23 Coisas que Não Nos Contaram sobre o Capitalismo
Conclusão - Como reconstruir a economia mundial
Conclusão
Como reconstruir a economia mundial
A tarefa intimidante que temos diante de nós é reconstruir completamente a
economia mundial. As coisas só não estão tão ruins quanto estiveram durante
a Grande Depressão porque os governos sustentaram a demanda por meio de
enormes gastos deficitários e do relaxamento da oferta de dinheiro (o Bank of
England nunca teve uma taxa de juros mais baixa desde que foi fundado em
1644), ao mesmo tempo que evitaram a corrida aos bancos por intermédio da
expansão do seguro de depósitos e do resgate de muitas instituições
financeiras. Sem essas medidas e o aumento substancial nos gastos com o
bem-estar social (p. ex., o auxílio-desemprego), estaríamos atravessando uma
crise econômica muito pior do que a da década de 1930.
Há pessoas que acreditam que o sistema de livre mercado atualmente
dominante é basicamente confiável. Elas pressupõem que fazer pequenos
ajustes será uma solução suficiente para a nossa situação — um pouco mais de
transparência aqui, um pouquinho mais de regulamentação ali e algumas
pequenas restrições nos salários dos executivos acolá. No entanto, como tentei
demonstrar, as suposições teóricas e empíricas fundamentais por trás da
economia de livre mercado são altamente questionáveis. Nenhuma outra coisa
que não seja uma total reconceitualização da maneira como organizamos a
nossa economia e a nossa sociedade será aceitável.
Então, o que devemos fazer?
Este não é o lugar para explicar nos mínimos detalhes todas as propostas
detalhadas necessárias para a reconstrução da economia mundial, muitas das
quais, de qualquer modo, foram discutidas nas 23 Coisas precedentes.
Delinearei aqui apenas alguns princípios — oito deles — que acredito devemos
ter em mente ao reestruturar o nosso sistema econômico.
Para começo de conversa: parafraseando o que Winston Churchill disse certa
vez a respeito da democracia, vou reafirmar a minha posição anterior de que o
capitalismo é o pior sistema econômico excetuando-se todos outros. A minha crítica é ao
capitalismo de livre mercado, e não a todos os tipos de capitalismo.
O motivo do lucro ainda é o combustível mais poderoso e eficaz para
acionar a nossa economia e devemos aproveitá-lo ao máximo. No entanto,
precisamos nos lembrar de que deixá-lo livre sem restrições não é a melhor
maneira de tirar partido dele, como descobrimos a duras penas ao longo das
três últimas décadas.
Analogamente, o mercado é um mecanismo excepcionalmente eficaz para
coordenar atividades econômicas complexas entre vários agentes econômicos,
mas não é mais do que isso — um mecanismo, uma máquina. E como todas as
máquinas, ele precisa ser cuidadosamente regulado e dirigido. Da mesma
maneira pela qual um carro pode ser usado para matar pessoas quando
dirigido por um motorista embriagado, ou para salvar vidas quando nos ajuda
a levar a tempo um paciente em estado grave para o hospital, o mercado pode
fazer coisas maravilhosas e coisas deploráveis. Podemos aprimorar o
desempenho do mesmo carro colocando nele freios melhores, um motor mais
potente ou um combustível mais eficiente, e podemos melhorar o
desempenho do mesmo mercado por meio de mudanças apropriadas nas
atitudes e nos motivos dos participantes, bem como nas regras que o regulam.
Existem diferentes maneiras de organizar o capitalismo. O capitalismo do
livre mercado é apenas uma delas, e não é das melhores. As três últimas
décadas demonstraram que, contrariando o que afirmam os seus proponentes,
ele desacelera a economia, aumenta a desigualdade e a insegurança, e provoca
colapsos financeiros mais frequentes (e às vezes gigantescos).
Não existe um modelo ideal. O capitalismo americano é muito diferente do
capitalismo escandinavo, que por sua vez difere das variedades alemã e
francesa, sem mencionar a forma japonesa. Por exemplo, países que acham
inaceitável a desigualdade econômica do estilo americano (que alguns podem
não achar) podem reduzi-la por meio de um estado do bem-estar social
financiado por faixas progressivas de imposto de renda (como na Suécia) ou
por intermédio de restrições às próprias oportunidades de ganhar dinheiro,
dificultando, por exemplo, a abertura de grandes lojas de varejo (como no Japão). Não existe uma maneira simples de escolher entre os dois modelos,
embora pessoalmente eu ache que o sueco é melhor do que o japonês, pelo
menos nesse aspecto.
Desse modo, devemos dizer sim ao capitalismo, mas precisamos terminar
o nosso romance com o capitalismo desenfreado do livre mercado, que serviu
muito mal à humanidade, e instalar uma variedade mais bem regulamentada.
Que variedade seria essa depende dos nossos objetivos, valores e convicções.
Segundo: devemos construir o nosso novo sistema econômico baseado no reconhecimento de
que a racionalidade humana é severamente limitada. A crise de 2008 revelou como a
complexidade do mundo que criamos, especialmente na esfera das finanças,
sobrepujou a nossa capacidade de compreendê-lo e controlá-lo. O nosso
sistema econômico teve uma imensa queda porque foi reprogramado de
acordo com o conselho de economistas que acreditam que a capacidade
humana de lidar com a complexidade é essencialmente ilimitada.
O novo mundo deve ser formado com a clara admissão de que a nossa
capacidade de raciocinar objetivamente é limitada. Foi sugerido que podemos
evitar outra grande crise financeira aumentando a transparência. Isso está
errado. O problema fundamental não é a nossa falta de informação e sim a
nossa capacidade limitada de processá-la. Na realidade, se o problema fosse a
falta de transparência, os países escandinavos — notoriamente transparentes
— não teriam passado por uma crise financeira no início da década de 1990.
