Vivendo com propósitos
19. Conclusão
19
CONCLUSÃO
DESILUSÃO
Em nosso último ano na escola secundária, eu e minha melhor amiga, Lan Ying, passávamos o tempo em discussões mórbidas sobre a falta de signi cado da vida quando tudo já fora feito. “O mundo se estende diante de nós”, disse ela, “não como uma tela de possibilidades, mas como um labirinto de trilhas batidas, como os sulcos escavados por insetos em madeira de lei. Saia da trilha reta e estreita da carreira-materialismo e você terminará em outra – a trilha das pessoas que saíram da trilha principal. Essa trilha, na verdade, já foi usada (algumas foram abertas por nossos próprios pais). Quer viajar por aí? Ser um Kerouac moderno? Pule na trilha Vamos à Europa. Que tal ser um rebelde? Um artista de vanguarda? Compre sua trilha alternativa no sebo de livros, desinteressante e antiquada até a morte”. Em toda parte nos imaginávamos transformadas em um clichê ambulante – aquela história da propaganda do jeep e das comédias curtas. Para nós, parecia que todos os arquétipos estavam gastos na época em que nos formamos, incluindo o do intelectual inseguro vestido de preto, que estávamos tentando encarnar naquele momento. Sufocadas pelas ideias e estilos do passado,
achávamos que não havia espaço livre em lugar nenhum. l
O angustiado testemunho de Naomi Klein parece ecoar as palavras de
Francis Fukuyama, que denunciou “o m da história e o último homem”, que
vive na Terra onde todos os sonhos já foram sonhados e todas as causas já
foram lutadas.
Pois a história ensina que houve um sem-número de horizontes no passado – civilizações, religiões, códigos de ética, sistemas de valores. Quem viveu sob eles, sem a nossa percepção moderna da história, acreditava que seu horizonte era o único possível. Os que chegaram mais tarde nesse processo, os que vivem na
velhice da humanidade, não podem ser tão acríticos. Eles compreendem que seu horizonte não é apenas um horizonte, não terra sólida, mas uma miragem que desaparece à medida que nos aproximamos, dando lugar a outro horizonte mais além. Por esse motivo o homem moderno é o último homem; ele foi exaurido pela experiência da história. O último homem, no m da história, sabe que não vale a pena arriscar a vida por uma causa, pois reconhece que a história está repleta de batalhas inúteis. A história provou que o que levou os homens a atos desesperados e sacrifício não passavam de preconceitos tolos. Os homens com educação moderna contentam-se em car em casa, congratulando-se por sua liberdade e falta de fanatismo. Como diz o Zaratustra de Nietzsche, “Pois assim vocês falam: ‘Reais somos nós completamente, e sem crenças nem superstições’.
Assim vocês estufam o peito – mas, infelizmente ele está vazio”.2
Homens de peito vazio. Satisfeitos com segurança física e riqueza
material e vazios de sonhos, indiferentes às causas, imunes às paixões,
incrédulos das utopias. Paradoxalmente, esse foi o legado do “século das
luzes” que pretendeu “tornar o homem nalmente livre, senhor e
protagonista do próprio amanhã, emancipado de qualquer dependência”. O
mundo da razão adulta, onde o pensamento assumiu a primazia sobre o
espírito, profetizou liberté, égalité, fraternité, destronando pais-patrões-
tiranos, trouxe a liberdade de toda autoridade exterior à consciência
individual, a rmou a convivência respeitosa da igualdade de valor-direitos-
poder e celebrou uma grande e feliz comunhão universal. Mas,
paradoxalmente, a tríade liberdade, igualdade e fraternidade, ideário da
