Vivendo com propósitos

Ed René Kivitz · Capítulo 9 de 28

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Vivendo com propósitos

6. Propósitos

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PROPÓSITOS

 

DEFININDO OS TERMOS

Metas, objetivos e propósitos são palavras entrelaçadas que, para a maioria

das pessoas, querem dizer exatamente a mesma coisa: pontos de chegada. Os

manuais de planejamento e de gestão multiplicam-se e, com eles, também

cresce o número de de nições possíveis para os termos. Na verdade, o mais

comum é que cada autor use as palavras de acordo com sua conceituação

particular: o que um chama de meta o outro chama de objetivo, e o que o

outro chama de propósito, aquele um chama de meta, e assim por diante, até

que ninguém se entende numa reunião porque todos estão usando as

mesmas palavras, mas com sentidos diversos. Tudo porque cada um leu um

manual diferente, e ninguém se preocupou em uni car a linguagem.

A coisa não poderia mesmo ser diferente. As de nições do Dicionário

Aurélio, por exemplo, ajudam, mas não esclarecem. Precisamos montar o

quebra-cabeça dos conceitos, e o melhor que temos a fazer é redigir nosso

próprio Aurélio: cada um escreve o seu dicionário e, depois, no meio das

conversas faz as adequações necessárias do tipo “ele está falando de objetivo,

mas pra mim isso é meta, tudo bem, já entendi, vamos em frente”. Fiz o meu

Aurélio particular e convido você a me acompanhar no raciocínio. Primeiro,

vamos ao Aurélio de verdade.

 

meta. [Do lat. meta.] S. f. 1. Poste, marco, cordel ou qualquer outro sinal que indica ou demarca o ponto nal das corridas (de pedestres, de cavalos, de regatas etc.): O jóquei levou o potro além da meta. 2. V. gol (1). 3. Baliza, barreira, marco, limite: as metas da pista. 4. Alvo, mira, objetivo: “E quando o leitor tem mais altas ambições, visa também seu ideal ponto de chegada ou sua meta negaceadora: a

loso a da literatura ou a discussão dos problemas gerais da literatura” (Fidelino

de Figueiredo, Um homem na sua Humanidade, p. 162) 5. Termo, limite, m: a meta do asteroide; a meta da vida. [Pl.: metas. Cf. meta (ê) e metas (ê), do v. meter.]

objetivo. [De objeto + -ivo.] Adj. 1. Relativo ao objeto. 2. Prático, positivo. 3. Filos. Diz-se do que é válido para todos, e não apenas para um indivíduo. 4. Diz-se de fenômeno natural que se determina conforme os critérios cientí cos vigentes. ~ V. complemento –, direito –, idealismo –, novação –a, pronome – e vertigem –a. • S. m. 5. Mat. No método interativo, o valor nal para o qual convergem progressivamente os resultados das sucessivas interações. 6. Objeto. propósito. [Do lat. propositu.] S. m. 1. Algo que se pretende fazer ou conseguir; intenção, intento, projeto. 2. Deliberação, determinação, decisão, resolução. 3. Modo sisudo; tino, prudência. 4. Relação, ligação. 5. Fim a que se visa. [Cf. prepósito.] A propósito. 1. A respeito. 2. Oportunamente, convenientemente. 3. V. por sinal. A propósito de. 1. Pelo fato de. 2. Com respeito a. De propósito. 1. Por querer; por acinte; intencionalmente, adrede. Fora de propósito. 1. Alheio ao assunto ou às circunstâncias presentes; despropositado.

nalidade. [De nal + (i)dade; lat. tard. nalitate, “desinência”, “terminação”.] S. f.

1. Fim a que se destina uma coisa; objetivo, alvo; destinação. 2. Causa nal, i.e., explicação intelectual dum fenômeno pelos acontecimentos que se lhe seguem, pelo m a que ele se destina. Finalidade externa. Filos. 1. A que tem por m um ser diferente daquele que (total ou parcialmente) é meio de realizar esse m. Finalidade imanente. Filos. 1. A que resulta da natureza e do desenvolvimento do próprio ser em que aparece. Finalidade interna. Filos. 1. A que tem por m o próprio ser cujas partes são consideradas como meios. Finalidade transcendente. Filos. 1. A que se realiza em um ser pela ação que sobre ele exerce outro ser visando ao m considerado.