Enquanto continuarmos a permitir “inovações financeiras” ilimitadas, a nossa
capacidade de regular será sempre superada pela nossa capacidade de inovar.
Se quisermos seriamente evitar outra crise como o colapso de 2008,
devemos simplesmente proibir os instrumentos financeiros complexos, a não
ser que seja possível demonstrar inequivocamente que eles irão beneficiar a
sociedade a longo prazo. Alguns descartarão essa ideia por considerá-la
extravagante. Ela não é. Fazemos isso o tempo todo com outros produtos —
pense a respeito dos padrões de segurança para os alimentos, as drogas
farmacêuticas, os automóveis e os aviões. O resultado é um processo de
aprovação pelo qual o impacto de cada novo instrumento financeiro,
inventados por “gênios” nas instituições financeiras, é avaliado em função dos riscos e das recompensas para o nosso sistema como um todo a longo prazo, e
não apenas em função dos lucros a curto prazo para essas instituições.
Terceiro: embora reconhecendo que não somos anjos altruístas, devemos
construir um sistema que traga à luz o melhor, e não o pior, das pessoas.
A ideologia do livre mercado se baseia na convicção de que as pessoas só
farão alguma coisa “boa” se forem pagas para fazê-lo ou punidas por deixar de
fazê-lo. Essa convicção é então aplicada assimetricamente e reconcebida como
a visão de que as pessoas ricas precisam ser motivadas a trabalhar por mais
riquezas, enquanto a motivação das pessoas pobres precisa ser o medo da
pobreza.
O autointeresse é um motivo poderoso. O sistema comunista se revelou
inviável porque desconsiderou, ou melhor, tentou negar, esse propulsor
humano. Isso não prova, contudo, que o autointeresse material seja o nosso
único motivo. As pessoas não são tão instigadas pelo autointeresse material
como afirmam os compêndios do livre mercado. Se o mundo real estivesse tão
repleto de agentes interesseiros racionais como o que é retratado nesses
compêndios, ele desmoronaria sob o peso das contínuas fraudes,
monitorações, punições e barganhas.
Além disso, ao exaltar a busca do autointeresse material realizada pelas
pessoas e corporações, criamos um mundo no qual o enriquecimento material
absolve as pessoas e as corporações de outras responsabilidades para com a
sociedade. Com isso, permitimos que os nossos banqueiros e administradores
de fundos, direta e indiretamente, destruíssem empregos, fechassem fábricas,
causassem danos ao nosso ambiente e arruinassem o próprio sistema
financeiro na perseguição ao enriquecimento individual.
Se quisermos evitar que esse tipo de coisa aconteça de novo, devemos
construir um sistema no qual o enriquecimento material seja levado a sério
mas não possa se tornar o único objetivo. As organizações — sejam elas
corporações ou órgãos do governo — devem ser concebidas para
recompensar a confiança, a solidariedade, a honestidade e a cooperação entre
os seus membros. O sistema financeiro precisa ser corrigido de maneira a
reduzir a influência dos acionistas de curto prazo para que as empresas possam
se permitir perseguir metas que não seja a maximização do lucro a curto prazo. Devemos recompensar melhor o comportamento com benefícios públicos (p.
ex., a redução do consumo de energia, o investimento em treinamento), não
apenas por meio de subsídios do governo mas também conferindo a esse
comportamento um status social mais elevado.
Este não é apenas um argumento moral. É também um apelo ao
autointeresse inteligente. Ao permitir que o autointeresse a curto prazo
determine tudo corremos o risco de destruir o sistema inteiro, o que não
atende ao interesse de ninguém a longo prazo.
Quarto: devemos parar de acreditar que as pessoas sempre recebem a remuneração que
“merecem”.
Com frequência, as pessoas dos países pobres são, individualmente, mais
produtivas e empreendedoras do que os seus equivalentes nos países ricos. Se
lhes fosse concedida uma oportunidade igual por meio da imigração livre,
essas pessoas poderiam substituir a maior parte da força de trabalho nos países
ricos, e o fariam, embora isso fosse politicamente inaceitável e indesejável.
Vemos portanto que são os sistemas econômicos nacionais e o controle da
imigração dos países ricos que mantêm pobres as pessoas pobres nos países
pobres, e não a falta de qualidades pessoais delas.
Enfatizar que muitas pessoas permanecem pobres porque não têm
realmente oportunidades iguais não quer dizer que elas mereçam permanecer
pobres na medida em que tiverem tido oportunidades iguais. A não ser que
exista alguma equalização no resultado, em especial (porém não
exclusivamente) para que todas as crianças possam ter mais do que uma
nutrição e atenção dos pais mínimas, a igualdade de oportunidades propiciada
pelo mecanismo de mercado não garantirá uma competição realmente justa.
Será como uma corrida na qual ninguém tem uma vantagem inicial, mas
algumas pessoas correm com pesos amarrados às pernas.
Na outra extremidade do espectro, os salários executivos nos Estados
Unidos atingiram a estratosfera nas últimas décadas. O salário relativo dos
dirigentes americanos aumentou pelo menos em dez vezes entre a década de
1950 e os dias de hoje (um CEO típico costumava receber 35 vezes o salário
de um trabalhador típico, enquanto hoje ele recebe entre 300 e 400 vezes esse
valor), mas isso não acontece porque a produtividade dos executivos aumentou dez vezes mais rápido do que a dos trabalhadores. Mesmo excluindo
as opções de ações, os dirigentes americanos recebem duas vezes e meia o
salário dos seus equivalentes holandeses ou quatro vezes o dos japoneses,
apesar de a sua produtividade não apresentar uma visível superioridade.
