A Águia Solitária

Danielle Steel · Capítulo 10 de 25

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A Águia Solitária

Capítulo 9

 

As tropas am ericanas venceram a Batalha do Ruhr em m arço e tinham tom ado Iro Jim a no Pacífico. Nurem berg caíra nas m ãos dos Aliados em abril, na m esm a época em que os Russos chegaram aos subúrbios de Berlim . Mussolini e os m em bros do seu gabinete foram executados no fim de abril e os exércitos alem ães na Itália renderam -se no dia seguinte, duas sem anas depois da m orte do presidente Roosevelt. Harry Trum an foi eleito presidente. A Alem anha rendeu-se em 7 de m aio e o presidente Trum an declarou o dia 8 de m aio dia da vitória.

Kate e Andy seguiam as notícias com avidez e discutiam sobre o que liam . A guerra significava m ais para ela do que para a m aior parte das garotas da sua idade, porque lhe havia custado m uito. E outras rezavam constantem ente para que os seus hom ens voltassem para casa. Já haviam passado quase dois anos desde que Joe fora abatido e até Kate perdera a esperança de voltar a vê-lo no final da guerra. Ele desaparecera havia dezessete m eses e todos tinham concluído que ele m orrera, ela própria tam bém . Os proj etos dele foram encerrados, em bora os seus recordes se m antivessem e fossem se m anter durante m uito tem po.

Kate estava nas aulas no dia da vitória quando ouviu as notícias. A porta foi aberta e entrou um a professora chorando. Perdera o m arido na França havia três anos. As garotas levantaram -se, deram vivas e abraçaram -se. A guerra acabara finalm ente. Os rapazes podiam voltar para casa. Só precisavam agora de um a vitória no Japão, m as todos tinham certeza de que ela ocorreria em breve.

Kate foi ver os pais nessa tarde e o pai estava radiante. Conversaram durante bastante tem po e ele reparou no olhar de profunda tristeza da filha. Era fácil adivinhar os seus pensam entos e quando o fitou ela tinha lágrim as nos olhos. Ele tocou-lhe na m ão.

— Lam ento que ele não tenha conseguido, Kate.

Ela assentiu.

— Eu tam bém . — disse, lim pando as lágrim as do rosto. Regressou para casa e deitou-se na cam a pensando de novo em Joe. Ele estava sem pre ali, em algum lugar, perto dela. Nunca se afastava m uito. E quando um a das garotas veio dizer-lhe que Andy se encontrava ao telefone, Kate pediu-lhe que dissesse que tinha saído. Não era capaz de falar com ele. A sua m ente e o seu coração estavam m uito preenchidos com Joe.

O fim do curso foi anticlim ático após a vitória na Europa, e Kate estava m uito bonita com a batina e o chapéu pretos. Os pais inchavam de orgulho, e Andy assistiu igualm ente à cerim ônia. Falara-lhe em anunciarem o noivado nessa sem ana, m as ela pedira-lhe que esperasse m ais um pouco. Ele iria viaj ar pelo Noroeste nesse verão e com eçaria a trabalhar com o pai no outono.

Assistiu à cerim ônia dele depois da sua. Estava feliz por ele. Convencera-o a esperar até ao verão para voltarem a falar em casam ento.

Mas assim que ele partiu em viagem em j unho, Kate constatou que sentia m ais saudades dele do que esperara, e ficou aliviada ao perceber que sentia algo por ele. Não sabia exatam ente o quê, por causa de Joe. As suas em oções pareciam um pouco fracas, com o se algo nela tivesse sido desligado. No entanto, voltava lentam ente ao norm al e estava grata pela bondade e pela paciência de Andy. Sabia que o fizera passar um m au bocado e, no fim de j unho, estava desej osa de que ele regressasse. Andy ligava-lhe sem pre que podia e enviava-lhe postais de todo lado. Dirigia-se para a zona do parque nacional de Grand Teton e depois para o lago Louise. Tinha am igos no estado de Washington e, na volta, passaria por São Francisco. Por aquilo que ele dizia, estava divertindo-se m uito, m as tinha m uitas saudades dela. E Kate ficou adm irada ao ver que tam bém tinha saudades. Já considerava seriam ente a hipótese de ficar noiva no outono e talvez casar-se em j unho. Sabia que, pelo m enos, precisava de m ais um ano. E voltara a trabalhar em período integral para a Cruz Verm elha.

Todos os dias chegavam da Europa hordas de j ovens e navios com feridos. Ela fora destacada para o porto, a fim de aj udar os m édicos e enferm eiros na triagem dos hom ens que desem barcavam e de enviá-los para hospitais onde passariam os m eses seguintes, ou os anos. Kate nunca vira pessoas tão contentes por retornarem para casa, independentem ente dos ferim entos. Aj oelhavam -se e beij avam o solo, beij avam -na e a todas as pessoas que estivessem por perto, caso as m ães e as nam oradas não se encontrassem presentes. Em bora fosse um trabalho exaustivo, era de certa form a feliz. Muitos tinham ferim entos horríveis e um ar m uito j ovem até se verem os seus olhos. Tinham visto m uito. Mas estavam radiantes por retornar. Vê-los coxear dos navios para o cais ou abraçar os fam iliares fazia sem pre Kate chorar.

Ela passava horas com eles, segurando-lhes nas m ãos, fazendo-lhes festas na cabeça, tom ando notas para os hom ens que haviam ficado cegos. Metia-os em am bulâncias ou em cam inhões m ilitares. Chegava em casa todas as noites suj a e cansada, m as pelo m enos sentia que em pregava o tem po de form a útil.