Spartacus: A Rebelião

Ben Kane · Capítulo 8 de 24

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Spartacus: A Rebelião

Capítulo VII

 

 

Piceno, perto da costa nordeste da Itália, verão de 72 a.C.

Marcion remexia os pés, torcendo para que ninguém notasse sua ansiedade.

Logo depois, Gaius o cutucou.

— Está nervoso?

— Você não está? — retrucou Marcion.

— Não. Não é hoje que vou morrer.

— Como pode saber? — perguntou Marcion. — Nosso maldito comboio está perto do centro de nossa linha, onde irão ocorrer os maiores problemas.

— Gaius é burro demais para saber se Hades virá buscá-lo — disse Arphocas com um sorriso irônico.

Gaius fez uma careta enquanto os outros piscavam e sorriam. No entanto, Marcion percebeu que nenhum deles admitiria que, à exceção de Gaius, estavam todos nervosos. Seu olhar foi atraído de novo para os grupos de legionários na ladeira acima.

— Não acredito que vamos atacar lá!

Todos acompanharam o olhar dele. A posição do inimigo — no topo de um penhasco — era, no mínimo, assustadora. Um pico rochoso impedia qualquer chance de ataque à esquerda, e o flanco romano direito estava protegido por uma fileira grande de catapultas.

— Nossa cavalaria é inútil aqui. É um ataque frontal feito por nós... ou nada — disse Arphocas, sério.

— Ótimo! — exclamou Gaius. — Quanto antes conseguirmos pegar os malditos romanos, melhor.

Ele olhou ao redor em busca de apoio, mas só recebeu olhares tortos.

— Spartacus enlouqueceu — resmungou Zeuxis. — As vitórias dele lhe subiram à cabeça. Eu disse que isso aconteceria.

— Vamos morrer. — Arphocas parecia resignado. — Ainda que os romanos percam no final, não chegamos a saber.

Zeuxis esfregou o amuleto fálico de duas pontas que pendia de uma soga em seu pescoço e fez uma oração. Alguns o imitaram.

“Eles estão muito assustados.” De algum modo, Marcion recuperou a coragem.

— Spartacus sabe o que está fazendo.

— Será? — Zeuxis parecia ainda mais incrédulo do que o normal.

— Ele nunca cometeu um erro, não é?

— Isso não quer dizer nada. Ninguém é perfeito — resmungou Gaius. — E qual é o plano dele? Qualquer idiota sabe que ir até lá é suicídio. Ainda assim, é o que faremos.

— Só há duas legiões lá. Temos seis vezes mais homens do que o inimigo.

— Mas não podemos atacar ao mesmo tempo: a dianteira deles é muito estreita. Além disso, as chances não são tão boas como você diz. As legiões do outro cônsul não estarão distantes — argumentou Zeuxis. — Eles virão atrás de nós na primeira oportunidade.

Gaius arregalou os olhos, e Marcion interviu.

— Spartacus não é bobo. Você se lembra como ele montou a armadilha para Lentulus? Como destruiu as catapultas escondidas de Longinus na noite anterior à nossa marcha?

Zeuxis contraiu os lábios.

— Não sei. Esse ataque parece uma maneira muito boa de matar muitos homens do nosso lado.

Trompetes soaram a distância à direita, e eles viraram a cabeça para ver o que estava acontecendo.

— É Spartacus! — Marcion apontou para o cavaleiro que havia aparecido dentre grupos a duzentos passos dali. Este ia de um lado para o outro, abordando as tropas mais próximas.

— SPAR-TA-CUS!

O grito de sempre começou.

Marcion ficou feliz. Os soldados mais próximos também pareceram satisfeitos, e as notícias se espalharam pelo comboio.

— Bem típico — reclamou Zeuxis. — Não conseguimos ouvir nem uma palavra.

Marcion arregalou os olhos, mas o homem mais velho o ignorou.

— Como podemos nos sentir motivados por isso? Podemos simplesmente rezar para os deuses. Ou conversar entre nós. Seria mais útil do que ficarmos aqui fingindo saber o que está acontecendo.

A raiva de Marcion saiu do controle.

— Pare de reclamar, está bem? Pare ou suma!

Zeuxis lhe lançou um olhar assustado.

— Gostando ou não, vamos travar essa maldita batalha em breve. Talvez alguns de nós acabaremos mortos, mas, pelo menos, somos homens livres. Estamos aqui por vontade própria! Não sei você, mas eu preferiria estar aqui a ficar no maldito latifúndio onde cresci, onde era tratado como um animal.

— Isso mesmo! — gritou Gaius. — Não tem como voltar atrás.

— Muito bem-dito. — Arphocras cutucou Marcion com o cotovelo. — Somos os soldados de Spartacus, independentemente do que acontecer.

Os outros soldados trocaram sorrisos tímidos enquanto Zeuxis permanecia ressentido.