 

Minhas de nições pessoais indicam que a meta está relacionada com

pontos mensuráveis de uma caminhada e dizem respeito a pontos de

chegada ou a paradas para avaliação. A meta é o lugar de nitivo ou

intermediário onde eu quero chegar. A meta responde à pergunta aonde? O

objetivo, por sua vez, está relacionado com o que se pretende caso a meta

seja alcançada. O objetivo justi ca a meta. O objetivo responde à pergunta

para quê? O propósito está relacionado com a motivação pela qual se busca

um objetivo. O propósito é aquilo de que estou imbuído ao me mover em alguma direção. O propósito está relacionado com a nalidade, e a nalidade

é algo intrínseco à natureza do próprio ser, que age em direção às suas metas

e objetivos. O propósito é a programação interior que me coloca em

movimento em certa direção. O propósito é a razão por que algo existe ou é

feito. O propósito responde à pergunta por quê?

Em síntese, o propósito é algo que vem de dentro, que faz parte da minha

natureza e identidade e que naturalmente me leva a buscar algumas coisas

em detrimento de outras. Para alcançar essas coisas que estou buscando

(objetivos), estabeleço alguns padrões de medida (metas), isto é, maneiras

de saber se estou chegando aonde quero chegar. Dando asas à imaginação,

podemos trilhar os caminhos de La Fontaine e imaginar que o Vento

perguntou ao Fogo a razão pela qual estava derretendo a ponta do cordão, e

ele respondeu que estava preocupado em não deixar o cordão des ar, mas,

no fundo, no fundo, gostava mesmo era de queimar. Derreter a ponta do

cordão era a meta. Evitar que o cordão des asse era o objetivo. Queimar era

o propósito, pois o fogo foi feito para queimar. Na moringa sobre a pia da

cozinha estava a Água, ouvindo a conversa entre o Vento e o Fogo. Naquele

instante, pensou: “Também tenho uma meta: ser bebida até o m da tarde, e

um objetivo: matar a sede de alguém, porque para isso existo, esse é o meu

propósito: sou Água, fui feita para molhar”.

 

ILUSÃO, FRUSTRAÇÃO E FELICIDADE

Conheço pessoas que têm meta, mas não têm objetivo nem propósito.

Tratam as metas como um m em si mesmo. Conseguem alcançar suas

metas, mas não sabem explicar a razão por que tanto se sacri caram.

Cruzam a linha de chegada com uma sensação de vazio e não se conformam

que o sucesso em atingir a meta não tenha repercutido em qualquer

mudança em sua vida ou num mínimo de realização. Essas pessoas,

geralmente, vivem de acumulação. Acumulam bens, mas nunca desfrutam

de suas posses. Acumulam romances, mas nunca se satisfazem afetivamente. São pessoas movidas pela conquista, e a conquista para elas é um m em si

mesmo. Jamais estão satisfeitas. É o que Schopenhauer resume ao a rmar

que “a vida oscila, pois, como um pêndulo, da direita para a esquerda, do

sofrimento ao tédio”.l Sofrimento, porque há desejo sem posse, e tédio,

porque há posse sem desejo. Quem tem meta sem objetivo nem propósito

não é capaz de satisfazer-se com suas conquistas, porque as conquistas não

podem ser encaradas como ns em si mesmas.

Conheço também pessoas que têm objetivos e propósitos, mas que não

têm metas. Não conseguem sair do lugar, pois faltam os passos práticos na

direção de seus objetivos. Essas pessoas geralmente convivem com imensas

frustrações em razão de desejos não satisfeitos, mas, na verdade, não sabem

o que poderia trazer tal satisfação. Desejam conforto para a família, viver

um grande amor, ganhar dinheiro, obter reconhecimento entre os pares,

mas não conseguem identi car, ao certo, quais seriam as experiências que

resultariam na realização de tais objetivos. São pessoas que pensam de

maneira abstrata e que enxergam di culdade em tudo. Diferentemente dos

que vivem de acumulação, gente assim vive de ilusão. Têm sonhos sem trem

de pouso.

Há também os que têm metas e objetivos, mas não têm propósito. Esses

são os mais infelizes. Stephen Covey fala daqueles que subiram a escada do

sucesso e descobriram que a escada estava escorada na parede errada, mas

de fato, as pessoas que têm metas e objetivos, mas não têm propósito,

escoraram a escada em parede nenhuma. Sua peregrinação rumo aos

objetivos por meio das metas não encontra sustentação. Chegam lá, mas é

como se não tivessem chegado. Conseguiram alcançar a meta de comprar a

casa para realizar o objetivo de dar mais conforto para a família, mas se

esqueceram de perguntar se era mesmo o conforto o que traria a todos o

senso de plenitude. Essas pessoas não vivem nem de acumulação nem de

ilusão. Vivem de frustração. Cruzam a linha de chegada e caem no vazio, percebendo que a conquista da meta e a realização do objetivo não supriram

as fomes essenciais e reais anseios do coração.

