aior receptor de investim entos externos, atrás apenas dos Estados Unidos. Desde 1995, e até o final da década, o país recebeu m ais de 40 bilhões de dólares ao ano.
As duas prim eiras décadas de reform as econôm icas
transform aram profundam ente a sociedade chinesa. A expansão do PIB atingiu m arcas de dois dígitos durante diversos anos e m esm o na curta e forte desaceleração que se seguiu ao m assacre da Praça da Paz Celestial, nunca cresceu m enos que 4%. O PIB chinês quadruplicou e, m ensurado de acordo com a paridade do poder de com pra, ultrapassou o do Japão. O em prego agrícola reduziu-se de cerca de 70% do total para m enos de 50%. Nas cidades litorâneas do Sudeste e do Leste form ou-se um a classe m édia de em preendedores e profissionais qualificados.
O crescim ento acelerado produz desigualdades sociais e regionais
de m agnitude im pressionante. As cidades principais e as ZEEs concentram -se na faixa litorânea. A “China m arítim a”, assentada sobre a indústria e os serviços, distingue-se cada vez m ais da “China interior”, assentada sobre a agropecuária. No ano 2000, as províncias litorâneas exibiam PIB per capita cerca de três vezes m aior, em m édia, que o das províncias interiores.
Um dos efeitos da m odernização consiste em aprofundar o abism o
entre as cidades, relativam ente prósperas, e o cam po, extrem am ente pobre. O reflexo dessa desigualdade é o intenso êxodo rural e a form ação de um a m assa de subem pregados m igrantes que se tornou um traço estrutural da sociedade chinesa. Estim a-se que existam entre 80 e 120 m ilhões de m igrantes perm anentes, que se deslocam entre os povoados e as m etrópoles e subsistem de em pregos de tem po parcial e rem uneração m iserável.
No plano social, o m aior desafio consiste em criar em pregos no
ritm o indispensável para absorver a m ão-de-obra que ingressa no m ercado de trabalho regulado pela econom ia de m ercado. Atualm ente, segundo estim ativas do Banco Mundial, a China precisa gerar 8 a 9 m ilhões de novos em pregos por ano, a fim de assegurar colocações para os j ovens e os m igrantes. Contudo, o desafio verdadeiro é ainda m aior, pois existem cerca de cem m il em presas estatais ineficientes que respondem por um déficit fiscal superior, conform e o que indicam estudos independentes, a 50% do PIB. A privatização ou o fecham ento da m aior parte dessas em presas tende a provocar um salto brutal nas taxas de desem prego.
As reform as orientaram -se, em larga m edida, para a conquista
dos m ercados externos e transform aram a China num a das grandes potências exportadoras do m undo. Desde o final da década de 1980, Pequim solicitou ingresso no Gatt e, m ais tarde, engaj ou-se em duras negociações com a OMC. O ingresso ocorreu no final de 2001, sob os term os do acordo m ais rigoroso em toda a história das duas organizações m ultilaterais de com ércio. Esse acordo preconiza a abertura dos m ercados agrícola, de telecom unicações, bancário e de seguros, que perm aneceram protegidos desde o início das reform as. A redução de tarifas e a exposição desses m ercados à concorrência externa tende a reduzir os saldos com erciais e a suprim ir em pregos.
As tensões sociais criadas pela m odernização econôm ica sem eiam
o terreno para o crescim ento da contestação política ao regim e de partido único. A Prim avera de Pequim de 1989 evidenciou o caráter explosivo da convivência
entre a liberdade do m ercado e a prisão das ideias. A urbanização, a expansão da classe m édia e o crescim ento do intercâm bio com o exterior contribuem para intensificar as pressões pela abertura política, que corroem a autoridade e a legitim idade das elites dirigentes. No plano histórico, a contradição entre a econom ia de m ercado e o m onopólio do poder político aparece com o a m aior das encruzilhadas na traj etória chinesa.
