A Águia Solitária
Capítulo 13
Os pais de Kate sabiam que ela tinha voltado definitivam ente, m as não sabiam por quê. Ela não lhes explicou, nunca lhes falou de Joe nem do que acontecera em New Jersey. Estava m uito m agoada para falar no assunto com eles. E ficou destroçada por Joe não lhe telefonar. Esperava que ele abrisse os olhos e sentisse m uito a sua falta e telefonasse dizendo que afinal queria casar com ela e ter filhos.
Mas ele falara a sério. Mandou-lhe um a pequena caixa com roupa algum as sem anas m ais tarde, coisas de que ela se esquecera no apartam ento, e na caixa não vinha qualquer bilhete. Os pais percebiam o seu sofrim ento, m as não a pressionaram , em bora a m ãe desconfiasse do que acontecera.
Kate passou três m eses no inverno em Boston dando longos passeios e chorando. Foi um Natal doloroso. Pensou em telefonar a Joe m il vezes, e desej ava desesperadam ente fazê-lo, m as não estava disposta a viver com ele com o am ante. Um dia acabaria por se sentir um a pária. Foi esquiar durante alguns dias após o Natal e retornou a casa para passar o ano com os pais. Não entrou em contato com Joe e ele não lhe telefonou. Kate tinha a im pressão de que um a parte de si m orrera quando o deixara, e não fora capaz de im aginar a vida sem ele. Mas agora tinha de o fazer. Tom ara um a decisão coraj osa e tinha de viver com ela o m elhor possível. Não lhe restava alternativa.
Fez um esforço para tornar a ver os velhos am igos, m as j á não parecia ter nada em com um com eles. A sua vida estivera ligada à de Joe durante m uitos anos. Sem saber o que m ais fazer e determ inada a voltar a viver, decidiu m udar-se para Nova Iorque em j aneiro e trabalhar no Museu Metropolitano, com o assistente do conservador da ala egípcia. Pelo m enos assim aplicava aquilo que aprendera sobre história em Radcliffe, em bora soubesse m uito m ais a respeito de aviões. A princípio não estava m uito entusiasm ada, m as ficou surpreendida ao descobrir, assim que lá chegou, que adorava o trabalho. E em fevereiro encontrara um apartam ento. Agora só lhe restava continuar a viver. A perspectiva parecia triste, infinita, deprim ente e incrivelm ente vazia sem Joe. Noite e dia, sentia saudades de tudo. Mesm o quando estava trabalhando só pensava em Joe. Lia constantem ente artigos sobre ele nos j ornais. Sete anos antes ele fora notícia por bater recordes de voo, e agora o m undo inteiro falava na construção dos seus fantásticos aviões. E quando não estava trabalhando neles, estava pilotando-os.
Kate viu num j ornal em j unho que ele ganhara um prêm io no Festival Aéreo de Paris. Ficou feliz por ele. E sentiu-se infeliz e solitária. Tinha vinte e cinco anos, era linda, e a sua vida era m ais m onótona que a da m ãe.
Nunca saiu com rapazes, e quando as pessoas a convidavam respondia-lhes que estava ocupada. Era com o quando o avião de Joe fora abatido, chorava-o e sentia a falta dele. Nem foi a Cape Cod nesse verão porque sabia que a faria recordá-lo. Tudo a fazia recordá-lo. Falar, viver, m over-se, respirar, até ir a restaurantes. Cozinhar. Era absurdo e ela sabia-o, m as ele tornara-se parte da sua essência. Estava convencida de que só lhe restava esperar toda a vida para conseguir esquecê-lo. Podia ser feito, disse a si m esm a, só não sabia se seria capaz. Acordava todas as m anhãs com a sensação de que alguém m orrera, e depois lem brava-se. Fora ela que m orrera.