Marcion voltou sua atenção a Spartacus de novo. O trácio empunhou a espada, e Marcion perdeu o fôlego. A sica foi movimentada diversas vezes na direção das linhas romanas, e os soldados próximos do líder rosnaram, comemorando.

— É isso. Vamos atacar.

Para sua surpresa, o comando não foi dado. Em vez disso, Spartacus andou à frente do exército, em direção a eles. Parou a menos de vinte passos de onde eles estavam. Os soldados ficaram enlouquecidos, gritando e batendo as armas nos escudos. Marcion e seus companheiros também participaram — até Zeuxis.

Spartacus levantou os braços para acalmar todo mundo.

— Vocês sabem que só há duas legiões à nossa frente. Que as duas outras estão mais além, esperando a chance de nos atacar. Provavelmente, vocês estão preocupados, talvez até um pouco assustados. Imagino que Lentulus esteja gostando do medo de vocês. O merda de toga e com forma de homem também depende que seu colega Gellius chegue e tome a retaguarda de nosso exército. — Ele sorriu ao ouvir os murmúrios de insatisfação.

Zeuxis olhou para Marcion, que prendeu a respiração. Aquilo não era tudo o que Spartacus tinha vindo dizer — ou será que era?

Spartacus os observou, deixou que mantivessem a incerteza por muitos segundos até voltar a falar.

— Nossos recrutas nos deixaram orgulhosos. Ontem, eles me trouxeram as notícias da posição de Gellius. Mais de vinte mil de nossos companheiros devem marchar sob o comando de Castus e Gannicus e confrontá-los. Fiquem tranquilos, vocês estão protegidos! Temos muito tempo para derrubar o grupo sem estrutura de Lentulus.

O humor dos homens mudou, como um vendaval de primavera varrendo os últimos vestígios do inverno. Eles riram e comemoraram, agradecendo aos deuses.

— Vocês me ajudarão a fazer isso? — gritou Spartacus.

A resposta que se seguiu de fato proclamava o entusiasmo dos soldados.

Inevitavelmente, o grito começou de novo.

— SPAR-TA-CUS!

O trácio andou de um lado para o outro, agradecendo pelos gritos.

Marcio cutucou Zeuxis de um modo que não foi de todo amigável.

— Está feliz agora?

— Vou segui-lo até lá.

Marcion sorriu. Vindo de Zeuxis, aquele era o melhor apoio que se podia esperar.

 

Algumas semanas depois...

Apeninos, centro-sul da Itália

Carbo se levantou e ajustou a grande rocha que servia de apoio para as costas. Sentou-se de novo e suspirou de satisfação ao cobrir os ombros com o cobertor e aproximar os pés da fogueira. Os dias ainda eram quentes, porém, à noite, devido à altitude, as temperaturas caíam depressa. Felizmente, permanecer diante de uma fogueira era suficiente para manter os ossos aquecidos.

— Vou gostar de ver Thurii — disse Navio.

— Não está longe agora, graças a Júpiter — retrucou Publipor.

— Mal posso esperar por um solo plano. Estou cansado de descer um monte e subir outro — disse Arnax.

Todos riram. Os hematomas da surra dada por Spartacus desapareceram depois de alguns dias, mas Arnax levou semanas para superar a vergonha por ter falado com Castus. Ele só voltou a falar com os outros havia pouco tempo.

— É praticamente seu território, Publipor, não é? Brindisi não é longe de onde passaremos o inverno — disse Carbo com uma piscadela.

Depois de sua chegada, o apuliano acrescentara uma centúria em seu grupo. Desde que eles tinham deixado os Alpes para trás, ele havia se tornado uma companhia constante, um amigo.

— Você não está enganado.

Publipor ficou sério.

Carbo imaginou ser preocupação.

— Você tem alguma mulher aqui que deixou para trás? Família?

A seriedade se tornou pesar.

— Tinha. Uma esposa. Três filhos.

Fez-se silêncio. Navio se manteve ocupado, colocando mais lenha na fogueira. Arnax, que afiava a espada de Carbo, encontrou um ponto de ferrugem no qual se concentrar. Carbo olhou para uma série de faíscas que subiam para o brilhante céu da noite. Não era de se espantar ele não ter sabido da tragédia de Publipor antes. Poucos homens do exército de ex-escravos se importavam em contar aos companheiros sobre seu passado — inclusive o próprio Carbo.

— O que aconteceu com eles?

Publipor pigarreou.

— Morreram no ano passado. Cólera.

— Sinto muito — disse Carbo.

— É um fardo pesado para alguém carregar — disse Navio, sentido. — A guerra é uma coisa, mas doenças...

— É, bem... O que se pode fazer? Os deuses dão e tiram. Eu deveria agradecer por ainda estar aqui. Por ainda respirar.

