Salmos do prisioneiro
Jaime de Magalhães Lima
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JAIME DE MAGALHÃES LIMA
SALMOS DO PRISIONEIRO
COIMBRA.
F. FRANÇA AMADO, EDITOR.
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Salmos do Prisioneiro
Composto e impresso na Tipografia F. França Amado, rua Ferreira
Borges, 115—Coimbra.
Jaime de Magalhães Lima
Salmos do Prisioneiro
COIMBRA
F. FRANÇA AMADO, EDITOR
1915
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Mentiu-me a liberdade, foi blasfemia! Foi engano, foi ilusão, e atraiçoou-me, atraiçoando a fé que me dá a vida!
Vou levado de rastos neste mundo, guerreiro que nasci para ser
vencido. Se movo o braço para combater por sonhos arrojados que o levantem, logo o sujeitam e mo fazem escravo as prisões de que
em vão tento livrar-me—prisões de amor, abençoado carcere, onde sofre e se alegra o coração, onde se humilha prêso a toda a terra e
onde se exalta erguido a céus eternos e ao Deus que rege a terra e rege os céus.
A piedade, a dôr, remorso e fé, perdão, esperança, a esmola e a
contricção, e a ilusão e a mágoa e o desengano, tremores da consciência que dúvida, as lágrimas de afecto e aquelas outras,
candentes e de fogo, em que o êrro chorou arrependido; e o silêncio, que eu temi, que eu amei e que busquei para todo me