Estava em Nova Iorque havia quase um ano quando certo dia foi à m ercearia com prar com ida para cães. Com prara um a cadelinha para lhe fazer com panhia, e até riu de si m esm a e adm itiu que era patética. Estava olhando para as diferentes latas quando levantou a cabeça e ficou adm irada por ver Andy. Não o via há m ais de três anos e ele estava m uito bonito e com um ar adulto num terno escuro e num a gabardina Burberry. Retornava para casa do trabalho e ia com prar com ida para o j antar. Ela calculava que ele j á tivesse casado, em bora não o soubesse ao certo.
— Com o você está, Kate? — perguntou ele com um grande sorriso. Há m uito que recuperara-se do golpe que ela lhe desferira, em bora durante m uito tem po lhe tivesse custado pensar nela e tivesse j ogado fora todas as suas fotografias.
— Estou bem , e você? — Não lhe disse que sentira a sua falta. Era difícil encontrar um bom am igo e j á há m uito que Kate não tinha ninguém com quem falar.
— Muito ocupado. O que faz aqui? — Parecia feliz por vê-la.
— Vivo aqui. Trabalho no Museu Metropolitano. É divertido.
— Que bom . Tenho lido m uitas coisas sobre o Joe. Que grande im pério o dele! Vocês j á têm filhos?
Ela riu-se ao ouvir a pergunta. Partia de um a suposição não só incorreta, com o tam bém j á obsoleta.
— Não. Tenho um a cadelinha. — Apontou para as latas de com ida para cão e decidiu contar-lhe a verdade. — Não sou casada.
Ele pareceu atordoado.
— Você e o Joe não se casaram ?
— Não. Ele casou com os aviões dele. Tom ou a decisão que m ais lhe convinha.
— E você? — perguntou ele. Sem pre haviam sido frontais um com o outro, e isso era um a das coisas que Kate gostava nele. — Com o foi para você a decisão dele, eu quero dizer?
— Não m uito boa. Vim em bora. Estou habituando-m e. Já passou um ano. — Tinha passado um ano, duas sem anas e três dias, m as ela achou m elhor poupar-lhe os porm enores. — E você? Casou-se? Tem filhos?
— Am igas. Muitas. É m ais seguro. Assim não fico com o coração destroçado.
Andy não m udara nada, e ela riu-se ao ouvir a resposta dele.
— Ainda bem para você. Vou ver se consigo arranj ar-te m ais algum as. Há m uitas garotas bonitas trabalhando no m useu.
— E você é um a delas. Você está com um ótim o aspecto, Kate!
Usava o cabelo m ais curto, para variar. A sua grande alegria nos últim os tem pos eram as m anicures, os cabeleireiros e o cão.
— Obrigada. — Há j á tanto tem po que não falava com um rapaz da sua idade durante m ais de cinco m inutos que não soube o que m ais dizer.
— Que tal irm os ao cinem a um dia destes?
— Gostaria m uito — respondeu ela enquanto se dirigiam lentam ente para a caixa. Ele com prara cornflakes e soda, notou ela. E trazia na m ão um a garrafa de uísque que com prara num a loj a de bebidas. — Não devia levar tam bém leite. Ou lim ita-se a pôr o uísque nos cornflakes? Hei de experim entar um dia.
— Bebo-o puro.
— O que faz com a soda?
— Uso-a para lim par os tapetes.
Estavam gostando da conversa que lhes fazia recordar os bons velhos tem pos da escola, e ele insistiu em pagar a com ida do cão. Sem pre fora generoso para com ela, cavalheiro e m eigo.
— Continua trabalhando para o seu pai? — perguntou ela quando saíram da loj a.
— Sim , e a coisa tem dado certo. Ele dá-m e todos os casos de divórcio, detesta-os.
— Que anim ador. Bem , pelo m enos fui poupada disso.
— Talvez tenha sido poupada a m ais do que isso, Kate. Os hom ens com o ele nunca são fáceis. Dem asiado brilhantes, criativos e difíceis. Estava tão apaixonada por ele que acho que nem reparou.