A unidade da China
A ofensiva final das forças de Mao Tsé-tung e a tom ada de Pequim , em setem bro de 1949, deslocaram subitam ente a atenção dos Estados Unidos do cenário europeu para o Extrem o Oriente. Aplicando pela prim eira vez a Doutrina Trum an no lado asiático, Washington decidiu apoiar a instalação do regim e derrotado do Kuom intang em Taiwan. Em dezem bro, surgia em Taipé o governo dissidente da República da China, liderado por Chiang Kaishek.
O regim e de Taipé conservou a cadeira da China no CS da ONU,
beneficiando-se do veto de Washington ao reconhecim ento do governo com unista de Pequim . A segurança do regim e nacionalista em Taiwan passou a ser garantida pela frota am ericana. As tensões no Estreito de Form osa cresceram ao longo da década de 1950 e eclodiram sob a form a de um a crise aguda em 1957-1958, quando a China chegou a bom bardear a pequena ilha de Quem oy e am eaçou invadir Taiwan. No fim , diante da im inência de um a intervenção am ericana, e sob a pressão m oderadora de Moscou, Mao Tsé-tung recuou.
Nos anos 1970, com a aproxim ação sino-am ericana e a
substituição do regim e de Taipé pelo de Pequim na ONU, as tensões em torno de Taiwan conheceram significativa redução. O com prom isso de Washington com a unidade da China e a prom essa de Pequim de buscar a reintegração da província rebelde por m eios pacíficos funcionaram com o solução provisória para o im passe.
Deng Xiaoping reafirm ou o obj etivo m aoísta de alcançar a
unidade do Estado chinês, m as no contexto da sua política de abertura e m odernização econôm ica, form ulou a estratégia de “um a nação, dois sistem as”. Essa estratégia deveria possibilitar a reintegração de Hong Kong e tam bém a de Taiwan. Ela assegurava à colônia britânica e à província rebelde a vigência das regras da econom ia de m ercado e algum tipo de autonom ia política.
A concessão de Hong Kong aos britânicos, form alizada em 1898,
expirava-se em 1997. Essa circunstância facilitou as negociações para a devolução da colônia, concluídas em 1984. O período de transição entre a conclusão do tratado e a reintegração foi pontuado por m om entos de tensão e pela crise de 1989, quando a colônia tornou-se palco de m anifestações de apoio aos estudantes da Praça da Paz Celestial. Reintegrada à China, Hong Kong tornou-se um a Região Adm inistrativa Especial, beneficiando-se de autonom ia adm inistrativa e j urídica. A Lei Básica, aprovada pela China, é a “m iniconstituição” do enclave, com vigência até 2047.
O roteiro de Pequim previa que Taiwan seguisse o exem plo de
Hong Kong. Mas esse roteiro foi perturbado pela dem ocratização do regim e de Taiwan. Desde 1992, o KMT engaj ou-se num a política de reform as que conduziu à consolidação do Partido Dem ocrático Progressista (PDP), expressão de um nacionalism o taiwanês que rej eita a noção da unidade da China. A bandeira da independência de Taiwan, que j am ais havia sido erguida pelo KMT, passou a ser agitada pelo PDP e alcançou suporte m aj oritário nas eleições de 2000.
O im passe em torno do futuro de Taiwan se expressa pelas
form ulações inconciliáveis de Pequim e Taipé. Pequim exige negociações baseadas no princípio da unidade da nação chinesa. Taipé reivindica que seu governo sej a reconhecido com o interlocutor soberano pela China, em bora sob pressão am ericana tenha congelado a ideia da declaração de independência.
O problem a da unidade articula as políticas externa e interna da
China. No interior da China, as contestações à unidade nacional originam -se das populações m uçulm anas do Sin-Kiang e dos budistas do Tibete. O Sin-Kiang, região autônom a do Extrem o Ocidente, corresponde ao antigo Turquestão chinês. Os fluxos de caravanas através da Rota da Seda difundiram a cultura m uçulm ana e os dialetos turcom enos na região. O poder de Pequim enfrenta a resistência de clãs locais, m as se afirm a m ediante ciclos de repressão brutal dos dissidentes e a política de colonização da região por chineses da etnia Han (a m aioria étnica no país, que se enxerga com o os “chineses verdadeiros”).
