23 Coisas que Não Nos Contaram sobre o Capitalismo

14 - Os executivos americanos são caros demais

 

14

 

Os executivos americanos são caros demais

 

O que eles dizem

 

Algumas pessoas são muito mais bem pagas do que outras. Especialmente nos

Estados Unidos, as empresas pagam aos seus alto-executivos quantias que

algumas pessoas consideram obscenas. No entanto, isso é exigido pelas forças

do mercado. Considerando-se que o acervo de talentos é limitado,

simplesmente temos que pagar grandes quantias para atrair os melhores

talentos. A partir do ponto de vista de uma corporação gigante com um

volume de negócios de bilhões de dólares, decididamente vale a pena pagar

milhões de dólares adicionais, ou até mesmo dezenas de milhões de dólares,

para conseguir os melhores talentos, já que a capacidade dessas pessoas de

tomar melhores decisões do que os seus equivalentes em empresas

concorrentes poderá gerar uma receita adicional de centenas de milhões de

dólares. Por mais injustos que esses níveis de remuneração possam parecer,

não devemos nos envolver em atos de inveja e despeito, e tentar reprimi-los

artificialmente. Essas tentativas seriam simplesmente contraproducentes.

 

O que eles não dizem

 

Os executivos americanos são excessivamente caros em mais de um sentido.

Primeiro, eles são caros demais em comparação com os seus antecessores. Em

termos relativos (ou seja, como uma proporção da remuneração do

trabalhador médio), os CEOs americanos de hoje recebem cerca de dez vezes

mais do que os seus predecessores da década de 1960, apesar do fato de estes

últimos administrarem empresas que eram muito mais bem-sucedidas, em

termos relativos, do que as empresas americanas de hoje. Os executivos

americanos também são caros demais em comparação com os seus

equivalentes em outros países ricos. Em termos absolutos, eles recebem, dependendo do critério que utilizarmos e do país com o qual fizermos a

comparação, até vinte vezes mais do que os seus concorrentes que

administram empresas igualmente grandes e bem-sucedidas. Os dirigentes

americanos não apenas são caros demais como também são excessivamente

protegidos no sentido que não são punidos pelo mau desempenho. E tudo isso

não é, ao contrário do que muitas pessoas argumentam, puramente

determinado pelas forças do mercado. A classe empresarial nos Estados

Unidos obteve um tal poder econômico, político e ideológico, que tem sido

capaz de manipular as forças que determinam a sua remuneração.

 

A remuneração dos executivos e a política da inveja de classe

 

A remuneração do CEO típico (salários, bonificações, pensões e opções de

ações) nos Estados Unidos equivale a 300 a 400 vezes a remuneração do

trabalhador médio típico (salários e benefícios). Algumas pessoas ficam

incrivelmente aborrecidas com isso. Por exemplo, o Sr. Barack Obama,

presidente dos Estados Unidos, é frequentemente citado como criticando o

que ele considera uma remuneração excessiva dos executivos.

Os economistas que defendem o livre mercado não veem nenhum

problema nessa diferença na remuneração. Se os CEOs recebem 300 vezes

mais do que o trabalhador típico, dizem eles, deve ser porque eles acrescentam

300 vezes mais valor à empresa. Se uma pessoa não apresentar uma

produtividade que justifique a sua elevada remuneração, as forças do mercado

logo entrarão em ação para garantir que ela seja demitida. As pessoas que

questionam a remuneração dos executivos, como o Sr. Obama, são populistas

envolvidos na política da inveja de classe. Se aqueles que são menos produtivos

não aceitarem, argumentam eles, que as pessoas precisam ser pagas de acordo

com a sua produtividade, o capitalismo não poderá funcionar adequadamente.

Poderíamos quase acreditar nos argumentos que acabam de ser expostos,

se fizéssemos uma pequena concessão: ignorássemos os fatos.

Não estou pondo em dúvida que algumas pessoas são mais produtivas do

que outras e que precisam ganhar mais, às vezes bem mais (embora não devam

ficar convencidas demais por causa disso). A verdadeira questão é se o atual

grau de diferença é justificado.