Publipor não parecia nada grato, refletiu Carbo. Era difícil pensar que nunca mais veria seus pais de novo, mas, pelo menos, estes estavam vivos. Não era uma loucura total pensar que eles poderiam se encontrar um dia. Não estavam tão distantes. Roma ficava a trezentos quilômetros a nordeste. O exército chegara até mais perto da cidade uma ou duas semanas antes. Carbo pensou em desertar por um período curto, até em perguntar a Spartacus se poderia visitar os pais, porém considerou a ideia muito tola. Seria a segunda vez que faria papel de bobo com o trácio, e não queria isso.

— Temos sorte por ainda estarmos vivos, e isso não mudará nos próximos meses — disse Navio, sério. — Só porque derrotamos os cônsules em Piceno não quer dizer que outro exército não virá à nossa procura. Ele será bem maior do que aqueles que vimos até agora. Como meu pai costumava dizer, aproveite ao máximo o dia que nasce...

— Pois pode ser último — completou Arnax com um tom sério.

Navio riu.

— Você tem me ouvido com atenção, hein?

Mesmo à pouca luz, o rubor de Arnax era perceptível.

Navio esticou o braço e despenteou o cabelo do garoto.

— Você cuida bem do gládio de Carbo. Dê uma olhada no meu quando terminar, está bem?

— Claro. — Feliz, o rapaz olhou para Publipor. — Posso limpar o seu também?

— Quando precisar ser limpo, eu mesmo o limparei — respondeu o apuliano. — Entendeu?

— Desculpe. — Arnax baixou a cabeça.

— Estou cansado — resmungou Publipor. — Acho que vou me deitar. Boa noite.

Carbo e Navio também o cumprimentaram. Arnax o observou em silêncio.

— Não se preocupe com isso, rapaz. Ele não estava sendo mau com você. Está preocupado com a família dele — disse Carbo.

— Leva pelo menos um ano para que a dor passe um pouco — disse Navio, suspirando.

— Que dor é essa? — perguntou alguém.

Eles se viraram, surpresos.

— Spartacus! — exclamou Carbo com um sorriso.

Navio também sorriu.

— Seja bem-vindo.

O trácio meneou a cabeça e lançou um olhar sério a Arnax, que parecia querer que o chão se abrisse e o engolisse.

Spartacus se sentou perto do fogo.

— Sobre qual dor você estava falando, Navio?

— A dor de perder entes queridos.

— Compreendo. — “Que o Cavaleiro cuide de você, pai. Maron, meu irmão. Getas e Seuthes, meus companheiros.” — Todos nós perdemos pessoas. É um dos desafios da vida. Um homem precisa lidar com isso da melhor maneira possível.

— Sábias palavras — elogiou Navio.

Eles permaneceram em silêncio por um breve momento. Carbo e Navio se perguntavam por que o líder havia se aproximado sem avisar.

— Chegaremos a Thurii no próximo mês — anunciou Spartacus. — Será bom parar de marchar, não?

Eles concordaram.

Spartacus riu.

— Vocês querem saber por que estou aqui?

— Você não veio apenas para jogar conversa fora — disse Carbo com um tom de voz seco.

Spartacus o encarou com firmeza.

— Não.

Publipor saiu da barraca, com um graveto na boca. Ele havia começado a limpar os dentes quando percebeu a presença de alguém. Cuspiu depressa.

— Spartacus! Que honra vê-lo aqui.

— Publipor. Você está bem?

— Sim, senhor. Obrigado, senhor. — Publipor ergueu o graveto para se desculpar. — Eu estava indo me deitar. Mas vou voltar.

— Não precisa fazer isso por mim. Descanse um pouco. Amanhã teremos outro dia longo. — O tom de voz de Spartacus era simpático, porém firme.

Publipor pareceu aliviado.

— Tudo bem, então. Boa noite, senhor.

— Durma bem. — Spartacus se virou para Carbo e Navio. — Um bom homem — disse baixinho.

— Sim, ele é — concordou Carbo. — É um ótimo caçador. Graças a ele, trazemos um veado ou um porco selvagem na maioria das vezes que saímos para caçar.

— Ele tem um talento nato com o arco. Como se sai com a espada?

— Muito bem — respondeu Navio. — Mais uns meses e ele será tão bom quanto os outros homens.

— Ótimo. Teremos tempo para treinar em Thurii. É pouco provável que os romanos nos ataquem no inverno. Mas eles farão algo. — Spartacus ficou sério. — Vocês sabem disso, não sabem? Não teremos como ficar em paz.

— Sim — responderam os dois. Arnax arregalou os olhos.

— Agora, não temos ideia do que os cães estão planejando. Eles, por outro lado, recebem informações sobre nossos passos de cada cidadão que nos vê em suas terras.

— Não podemos fazer muito em relação a isso — observou Navio. — E é difícil saber o que os romanos estão fazendo. Os desertores que se uniram a nós não podem arriscar voltar a suas unidades. Seriam crucificados.