O Tibete chinês corresponde à região autônom a de Xizang, criada
em 1965, que recobre apenas o Tibete central, tem cerca de 2 m ilhões de habitantes e é a única província na qual o grupo Han é m inoritário. O dom ínio chinês sobre o Tibete data de 1720 e as suas raízes encontram -se nas interm ináveis disputas entre chineses e m ongóis. Em 1912, o Tibete alcançou um a efêm era independência, aproveitando-se da dissolução do im pério chinês e da aj uda de Londres, que protegia o décim o terceiro Dalai-Lam a, refugiado na Índia britânica. A teocracia budista dos m onges tibetanos sobreviveu com o Estado soberano até 1950. Contudo, m eses depois da Revolução Chinesa, Mao Tsé-tung proclam ou a soberania de Pequim sobre o Tibete.
A ocupação chinesa operou inicialm ente pela via do acordo com o
Dalai-Lam a, m as a revolta tibetana de 1959 rom peu o tênue com prom isso. Um a violenta repressão resultou no exílio do Dalai-Lam a e da elite político-religiosa do Tibete na Índia. No passado, o Tibete foi um a teocracia de m onastérios, m uitas vezes rivais, recoberta pelo poder difuso do Dalai-Lam a. Mas ao contrário da lenda, essa região de pastores m anteve-se ligada ao m undo exterior por m eio das caravanas que a atravessavam de Norte a Sul e de Leste a Oeste. O fecham ento do Tibete foi um produto da adm inistração com unista chinesa que, no curto período de colaboração com a elite budista, proibiu o trânsito de caravanas.
Nos anos 1960, a Revolução Cultural m aoísta deflagrou um a
furiosa repressão contra m onastérios e m onges, destruindo as pontes entre a religião política de Pequim e os religiosos tibetanos. Atualm ente, contudo, a política de Pequim busca a estabilização regional por m eio da concessão de certa liberdade religiosa e da busca de um com prom isso por parte da elite budista. O que não m udou foi a estratégia da colonização do Tibete por chineses Han, destinada a soldar a região ao território nacional e dissolver o sal do separatism o.
A grande potência asiática
A República Popular da China busca, desde os tem pos de Mao Tsé-
tung, ocupar a posição de grande potência asiática. O desenvolvim ento do program a nuclear chinês e o Cism a Sino-Soviético evidenciaram esse obj etivo nacional. A aproxim ação sino-am ericana e o ingresso da China na ONU, na década de 1970, representaram a definição de um a nova estratégia voltada para o m esm o obj etivo. No Program a das Quatro Modernizações de Deng Xiaoping, os investim entos na defesa e em ciência e tecnologia, ao lado da aposta no crescim ento econôm ico acelerado, não constituíam fins em si m esm os, m as m eios para a afirm ação do poderio chinês no sistem a internacional.
A política asiática de Pequim desenvolveu-se em função de três
focos geopolíticos. No Indostão, a rivalidade com a Índia desdobrou-se sob a form a de um a aliança estratégica com o Paquistão. No Sudeste Asiático, as pretensões de proj eção de influência chocaram -se com o Vietnã. Na Península Coreana, a aliança exclusiva com a Coreia do Norte foi substituída por um a atitude de m ediação do conflito e pelo estabelecim ento de laços de intercâm bio com ercial com a Coreia do Sul.
A Guerra da Coreia constituiu a ocasião de um enfrentam ento
m ilitar direto entre forças chinesas e am ericanas. A decisão norte-coreana de atravessar o paralelo 38 e deflagrar a guerra, em 25 de j unho de 1950, parece ter sido estim ulada por Pequim . Na ocasião, Mao Tsé-tung não acreditava em intervenção dos Estados Unidos, pois o general MacArthur, com andante das forças am ericanas no Pacífico, acabava de form ular um a declaração am bígua que parecia excluir a Coreia do Sul do perím etro de segurança am ericano no Oriente.