Somente quando estivermos livres para questionar as cartas que o mercado
distribuiu para nós, seremos capazes de encontrar maneiras de estabelecer uma
sociedade mais justa. Podemos, e devemos, mudar as regras do mercado de
ações e o sistema de governança corporativa a fim de refrear a remuneração
excessiva dos executivos nas empresas de responsabilidade limitada. Devemos
não apenas oferecer oportunidades iguais mas também igualar, em uma certa
medida, o ponto de partida de todas as crianças para uma sociedade
verdadeiramente meritocrática. As pessoas devem receber uma segunda chance
real, e não superficial, por meio do auxílio-desemprego e do retreinamento
subsidiado pelo governo. Não devemos culpar as pessoas pobres nos países
pobres pela sua pobreza, quando a explicação mais ampla reside na pobreza
dos seus sistemas econômicos nacionais e no controle da imigração nos países
ricos. Os resultados do mercado não são fenômenos “naturais”. Eles podem
ser modificados.
Quinto: precisamos levar mais a sério “fazer as coisas”. A economia do
conhecimento pós-industrial é um mito. O setor industrial continua a ser vital.
Especialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas também em
outros países, o declínio industrial das últimas décadas tem sido tratado como
uma inevitabilidade da era pós-industrial, ou até mesmo acolhido
favoravelmente como um sinal do sucesso pós-industrial.
No entanto, nós somos seres materiais e não podemos viver de ideias, por
mais magnífica que a economia do conhecimento possa parecer. Além disso,
sempre vivemos em uma economia do conhecimento, no sentido que sempre
foi o domínio do conhecimento superior, e não da natureza física das
atividades, que, em última análise, decidiu que país é rico ou pobre. Na
realidade, quase todas as sociedades ainda estão fazendo cada vez mais coisas.
Principalmente porque aqueles que fazem coisas se tornaram muito mais
produtivos, as coisas ficaram mais baratas do que os serviços, em termos relativos, de modo que pensamos que não consumimos tantas coisas quanto
antes.
A não ser que você seja um minúsculo paraíso fiscal (um status que irá se
tornar cada vez mais difícil de manter, depois da crise de 2008), como
Luxemburgo ou Mônaco, ou um pequeno país que flutua sobre petróleo,
como Brunei ou o Kuwait, você precisa se tornar mais competente na
fabricação de coisas a fim de elevar o seu padrão de vida. A Suíça e Cingapura,
que são frequentemente elogiadas como histórias de sucesso pós-industrial,
são na realidade duas das economias mais industrializadas do mundo. Além
disso, a maioria dos serviços altamente valiosos são dependentes (às vezes até
mesmo parasíticos) do setor industrial (p. ex., as finanças, a consultoria
técnica). E os serviços não são muito negociáveis, de modo que um setor de
serviços excessivamente grande torna a situação do seu balanço de
pagamentos mais precária e, portanto, o seu crescimento econômico mais
difícil de sustentar.
O mito da economia do conhecimento pós-industrial também orientou
mal os nossos investimentos. Ele incentivou a ênfase excessiva, por exemplo,
na educação formal, cujo impacto no crescimento econômico se revela
altamente complexo e incerto, e na propagação da internet, cujo impacto na
produtividade é na realidade bastante modesto.
O investimento em coisas “maçantes” como maquinaria, infraestrutura e
treinamento de trabalhadores precisa ser incentivado por meio de mudanças
apropriadas na regulamentação fiscal (p. ex., depreciação acelerada para
máquinas), subsídios (p. ex., para o treinamento dos trabalhadores) ou
investimentos públicos (p. ex., redirecionamento para o desenvolvimento
infraestrutural). A política industrial precisa ser reestruturada para promover
grandes oportunidades para o crescimento da produtividade dos principais
setores industriais.
Sexto: precisamos atingir um melhor equilíbrio entre o setor financeiro e as atividades
“reais”.
Uma moderna economia produtiva não pode existir sem um saudável setor
financeiro. O sistema financeiro desempenha, entre outras coisas, o papel
crucial de resolver o descompasso entre o ato do investimento e a produção dos seus frutos. Ao “tornar líquidos” ativos físicos cujas características não
podem ser alteradas rapidamente, o sistema financeiro também nos ajuda a
deslocar rapidamente os recursos.
Entretanto, nas três últimas décadas, o sistema financeiro tornou-se a
situação proverbial da carroça colocada na frente dos bois. A liberalização
financeira facilitou o deslocamento do dinheiro, até mesmo através das
fronteiras nacionais, possibilitando que os investidores financeiros ficassem
mais impacientes para obter resultados instantâneos. Como resultado, tanto as
corporações quanto os governos se viram forçados a implementar políticas
que produzem lucros rápidos, independentemente das suas implicações a
longo prazo. Os investidores financeiros têm utilizado a sua maior mobilidade
como uma ficha de barganha para extrair uma parcela maior da renda nacional.
A movimentação mais fácil dos recursos financeiros também resultou em uma
maior instabilidade financeira e mais insegurança no emprego (que é necessária
para a realização de lucros rápidos).
É preciso diminuir o ritmo do sistema financeiro. Não colocando-nos de
volta nos dias da prisão dos devedores e das pequenas oficinas financiadas pela
poupança pessoal. No entanto, a não ser que diminuamos a defasagem da
velocidade entre o sistema financeiro e a economia real, não incentivaremos o
investimento a longo prazo e o verdadeiro crescimento, porque os
investimentos produtivos frequentemente levam um longo tempo para dar
frutos. A indústria japonesa precisou de quarenta anos de proteção e de
subsídios do governo para conseguir se tornar um sucesso internacional,
mesmo no segmento inferior do mercado. A Nokia levou dezessete anos para
ter lucro no setor da eletrônica, onde é hoje uma das líderes mundiais. No
entanto, depois do crescente grau de desregulamentação financeira, o mundo
tem operado com horizontes cada vez mais curtos.