No entanto, é muito difícil totalizar a remuneração dos executivos. Para

começar, a divulgação dessa remuneração não é muito boa em um grande

número de países. Quando examinamos a remuneração como um todo, em

vez de apenas os salários, precisamos incluir as opções de ações. Elas dão ao

beneficiário o direito de comprar um certo número de ações da empresa no

futuro, de modo que elas não têm um valor exato no presente e esse valor

precisa ser estimado. Dependendo da metodologia utilizada para a estimativa, a

avaliação pode variar muito.

Como foi mencionado anteriormente, tendo em mente essas limitações, a

razão entre a remuneração do CEO e a do trabalhador típico nos Estados

Unidos situava-se em torno de 30 a 40 para 1 nas décadas de 1960 e 1970.

Essa razão aumentou rapidamente a partir da década de 1980, alcançando mais

ou menos 100 para 1 no início da década de 1990 e subindo para 300 a 400

para 1 na década de 2000.

Compare isso com as mudanças no que os trabalhadores americanos

recebem. Segundo o Economic Policy Institute (EPI), o órgão de pesquisa de

centro-esquerda estabelecido em Washington, o salário médio horário dos

trabalhadores americanos em dólares de 2007 (ou seja, ajustado pela inflação)

subiu de 18,90 dólares em 1973 para 21,34 dólares em 2006. É um aumento de

13% em 33 anos, o que equivale mais ou menos a um crescimento 0,4% ao

ano.[46] O quadro é ainda mais sombrio quando examinamos a remuneração

como um todo (salários mais benefícios) e não apenas os salários. Mesmo que

consideremos apenas os períodos de recuperação (levando-se em conta que a

remuneração dos trabalhadores cai durante as recessões), a remuneração do

trabalhador típico subiu a uma taxa de 0,2% ao ano entre 1983 e 1989, à taxa

de 0,1% ao ano entre 1992 e 2000, e simplesmente não cresceu entre 2002 e

2007.[47]

Em outras palavras, a remuneração dos trabalhadores nos Estados Unidos

está praticamente estagnada desde meados dos anos 1970. É claro que isso não

quer dizer que os americanos não tenham presenciado nenhum aumento nos

padrões de vida desde a década de 1970. A renda familiar, em contraste com a

remuneração do trabalhador individual, aumentou, mas isso só aconteceu

porque cada vez mais os dois parceiros trabalham na família.

Ora, se acreditássemos na lógica do livre mercado de que as pessoas são

pagas de acordo com a sua contribuição, o aumento na remuneração relativa

dos CEOs de 30 a 40 vezes a do trabalhador típico (a qual não mudou muito)

para 300 a 400 vezes deve significar que os CEOs americanos se tornaram 10

vezes mais produtivos (em termos relativos) do que o eram nas décadas de

1960 e 1970. Isso é verdade?

A qualidade média dos executivos americanos deve ter aumentado devido a

uma melhor instrução e treinamento, mas é realmente plausível que eles sejam

dez vezes melhores do que os seus equivalentes eram há uma geração? Mesmo

se examinarmos apenas os últimos vinte anos, período no qual venho

lecionando em Cambridge, sinceramente duvido que os estudantes americanos

que recebemos (que são possíveis futuros CEOs) sejam de três a quatro vezes

melhores hoje do que quando comecei a lecionar no início dos anos 1990. Mas

esse deveria ser o caso, se a remuneração do CEO americano tivesse

aumentado em termos relativos apenas por causa da crescente qualidade dos

CEOs: durante esse período, a remuneração do CEO típico nos Estados

Unidos aumentou de 100 vezes a remuneração do trabalhador típico para 300

a 400 vezes.

Uma explicação comum para esse recente aumento na remuneração

relativa é que as empresas ficaram maiores e, portanto, a diferença que o CEO

pode fazer tornou-se maior. Segundo um exemplo popular usado pelo

Professor Robert H. Frank, da Cornell University, na sua amplamente citada

coluna no The New York Times, se uma empresa tem uma receita de 10 bilhões

de dólares, algumas decisões melhores tomadas por um CEO mais competente

poderá facilmente aumentar a receita da empresa em 30 milhões de dólares.

