Vigilância alimentar e nutricional e a rede de saúde

Inês Rugani R. de Castro · Capítulo 16 de 33

Páginas do PDF

Vigilância alimentar e nutricional e a rede de saúde

Situação nutricional de gestantes

 

Figura 19 - Estado nutricional de adultos por gênero,

ENDEF/PNSN, ajustado por idade. Desenhada a partir de dados

obtidos em Coitinho, Leão, Recine, & Sichieri (1991).

Os fatores que parecem explicar esta mudança de perfil são, entre outros: envelhecimento da população; substituição de alimentos ricos em proteínas e vitaminas por outros ricos em gorduras e carboidratos, sem aumento do consumo global de alimentos; possível diminuição dos níveis de gasto energético, seja por ampliação das ocupações do setor de serviços, e/ou por mudança na forma de se viver, com aumento do sedentarismo, e/ou, ainda, por redução da ocorrência de doenças infecciosas e da espoliação orgânica dela decorrente44. No entanto, são necessários outros estudos para que se elucidem, com mais profundidade, os determinantes do perfil nutricional dos adultos brasileiros.

Situação nutricional de gestantes

É consenso, hoje, que o estado nutricional da gestante é fator fundamental para a saúde dela própria e do bebe e que, particularmente nos países não-desenvolvidos, as mulheres grávidas representam um grupo bastante vulnerável nutricionalmente 57,150,152,200.

No entanto, em muitos países, entre eles o Brasil, não há informações que espelhem nacionalmente a situação nutricional deste grupo. Os poucos resultados disponíveis são os produzidos pelo SISVAN na rede pública de assistência à saúde de alguns municípios, sendo utilizado o índice massa corporal para estatura para idade gestacional através do gráfico de Rosso (1985) 173. Este instrumento foi preconizado pelo Ministério da Saúde na segunda metade da década de 80 sem ter sofrido prévia validação para a população brasileira. Estudo multicêntrico desenvolvido em seguida demonstrou que a curva então recomendada apresenta especificidade e valor preditivo positivo baixos187. Portanto, os dados apresentados a seguir devem ser encarados com cautela.

Em Fortaleza, por exemplo, os consolidados de 1991 indicaram que, das gestantes atendidas, 39,6% apresentaram baixo peso e 14,5% sobrepeso em 1991 e 43% e 15%, respectivamente, no primeiro semestre de 1992 87,88. Valores semelhantes foram encontrados para o baixo peso em Pernambuco: no período de maio a agosto, sua prevalência oscilou entre 37 e 40%64.

Já na rede municipal de saúde do Rio de Janeiro, as prevalências de baixo peso e sobrepeso foram, respectivamente, de 39 e 17% em 199155 56 e de 32 e 21% em 1993.

Estes resultados apontam para uma prevalência bastante relevante de baixo peso nas diversas realidades e de sobrepeso, principalmente no Rio de Janeiro. É fato que eles expressam o perfil da clientela que frequenta os serviços públicos de saúde, não podendo, portanto, ser extrapolados para toda população gestante brasileira. De qualquer modo, apontam para o fato de que mais de 50% da clientela gestante atendida está fora da faixa de ganho adequado de peso, reforçando a necessidade de um mapeamento mais criterioso e representativo que subsidie uma análise ampla deste perfil.