A Águia Solitária
Capítulo 20
Quando Kate e Joe fizeram um ano de casados, no início de 1954, ele passava a m aior parte do tem po ausente enquanto ela ficava em casa com os filhos. Com eçou a dedicar-se à caridade para se m anter ocupada enquanto ele estava fora. E Joe arrum ou outro proj eto para ela nessa prim avera. Queria com prar um a casa na Califórnia. Ele passava tanto tem po lá que fazia sentido, e achou que seria boa idéia m antê-la ocupada com a decoração.
Descobriram um a bela m ansão antiga em Bel Air, contrataram um decorador e assim que Kate m eteu m ãos à obra, Joe com eçou a passar m ais tem po na Europa. Andava estabelecendo novas rotas para a Itália e a Espanha, e quando não estava em Rom a ou em Madrid, estava em Paris ou em Londres. Ainda tinha de ir a Los Angeles todos os m eses, m as j á não passava tanto tem po na Ásia. E Kate com eçava a achar que ele se encontrava sem pre no extrem o oposto do m undo em relação a ela. Por m uito que tentassem , ela raram ente o via.
Foi encontra-lo em Londres um a ou duas vezes, depois em Madrid e em Rom a, e passaram um a sem ana fabulosa em Paris. No entanto, sem pre que fazia estas viagens, Kate sentia rem orsos por deixar os filhos em casa. A vida de Joe era um a corrida constante, sem pre voando de um lado para o outro, e a dela dividia-se entre correr para Joe e retornar aos filhos. Pelo m enos naquele m om ento andava se divertindo decorando a casa na Califórnia. E surgira um a situação caricata: sem pre que ela ia para lá, ele partia para a Europa. E quando ele estava em Los Angeles, ela encontrava-se em Nova Iorque com os filhos.
A casa ficou finalm ente pronta no final de setem bro, e Joe adorava-a. Era confortável e quente, elegante, um lar para quando ele se encontrasse na Califórnia. Disse a todas as pessoas que Kate fizera um excelente trabalho. Até a encoraj ou a decorar a casa de alguns am igos nas horas vagas, m as ela não queria m eter-se em novos proj etos. Queria estar livre para poder encontra-lo sem pre que possível. Joe estava tantas vezes ausente que ela queria fazer o im possível para m anter o casam ento intacto.
Ele passou em casa a m aior parte do m ês de outubro, o que não era norm al. Mas daquela vez não havia fogos para apagar, as coisas estavam calm as e ele teve várias reuniões im portantes em Nova Iorque e em New Jersey. Kate adorava tê-lo em casa todas as noites, em bora detestasse ter de adm itir que entendia que Joe com eçava a ficar im paciente. Ele voava bastante aos finais de sem ana e, num dos dom ingos, voaram até Boston para visitar os pais dela. No cam inho de volta ele deixou-a pilotar durante algum tem po, o que foi divertido.
Já estavam quase chegando em casa e Joe pegara de novo nos com andos quando ela abordou um assunto que j á há bastante tem po queria abordar. Por norm a, ele não estava em casa o tem po suficiente para falarem sobre assuntos delicados, m as naquele m om ento ele parecia tão bem -disposto, e tão feliz com o avião, que Kate decidiu falar nele. Queria outro filho. O filho dele.
— Agora? — perguntou, horrorizado.
— Bem , não faça com que o avião caia enquanto falam os do assunto.
— Você j á tem dois filhos, Kate. E m uito o que fazer. — Stephanie fizera dois anos e Reed quatro. Andy casara em j unho e a m ulher dele j á estava grávida. Reed não ficara nada contente.
— Estam os casados há ano e m eio, Joe. Seria agradável term os um filho nosso, não acha? A expressão dele dava a entender precisam ente o contrário. Joe nunca se m ostrara entusiasm ado com crianças, excetuando Reed e Stevie. Reed idolatrava Joe, e este adorava a criança.
— Não precisam os de m ais filhos, Kate. Já tem os preocupações suficientes.