[48] Portanto, diz a mensagem implícita, o que são 5 milhões adicionais para o

CEO, se ele tiver conseguido 30 milhões a mais para a empresa?

Esse argumento encerra uma certa lógica, mas se o tamanho crescente da

empresa é a principal explicação para a inflação do pagamento do CEO, por

que isso aconteceu de repente na década de 1980, já que o tamanho das

empresas americanas vem crescendo o tempo todo?

Além disso, o mesmo argumento deveria se aplicar aos trabalhadores, pelo

menos até certo ponto. As modernas corporações atuam baseadas em

complexas divisões de trabalho e cooperação, de modo que a perspectiva de que o que o CEO faz é a única coisa que importa para o desempenho da

empresa é altamente capciosa. As empresas ficam maiores, o potencial de que

os trabalhadores beneficiem ou prejudiquem a empresa também aumenta, de

modo que torna-se cada vez mais importante contratar trabalhadores mais

competentes. Se esse não fosse o caso, por que as empresas se dariam ao

trabalho de ter departamentos de recursos humanos?

Além do mais, se a crescente importância das decisões da alta

administração é a principal razão para a inflação do salário do CEO, por que

os CEOs no Japão e na Europa que administram empresas igualmente grandes

recebem apenas uma fração da remuneração dos CEOs americanos? De

acordo com o EPI, em dados de 2005, os CEOs suíços e alemães estavam

recebendo, respectivamente, 64% e 55% do que os seus equivalentes

americanos recebiam. Os suíços e os holandeses estavam recebendo em torno

de 44% e 40% da remuneração dos CEOs americanos; os CEOs japoneses

apenas irrisórios 25%. A remuneração média do CEO em treze países ricos era

de apenas 44% do nível do CEO americano.[49]

Na realidade, os números que acabam de ser apresentados atenuam

enormemente as diferenças internacionais na remuneração dos CEOs já que

não incluem as opções de ações, que tendem a ser muito mais elevadas nos

Estados Unidos do que em outros países. Outros dados do EPI indicam que,

nos Estados Unidos, a remuneração dos CEOs, incluindo as opções de ações,

podem facilmente ser de três a quatro vezes, e possivelmente de cinco a seis

vezes, a sua remuneração sem as opções de ações, embora seja difícil

determinar exatamente a magnitude envolvida. Isso significa que, se incluirmos

as opções de ações, a remuneração dos CEOs japoneses (que inclui apenas um

pequeno componente de opção de ações, quando inclui) poderia ser de apenas

5%, em vez de 25%, da remuneração dos CEOs americanos.

Ora, se os CEOs americanos valem algo entre duas vezes (quando

comparados com os CEOs suíços, excluindo as opções de ações) e vinte vezes

(quando comparados com os CEOs japoneses, incluindo as opções de ações),

os seus equivalentes no exterior, como se explica que as empresas que eles

administram vêm perdendo terreno para as suas rivais japonesas e europeias

em muitas indústrias?

Você poderia aventar que os CEOs japoneses e europeus podem trabalhar

recebendo uma remuneração absoluta muito menor do que a dos CEOs

americanos porque os níveis salariais gerais dos seus países são mais baixos.

No entanto, os salários no Japão e nos países europeus estão basicamente nos

mesmos níveis dos salários americanos. A remuneração do trabalhador típico

nos treze países pesquisados pelo EPI foi de 85% da remuneração do

trabalhador americano em 2005. Os trabalhadores japoneses recebem o

equivalente a 91% dos salários americanos, mas os seus CEOs recebem apenas

25% do que os CEOs americanos recebem (excluindo-se as opções de ações).