Isso explica por que o mundo está cheio de gente infeliz sem saber por

que, ou, pior, gente infeliz que acredita ter tudo para ser feliz. Alcançaram

suas metas, mas isso não bastou. Concretizaram seus objetivos, mas isso não

satisfez. Realizaram seus desejos, mas isso de nada adiantou. A razão é

simples: a felicidade não é um lugar aonde se chega, mas sim um jeito como

se vai.

 

PROPÓSITOS

André Comte-Sponville explica que “virtude é poder, mas poder especí co.

A virtude do heléboro não é a da cicuta, a virtude da faca não é a da enxada,

a virtude do homem não é a do tigre ou da cobra. A virtude de um ser é o

que constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria: a boa

faca é a que corta bem, o bom remédio é o que cura bem, o bom veneno é o

que mata bem”.2

E quanto ao ser humano, como se aplica esse conceito de virtude? Dessa

vez, Comte-Sponville socorre-se de Aristóteles, que disse que a virtude é

uma maneira de ser, adquirida e duradoura, é o que somos, porque assim

nos tornamos, pois “a virtude de um homem é o que o faz humano”. Mas, se

a virtude da faca é cortar, do remédio é curar e do veneno é matar, qual é,

pois, a virtude do ser humano? Creio, conforme venho tentando

demonstrar, que a virtude do ser humano é derivada de Deus, pois fomos

criados à imagem e semelhança de Deus.

Para que sejamos plenamente humanos, devemos nos render à nossa

natureza. Devemos concretizar as nalidades nela embutidas. Estamos

destinados a expressar o divino, a re etir o divino, a representar o divino, a

manifestar o divino em todo o Universo. Viver em alinhamento com a

imago Dei é nossa única opção de humanidade. Viver cumprindo as

nalidades segundo as quais fomos criados é o nosso desa o, ou seja, realizar os propósitos inerentes ao fato de sermos imagem e semelhança de

Deus.

“Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso;

viver não é preciso’. Quero para mim o espírito desta frase, transformada a

forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é

criar. Não conto gozar a minha vida, nem em gozá-la penso. Só quero torná-

la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a

lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para

isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez

mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de

engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.”

Assim Fernando Pessoa expressou o caminho por meio do qual pretendia

dar sentido à sua vida. Viver seria pouco. Era necessário criar. De fato, não

basta viver, no sentido de passar pela existência. É preciso concretizar as

nalidades que justi cam nossa existência. Conforme vimos no último

capítulo, a imago Dei no ser humano tem quatro dimensões básicas:

essencial, pessoal, relacional e criativa. Dessas dimensões, derivamos quatro

propósitos universais à luz dos quais todo ser humano deve viver:

transcender, crescer, conviver e construir.

Podemos parafrasear Fernando Pessoa: viver não é necessário, é preciso

transcender. A dimensão essencial da imago Dei faz dos seres humanos os

únicos capazes de uma interação de unidade com o divino. O propósito de

transcender implica experimentar a unidade entre o espírito humano e o

Espírito de Deus, estabelecer conexão, desenvolver um relacionamento

pessoal, afetivo e eterno. O estágio nal do propósito de transcender é a

participação na natureza divina. 3

Viver não é necessário, é preciso crescer. A dimensão pessoal da imago

Dei faz do ser humano o único a compartilhar dos atributos pessoais de

Deus: mente e razão, emoções e sentimentos, vontade e consciência,

autoconsciência e autodeterminação. O propósito de crescer implica desenvolver ao máximo todas as potencialidades e capacidades da plena

humanidade. O estágio nal do propósito de crescer é a conformação à

pessoa de Cristo: ser como Cristo.

Viver não é necessário, é preciso conviver. A dimensão relacional da

imago Dei faz do ser humano o único a compartilhar da unidade plural da

identidade divina: Deus é Três. O propósito de conviver implica desenvolver

plenamente vínculos de amor e de afeto. O estágio nal do propósito de

conviver é a unidade da raça humana, em que cada ser humano

compreende-se e experimenta-se como um entre pares: eu sou ele, e ele sou

eu.

Viver não é necessário, é preciso construir. A dimensão criativa da imago

Dei faz do ser humano o único a compartilhar com Deus o domínio sobre

todo o Universo criado. O propósito de construir implica cooperar com

Deus para colocar ordem no caos e para manter o caos em ordem. O estágio

nal do propósito de construir é a restauração da harmonia cósmica, em que

todas as coisas, nos céus, na Terra e debaixo da terra, serão reconciliadas sob

o governo de Deus, a saber, o Reino de Deus, em que a vontade de Deus é

feita assim na Terra como no céu.