Taxas sobre transações financeiras, restrições sobre a movimentação do
capital além das fronteiras do país (especialmente nas saídas e entradas nos
países em desenvolvimento), maiores restrições às fusões e aquisições são
algumas das medidas que desacelerarão o sistema financeiro, conduzindo-o a
uma velocidade no qual ele ajuda, em vez de enfraquecer ou mesmo sabotar, a
economia real.
Sétimo: o governo precisa se tornar mais forte e mais ativo.
Nas três últimas décadas, os ideólogos que promovem o livre mercado têm
nos dito constantemente que o governo é uma parte do problema e não uma
solução para os males da nossa sociedade. É bem verdade que existem casos
de erros dos governos — às vezes impressionantes — mas os mercados e as
corporações também erram e, o que é importante, existem muitos exemplos
de incríveis sucessos dos governos. O papel do governo precisa ser
detalhadamente reavaliado.
Não estou me referindo ao gerenciamento da crise, que é evidente desde
2008, até mesmo nas economias declaradamente de livre mercado, como a dos
Estados Unidos. Trata-se mais de criar uma sociedade próspera, equitativa e
estável. Apesar das suas limitações e das numerosas tentativas de enfraquecê-
lo, o governo democrático é, pelo menos até agora, o melhor veículo que
temos para conciliar as exigências conflitantes da nossa sociedade e, que o
mais importante, melhorar o nosso bem-estar coletivo. Ao refletir a respeito de
como podemos tirar o melhor partido do governo, precisamos abandonar
alguns dos trade-offs convencionais difundidos pelos economistas que
defendem o livre mercado.
Fomos informados que um governo forte, que recolhe um imposto de
renda elevado dos ricos e o redistribui para os pobres, é ruim para o
crescimento, pois desestimula os ricos de criar riqueza e torna as classes
inferiores preguiçosas. No entanto, se ter um governo fraco é bom para o
crescimento econômico, muitos países em desenvolvimento que têm um
governo desse tipo deveriam estar prosperando. Evidentemente, esse não é o
caso. Ao mesmo tempo, os exemplos escandinavos, nos quais um poderoso
estado do bem-estar social tem coexistido com um bom desempenho de
crescimento (ou até mesmo incentivado-o), também deveria expor os limites à
crença de que os governos fracos são sempre melhores para o crescimento.
Os economistas que defendem o livre mercado também nos informaram
que os governos ativos (ou invasivos, como eles dizem) são ruins para o
crescimento econômico. No entanto, contrariando a ideia habitual,
praticamente todos os países ricos de hoje usaram a intervenção do governo
para ficar ricos (se você ainda não está convencido com relação a este ponto,
consulte o meu livro anterior, Bad Samaritans). Quando apropriadamente projetada e implementada, a intervenção do governo pode aumentar o
dinamismo econômico aumentando a oferta de insumos que os mercados não
costumam fornecer com facilidade (p. ex., P&D, treinamento para os
trabalhadores), compartilhando o risco em projetos com um elevado retorno
social porém com um baixo retorno privado, e, nos países em
desenvolvimento, propiciando o espaço no qual as empresas incipientes nas
indústrias “na infância” podem desenvolver a sua capacidade produtiva.
Precisamos pensar mais criativamente a respeito de como o governo se
torna um elemento essencial em um sistema econômico onde há mais
dinamismo, uma maior estabilidade e níveis mais aceitáveis de justiça. Isso
significa construir um melhor estado do bem-estar social, um melhor sistema
regulatório (especialmente para o sistema financeiro) e uma melhor política
industrial.
Oitavo: o sistema econômico mundial precisa favorecer
“injustamente” os países em desenvolvimento.
Devido às restrições impostas pelos padrões democráticos, os defensores
do livre mercado na realidade tiveram dificuldade em implementar uma
reforma completa de livre mercado na maioria dos países ricos. Até mesmo
Margaret Thatcher constatou ser impossível acabar com o National Health
Service. Em decorrência disso, na verdade foram os países em
desenvolvimento as principais cobaias dos experimentos da política de livre
mercado.
Muitos países mais pobres, especialmente na África e na América Latina,
foram obrigados a adotar políticas de livre mercado a fim de tomar dinheiro
emprestado das organizações amantes do livre mercado (como o FMI e o
Banco Mundial) e dos governos dos países ricos (que também, em última
análise, controlam o FMI e o Banco Mundial). Devido à fraqueza das suas
democracias, as políticas de livre mercado puderam ser implementadas mais
implacavelmente nos países em desenvolvimento, mesmo quando
prejudicavam muitas pessoas. Esta é a suprema ironia: as pessoas que mais
precisavam de ajuda foram as mais cruelmente atingidas. Essa tendência foi
reforçada pelo fortalecimento de regras globais ao longo das últimas décadas a
respeito do que os governos podem fazer para proteger e desenvolver as suas economias (mais necessário nos países pobres) por meio da instituição e/ou
fortalecimento de organizações como a OMC, o BIS e vários acordos de livre
mercado e investimento bilaterais e regionais. O resultado foi uma
implementação muito mais completa de políticas de livre mercado e um
desempenho muito pior sob o aspecto do crescimento, da estabilidade e da
desigualdade do que nos países desenvolvidos.