Os trabalhadores suíços e os alemães recebem salários mais elevados do que os

trabalhadores americanos (130% e 106% do salário dos Estados Unidos,

respectivamente), enquanto os seus CEOs recebem apenas 55% e 64% dos

salários dos Estados Unidos (uma vez mais, excluindo-se as opções de ações,

que são muito mais elevadas nos Estados Unidos).[50]

Vimos, portanto, que os dirigentes americanos são caros demais. Os

trabalhadores americanos recebem apenas cerca de 15% mais do que os seus

equivalentes em nações concorrentes, ao passo que os CEOs americanos

recebem pelo menos o dobro (em comparação com os dirigentes suíços,

excluindo-se as opções de ações) e possivelmente até vinte vezes (em

comparação com os dirigentes japoneses, incluindo as opções de ações) do que

os seus equivalentes em países comparáveis recebem. Apesar disso, os CEOs

americanos estão dirigindo empresas que não são melhores, e que

frequentemente são piores, do que as suas concorrentes japonesas e europeias.

 

Se der cara eu ganho, se der coroa você perde

 

Nos Estados Unidos (e no Reino Unido, que tem o segundo maior coeficiente

CEO-trabalhador depois dos Estados Unidos), os pacotes salariais dos alto-

executivos são tendenciosos. Além de receber uma remuneração excessiva,

esses dirigentes não são punidos quando praticam uma má gestão. O máximo

que costuma acontecer a eles é serem expulsos do cargo, mas isso quase

sempre é acompanhado de um gordo cheque de indenização por afastamento.

Às vezes, o CEO expulso recebe ainda mais do que consta no contrato. De

acordo com dois economistas, Bebchuk e Fried, “quando Jill Barad, CEO da Mattel, pediu demissão por estar sofrendo pesadas críticas [em 2000], o

conselho perdoou um empréstimo que ela tinha tomado de 4,2 milhões de

dólares, deu a ela mais 3,3 milhões de dólares em dinheiro para cobrir as taxas

do perdão de outro empréstimo e permitiu que as suas opções não exercíveis

se tornassem automaticamente exercíveis. Esses benefícios sem fundamento

foram uma adição aos consideráveis benefícios que ela recebeu em

cumprimento do seu contrato de trabalho, que incluía uma indenização por

rescisão de 26,4 milhões de dólares e um fluxo de benefícios de aposentadoria

que excedia 700 mil dólares por ano”.[51]

Devemos nos importar com isso? Na verdade não, argumentariam os

economistas que defendem o livre mercado. Se algumas empresas são idiotas o

bastante para pagar benefícios sem fundamento para CEOs incompetentes,

diriam eles, que o façam. Elas serão superadas por concorrentes mais

competentes e durões que não praticam esses absurdos. Desse modo, embora

haja alguns planos salariais deficientemente projetados, com o tempo eles

serão eliminados por meio das pressões competitivas do mercado.

Isso parece plausível. O processo competitivo funciona para eliminar

práticas ineficazes, sejam elas tecnologias têxteis obsoletas ou planos salariais

tendenciosos de executivos. E o fato de as empresas americanas e britânicas

estarem perdendo para empresas estrangeiras, as quais, de um modo geral, têm

melhores incentivos de gestão, é uma prova disso.

No entanto, será preciso um longo tempo para que esse processo elimine

práticas erradas de remuneração de executivos (afinal de contas, isso vem

acontecendo há décadas). Antes da recente falência da GM, as pessoas já

sabiam pelo menos havia três décadas que a empresa estava em declínio, mas

ninguém fez nada para impedir que a alta direção recebesse pacotes salariais

mais adequados aos seus predecessores de meados do século XX, quando a

empresa dominava o mercado mundial de uma maneira absoluta.

