Salmos do prisioneiro

Jaime de Magalhães Lima · Capítulo 7 de 27

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Salmos do prisioneiro

Capítulo VI

a aspereza em limpidez; resignado filho trasmudando em doçura suprema a austeridade que o gerou e o castiga despiedosa—na tua

vida sonhei terras distantes onde se ergueu a cruz e Cristo orou na paz, entre oliveiras, pedindo àquele que o mandou e está nos céus

que sómente a sua vontade se cumprisse. Estranha evocação me segredou que era assim a terra santa do Calvário—no chão o mais

severo, a doçura infinita; e no martirio, o amor.

 

Dos teus ramos tão débeis que rastejam e condição mais alta não procuram, porque só na humildade estão contentes, fiz o rasto do

próprio coração onde o senti pulsar em ardor que o acordasse e erguesse para o sagrar. Por te amar, fiz de ti sinal de amor. Em

meus tesouros, ricos de lembranças, marcas iluminadas folhas e bemditas onde a minha alma recebeu a graça de peregrinas almas

de pureza, onde sentiu a companheira e guia, enviada de Deus, para que no mundo lhe fosse amparo e a fortificasse, e a Deus a

conduzisse, à eternidade do amor divino.

 

Dêste modo me prendes, se te encontro. Dêste modo sou teu, se te colhi.

 

VI

 

Está adormecido o vento do outono. É côr de rosa a aurora

preguiçosa em seu berço rendado de neblinas; e rutilante o manto com que cobre a campina onde a noite e a madrugada mansamente

verteram a ternura de um luminoso pranto cristalino.

 

Entre os orvalhos vem a despontar, em hastes débeis, hirtas, ainda palidas, sementes germinadas na frescura da terra já banhada pelas chuvas dos derradeiros dias de setembro. São legiões