O sistema econômico mundial precisa ser completamente reformulado a
fim de proporcionar mais “espaço de políticas” para que os países em
desenvolvimento persigam políticas que lhes sejam mais adequadas (os países
ricos têm muito mais liberdade de movimento para ajustar as regras
internacionais ou até mesmo desconsiderá-las). Os países em desenvolvimento
precisam de um regime mais permissivo no que diz respeito ao uso do
protecionismo, da regulamentação do investimento estrangeiro e dos direitos
da propriedade intelectual, entre outras coisas. Essas são políticas que os países
ricos na verdade utilizaram quando eram países em desenvolvimento. Tudo
isso requer uma reforma da OMC, a anulação e/ou reforma de acordos
comerciais e de investimento bilaterais existentes entre países ricos e pobres, e
mudanças nas condições de políticas associadas a empréstimos das
organizações financeiras internacionais e à ajuda externa dos países ricos.
É claro que essas coisas “favorecem injustamente” os países em
desenvolvimento, como argumentariam alguns países ricos. No entanto, os
países em desenvolvimento já sofrem tantas desvantagens no sistema
internacional que precisam dessas oportunidades para ter alguma esperança de
alcançar os outros.
Os oito princípios contrariam diretamente a sabedoria econômica recebida
nas três últimas décadas. Alguns leitores terão se sentido pouco à vontade com
isso. Entretanto, a não ser que abandonemos agora os princípios que nos
desapontaram e que continuam a nos refrear, encontraremos desastres
semelhantes mais à frente. E não teremos feito nada para aliviar a situação de
bilhões de pessoas que sofrem devido à pobreza e à insegurança, em especial,
mas não exclusivamente, no mundo em desenvolvimento. É chegada a hora de
ficar pouco à vontade.
OceanofPDF.com
[1] Para detalhes sobre como a tarifa (impedir o livre comércio das mercadorias) foi outra questão importante na formação da Guerra Civil americana, consulte o meu livro anterior Kicking Away the Ladder — Development Strategy in Historical Perspective (Anthem Press, Londres, 2002), pp. 24-8 e referências dessa parte.
[2] A. Smith, An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations (Clarendon Press, Oxford, 1976), p. 741
[3] Os anglo-saxões não consideram o México parte da América do Norte. (N. da trad.)
[4] N. Rosenberg e L. Birdzell, How the West Grew Rich (IB TAuris & Co., Londres, 1986), p. 200.
[5] A. Glyn, Capitalism Unleashed — Finance, Globalisation, and Welfare (Oxford University Press, Oxford, 2004), p. 7, fig. 1.3.
[6] J. G. Palma, “The revenge of the market on the rentiers — Why neo-liberal reports on the end of history turned out to be premature”, Cambridge Journal of Economics, 2009, vol. 33, no 4, p. 851, fig. 12.
[7] Ver W. Lazonick e M. O’Sullivan, “Maximising shareholder value: A New ideology for corporate governance”, Economy and Society, 2000, vol. 29, no 1, e W. Lazonick, “The buyback boondoggle”, Business Week, 24 de agosto de 2009.
[8] Lazonick, op. cit.
[9] R. Sarti, “Domestic service: Past and present in Southern and Northern Europe”, Gender and History, 2006, vol. 18, no 2, p. 223, tabela 1.
[10] Como citado in J. Greenwood, A. Seshadri e M. Yorukoglu, “Engines of liberation”, Review of Economic Studies, 2005, vol. 72, p. 11.
[11] C. Goldin, “The quiet revolution that transformed women’s employment, education, and family”, American Economic Review, 2006, vol. 96, no 2, p. 4, fig. 1.
[12] I. Rubinov, “The problem of domestic service”, Journal of Political Economy, 1996, vol. 14, no 8, p. 505.
[13] O livro é H.-J. Chan e I. Grabel, Reclaiming Development — An Alternative Economic Policy Manual (Zed Press, Londres, 2004).
[14] K. Ohmae, The Borderless World: Power and Strategy in the Interlinked Economy (Harper & Row, Nova York, 1990).
[15] Um resumo acessível da literatura acadêmica sobre a complexidade das motivações humanas pode ser encontrado in B. Frey, Not Just for the Money — Economic Theory of Personal Motivation (Edward Elgar, Cheltenham, 1997).
[16] O exemplo desenvolve aquele usado por K. Basu, “On why we do not try to walk off without paying after a taxi-ride”, Economic and Political Weekly, 1983, no 48.
[17] S. Fischer, ‘Maintaining price stability’, Finance and Development, dezembro de 1996.
[18] Um estudo de Robert Barro, um proeminente economista defensor do livre mercado, conclui que a inflação moderada (10 a 20%) tem um efeito negativo baixo no crescimento, e que, abaixo de 10%, a inflação não tem nenhum efeito. Ver R. Barro, “Inflation and growth”, Review of Federal Reserve Bank of St Louis, 1996, vol. 78, no 3. Um estudo realizado por Michael Sarel, economista do FMI, estima que abaixo de 8% a inflação causa apenas um pequeno impacto no crescimento — na verdade, ressalta ele, o relacionamento é positivo abaixo desse nível — ou seja, a inflação ajuda em vez de atrapalhar o crescimento. Ver M. Sarel, “Non-linear effects of inflation on economic growth”, IMF Staff Papers, 1996, vol. 43, março.
[19] Ver: M. Bruno, “Does inflation really lower growth?”, Finance and Development, 1995, vol. 32, pp. 35-8; M. Bruno e W. Easterly, “Inflation and growth: In search of a stable relationship”, Review of Federal Reserve Bank of St Louis, 1996, vol. 78, no 3.