A participação de “voluntários” chineses no conflito im pediu a
derrota norte-coreana, im pondo às forças am ericanas a estabilização do front m ilitar em torno do paralelo 38. O Arm istício de Panm unj on, de 1953, cristalizou a bipartição geopolítica da Península Coreana. Desde a Guerra da Coreia, a Coreia do Norte tornou-se um Estado protegido pela China. Após o Cism a Sino-Soviético, o regim e norte-coreano m anobrou em torno de um a posição de equidistância entre as duas potências socialistas, m antendo acordos de cooperação econôm ica e m ilitar com Moscou e Pequim . Entretanto, a Coreia do Norte j untou-se à China na condenação à intervenção vietnam ita no Cam boj a, em 1979, que foi apoiada pela União Soviética.
A partir do encerram ento da Guerra Fria, a China vem atuando
para reduzir as tensões na Península Coreana. A Coreia do Norte continua a ser um Estado protegido, e é possível que Pequim coopere, discretam ente, com o program a nuclear norte-coreano. Mas a Coreia do Sul tornou-se im portante parceiro com ercial, e a estabilidade do conj unto da Bacia do Pacífico é elem ento indispensável para a m odernização econôm ica chinesa. Sobretudo, Pequim tem e as hipóteses do desenvolvim ento de um program a nuclear j aponês e de um conflito na Península Coreana capaz de desatar vasta crise de refugiados.
O Sudeste Asiático, na década de 1970, constituiu o foco principal
da rivalidade sino-soviética. Logo depois da retirada am ericana do Vietnã desenrolou-se a derrocada da influência ocidental na Indochina. No Laos, em 1974, form ou-se um governo de coalizão entre os neutralistas do príncipe Souvana Phoum a e os com unistas do Pathet Lao, que foi substituído no ano seguinte por um regim e sob controle do Pathet Lao. Quase sim ultaneam ente, os com unistas do Khm er Verm elho tom avam o poder no Cam boj a, derrubando o regim e pró-am ericano do general Lon Nol, e as forças do Vientã do Norte e do Vietcong entravam triunfantes em Saigon, encerrando a Guerra do Vietnã.
O novo panoram a deflagrou a disputa entre Moscou e Pequim pela
hegem onia regional. O Vietnã, oficialm ente reunificado em 1976, ingressou na órbita soviética. Efetivam ente, o regim e com unista do Vietnã do Norte j á se distanciava de Pequim desde a aproxim ação sino-am ericana. A traj etória de alinham ento a Moscou com pletou-se em 1978, com o ingresso do país no Com econ, na condição de observador, e com a ruptura de relações diplom áticas com Pequim . O Laos, por sua vez, assinou um tratado de cooperação e defesa com o Vietnã em 1977 e, por essa via, alinhou-se tam bém com Moscou.
O Cam boj a, rival histórico do Vietnã, cam inhou em outra direção.
Em 1976, a ala m ais radical do Khm er Verm elho, liderada por Pol Pot e Khieu Sam phan, consolidou o seu controle sobre o governo e alinhou o país a Pequim . A política do regim e de Pol Pot, voltada para a ruralização forçada da população e para a m ilitarização do trabalho agrícola, aplicada a ferro e fogo, redundou em sucessivas chacinas e m assacres, deixando um saldo superior a um m ilhão de m ortos.
A selvageria sem lim ites do regim e de Pol Pot funcionou com o pretexto para a invasão operada pelo Vietnã, que com eçou em dezem bro de 1977 e se com pletou em j aneiro de 1979, com a entrada das forças vietnam itas em Phnom Penh. A instalação de um regim e cliente do Vietnã no Cam boj a e o recuo do Khm er Verm elho para santuários nas m atas inauguraram um a nova etapa no conflito regional. Em fevereiro de 1979, dez divisões chinesas cruzaram a fronteira vietnam ita e travaram pesados com bates contra as forças de Hanoi. Após a efêm era ocupação de algum as capitais provinciais e povoados, as tropas chinesas se retiraram do Vietnã e Pequim anunciou o fim da expedição punitiva. Enquanto isso, as forças do Khm er Verm elho uniam -se aos nacionalistas cam boj anos do príncipe Norodom Sihanouk e iniciavam um a guerrilha contra o regim e cliente de Phnom Penh.