Ela reparara e adorara. Por m uito que tivesse gostado de Andy com o am igo, ele nunca lhe parecera suficientem ente excitante. Joe era com o um a estrela, inalcançável, e sem pre o que ela desej ara, talvez m esm o por causa disso.
— Você está sugerindo que eu procure um idiota? — perguntou ela divertida com a sugestão dele.
— Talvez apenas alguém m ais hum ano — respondeu Andy com um ar sério. — Ele era um hom em difícil. Você m erece m elhor.
Kate sentiu-se grata pelas palavras reconfortantes do am igo. Era um hom em tão m aravilhoso e m eigo que a surpreendia não ter-se casado.
— Eu telefono-te — disse ele antes de seguirem cada um para seu lado. — Com o é que te encontro?
— Estou na lista telefônica, m as pode ligar tam bém para o m useu.
Ele telefonou-lhe duas sem anas m ais tarde e levou-a ao cinem a. Depois foram patinar no Centro Rockefeller E a seguir j antar. Quando, três sem anas depois, ela foi para casa para passar o Natal, tinha estado quase sem pre com ele nos tem pos livres. Não contou aos pais que o reencontrara, pois não queria que a m ãe alim entasse falsas esperanças. Ele ligou-lhe no dia do Natal e ela ficou feliz por ouvi-lo. Era quase com o nos bons velhos tem pos, só que agora ela gostava m ais dele. Era agradável, bem -disposto e m eigo. Não possuía o brilho de Joe, m as preocupava-se com ela. Tal com o ela nunca esquecera Joe, ele tam bém nunca esquecera Kate.
— Tenho saudades de você — disse ele quando ela atendeu. — Quando é que volta?
— Daqui a uns dias. — Ficou triste por não receber um telefonem a de Joe. Era o m ínim o que ele podia fazer. Parecia que a esquecera com pletam ente, com o se ela nunca tivesse existido. Kate ainda pensou em telefonar-lhe, m as decidiu não o fazer. Ficaria deprim ida e recordaria tudo o que haviam tido e perdido.
— Quando é que você com eçou a sair com o Andy outra vez? — perguntou a m ãe com interesse quando ela desligou o telefone.
— Encontrei-o há um as sem anas, na m ercearia.
— É casado?
— Sim . E tem oito filhos — brincou ela.
— Sem pre achei que ele seria bom para você.
— Eu sei, m ãe. Som os só am igos. É m elhor assim . Sofrem os m enos.
Kate m agoara-o m uito havia três anos, e ela própria continuava m agoada. Desconfiava que continuaria assim ainda durante m uito tem po. Talvez para sem pre. Era im possível esquecer Joe. Tinham partilhado m uito e ele representava um terço da sua vida.
Retornou a Nova Iorque dois dias depois e ficou feliz por voltar a ver a cadelinha. Deixara-a com um a vizinha. Andy ligou-lhe assim que ela entrou em casa.
— O que é que você tem ? Um radar?
— Mandei seguir-te. — Convidou-a para ir ao cinem a nessa noite, e ela aceitou. E passaram j untos o ano, a beber cham panhe no El Morocco. Kate achava aquilo tudo m uito elegante e m uito adulto e disse-o a Andy.
— Eu sou adulto — respondeu ele divertido. Tornara-se um hom em sofisticado, e Kate foi incapaz de não o com parar a Joe. Joe que era invulgar, belo e por vezes desaj eitado. Mas ela adorara isso nele. Andy era m ais descontraído
— Eu saltei a idade adulta — confidenciou Kate depois do terceiro copo de cham panhe. — Fui diretam ente para a terceira idade. Às vezes sinto-m e m ais velha que a m inha m ãe
— Você vai ficar m elhor. O tem po cura tudo — disse ele.
— Quanto tem po dem orou para esquecer-m e? — perguntou ela sentindo-se ligeiram ente tonta.
Ele parecia não reparar.