[20] Na década de 1960, a taxa de inflação da Coreia foi muito mais alta do que a de cinco países da América Latina (Venezuela, Bolívia, México, Peru e Colômbia) e não muito mais baixo do que a da Argentina. Na década de 1970, a taxa de inflação coreana foi mais elevada do que a encontrada na Venezuela, no Equador e no México, e não muito inferior à da Colômbia e à da Bolívia. As informações são de A. Singh, “How did East Asia grow so fast? — Slow progress towards an analytical consensus”, 1995, UNCTAD Discussion Paper, no 97, tabela 8.
[21] Existem muitas maneiras diferentes de calcular as taxas de lucro, mas o conceito relevante nesse caso são os retornos sobre os ativos. Segundo S. Claessens, S. Djankov e L. Lang, “Corporate growth, financing, and risks in the decades before East Asia’s financial crisis”, 1998, Policy Research, tese no 2017, World Bank, Washington, DC, fig. 1, os retornos sobre ativos em 46 países desenvolvidos e em desenvolvimento durante o período 1988-1996 variaram entre 3,3% (Áustria) e 9,8% (Tailândia). O coeficiente variou entre 4 e 7% em quarenta dos 46 países; ficou abaixo de 4% em três países e acima de 7% em três países. Outro estudo do Banco Mundial coloca a taxa média de lucro para empresas não financeiras nas economias de “mercado emergente” (países com renda média) durante a década de 1990 (1992—2001) em um nível ainda mais baixo, 3,1% (lucro líquido/ativos). Ver S. Mohapatra, D. Ratha e P. Suttle, “Corporate financing patterns and performance in emerging markets”, mimeo., março de 2003, World Bank, Washington, DC.
[22] C. Reinhart e K. Rogoff, This Time is Different (Princeton University Press, Princeton e Oxford, 2008), p. 252, fig. 16.1.
[23] Para mais detalhes sobre as opiniões protecionistas de Lincoln, consulte o meu livro anterior Kicking Away the Ladder (Anthem Press, Londres, 2002), pp. 27-8 e as referências dele.
[24] Essa história é narrada com mais detalhes nos meus livros anteriores: Kicking Away the Ladder é uma monografia acadêmica com muitas referências e anotações, porém de modo nenhum de difícil leitura, concentrada particularmente na política comercial; Bad Samaritans (Random House, Londres, 2007, e Bloomsbury EUA, Nova York, 2008) aborda um leque mais amplo de políticas em diversas áreas e está escrito em uma linguagem mais coloquial.
[25] Na época, ele não tinha esse título, e ele mesmo não se descreveria como tal. Somente em 1905 o título foi oficialmente reconhecido. (N. da trad.)
[26] Outras evidências são encontradas no meu recente livro Bad Samaritans (Random House, Londres, 2007, e Bloomsbury EUA, Nova York, 2008), cap. 4, “The Finn and the Elephant”, e R. Kozul-Wright e P. Rayment, The Resistible Rise of Market Fundamentalism (Zed Books, Londres, 2007), cap. 4.
[27] Trata-se de um trocadilho no texto original, porque em inglês batata frita é potato chips e lascas de madeira é wood chips. (N. da trad.)
[28] K. Coutts, A. Glyn e B. Rowthorn, “Structural change under New Labour’, Cambridge Journal of Economics, 2007, vol. 31, no 5.
[29] O termo foi tomado emprestado do relatório de 2008 do Department for BEER (Business, Enterprise and Regulatory Reform) do governo britânico Globalisation and the Changing UK Economy (2008)
[30] B. Alford, “De-industrialisation”, ReFRESH, outono de 1997, p. 6, tabela 1.
[31] B. Rowthorn e K. Coutts, “De-industrialisation and the balance of payments in advanced economies”, Cambridge Journal of Economics, 2004, vol. 28, no 5.
[32] T. Gylfason, “Why Europe works less and grows taller”, Challenge, 2007, janeiro/fevereiro.
[33] O desenho animado em longa metragem foi exibido no Brasil com o título Bernardo e Bianca. (N. da trad.)
[34] P. Collier e J. Gunning, “Why has Africa grown slowly?”, Journal of Economic Perspectives, 1999, vol. 13, no 3, p. 4.
[35] Daniel Etounga-Manguelle, engenheiro e escritor camaronês, assinala o seguinte: “O africano, ancorado na sua cultura ancestral, está de tal modo convencido de que o passado só pode se repetir, que ele só se preocupa superficialmente com o futuro. Entretanto, sem uma percepção dinâmica do futuro, não há planejamento, previsão ou formação de um cenário; em outras palavras, não há nenhuma política para afetar o desenrolar dos acontecimentos” (p. 69). E então ele prossegue dizendo que “As sociedades africanas são como um time de futebol no qual, em decorrência de rivalidades pessoais e uma falta de espírito de equipe, um jogador deixa de passar a bola para outro com medo de que este último marque um gol” (p. 75). D. Etounga-Manguelle, “Does Africa need a cultural adjustment program?” in L. Harrison e S. Huntington (orgs.), Culture Matters — How Values Shape Human Progress (Basic Books, Nova York, 2000).
[36] Segundo Weber, em 1863, cerca de um quarto da população da França não falava francês. Nesse mesmo ano, 11% das crianças que frequentavam a escola com idades entre 7 e 13 anos não falavam nem um pouco de francês, enquanto outros 37% falavam ou compreendiam o idioma mas não sabiam escrevê-lo. E. Weber, Peasants into Frenchmen — The Modernisation of Rural France, 1870-1914 (Stanford University Press, Stanford, 1976), p. 67.
