Salmos do prisioneiro

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 1 de 27

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Salmos do prisioneiro

Jaime de Magalhães Lima

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JAIME DE MAGALHÃES LIMA

 

SALMOS DO PRISIONEIRO

 

COIMBRA.

 

F. FRANÇA AMADO, EDITOR.

 

* * * * *

 

Salmos do Prisioneiro

Composto e impresso na Tipografia F. França Amado, rua Ferreira

Borges, 115—Coimbra.

 

Jaime de Magalhães Lima

 

Salmos do Prisioneiro

 

COIMBRA

 

F. FRANÇA AMADO, EDITOR

 

1915

 

* * * * *

 

Mentiu-me a liberdade, foi blasfemia! Foi engano, foi ilusão, e atraiçoou-me, atraiçoando a fé que me dá a vida!

 

Vou levado de rastos neste mundo, guerreiro que nasci para ser

vencido. Se movo o braço para combater por sonhos arrojados que o levantem, logo o sujeitam e mo fazem escravo as prisões de que

em vão tento livrar-me—prisões de amor, abençoado carcere, onde sofre e se alegra o coração, onde se humilha prêso a toda a terra e

onde se exalta erguido a céus eternos e ao Deus que rege a terra e rege os céus.

 

A piedade, a dôr, remorso e fé, perdão, esperança, a esmola e a

contricção, e a ilusão e a mágoa e o desengano, tremores da consciência que dúvida, as lágrimas de afecto e aquelas outras,

candentes e de fogo, em que o êrro chorou arrependido; e o silêncio, que eu temi, que eu amei e que busquei para todo me