— Eu sei. Mas ouvi algo interessante. Ontem, um dos patrulheiros parou um comerciante vindo de Roma. Ele trazia algumas notícias.

Os outros se inclinaram para a frente, muito interessados.

— Crassus ganhou o controle da campanha contra nós.

Carbo sentiu o sangue sumir de seu rosto.

— O mesmo homem que...

— Sim, o mesmo desgraçado que acabou com sua família. Aquele para o qual lutei em Cápua. É estranho ver como as coisas mudam, não?

— Sim — sussurrou Carbo, cerrando os punhos.

— Ao que parece, Crassus vai falar com o Senado em breve. Acho que seria bom ouvir o que ele tem a dizer. Talvez até enfiar uma lâmina nas costelas dele, se der. Isso conteria os desgraçados por um tempo. — A ideia parecera ousada, até extrema, porém, ao expressá-la em voz alta, Spartacus se animou. Ele partiria, e ninguém o impediria.

Navio ergueu as sobrancelhas.

— Você confiaria em mim e em Carbo de novo?

— Em você e em Carbo não.

Carbo se inclinou, surpreso.

— O quê? Como assim...?

— Você e eu, sim. Vamos a Roma. Diretamente para o ninho da víbora. Veremos o que podemos descobrir.

— Está falando sério?

Carbo pensou nos pais na mesma hora. Sentindo-se culpado, afastou a ideia.

— Nunca falei mais sério. — Ele ainda ouvia a voz de Ariadne pedindo para que não fosse; viu a incredulidade nos rostos de Pulcher e Egbeo.

— Só você e eu?

— Sim. Você pode ser o filho de um grande fazendeiro. Serei seu escravo.

— Pode dar certo — murmurou Carbo, divertindo-se.

— E o exército? — perguntou Navio. — Não pode deixar Castus e Gannicus sem supervisão. Aqueles merdas estragarão tudo!

— Não estragarão, não. Eles querem um bom lugar para passar o inverno, assim como eu. Quando chegarem a Thurii, só desejarão beber vinho e foder. — Spartacus sabia que isso era mentira. Os gauleses redobrariam os esforços para recrutar homens em sua ausência. Contudo, ele estava decidido. Recuperaria a liderança quando voltasse. — Já falei com Pulcher e Egbeo sobre como proceder se forças romanas aparecerem. Eles podem intervir se os gauleses decidirem fazer algo maluco.

Navio parecia desconfiado, mas não discutiu.

— E Ariadne? Ela não está prestes a dar à luz? — Como todos os outros soldados, Carbo tinha muita estima pela esposa de seu líder. Apesar de sua gravidez avançada, ela ainda se locomovia como todo mundo. “Faz bem para o bebê”, dizia ela todos os dias com um sorriso feliz. No entanto, Carbo viu seu rosto sério naquela mesma tarde. Spartacus precisava levar isso em consideração. — Você não quer estar aqui para o nascimento de seu filho?

Spartacus o encarou com a expressão séria.

— Ariadne me disse que só entrará em trabalho de parto daqui a três semanas. Acredito nela. As mulheres sabem dessas coisas.

— Compreendo — murmurou Carbo.

— Partiremos amanhã e chegaremos a Roma faltando um pouco mais de uma semana e meia para o parto. Se comprarmos cavalos, será ainda mais rápido. Dois ou três dias devem ser suficientes. Os cavalos também agilizarão o retorno. — Ele olhou para Navio. — Você terá tempo suficiente em Thurii para erguer uma tenda para Ariadne antes de chegarmos.

— Será a primeira coisa que farei.

— Se tem certeza... — disse Carbo, ainda em dúvida. Ele nunca havia percorrido uma distância tão grande a cavalo.

— Tenho. — Spartacus não disse nada sobre a discussão que tivera com Ariadne sobre isso.

Ela havia discordado da ideia, segundo ela, não porque ele poderia perder o parto, mas por causa dos perigos que ele enfrentaria. “E se você for reconhecido em Roma?”, ela não parava de perguntar. Spartacus rira.

— Quem vai me reconhecer? A probabilidade de encontrar alguém que conhece meu rosto é menor do que a de um floco de neve sobreviver ao sol do meio-dia. — Ele segurara a mão dela. — Preciso descobrir o que os malditos romanos estão planejando. Só terei uma chance de matar Crassus.

— E se você for pego?

Ele rira.

— Isso não vai acontecer. Vou levar Carbo comigo. Ele é um nativo. Vou agir como se fosse escravo dele. Estaremos em uma viagem curta de negócios a Roma, só dois homens em uma multidão de milhares. O que poderia dar errado?

Ariadne enfim se acalmara ao perceber que ele não seria convencido, mas certa tensão permanecera entre os dois. “Ela pode ser resolvida quando eu voltar”, resolvera Spartacus.

— Então, você vai?