Revolução Francesa, “não cumpriu suas promessas: em vez de oferecer um
mundo segundo a medida do homem, em que este pudesse viver e morar
procurando o bem comum, trouxe-nos, entre outras coisas, o critério da
produtividade como parâmetro de valor, a massi cação e a manipulação das
pessoas, uma angustiante incomunicabilidade, um futuro ameaçador, a
atro a dos sentimentos e a poluição ecológica”. Por essa razão, existe “a
necessidade de oferecer ao mundo moderno um ‘suplemento de alma’ que permita ao homem evitar ser esmagado por suas próprias produções e
encontrar a si mesmo de modo autêntico”.3
O progresso do processo civilizatório não respondeu às grandes questões
do coração humano. Por “progresso no processo civilizatório” entenda-se “o
avanço do saber cientí co; o domínio crescente da natureza pela tecnologia;
o aumento exponencial da produtividade e da riqueza material; a
emancipação das mentes após séculos de opressão religiosa, superstição e
servilismo; a transformação das instituições políticas em bases racionais; e o
aprimoramento intelectual e moral dos homens por meio da ação conjunta
da educação e das leis”.4 Tudo isso resultou em profunda desilusão, pois
entre as crenças que povoavam a imaginação e a visão de futuro iluminista, uma em particular revelou-se problemática: a noção de que os avanços da ciência, da técnica e da razão teriam o dom não só de melhorar as condições objetivas de vida, mas atenderiam aos anseios de felicidade, bem-estar subjetivo e realização existencial dos homens. Sob este aspecto, seria difícil sustentar que o presente
esteja à altura do amanhã pretendido de ontem.5
Em outras palavras, como disse Sir Winston Churchill, “o ser humano
tem melhor domínio de todas as coisas, exceto sobre si mesmo”.
Podemos dizer que o iluminismo, a Revolução Francesa e o processo que
costumamos chamar de modernidade “jogaram o bebê fora junto com a
água da bacia”. E o nome do bebê era Deus. Chegamos ao que Martin
Heidegger chamou de “noite do mundo”, em que
o que triunfa é a indiferença, a perda do gosto para procurar as razões últimas do viver e do morrer. Per la-se, desse modo, o extremo rosto do século que chega ao
m: o rosto do niilismo. O niilismo não é o abandono dos valores, a renúncia a
viver alguma coisa pela qual valha a pena viver, mas um processo mais sutil: ele priva o ser humano do gosto de empenhar-se por uma razão mais alta, despoja-o daquelas motivações fortes que a ideologia ainda precisa oferecer-lhe. A doença que hoje mais se alastra é a falta de paixão pela verdade: este é o rosto trágico da
pós-modernidade. Poder-se-ia dizer que a enfermidade mais profunda da época que chamamos de pós-moderna seria a de nitiva renúncia a um pai-mãe para o qual se possa estender os braços da espera e, portanto, o não ter mais a vontade e o desejo de procurar o sentido pelo qual valha a pena viver e morrer. Diante do vácuo do sentido último, a pessoa se agarra ao interesse penúltimo, à conquista da posse imediata. Quando alguém não tem horizontes grandiosos de verdade, facilmente se afoga na solidão egoística da própria particularidade e a sociedade
se torna um arquipélago.6
Quando iniciei este livro, imaginava que a doença do homem
contemporâneo era a falta de sentido. Mas convenci-me de que o mal é
maior. A doença não é apenas a falta de sentido, mas a falta de vontade de
encontrar um sentido, a falta de esperança de encontrar um sentido, o
cinismo a respeito de qualquer sentido.