— Cerca de dez m inutos. — Levara dois anos, m as não o disse. E ainda não a esquecera totalm ente, sendo por isso que passava com ela o ano. Meia dúzia de m ulheres com quem ele costum ava sair tinham ficado furiosas. — Devia ter levado m ais tem po?
— Provavelm ente não — respondeu ela com tristeza. — Não o m ereci. Fui m uito m á para você. — Com eçava a ficar ligeiram ente tonta por causa do cham panhe. E, sem querer, foi incapaz de não perguntar a si m esm a onde estaria Joe, o que estaria fazendo e com quem .
— Você não pode evitar, Kate. Ele era um grande am or, estava apaixonada, e ele regressara do m undo dos m ortos. É difícil superar isso. Ainda bem que não tínham os casado.
— Isso teria sido horrível, retorquiu ela horrorizada.
— É verdade. Por isso acho que tivem os sorte. E precisava esquecer=lo de um a vez por todas.
— Será que algum a vez o conseguirei? — perguntou ela com ar infeliz
Andy soltou um a gargalhada
— Claro que sim . Mas não se você se tornar um a alcoólatra. Você está bêbada, Kate.
— Não estou, — exclam ou ela, parecendo furiosa e um pouco vaga.
— Você está, m as fica m uito bonita assim . Talvez devêssem os dançar antes que desm aie ou se em bebede ainda m ais.
Passaram um a noite m uito agradável. Ela acordou no dia seguinte com um a trem enda dor de cabeça, m as ele levou-lhe croissants, aspirinas e suco de laranj a em casa. Kate preparou o café da m anhã de óculos escuros.
— Porque não trouxe o uísque e os cornflakes. Teria sido m elhor — disse ela com ar pesaroso.
— Você está tornando-te um a alcoólatra — disse ele com um sorriso, enquanto brincava com a cadelinha.
— Os desgostos de am or fazem isso. — Deixou queim ar os croissants, entornou o suco de laranj a e rom peu as gem as quando lhe fez ovos estrelados, m as Andy com eu tudo e agradeceu-lhe no fim . — Sou um a péssim a cozinheira — confessou ela.
— Foi por isso que ele te deixou? — Era a prim eira vez que lhe perguntava.
— Fui eu que o deixei — corrigiu ela, escondendo-se por detrás dos óculos escuros. — Ele não queria casar nem ter filhos. Eu disse-te, o Joe está casado com os aviões.
— Agora é um hom em m uito rico — com entou Andy num tom de adm iração. Havia m uitas coisas a adm irar em Joe, a sua perícia, o seu gênio, o seu talento, m as não a form a com o tratava as m ulheres. Andy achava que ele era um idiota por não se casar com Kate, m as alegrava-se que isso não tivesse acontecido.
— Porque é que você não casou? — perguntou Kate, estendendo-se no sofá e tirando por fim os óculos escuros.
— Não sei. Tive m edo, era novo, estava m uito ocupado. Não conheci ninguém espetacular depois de você. Passei um m au bocado, e depois com ecei a divertir-m e. Tenho tem po. Você tam bém . Não se apresse. Já vi m uitos divórcios na firm a de advogados.
— Segundo a m inha m ãe, parece que não tenho m uito tem po. Ela está em pânico.
— No lugar dela eu tam bém estaria. Não é fácil um a pessoa ver-se livre de você. Mas não cozinhe para eles. Deixa-os descobrir m ais tarde. Já tinha m e esquecido de que você é um a péssim a cozinheira, senão teria eu m esm o feito o café da m anhã.
— Para com os queixum es. Você com eu tudo.
— Para a próxim a é uísque e cornflakes.
Foram dar um passeio nessa tarde pelo Central Park.
O dia estava frio, havia um a fina cam ada de neve no chão, e Kate sentia-se m elhor quando retornaram ao apartam ento. Tinham levado a cadela com eles. Parecia tudo tão confortável e norm al. Sabia estar bem com ele. Tal com o nos velhos tem pos. E nessa noite foram ao cinem a. Andavam passando m uito tem po j untos. E ela sentia-se m enos sozinha. Não era um rom ance, m as sim um a am izade escaldante.