Durante um a década, a guerrilha cam boj ana foi financiada e
arm ada por Washington e Pequim . Os Estados Unidos sustentavam a facção de Sihanouk, enquanto a China abastecia o Khm er Verm elho. Essa colaboração, que coincidiu com o apoio sino-am ericano à guerrilha afegã contra as forças de ocupação soviéticas, evidenciou o sentido da política am ericana na Ásia, que utilizava a China para contrabalançar a influência soviética.
As reform as de Gorbachev abriram cam inho para a pacificação
do Cam boj a. A retirada das forças vietnam itas, em 1989, perm itiu a negociação de um tratado de paz, a reinstalação de um a m onarquia e a realização de eleições supervisionadas pela ONU, em 1993. Sob o reinado de Sihanouk form ou-se um governo de unidade nacional que isolou a ala m ais radical do Khm er Verm elho. A China participou ativam ente da operação, firm ando um a aliança com Sihanouk e abandonando seus antigos protegidos. Isolado e caçado com um punhado de seguidores fanáticos, Pol Pot acabou capturado e condenado à prisão perpétua por um “tribunal revolucionário” em 1997.
A rivalidade sino-indiana refletiu, no início, a concorrência entre as
duas potências pela influência regional. A Índia enxergava-se com o líder natural do Indostão; a China a encarava com o obstáculo para a proj eção do seu próprio poder na Ásia m eridional. O apoio indiano ao Dalai-Lam a do Tibete, nos anos 1950, e as pretensões chinesas sobre parte da Cachem ira agravaram as tensões.
Mas o elem ento decisivo na configuração da rivalidade veio com o
Cism a Sino-Soviético. A Índia, em conform idade com seu papel de liderança no Movim ento dos Países Não-Alinhados, desenvolveu desde a independência um a política de estreita cooperação econôm ica e tecnológica com a União Soviética, inclusive no estratégico setor espacial. Por isso, o rom pim ento de Pequim com Moscou teve repercussões cruciais sobre as relações sino-indianas. A China optou pelo apoio explícito ao Paquistão na disputa pelo controle da Cachem ira e a Índia engaj ou-se na sustentação dos separatistas tibetanos.
As tensões crescentes eclodiram em outubro de 1962, quando
forças chinesas cruzaram a fronteira da Cachem ira, im puseram derrota hum ilhante às tropas da Índia e chegaram a ocupar a região do Ladakh, na Cachem ira indiana. O episódio provocou a queda do m inistro da Defesa indiano e a aceleração do program a nuclear da Índia.
O Paquistão adotou, desde a independência, um a política externa
pró-ocidental, alinhando-se inicialm ente com Londres e depois com Washington. A aproxim ação sino-paquistanesa, na década de 1960, refletiu a insegurança do Paquistão diante da am eaça representada por um a Índia que buscava adquirir capacidade nuclear. Depois da invasão soviética do Afeganistão, em 1979, o Paquistão passou a desem penhar o papel de interm ediário no fornecim ento de arm as am ericanas e chinesas para os guerrilheiros afegãos que com batiam as forças ocupantes.
O encerram ento da Guerra Fria am enizou a rivalidade sino-
indiana, sem provocar um a verdadeira aproxim ação entre as duas potências. A China continua a expressar seu apoio à reivindicação paquistanesa de um plebiscito sobre a independência da Cachem ira, m as tom ou distância dos guerrilheiros separatistas financiados pelo Paquistão. Ao m esm o tem po, Pequim se associa, discretam ente, aos esforços am ericanos para conter a escalada na corrida nuclear que envolve a Índia e o Paquistão.
Sob a perspectiva de Washington, a China tornou-se um fator
positivo na estabilização geopolítica da Ásia e do Oriente. A m oderação recente da política externa chinesa evidencia a confiança crescente da China no seu poderio econôm ico. Do ponto de vista de Pequim , a estabilidade asiática aparece com o requisito para a continuidade da m odernização econôm ica e tecnológica e para o avanço do proj eto de reincorporação de Taiwan, que são as prioridades da agenda externa chinesa.