Vigilância alimentar e nutricional e a rede de saúde
Crescimento de crianças
Segundo a PNSN, por exemplo, 23,9% dos nascidos de baixo peso eram pré-termos.
Em contrapartida, dados disponíveis para dois municípios brasileiros mostram situações bastante diversas desta: 42% em Pelotas 200 e 43,7% no Rio de Janeiro (SMS-RJ, dados de 1993, inédito). Como era de se esperar, por estarem em regiões com melhores indicadores socioeconômicos que a média brasileira, estes municípios apresentam uma situação menos distante daquela dos países desenvolvidos.
Crescimento de crianças
O perfil nutricional de crianças menores de cinco anos será expressado por três índices antropométricos: Massa Corporal para Idade (MC/I), que reflete a situação global, não diferenciando os comprometimentos nutricionais atuais ou agudos dos pregressos ou crônicos; Massa Corporal para Estatura (MC/E), que identifica a harmonia do crescimento, sendo comprometido por agravos agudos, e Estatura para Idade (E/I), que examina o crescimento linear, sendo afetado por agravos ao crescimento de caráter crónico, de longa duração 57,116,119,203.
Assumiu-se como população de referência a do National Center for Health Statistics, sendo consideradas desnutridas as crianças situadas abaixo de -2 escores Z141,148,206.
Quanto ao indicador MC/I, observou-se, entre 1975 (ENDEF) e 1989 (PNSN), uma redução importante da prevalência de crianças abaixo do ponto de corte estipulado: de 18,4 para 7,1%, ou seja, uma queda de mais de 60% para o grupo etário em geral, sendo ainda
maior para a faixa acima de 24 meses (Figura 11). Houve uma redução também expressiva (53%) em números absolutos: em 1975, o contingente de crianças desnutridas era de 2.222.843, enquanto, em 1989, era de 1.167.347112.
Figura 11 - Desnutrição (MC/I) em crianças < 5 anos por faixa
etária, ENDEF/PNSN. Desenhada a partir de dados obtidos em
Monteiro, Benício, Inues, Gouveia , Taddei & Cardoso (1993).
Puderam ser observados progressos importantes em todas as regiões geográficas, nos meios urbano e rural e nas diversas faixas de renda, sendo proporcionalmente mais significativos no Centro-
Sul (Figura 12), nos estratos de renda mais altos (Figura 14) e no
meio urbano para o país como um todo (Figura 13). As regiões Sudeste e Sul apresentaram quedas semelhantes tanto no meio rural como urbano. Em linhas gerais, portanto, aumentaram os diferenciais geográficos, urbano/rural e socioeconômicos83,112.
Figura 12 - Desnutrição (MC/I) em crianças < 5 anos por faixa
etária, ENDEF/PNSN. Desenhada a partir de dados obtidos em
Monteiro, Benício, Inues, Gouveia , Taddei & Cardoso (1993).
Figura 13 - Desnutrição (MC/I) em crianças < 5 anos por faixa
etária, ENDEF/PNSN. Desenhada a partir de dados obtidos em
Monteiro, Benício, Inues, Gouveia , Taddei & Cardoso (1993).
Figura 14 - Desnutrição (MC/I) em crianças < 5 anos por faixa
etária, ENDEF/PNSN. Desenhada a partir de dados obtidos em
Monteiro, Benício, Inues, Gouveia , Taddei & Cardoso (1993).
Os resultados encontrados na PNSN para os índices MC/E indicam que, no Brasil, a desnutrição aguda é irrelevante em termos coletivos. Abaixo de -2 Z escores encontram-se cerca de 2% das crianças menores de cinco anos em todas as regiões geográficas e faixas de renda. Esta frequência é semelhante à da população de referência 111.
Já em relação ao índice E/I, quando comparados os dois estudos, foi registrado, para o Brasil como um todo, um aumento da estatura não só entre as crianças menores de cinco anos, mas também entre escolares e adolescentes83.
Ainda assim, a desnutrição crônica é bastante relevante: 15,4% das crianças menores de cinco anos foram diagnosticadas como tendo baixa estatura, estando presentes, também aqui, importantes
diferenciais entre as diversas regiões geográficas (Figura 15), meios urbano e rural (idem) e faixas de renda108,111. Vale destacar que a maior prevalência de desnutrição crônica nas regiões Norte e Nordeste é decorrência de dois fatores: o menor nível de renda das famílias que aí vivem em relação às do Centro-Sul e a maior frequência de baixa estatura mesmo em estratos de renda iguais107,108.
Figura 15 - Desnutrição (E/I) em crianças < 5 anos por região
geográfica e situação rural ou urbana, ENDEF/PNSN. Desenhada a
partir de dados obtidos em Monteiro, Benício, & Gouveia (1992).
Lançando mão de estudos menos amplos, complementares ao ENDEF e ao PNSN, Iunes & Monteiro (1993) sugerem que, em relação à evolução do perfil nutricional infantil, o período de 1970 a 1989 pode ser dividido em três subperíodos: o primeiro, de estagnação do estado nutricional (1970 a 1975), o segundo, de ganhos importantes e continuados (1975 a 1982) e o terceiro, de ganhos moderados e descontínuos (1982 a 1989).
Comparado a outros países não-desenvolvidos da África, Ásia, América Latina e Oceania, o Brasil se encontra no grupo de baixa prevalência de desnutrição infantil, com frequências globais menores que 10% para o índice MC/I; inferiores a 4% em relação a MC/E e abaixo de 20% para E/I. Em termos absolutos, entretanto, encontra-se em situação intermediária49.