Por ser a primeira vez que Spartacus fazia um pedido desse tipo, de homem para homem e não de líder para seguidor, Carbo se emocionou. Também ficou feliz, porque em Roma poderia haver uma oportunidade de encontrar seus pais.

— Claro.

— Ótimo. — Spartacus se levantou.

— Não quer um pouco de vinho quente? — Carbo fez um gesto, e Arnax saiu apressado para pegar a ânfora na barraca.

— Não. Quero estar com a cabeça limpa de manhã. Teremos que andar mais de trinta quilômetros por dia.

— Compreendo. Arnax, não precisa.

— Esquente um pouco, de qualquer forma — pediu Navio. — Vou tomar um copo ainda que Carbo não tome. Farei um brinde a seu sucesso e, mais importante ainda, a seu retorno em segurança.

— Obrigado. — Spartacus lhes lançou um olhar de alerta. — Não é preciso dizer que ninguém deve falar sobre isso. A ninguém.

Carbo e Navio assentiram.

— Eu não falo, eu não falo, eu... — disse Arnax, assustado.

— Tudo bem. Sei que não vai falar. — Meneando a cabeça, Spartacus desapareceu na escuridão.

Navio virou a cabeça.

— Pelos deuses, aposto que você não esperava isso.

— Ainda não acredito.

— Nem eu. Seus pais não foram para Roma?

Carbo havia contado a Navio a história depois da confusão com a carta.

— Sim.

— Está tentado a encontrá-los?

— Não sei. Pode ser que não consiga.

— Quando terá uma chance melhor do que essa?

— Esquece — murmurou Carbo.

Navio ergueu as mãos, com as palmas para fora.

— Tudo bem.

Carbo olhou para as chamas, pensativo. Para dizer a verdade, ele estava com receio de encontrar os pais de novo. O que lhes diria sobre onde estivera no último ano? Teria que mentir sobre absolutamente tudo. Apesar disso, o coração doía ao pensar neles.

Carbo despertou antes do amanhecer. Movendo-se com cuidado para não acordar Navio e Arnax, ele afastou os cobertores. Enrolou-os, colocando-os na bolsa, que estava pronta a seu lado. Fora para a cama todo vestido, então só precisava calçar as sandálias, pegar a adaga e sair. Apesar de já esperar ver Spartacus, ele se sobressaltou ao distinguir o homem parado na semiescuridão.

— Está aqui há muito tempo? — sussurrou.

— Um pouco.

— Perdeu o sono?

— Mais ou menos. — “Eu estava cansado da reprovação emanada por Ariadne.” Spartacus se arrependia de não ter dito adeus, mas a frieza entre eles tinha aumentado durante a noite.

Era estranho ver seu líder sem a espada, o elmo e a malha, refletiu Carbo. Spartacus vestia uma túnica simples de lã e sandálias. Carregava um pedaço de pau largo. Uma adaga estava embainhada na faixa de couro em seu ombro. Ele parecia um escravo agricultor comum.

— Estou pronto — disse Carbo.

— Dê sua bolsa para mim.

— O quê?

— Se você é o mestre e eu sou o escravo, então tenho que carregar suas coisas. Desde agora. Só os deuses sabem quem encontraremos na estrada. Não há por que levantar suspeitas, certo?

— Mas...

— Dê para mim.

Sentindo-se estranho, Carbo obedeceu.

— Você não está levando armas?

— Só esta.

Ele deu um tapinha na adaga.

— Tudo bem. Vamos. É um longo caminho até Roma.

Carbo lançou um olhar para sua barraca. Sentiu um nó na garganta ao pensar que poderia nunca mais ver Navio e Arnax. “Voltarei quando eles menos esperarem”, disse a si mesmo. Endireitando os ombros, partiu com Spartacus um passo atrás.

— Que os deuses estejam com você! — disse alguém baixinho.

Virando-se, Carbo viu a cabeça de Navio espiando pela barraca. Ele sorriu.

— Obrigado.

Assentindo em despedida, os dois passaram entre as fileiras de barracas. Foi preciso bastante tempo para que chegassem ao limite do enorme acampamento, situado em uma área ampla entre dois picos de mata. Próximos de seu perímetro, eles passaram por vários sentinelas, que sorriam e acenavam para eles.

— Eles acham que vamos fazer apenas um reconhecimento da região — murmurou Spartacus. — Fiz Pulcher espalhar essa notícia ontem à noite.

— O que eles dirão quando não voltarmos?

— Se alguém perguntar, Pulcher deve dizer que pode ser que tenhamos ido em direção ao sul à frente do exército, para conferir o terreno. Não importa muito se os homens não acreditarem na história. Todo mundo agora só pensa em chegar a Thurii. Voltaremos antes que haja qualquer problema sério.

Spartacus imaginou Castus, que ficou muito satisfeito quando soubera da missão. Gannicus parecera contente também, mas a chance de ter uma missão decente e de matar Crassus tinha que ter prioridade. “Eles não derrotarão tantos homens assim”, disse ele a si mesmo.