FIM DO MISTÉRIO
Um estudo publicado pela revista britânica Journal of Humanistic Psychology diz ter concluído qual é a nal o sentido da vida, questão que há séculos desa a
lósofos, pensadores e seres humanos em geral: A resposta encontrada é: “A vida
é para ser desfrutada”. Seria essa, pelo menos a visão de 17% (o maior grupo) de 200 personalidades marcantes, cujas palavras foram analisadas por uma equipe de psicólogos americanos. Entre os que partilhariam dessa visão estão o ex-presidente dos EUA omas Jefferson e a cantora Janis Joplin, que morreu aos 27 anos. Em segundo lugar, aparecem aqueles que acreditavam que o sentido da vida é “amar, ajudar e prestar serviços aos demais”. Neste grupo estão o físico Albert Einstein e o líder indiano Mahatma Gandhi. Mas há também os pessimistas, para quem a vida simplesmente não tinha sentido. Onze por cento, segundo o estudo, pensavam dessa forma. Entre eles Sigmund Freud e os escritores Franz Ka a e Jean Paul Sartre. Finalmente, um menor número de estudados pensava que a vida é simplesmente “uma piada”. Neste time estão o cantor Bob Dylan e o escritor
Oscar Wilde.7
Devo confessar que, se fosse entrevistado por esse grupo de psicólogos,
marcaria X em todas as alternativas. Estou entre aqueles que acreditam que o sentido da vida está em viver. Também acredito que o sentido da vida não
é encontrado na resposta de nitiva nem que exista uma única experiência
que resolva, em termos cabais, o dilema da existência humana.
Foi meu tio quem me ensinou que a gente deve viver como se já tivesse
encontrado a resposta, mas sabedores de que jamais a encontraremos senão
indo procurá-la sempre. O mistério da vida se resolve passo a passo, quando
somos capazes de realizar com dignidade o sentido embutido em cada
momento e situação. Por essa razão, o sentido da vida não se equaciona na
elucidação dos grandes mistérios (melhor é viver do que sacri car os dias
tentando decifrar a vida), nem no êxtase dos grandes eventos, feitos ou
experiências arrebatadoras. O sentido da vida está na sabedoria do conselho
do Qoelet, o Eclesiastes: “coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho
de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. Esteja sempre
vestido com roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo. Desfrute
a vida com a mulher a quem você ama”.8 Harold Kushner, ao comentar esse
trecho, diz que “tentar encontrar a Grande Resposta para a Grande Pergunta
a respeito do problema da vida é como tentar comer a Grande Refeição para
nunca mais ter de se preocupar com a fome”. 9 Portanto, concordo com
aqueles que dizem que o sentido da vida é viver, e que a grande recompensa
de quem vive não está necessariamente em outra vida e em outro mundo.
“Quando aprendemos a viver, a própria vida é a recompensa”. 10
Amar, ajudar e prestar serviços aos demais? Claro. Egoísmo e narcisismo
são primos irmãos da infelicidade, pois qualquer um que pretenda encontrar
sentido em si mesmo vai se decepcionar. A ideia de que “tudo quanto você
precisa para ser feliz está dentro de você” é uma estupidez humanista, que
desconsidera o universo criado (não existe felicidade sem banho de
cachoeira e lambuzeira de manga-rosa), a realidade do outro (não existe
felicidade sem abraços e beijos, cafunés, troca de olhares, sorrisos marotos e
gargalhadas na roda de amigos) e a imprescindibilidade de Deus (não existe felicidade sem mistério, sem o Tremendum, o Numinoso, o peso da glória do
Totalmente Outro).
Na tradição de espiritualidade judaico-cristã, a felicidade não está dentro
de nós, mas no encontro-Encontro. A maneira como nos aproximamos de
Deus – Encontro – é indo em direção ao próximo e irmão – encontro: “digo-
lhes a verdade: O que vocês zeram a algum dos meus menores irmãos, a
mim o zeram”. 11 Sou cristão e, portanto, acredito que jamais serei o que
devo ser enquanto não amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com
o amor do Cristo.12
Mas há também os pessimistas, para quem a vida simplesmente não tem
sentido. Com eles me solidarizo. Nietzsche, Ka a, Freud, Sartre, Camus e
tantos outros ocupam lugar de honra em minha biblioteca. Também faço
suas perguntas. Também sofro a ausência de respostas para muitas delas.
Dou razão a Robert De Niro quando ironicamente a rma que “se o céu
existe, Deus tem muito que explicar”. A diferença é que eu acredito que o
céu existe. Quanto às explicações, elas já foram apresentadas na cruz do
Calvário, e admito que não consegui apropriar-me de todas elas.