Apesar disso, pouco é feito para refrear os pacotes salariais excessivos e

tendenciosos (no sentido que as falhas dificilmente são punidas) dos

executivos porque as classes empresariais nos Estados Unidos e na Grã-

Bretanha se tornaram extremamente poderosas, em grande parte devido aos

gordos contracheques que eles vêm recebendo nas últimas décadas. Os

executivos passaram a controlar a sala da diretoria, por meio de uma gestão entrosada e da manipulação das informações que fornecem aos diretores

independentes, e por causa disso poucos diretores questionam o nível e a

estrutura da remuneração dos executivos determinados pelo CEO. Os

pagamentos de dividendos elevados e em ascensão também mantêm os

acionistas felizes (ver pp. 34-48). Ao flexionar o seu músculo econômico, as

classes empresariais alcançaram uma enorme influência sobre a esfera política,

inclusive sobre os partidos supostamente de centro-esquerda como o Novo

Partido Trabalhista britânico e o Partido Democrata americano. Especialmente

nos Estados Unidos, muitos CEOs do setor privado acabam administrando

departamentos do governo. O mais importante é que eles têm usado a sua

influência econômica e política para difundir a ideologia do livre mercado que

diz que aquilo que existe precisa estar presente porque é o mais eficiente.

O poder dessa classe empresarial tem sido incisivamente demonstrado nas

consequências da crise financeira de 2008. Quando os governos dos Estados

Unidos e da Grã-Bretanha injetaram quantias astronômicas do dinheiro dos

contribuintes em instituições financeiras que estavam em dificuldades no

outono de 2008, poucos dirigentes responsáveis pelo fracasso das suas

instituições foram punidos. De fato, um pequeno número de CEOs perdeu o

emprego, mas poucos dos que permaneceram no cargo tiveram uma redução

substancial de salário, e tem havido uma enorme, e eficaz, resistência às

tentativas do Congresso dos Estados Unidos de estabelecer um limite na

remuneração dos dirigentes das instituições financeiras que estão recebendo

dinheiro dos contribuintes. O governo britânico se recusou a fazer qualquer

coisa a respeito do pagamento de pensões no valor de 15 a 20 milhões de

libras (o que lhe dá uma renda anual em torno de 700 mil libras) ao execrado

ex-chefe do RBS (Royal Bank of Scotland), Sir Fred Goodwin, embora a

intensa publicidade negativa o tenha obrigado posteriormente a devolver 4

milhões de libras. O fato de os contribuintes britânicos e americanos, que se

tornaram os acionistas das instituições financeiras resgatadas, não poderem

nem mesmo punir aqueles que são hoje seus funcionários, por apresentarem

um mau desempenho, e obrigá-los a aceitar um plano salarial mais eficiente

demonstra o grau de poder que a classe empresarial possui hoje nesses países.

Os mercados eliminam as práticas ineficazes, mas somente quando

ninguém tem poder suficiente para manipulá-las. Além disso, mesmo que elas sejam eliminadas com o tempo, os pacotes salariais unilaterais impõem

enormes custos ao restante da economia enquanto duram. Os trabalhadores

têm que ser constantemente espremidos por meio da pressão para baixo nos

salários, da substituição de funcionários assalariados por uma mão de obra

temporária e do permanente downsizing, para que os dirigentes possam gerar

uma quantidade suficiente de lucros adicionais que possam ser distribuídos

para os acionistas de maneira a impedir que eles criem caso com a elevada

remuneração dos executivos (para mais detalhes sobre este assunto, ver pp. 34-

48). A necessidade de maximizar os dividendos para manter os acionistas

quietos faz com que os investimentos sejam minimizados, o que enfraquece a

capacidade produtiva da empresa a longo prazo. Quando aliado a uma

remuneração excessiva dos dirigentes, isso coloca as empresas americanas e

britânicas em desvantagem na concorrência internacional, o que, com o

tempo, acaba custando o emprego aos trabalhadores. Finalmente, quando as

coisas dão errado em uma grande escala, como na crise financeira de 2008, os

contribuintes são obrigados a resgatar as empresas que estão em dificuldades,

enquanto os dirigentes responsáveis pelo insucesso conseguem escapar

praticamente incólumes.

Com as classes empresariais nos Estados Unidos e, em menor grau, na

Grã-Bretanha, possuindo um tal poder econômico, político e ideológico a

ponto de ser capazes de manipular o mercado e repassar as consequências

negativas das suas ações para outras pessoas, é uma ilusão pensar que a

remuneração dos executivos é algo cujos níveis e estruturas ideais serão, e

devem ser, determinados pelo mercado.

 

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