Deixando o acampamento para trás, eles subiram uma ladeira íngreme coberta por faias e desceram pelo outro lado. O céu a leste clareava depressa agora, porém, não tinha mais importância. Só os sentinelas e Navio os tinham visto partir.

Pelo menos, era o que imaginaram.

Nove dias depois, os dois estavam quase em Roma. O mais irritante foi a dificuldade em encontrar montarias adequadas, uma tarefa muito demorada. Assim, eles caminharam, cobrindo mais de trinta quilômetros por dia, consideravelmente mais rápido do que o passo lento do exército rebelde. Tinha sido difícil prosseguir, mas Carbo não reclamou. Spartacus levava as duas bolsas enquanto que ele caminhava carregando apenas o compartimento de água.

Desceram as montanhas assim que puderam e tomaram o caminho mais rápido para a capital: a Via Appia, que ia de Brindisi a Roma. Feita de blocos de basalto preto, era a artéria principal da República, na qual transitavam carroças cheias de produtos para permuta, soldados, viajantes e civis de todos os tipos. Carbo e Spartacus tinham sido engolidos pela horda que fluía em direção à capital — só mais um senhor e seu escravo cuidando de seus afazeres.

Conforme o combinado, os dois só falavam na estrada quando não havia mais ninguém à vista. Nas estalagens onde tinham dormido a cada noite, Carbo ficava em um quarto pequeno, enquanto o trácio dormia em estábulos ou mesmo do lado de fora. Era comum que escravos agricultores fossem maltratados, e Spartacus não queria causar estranhamento. Tudo precisava transcorrer sem problemas, pois o tempo era muito importante. Se ele ficasse longe por muito tempo, os gauleses poderiam causar algum mal real. E ele poderia perder o nascimento de seu filho.

— Devemos estar próximos agora — disse Carbo, apontando para uma tumba especialmente grande de blocos. — Elas estão ficando maiores. — Os mausoléus se estendiam pelos dois lados da estrada por quilômetros, memoriais dos ricos e poderosos.

— Tem razão. Há menos latrones e prostitutas baratas à vista também.

Era verdade, pensou Carbo. As pessoas que se esquivavam entre ciprestes e criptas com suas estátuas dos mortos tinham desaparecido quase que por completo.

— Parece que a guarda da cidade não tolera a presença deles.

— Pronto — disse Spartacus. — Lá em cima. Veja.

Acima das cabeças das pessoas à frente e emoldurado pelas árvores dos dois lados, Carbo viu um muro alto de pedra.

— É enorme!

Spartacus grunhiu, irritado. As defesas de Roma eram, no mínimo, intimidadoras. Da altura de cinco homens, um sobre os ombros do outro, o muro tinha tufas calcárias amarelas grandes. Via-se os soldados indo de um lado para o outro em uma muralha que se estendia acima. Havia uma torre fortalecida nos dois lados dos portões de ferro que levavam à capital. As duas tinham catapultas. Spartacus tinha uma vaga noção de como dominar Roma, mas esta desapareceu por completo naquele momento. “Eu precisaria de engenheiros que pudessem construir balistas enormes. Mesmo assim, demoraria meses para abrir brechas suficientes nas defesas para invadir o lugar com sucesso. Meses durante os quais outras legiões seriam formadas em outro lugar da Itália.” Ele afastou o mau humor.

— Há quanto tempo isso está aí?

— Tem mais de trezentos anos — respondeu Carbo, orgulhoso. — Foi erguida depois do saque à cidade, realizado pelos gauleses.

— Impressiona, mas é uma pena que tenha sido erguida. As coisas com Aníbal poderiam ter sido diferentes. E para mim também. — O orgulho de Carbo desapareceu. — Qual é o comprimento?

— Quase sete quilômetros. Envolve todos os sete montes. Há um fosso profundo de defesa também, que veremos conforme nos aproximarmos.

— Mal posso esperar — disse Spartacus de modo seco.

Envergonhado pelo entusiasmo anterior, Carbo se calou.

— Onde seu tio mora?

— No monte Esquilino.

Tinha sido inevitável para Carbo contar a Spartacus toda a história de sua família. O trácio já sabia do papel de Crassus em seus problemas.

— Você quer vê-los? — perguntara Spartacus.

— Sim.

Carbo observara o fogo ao responder, ainda lembrando da confusão de quando havia ditado a carta em Módena.

— Acho que você deveria ir — dissera Spartacus, e ele se surpreendeu.

— Acha que é uma boa ideia fazer contato com meus pais?

— Se houver uma oportunidade, sim. Você pode ser morto a qualquer momento.

Carbo se arrepiou.

— Não acho que o Esquilino seja longe de Capena, o portal para onde estamos indo. Não vai ser difícil descobrir.

— Não agora — alertou Spartacus. — Vamos encontrar um lugar para ficar primeiro. Confira a região. Veja o que está havendo.