Durante as seis sem anas seguintes, viram -se várias vezes. Jantares, cinem a, festas, am igos. Ele ia alm oçar com ela no m useu. Aos sábados iam j untos às com pras e ele acom panhava-a para todo o lado. Era agradável ter alguém com quem fazer as coisas. Katepercebeu que durante todo o tem po que passara com Joe ele nunca tivera tem po para isso. Andava m uito ocupado construindo a em presa, em bora ela tivesse adorado construí-la com ele. No entanto, era divertido estar com Andy. Ele tinha m ais tem po para Kate e gostava de o partilhar com ela.
No Dia dos Nam orados, ele apareceu no apartam ento dela com duas dúzias de rosas verm elhas e um a caixa de chocolates em form a de coração.
— Meu Deus, o que fiz para m erecer tudo isto? — perguntou ela com um sorriso rasgado. Sentira a falta de Joe todo o dia e decidira que tinha de o esquecer de um a vez por todas. Mesm o depois de todo aquele tem po isso ainda lhe parecia um desafio insuperável. Achava incrível alguém que ela tinha am ado tanto e durante tanto tem po ser perfeitam ente capaz de viver sem ela. Parecia errado, depois de tudo por que tinham passado, não terem sido capazes de resolver os problem as e acabar j untos. Tinham ficado m uito enredados nos seus próprios receios. Era deprim ente constatar que os contos de fadas não tinham finais felizes, m as sim tristes. A vida não devia ser assim .
— Porque você está tão triste? — Andy vira a tristeza nos olhos de Kate. Ela não conseguia esconder-lhe nada.
— Estou outra vez com pena de m im m esm a.
— Que chato. Com e um chocolate. Com e as flores, o que preferir. Vista-se. Vou leva-la para j antar.
— E as suas outras am igas? — Ela sentia rem orsos por m onopolizá-lo. Continuava apaixonada por Joe, e não era j usto para Andy. Contudo, gostava da com panhia dele, m ais do que adm itia. Ultim am ente não se sentira tão triste. Ele fazia-lhe bem .
— As m inhas outras am igas vão fazer-nos com panhia no j antar. Vai gostar de todas elas. São catorze.
— Onde vai m e levar?
— Já vaiver. É surpresa. Veste um a coisa elegante. E tenta não se em bebedar desta vez.
— Isso foi no fim do ano, seu paspalho. E para além do m ais, tenho todo o direito a em bebedar-m e.
— Não tem , não. O seu tem po está acabando. E ele gosta m ais dos aviões que de você. Lem bra-se disso.
— Bem tento.
Ultim am ente, nem isso lhe im portava. Pensava m uito em Joe e perguntava a si m esm a se teria tom ado a decisão m ais correta. Talvez não im portasse que ele não casasse com ela ou que não tivessem filhos. Talvez valesse a pena o sacrifício só para estar com ele. Mas não disse nada daquilo a Andy, pois nem ela própria tinha a certeza.
Ele esperou que ela se vestisse, e quando desceram havia um a carruagem à espera deles. Ela ficou extasiada. Parecia incrivelm ente rom ântico. E o cavalo avançou a passo na direção do restaurante enquanto os transeuntes e os taxistas lhes sorriam . Ela sentia-se confortável e quente debaixo do cobertor, na carruagem fechada.
Esta virou na Rua 52 e deixou-os à porta do Clube 21. Kate sorriu para Andy.
— Você estraga-m e com m im os.
— Você m erece — disse, enquanto entravam no restaurante. Kate ficou surpreendida ao ver várias cabeças virarem -se na direção deles. Faziam um casal m uito bonito. Minutos depois foram encam inhados para um a m esa no prim eiro andar.