[37] Ver H-J. Chang, “Under-explored treasure troves of development lessons — lessons from the histories of small rich European countries (SRECs)” in M. Kremer, P. van Lieshoust e R. Went (orgs.), Doing Good or Doing Better — Development Policies in a Globalising World (Amsterdam University Press, Amsterdã, 2009) e H-J. Chang, “Economic history of the developed world: Lessons for África”, palestra proferida no Eminent Speakers Programme of the African Development Bank, 26 de fevereiro de 2009 (o download pode ser feito em: http://www.econ.cam.ac.uk/faculty/chang/pubs/ ChangAfDBlecturetext.pdf ).
[38] See H-J. Chang, “How important were the ‘initial conditions’ for economic development — East Asia vs. Sub-Saharan África” (cap. 4) in H-J. Chang, The East Asian Development Experience: The Miracle, the Crisis, and the Future (Zed Press, Londres, 2006).
[39] Para a comparação da qualidade das instituições nos países ricos de hoje quando eles estavam em níveis semelhantes de desenvolvimento com os encontrados hoje nos países em desenvolvimento, ver H-J. Chang, Kicking Away the Ladder (Anthem Press, Londres, 2002), cap. 3.
[40] “Japoneses preguiçosos e alemães ladrões”. (N. da trad.)
[41] Uma explicação e apreciação em linguagem coloquial da teoria da vantagem comparativa é encontrada em “My six-year-old son should get a job”, cap. 3 do meu livro Bad Samaritans (Random House, Londres, 2007, e Bloomsbury EUA, Nova York, 2008).
[42] Outros detalhes podem ser encontrados nos meus livros anteriores, Kicking Away the Ladder (Anthem Press, Londres, 2002) e Bad Samaritans.
[43] Os dezesseis países nos quais a desigualdade aumentou são, em ordem decrescente de desigualdade de renda até 2000: Estados Unidos, Coreia do Sul, Reino Unido, Israel, Espanha, Itália, Holanda, Japão, Austrália, Canadá, Suécia, Noruega, Bélgica, Finlândia, Luxemburgo e Áustria. Os quatro países nos quais a desigualdade de renda caiu foram a Alemanha, a Suíça, a França e a Dinamarca.
[44] L. Mishel, J. Bernstein e H. Shierholz, The State of Working America, 2008/2009 (Economic Policy Institute, Washington, DC, 2009), p. 26, tabela 3.
[45] Segundo a OCDE (Organization for Economic Development and Cooperation), antes dos tributos e transferências, os Estados Unidos, até meados de 2000, tinha um coeficiente Gini (indicador da desigualdade da renda, sendo 0 a igualdade absoluta e 1 a desigualdade absoluta) de 0,46. Os coeficientes foram 0,51 para a Alemanha, 0,49 para a Bélgica, 0,44 para o Japão, 0,43 para a Suécia e 0,42 para a Holanda.
[46] L. Mishel, J. Bernstein e H. Shierholz, The State of Working America, 2008/2009 (Economic Policy Institute, Washington, DC, 2009), tabela 3.2.
[47]Ibid., tabela 3.1.
[48] “Should Congress put a cap on executive pay?”, The New York Times, 3 janeiro de 2009.
[49] Mishel et al., op. cit., tabela 3.A2. Os treze países são Austrália, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.
[50]Ibid., tabela 3.A2.
[51] L. A. Bebchuk e J. M. Fried, “Executive compensation as an agency problem”, Journal of Economic Perspectives, 2003, vol. 17, no 3, p. 81.
[52] OCDE, “Is informal normal? — Towards more and better jobs in developing countries”, 2009.
[53] D. Roodman e J. Morduch, “The impact of microcredit on the poor in Bangladesh: Revisiting the evidence”, 2009, documento de trabalho, no 174, Center for Global Development, Washington, DC.
[54] M. Bateman, Why Doesn’t Microfinance Work? (Zed Books, Londres, 2010).
[55] Racionalidade limitada (bounded rationality, em inglês) é a ideia de que, na tomada de decisões, a racionalidade das pessoas está limitada pelas informações que elas têm, pelas restrições da sua mente e pela quantidade finita de tempo que elas têm para tomar decisões. (N. da trad.)
[56] Discurso na Mansion House, 19 de junho de 2009.
[57] Uma apresentação envolvente, em linguagem coloquial, das pesquisas sobre o lado irracional da natureza humana é encontrada in P. Ubel, Free Market Madness: Why Human Nature is at Odds with Economics — and Why it Matters (Harvard Business School Press, Boston, 2009).
[58] Literalmente, Campanha em favor do Inglês Direto (ou Claro). (N. da trad.)
[59] Literalmente, Pé na Boca. (N. da trad.)
[60] J. Samoff, “Education for all in Africa: Still a distant dream” in R. Arnove e C. Torres (orgs.), Comparative Education — The Dialectic of the Global and the Local (Rowman e Littlefield Publishers Inc., Lanham, Maryland, 2007), p. 361, tabela 16.3.
[61] Tradução literal: “Para onde foi toda a instrução?” (N. da trad.)
[62] L. Pritchett, “Where has all the education gone?”, The World Bank Economic Review, 2001, vol. 13, no 3.
[63] A. Wolf, Does Education Matter? (Penguin Books, Londres, 2002), p. 42.
[64] Na oitava série, os Estados Unidos ultrapassou a Lituânia, mas continuou atrás da Rússia e da Hungria; a pontuação para alunos da quarta série na Hungria e para alunos da oitava série na Letônia e no Cazaquistão não está disponível.
[65] Os outros países europeus foram, na ordem de classificação no teste, Alemanha, Dinamarca, Itália, Áustria, Suécia, Escócia e Noruega. Ver o website do National Center for Educational Statistics do US Department of Education Institute of Education Sciences, http://nces.ed.gov/timss/table07_1.asp.