Carbo corou.

— Perdão.

— Você terá sua chance.

Contentando-se com aquilo, Carbo continuou andando, determinado a apreciar a cidade sobre a qual ele ouvira falar, mas que nunca tinha conhecido. Na infância, ouvia as histórias da capital e do Fórum Romano, o espaço onde cidadãos se encontravam para se socializar, fazer negócios e pedidos a senadores, encoberto pelo monte Capitolino com seu complexo enorme de templos e a estátua imensa de Júpiter. Não haveria tempo, mas ele também queria ver o Circus Maximus, um estádio natural formado pelas ladeiras íngremes dos montes Aventino e Palatino.

O encanto logo se tornou surpresa. Depois de passarem pelo muro serviano, apenas a estrada de basalto mantinha a grandiosidade. Ainda era ampla o bastante para que duas carroças passassem juntas. Porém, do outro lado, as ruas que subiam os montes eram estreitas e não pavimentadas, eram iguais às de Cápua. As construções eram mais altas do que Carbo ou Spartacus já tinham visto — três, quatro e cinco andares de altura, sendo que a maioria era malconstruída. O ar tinha cheiro de lixo apodrecido, de fezes e de urina, um cheiro que vinha das oficinas que se acumulavam ao redor da Porta Capena. E pessoas. Havia mais pessoas do que os dois poderiam imaginar reunidas em um lugar. Elas empurravam e passavam, tão concentradas em seus afazeres que nem olhavam para os outros transeuntes.

A confusão aumentava com as fileiras de carroças que lotavam a estrada. Cheias de legumes, carne, vasos de argila empilhados e vários outros produtos, eram puxadas por pares ou grupos maiores de bois. Os condutores xingavam uns aos outros, e os pedestres culpavam a todos, menos eles mesmos pela multidão que retardava o trânsito, num passo de lesma. Carbo foi até a rua, esperando conseguir avançar mais, porém, as oficinas, os restaurantes e as tavernas de fachadas abertas ocupavam a área diante das premissas com barracas, mesas e produtos à venda. Qualquer espaço disponível era ocupado por mendigos desdentados — uma combinação de leprosos, amputados e crianças desgrenhadas — ou malabaristas, encantadores de serpente e outros artistas.

— Isso não é nada bom — disse Carbo, frustrado. — Vamos levar o dia todo para chegar a algum lugar se formos pela Via Appia. Mas não conheço as ruas secundárias.

— Isso é fácil de resolver. — Spartacus estalou os dedos para uma menina com o nariz escorrendo, que vestia uma túnica simples. — Quer ganhar um asse?

A maltrapilha apareceu ao lado de Spartacus num piscar de olhos.

— Sim, senhor.

— Não precisa me chamar de “senhor”. Sou um escravo.

— Tudo bem — disse a garota, dando de ombros sem se importar. — Novo na cidade?

— Sim. Meu mestre está procurando hospedagem para algumas noites. Na região central, se possível. Nada muito caro, mas não um buraco. Algum lugar onde as camas sejam limpas e a comida não seja um veneno. E onde o vinho seja razoável.

— Precisa de prostitutas?

— Se puder garantir que elas não têm sífilis — respondeu Carbo.

Ao ouvir isso, a menina sorriu e mostrou os dentes apodrecidos.

— Conheço o lugar certo. Campos Elísios. Fica entre o Esquilino e o Quirinal.

— É longe? — perguntou Spartacus.

— Não por onde vou levá-los. Sigam-me!

A maltrapilha entrou em uma viela.

Carbo olhou para Spartacus, inseguro.

— O que está esperando?

— Confia nela?

— Ela viu minha maca e percebeu que nós dois temos adagas. Ela deve saber que é bobagem nos trair. Meu dinheiro diz que ela nos levará diretamente para uma estalagem decente.

Carbo não tinha certeza, mas não estava no comando — apesar de parecer estar.

— Tudo bem.

Ele correu atrás da garota. Spartacus foi junto.

Não muito depois, eles tinham chegado a Campos Elísios, um local comum perto de Vicus Patricius. Carbo olhou ao redor e viu que a garota fez o que eles pediram. A taverna era pequena, mas limpa e bem-localizada, e o proprietário, um ex-soldado afável, parecia honesto. Depois de pagar à menina, Carbo ocupou um quarto no primeiro andar. Spartacus encontrou o atendente do lugar e conseguiu um espaço nos estábulos. Depois de uma conversa breve e casual, ele descobriu que a cidade estava sendo tomada pelas notícias sobre a intenção de Crassus de liderar os exércitos da República.

— Os cônsules não poderiam mais discutir com ele, certo? — comentou o atendente com seriedade. — Somados, os tolos tinham sido derrubados três vezes por Spartacus. Já basta, não é?

— É verdade — disse Spartacus, disfarçando um sorriso. — Então, Crassus vai acabar com os escravos, não vai?