A refeição foi deliciosa e estavam falando baixinho quando veio a sobrem esa. Ele pedira um m inúsculo bolo em form a de coração para Kate, e quando ela o cortou a faca bateu em algo duro. Kate afastou o bolo com o garfo e viu a caixa de um a j oalheria.
— O que é isto? — perguntou, intrigada.
— É m elhor você abrir e ver. Talvez lá dentro haj a algum a coisa boa. Isso parece-m e bastante bom .
Kate sentia o coração bater m uito depressa. Quando olhou para Andy, ele sorria e falava baixinho.
— Está tudo bem , Kate, não tenha m edo vai correr tudo bem , você verá.
— E se não correr? — Sabia o que ele estava fazendo e tinha m edo. Joe m agoara-a m uito e ela m agoara Andy. Não queria voltar a fazê-lo, nem com eter um erro de que am bos se arrependeriam .
— Vai correr. Cabe-nos a nós fazer por isso, as coisas não acontecem sem m ais nem m enos.
Era tudo o que ela queria, só não a pessoa que queria. Mas talvez as coisas funcionassem assim , concedem -nos apenas m eio desej o na vida, não o desej o inteiro. Kate j á não acreditava em finais felizes. E a versão de Andy era m ais feliz do que m uitas.
Ela abriu a caixa com m uito cuidado, lam bendo o bolo que tinha nos dedos, e deparou com um anel de diam antes a sorrir-lhe. Era um anel de noivado da Tiffany, e Andy enfiou-lhe no dedo.
— Casa com igo, Kate? Desta vez não vou deixar-te fugir. Acho que é o m elhor para am bos, e, a propósito, am o-te.
— A propósito, — perguntou ela. — Que raio de declaração é essa?
— Um a verdadeira. Vam os fazê-lo. Sei que serem os felizes.
— A m inha m ãe sem pre disse que você era o tal.
— A m inha m ãe disse que você foi um estupor ao abandonar-m e — retorquiu ele com um a gargalhada e beij ando-a. Beij á-lo era m ais agradável do que se lem brava. E ao ponderar no assunto, percebeu que o am ava. Não com o am ara Joe. Nunca voltaria a ter isso. Isto era diferente. Era agradável, fácil e divertido. Seriam bons com panheiros para a vida. Talvez nunca se consiga ter tudo. Um grande am or. E paixão. E sonhos. Talvez no fim se fique m elhor com um pequeno am or e sem sonhos. Pelo m enos foi o que ela disse a si própria quando o beij ou.
— A sua m ãe tinha razão a m eu respeito. Fui horrível para você e lam ento m uito — disse Kate depois de Andy a ter beij ado.
— É m elhor que lam ente. Vou obrigar-te a pagar isso durante o resto da vida. Você tem um a grande dívida para com igo.
— Prom eto. Porei uísque nos teus cornflakes para sem pre. Todas as m anhãs.
— Vou precisar, se for você a preparar o café da m anhã. Isso significa que casa com igo? — Ele parecia esperançado e feliz.
— Tenho de casar. Gosto do anel. Acho que é a única m aneira de você m e deixar ficar com ele. — Pusera-o no dedo e ele ficava-lhe m uito bem .
Andy sorriu e beij ou-a.
— Am o-te, Kate. Detesto dizê-lo, m as fico contente pelo fato de as coisas não terem dado certo com o Joe — adm itiu ele.
Kate sentiu um aperto no coração. Não ficara contente, m as aprendera a viver com isso e talvez Andy pudesse aj udá-la. Pelo m enos ela assim o esperava.
— Eu tam bém te am o — m urm urou. Olhou para ele com um sorriso. — Quando é que casam os?
— Em j unho — respondeu ele com ar decidido. Kate riu-se e abraçou-o. Estava feliz e sabia que tom ara a decisão correta. Ou m elhor, que ele tom ara.
— Espera só até eu contar à m inha m ãe! — exclam ou ela, rindo.
— E espera até eu contar à m inha! — respondeu Andy revirando os olhos.