[66] Os outros países ricos foram, na ordem de classificação no teste, Japão, Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Suécia, Escócia e Itália. Ver o website da nota anterior.
[67] Os trabalhos mais influentes dessa escola de pensamento foram Labor and Monopoly Capital: The Degradation of Work in the Twentieth Century de Harry Braverman (Monthly Review Press, Nova York, 1974) e “What do bosses do?’ de Stephen Marglin, publicado em duas partes em The Review of Radical Political Economy em 1974 e 1975.
[68] Wolf, op. cit., p. 264.
[69] Mais detalhes sobre a questão da classificação e muitos outros comentários reveladores sobre o papel da instrução no desenvolvimento econômico são encontrados em Wolf, op. cit.
[70] R. Blackburn, “Finance and the fourth dimension”, New Left Review, maio/junho 2006, p. 44.
[71] A participação do governo federal nos gastos totais com P&D nos Estados Unidos foi de 53,6% em 1953, 56,8% em 1955, 64,6% em 1960, 64,9% em 1965, 57,1% em 1970, 51,7% em 1975, 47,2% em 1980, 47,9% em 1985 e 47,3% em 1989 (estimados). Ver D. Mowery e N. Rosenberg, “The U.S. National Innovation System” in R. Nelson (org.), National Innovation Systems (Oxford University Press, Nova York e Oxford, 1993), p. 41, tabela 2.3.
[72] H. Simon, “Organizations and markets”, Journal of Economic Perspectives, 1991, vol. 5, no 2, p. 27.
[73] Mais detalhes sobre como a cultura confucionista não foi uma das causas do desenvolvimento do Leste Asiático são encontrados em “Lazy Japanese and thieving Germans”, cap. 9 no meu livro Bad Samaritans (Random House, Londres, 2007, e Bloomsbury USA, Nova York, 2008).
[74] Exibido no Brasil com o título Fazendo História. (N. da trad.)
[75] M. Jäntti et al., “American exceptionalism in a new light: a comparison of intergenerational earnings mobility in the Nordic countries, the United Kingdom e the United States”, The Warwick Economic Research Paper Series, Departamento de Economia, University of Warwick, outubro de 2005.
[76] A OCDE é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Ela é o clube dos países ricos, na qual a condição de “rico” de vários membros pode ser discutível, como é o caso de Portugal, Coreia, República Tcheca, Hungria, República Eslovaca, Polônia, México e Turquia (na ordem decrescente de renda per capita). Desses países, Portugal e a Coreia são os mais ricos, com cerca de 18 mil dólares de renda per capita anual (em 2006), e a Turquia o mais pobre, com uma renda per capita anual de 5,4 mil dólares (em 2006). O membro seguinte mais pobre da OCDE, depois de Portugal e da Coreia, é a Grécia, que tem uma renda per capita anual de mais de 24 mil dólares. Em 2003 (o último ano para o qual a OCDE tem os dados), os gastos sociais públicos foram responsáveis por 5,7% do PIB na Coreia. O percentual mais elevado foi o da Suécia, 31,3%. A média da OCDE foi de 20,7%. Ver OECD Factbook 2008: Economic, Environmental and Social Statistics.
[77] Em 2003 (o último ano para o qual a OCDE tem os dados), os gastos sociais públicos foram responsáveis por 16,2% do PIB nos Estados Unidos, comparados com a média de 20,7% da OCDE e a média de 23,9% dos quinze países de União Europeia. Entre os estados-membros da OCDE, apenas a Coreia (5,7%) e o México (6,8%) — dois países que geralmente não são considerados plenamente desenvolvidos — apresentaram um coeficiente mais baixo. Ibid.
[78] R. Portes e F. Baldursson, The Internationalisation of Iceland’s Financial Sector (Iceland Chamber of Commerce, Reykjavik, 2007), p. 6.
[79] G. Duménil e D. Lévy, “Costs and benefits of neoliberalism: A class analysis’, in G. Epstein (org.), Financialisation and the World Economy (Edward Elgar, Cheltenham, 2005).
[80] J. Crotty, “If financial market competition is so intense, why are financial firm profits so high? — Reflections on the current ‘golden age’ of finance”, tese no 134, PERI (Political Economy Research Institute), University of Massachusetts, Amherst, abril de 2007.
[81] As informações sobre a GE foram extraídas de R. Blackburn, “Finance and the fourth dimension”, New Left Review, maio/junho de 2006, p. 44. J. Froud et al., Financialisation and Strategy: Narrative and Numbers (Routledge, Londres, 2006), estima que o coeficiente poderia chegar a 50%. As informações sobre a Ford foram extraídas do estudo de Froud et al. e as da GM do estudo de Blackburn.
[82] J. G. Palma, “The revenge of the market on the rentiers — Why neoliberal reports of the end of history turned out to be premature”, Cambridge Journal of Economics, 2009, vol. 33, no 4.
[83] A sua renda per capita duplicará em dez anos, se você for uma economia “milagrosa” que cresce 7% ao ano. Se você for uma economia da “idade do ouro” que cresce 3,5% ao ano per capita, serão necessários cerca de vinte anos para duplicar a sua renda per capita. Nesses vinte anos, a renda per capita da economia milagrosa terá quadruplicado. Em contraposição, uma economia da “revolução industrial”, que cresce 1% ano do ponto de vista per capita, levará cerca de setenta anos para duplicar a sua renda per capita.
[84] O download da carta pode ser feito no website, http://media. ft.com/cms/3e3b6ca8-7a08-11de-b86f-00144feabdc0.pdf.
[85] Conhecido no Brasil como Fundo Garantido de Créditos (FGC). (N. da trad.)
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