 

NO TRIBUNAL DA CONSCIÊNCIA

Há um jeito de viver que resulta em experiência de plenitude. E esse jeito de

viver in depende das conquistas e circunstâncias. Esse jeito de viver é que

estou chamando de vivendo com propósitos: viver em alinhamento com

nossa identidade mais profunda, sabendo que nossa identidade mais

profunda é a imagem de Deus.

Uma das mais elevadas compreensões do cristianismo está registrada nas

palavras de C. S. Lewis, em seu Cristianismo puro e simples, o qual mostra

que toda tentativa de viver em desalinho com Deus é frustrada na origem.

Lewis diz que:

A felicidade que Deus destinou às suas criaturas superiores é a felicidade de estarem livre e voluntariamente unidas a ele e umas às outras, num êxtase de amor e alegria [...] Deus nos criou do mesmo modo como um homem inventa um motor. Ora, um automóvel feito para andar com gasolina não andará bem com nenhum outro combustível; e Deus projetou a máquina humana para andar à base dele mesmo. Ele é o combustível que o nosso espírito foi projetado para queimar, o alimento que fomos feitos para consumir; não há nenhum outro. É por esse motivo que não adianta pedir a Deus que nos deixe ser felizes à nossa maneira, sem termos de nos preocupar com “religião”. Deus não pode nos dar uma felicidade e uma paz independentes dele, simplesmente porque não existem.

Não há sucedâneos para ele.4

 

As expressões “queimar o combustível divino” e “consumir o alimento

divino” são apenas outra maneira de dizer que devemos viver de acordo com

a imago Dei.

Creio que, no último dia de nossa vida, antes de atravessarmos o rio

rumo à eternidade, passaremos pelo tribunal da consciência, em que nós

mesmos julgaremos a vida que tivemos. Seremos ao mesmo tempo réus e

juízes. Naquele dia, deveremos estabelecer o veredicto a respeito do sentido

da vida e concluir se valeu ou não a pena viver. Naquele dia, não fará a

menor diferença a casa onde moramos, o carro que dirigimos, as vezes que

visitamos a Europa, os diplomas que penduramos na parede, o número de

romances que tivemos ou as roupas que vestimos. Acredito que estaremos

diante de quatro perguntas, cada uma delas ligada à imagem de Deus e aos

propósitos pelos quais deveríamos ter vivido. São elas:

 

Onde está Deus?

Que tipo de gente eu me tornei?

Onde estão as pessoas que eu amo e que me amam?

Qual foi minha contribuição para o bem da raça humana?

Vivendo com propósitos é um caminho para que você comece a responder

a essas perguntas desde já. Tenho certeza de que sua vida fará sentido e você

estará no caminho em que é possível experimentar a plenitude da vida.

Quando essas respostas estiverem claras em sua mente e coração, e você

começar a viver de acordo com elas, a peregrinação existencial-espiritual

será uma aventura fascinante e compensadora. Mas Vivendo com propósitos

é apenas um mapa, um guia de viagem, um roteiro. Isso signi ca, pelo

menos, duas coisas. A primeira é que o mapa jamais substitui a realidade. O

mapa é apenas um registro limitado da leitura do peregrino, apenas as

anotações que o peregrino conseguiu fazer ao longo de sua jornada. Por

mais exato que o peregrino tente ser, o mapa sempre conterá equívocos e

imperfeições, pois a realidade é sempre maior do que o que o peregrino

consegue enxergar, e o que ele conseguiu enxergar é também maior do que o

que conseguiu registrar. A segunda observação, à luz dessa metáfora do

mapa, é que o estudo do mapa jamais substitui a peregrinação. Nenhum

peregrino contenta-se em conhecer mapas, pois o que todos desejam mesmo

é pisar o chão e descobrir novas trilhas que os peregrinos anteriores não

conseguiram perceber, ou por não as registrarem, ou porque não tiveram

coragem de registrá-las.

 

SÍNTESE

Imago Dei Derivações Propósitos Perguntas

Compartilhar a essência espiritual

Onde está

Essencial de Deus: Deus é espírito, poder Transcender

Deus?

pessoal incorpóreo

 

Pessoal de Deus: mente, sentimentos, gente eu me Crescer tornei? vontade, autoconsciência, Compartilhar os atributos pessoais Que tipo de

consciência Imago Dei Derivações Propósitos Perguntas

Onde estão

Compartilhar a natureza plural de as pessoas

Relacional Deus: Deus é Três, uma unidade Conviver que eu amo

entre iguais e que me

amam?

Qual foi

Compartilhar com Deus a minha

responsabilidade de ordenar o contribuição

Criativa Construir

caos e de exercer domínio sobre o para o bem

Universo da raça

humana?