Não tenho problemas com as perguntas. O oposto da fé não é a dúvida, é
o medo. E não tenho medo nem de viver, nem de morrer. Apenas não quero
morrer cedo e, de preferência, como Woody Allen, “quando eu morrer, não
quero estar lá”. Na verdade, meu desejo de não deixar este mundo tão cedo é
meu grande álibi para a fé. Não preciso entender tudo, saber tudo,
compreender tudo, dominar tudo para gostar de viver e crer que viver vale a
pena. Às vezes, sou tomado de assalto por esta horrenda sensação de que a
vida não faz sentido, mas isso passa logo. Aprendi com G. K. Chesterton que
a existência do mal e do lado sombrio da vida só nos agride por causa da
existência do bem e do lado luminoso da aventura humana. Quem pretende
negar Deus por causa do Mal, deve dar uma boa explicação para o Bem.
A a rmação de que a vida é simplesmente “uma piada” também faz eco
no meu coração. O que mais me espanta é a imensidão. O físico Marcelo Gleiser me ensinou que
até meados da década de 1920 os astrônomos não sabiam se a Via Láctea era a única galáxia no Universo, ou se existiam outras como ela. Hoje, sabemos que existem no Universo não algumas, mas centenas de bilhões de outras galáxias, cada uma delas com um número enorme de estrelas, que pode variar de milhões a centenas de bilhões. Mais fascinante ainda, ou talvez até chocante, foi a descoberta feita em 1929 pelo astrônomo americano Edwin Hubble, de que o Universo está em expansão. Em menos de setenta anos passamos de um pequeno Universo, aconchegante e familiar, a um gigante em expansão, misterioso e
indiferente à condição humana.13
É fascinante, também, que do outro lado dos meus olhos, enquanto olho
para o céu para contar estrelas, existe outro universo, chamado cérebro, um
pequeno globo de 1,36 kg, composto de um quarto de tecido gelatinoso, que
também permanece, em grande medida, um mistério. O cérebro é formado
por 100 bilhões de neurônios, ou células nervosas, que enviam e recebem
mensagens por meio de pulsos elétricos. Cada célula nervosa é capaz de
comunicar-se ao mesmo tempo com 1.000 a 6.000 outras células nervosas,
fazendo cerca de 100 trilhões de conexões a cada dado instante. Essa
comunicação entre as células nervosas é possível por causa dos mediadores
químicos chamados neurotransmissores, que ocupam o espaço entre os
neurônios, chamado sinapse. Cada pensamento que temos, cada sensação e
emoção que sentimos derivam-se dessas conexões de trilhões e trilhões de
encontros entre neurônios. Já foram identi cados mais de 50
neurotransmissores, dentre eles a adrenalina, a noradrenalina e a famosa
“molécula da felicidade”, a serotonina. Para complicar ainda mais, cada
sinapse (espaço entre neurônios) pode comunicar-se em várias intensidades,
assim como a voz pode funcionar em diferentes volumes. Isso faz com que o
número total de con gurações distintas possíveis entre os 100 bilhões de neurônios do seu cérebro é dez elevado à potência de um trilhão ou
101.000.000.000.000 14 . Quem me ensinou isso foi o dr. Herbert Benson.
Esses números de galáxias, de estrelas, de neurônios e de conexões
nervosas do cérebro quase me deixam envergonhado de ter escrito um livro
a respeito da vida que vale a pena. Parece mesmo uma piada pensar que um
sujeito de conhecimento tão limitado, com tão pouco tempo de vida (aliás,
nem cito os números prováveis do tempo de existência do Universo),
encrostado no chão do Terceiro Mundo, proponha-se a losofar, a teologizar
e ainda por cima publicar suas conclusões. Mais piada ainda parece você ter
chegado até aqui nessa discussão a respeito do mistério do sentido da vida,
sublinhando, riscando, assentindo e retrucando argumentos. Não somos
patéticos porque somos imago Dei. Tão imenso o Universo, tão imensa a
raça humana, tão imenso a pessoa humana, cada uma, inclusive você e eu.