— Assim ele promete. Está criando seis legiões novas. Usando o próprio dinheiro também. Isso é o que chamo de dedicação à República.

Spartacus esperava ouvir más notícias, mas não tão cedo. Por dentro, começou a xingar. Crassus era mais organizado e tinha mais espírito de líder do que deixava transparecer. Quando seis novas legiões fossem acrescentadas aos sobreviventes dos exércitos dos cônsules, ele teria quase dez legiões. “Grande Cavaleiro, precisarei de sua ajuda mais do que nunca.”

— Isso é impressionante. Então, é verdade que ele é o homem mais rico de Roma?

— Pois é! Conquistou a maior parte da fortuna durante as proscrições de Sulla. Comprou as propriedades daqueles que foram executados — explicou o atendente. — Ele ganha dinheiro quando ocorrem incêndios. Oferece aos donos de qualquer construção em chamas uma quantia pequena. Quase todos aceitam. É isso ou não ganham nada. Crassus tem sua própria brigada de incêndio. Quando ele fecha o acordo, apaga o fogo. Em seguida, ele tem o terreno no qual erguer uma nova construção.

— Ele parece desagradável.

— Mas dizem que ele é muito educado. Contribui regularmente com doações de grãos aos escravos. Crassus é muito esperto e poderoso. — O atendente piscou. — Diga a seu senhor que ele poderá vê-lo falar com os cidadãos esta tarde, se quiser.

— É mesmo? — perguntou Spartacus de modo casual. — Onde será?

O atendente ergueu as sobrancelhas.

— Esqueci que você não é da cidade. No Fórum.

— Obrigado. Direi a ele.

Com um pedaço de feno na boca, Spartacus saiu para encontrar Carbo.

Carbo dormia na cama mais confortável, quando acordou com uma batida na porta.

— Senhor?

Ele se sentou assustado.

— Sim?

Spartacus já estava no cômodo de teto baixo.

— Eles estão servindo comida lá embaixo, senhor. Porco assado ou peixe grelhado. Quer um pouco? — Ele fechou a porta. — Você não imagina o que vai acontecer esta tarde.

— O quê?

— O maldito do Crassus vai falar para as pessoas no Fórum.

De repente, Carbo ficou alerta.

— Quem disse isso?

— O atendente da estalagem. Crassus está formando seis legiões, além do que sobrou das forças de Longinus e dos cônsules. No total, ele liderará cerca de dez legiões.

Carbo se sentiu enjoado.

— São muitos legionários.

Spartacus fez uma careta.

— Eu disse que seria mais difícil.

— Vamos tentar matá-lo? — perguntou Carbo.

— Foi para isso que viemos aqui, não foi?

A adrenalina percorria as veias de Carbo.

— Sim.

— Pelos deuses, parece que você quer matá-lo mais do que eu! — brincou Spartacus com uma risada.

— Ele destruiu minha família, arrastou o nome de meu pai na lama, tirou o teto sobre nossas cabeças. E para quê? Três meses de atraso em seu financiamento! — Carbo pegou a adaga. — Eu sentiria muito prazer em cortar aquele pescoço.

— Contenha-se.

O olhar firme de Spartacus o irritou.

— Desculpe.

— Não precisa se desculpar. Você tem bom motivo para odiá-lo. Mas, uma situação assim exige cabeça fria. Como saber quais proteções ele terá? Acalme-se sabendo que depois que ele morrer, ninguém vai pensar nele. Se sairmos correndo como dois tolos, o único que vai rir depois será Crassus. Vai rir de nossos corpos ensanguentados. Você não quer isso, quer?

— Não — murmurou Carbo.

— Poderemos avaliar bem a situação quando virmos o que está acontecendo e quem estiver por perto. Não antes. — Spartacus já vira muitos homens mortos em batalha porque tinham agido de modo precipitado. Agora não era o momento para afobação. — Talvez não tenhamos chance de matar Crassus. Se isso acontecer, vamos apenas nos afastar. Está claro?

Carbo engoliu o ressentimento. Se não fosse pelo trácio, havia muito ele já teria virado comida para os vermes do cemitério do ludo.

— Sim.

— Então, guarde essa maldita adaga e me mande segui-lo para comermos.

Demorou um pouco para Carbo entender o que Spartacus queria dizer. Tirando a adaga da bainha, ele sorriu.

— Quero andar pela cidade grande — disse ele em voz alta. — Podemos encontrar algum lugar para comer no caminho. — Ele abriu a porta. Apesar de não haver motivos para suspeitas, ele ficou feliz por ver o corredor vazio. Carbo rezou com mais intensidade do que nunca. “Poderoso Júpiter, Ó Grande e o Melhor, nos dê a oportunidade para que matemos Crassus. Guie minha lâmina... e a de Spartacus.”

Na pressa, ele se esqueceu de que pedidos às divindades tinham que ser feitos com muita exatidão.