Não somos uma piada do mistério porque somos um com o próprio
Mistério. Somos igualmente um mistério. A re exão e a autorre exão são,
ao mesmo tempo, a porta de entrada de um labirinto e um caminho de vida
e conexão com a eternidade. O anseio de conhecer e a entrega à busca
incansável constroem a trilha na qual a revelação pode chegar a qualquer
momento. Não penso porque creio em minha capacidade de descobrir e
desvendar. Penso porque creio que, enquanto penso, recebo revelação. E
recebendo revelação, desfruto o sagrado, comungo com o Mistério, conecto-
me com o que mais existe além de mim. En m, apesar de mim e dos
mistérios que fazem ridículo um ser tão pequeno quanto eu, sigo meu
caminho rindo, às vezes de mim mesmo, mas quase sempre com uma
alegria que me foi graciosamente outorgada pelo Misterioso.
Não bastasse o senso de ridículo diante da vida, também a vida se parece
ridícula em alguns momentos para mim. Na verdade, para ser mais honesto
(mais impossível), até mesmo Deus às vezes parece ridículo. Mas não se
preocupe comigo. Deve se preocupar é com você, caso acredite que
compreende plenamente Deus e o que Deus faz. Das duas uma: ou o seu Deus é pequeno demais, ou você está se superestimando. Quem sabe, as
duas coisas. Somente quem já foi tomado pela sensação de que Deus
demorou, omitiu-se, desistiu, desapareceu, é capaz de solidarizar-se com os
que dão risada da vida. Posso lhe garantir que, se eu fosse Deus, teria feito e
deixado de fazer muita coisa neste mundo. A sua sorte (e a minha) é que não
sou Deus, pois, se eu o fosse, o mundo seria insuportável. Sei que, lá no
fundo, você também pensa assim. Pensa em dar uma mãozinha para Deus,
acreditando que se sairia melhor do que ele em muitas situações. Quando
isso acontecer de novo, procure um cantinho e sente para dar risada. Ria de
você, não de Deus, pois, como disse Mark Twain: “ninguém tem mais saúde
do que aquele que é capaz de rir de si mesmo”. Por esse motivo é que Deus
de vez em quando “morre” de rir.15 Que pena que os pessimistas que
consideraram a vida uma piada riram sozinhos, melancólicos e irônicos.
Que pena que não aprenderam a rir com Deus.
UTOPIA
“Isto não é o m. Nem mesmo é o começo do m. Mas talvez seja o m do
começo”.16 Assim começo a me despedir de você.
O último homem não é aquele que não tem mais sonhos a sonhar ou o
que vive de sonhos frustrados ao longo da história. O último homem é
aquele que vive de um sonho que ainda não morreu, um sonho vivo, cujos
ideais não foram frustrados. O último homem é aquele que vive da utopia –
o que ainda não encontrou o seu lugar. Existem, sim, espaços livres, nos
quais podemos experimentar uma existência singular e original, pois cada
ser humano é um original. Há esperança para este mundo. O niilismo não é
a palavra nal. Podemos seguir em frente. Passo a passo. Juntos, amando e
doando. Celebrando mistérios, fazendo perguntas e rindo de nós mesmos e
do mundo que construímos e ou que conseguimos enxergar.
Desde que ecoou a Voz me chamando ao arrependimento e à fé,
convidando-me para o Reino de Deus que está próximo, possível,
acessível,17 vivo essa utopia de Jesus de Nazaré. Sei que este reino de justiça,
de paz e de alegria 18, que é a comunhão do Espírito, é também a mesa da
comunhão, em que me encontro com meus irmãos.
Conviver é a única causa à qual posso servir, ser útil – construir, o único
ambiente onde posso vir a ser – crescer, no meu encontro com o Eterno –
transcender.