— Você nunca teve um filho — im plorou ela. Há m ais de dez anos que queria o filho dele. Tinham passado onze anos e m eio desde que o perdera em Radcliffe.
— Não preciso de um filho. Tenho o Reed e a Stevie.
— Não é a m esm a coisa — retorquiu ela com tristeza. Joe não parecia estar m inim am ente receptivo.
— Para m im é, Kate. Não gostaria m ais deles se fossem m eus filhos. — Tratava-os sem pre m uito bem , e fora sem pre por isso que Kate achara que ele seria um ótim o pai. Ela queria m ais um filho. Parecia ser um a consequência natural do am or que nutria pelo m arido. — Para além do m ais, j á sou velho para ter filhos. Tenho quarenta e três anos. Quando eles forem para a faculdade j á terei sessenta.
— O m eu pai era m ais velho do que você quando eu nasci. O Clarke tem m ais de sessenta anos e continua cheio de energia.
— Nunca teve um a vida tão atarefada com o a m inha. Os m eus filhos nem iriam saber quem eu sou. — Era um a das raras vezes que adm itia que quase nunca estava em casa. — Porque não arrum a outra coisa que te ocupe? — Era m ais do que um a m aneira de se m anter ocupada, Kate queria m esm o aquele filho. Mas Joe não gostava sequer que ela falasse no assunto, tal com o não gostou de a ver triste. — Você tem sem pre qualquer coisa — queixou-se quando se aproxim aram do aeroporto. — Ou te queixas da m inha ausência, ou quer um filho. Você não pode ser feliz com o que tem ? Porque é que precisa sem pre de m ais, Kate? Qual é o seu problem a?
Kate não quis discutir com Joe enquanto ele fazia a m anobra de aterrissagem , m as não gostou da form a com o ele se lhe dirigira. Tinha sem pre de se encaixar e adaptar às necessidades dele, o contrário raram ente acontecia. Aquilo que ela queria parecia não im portar. Ele habituara-se m al ao longo dos anos e a culpa era parcialm ente dela. Joe estava tão pouco em casa que tudo girava à volta dele nessas ocasiões. Entre a adulação pública por causa dos seus recordes de voo, o seu heroísm o durante a guerra e o seu enorm e êxito em presarial, Joe sabia apenas que era um hom em extraordinário e a voz de Kate era apenas m ais um a no m eio da m ultidão.
Ela perm aneceu calada no carro a cam inho de casa. Joe sabia por que e recusou-se a continuar o assunto. Dissera-lhe sem pre que não queria filhos. Já havia crianças suficientes no m undo, a explosão dem ográfica repovoara o planeta e ele achava que não devia contribuir para isso. Quando Reed lançou os braços ao pescoço de Joe depois de chegarem em casa, ele olhou para Kate com o que para provar que estava certo. Tinham dois filhos, não precisavam de m ais. No que lhe dizia respeito, a conversa chegara ao fim . O assunto não voltou sendo abordado e ele fez questão de estar em casa nos dias festivos. Kate nunca o deixara esquecer que perdera o Dia de Ação de Graças e o Natal no ano anterior, pelo que ele planej ou o seu calendário em função dela e acabou por gostar bastante. Foram a festas de Natal e a um baile de debutantes, levaram as crianças para patinar e fizeram j untos bonecos de neve no Central Park. E ele ofereceu a Kate um m agnífico colar de diam antes com brincos com binando. Estavam casados há dois anos e nunca tinham sido tão felizes. E quando dançaram na passagem do ano e ele a beij ou, Kate soube que nunca fora tão feliz.
No dia seguinte, Joe estava assistindo a um j ogo de futebol na televisão enquanto ela guardava os enfeites da árvore de Natal. As crianças dorm iam a sesta e apesar da ligeira ressaca da noite anterior, Joe estava bem hum orado. A data festiva fora perfeita. Dali a dois dias partiria para um a viagem de quatro sem anas pela Europa e em fevereiro retornaria à Ásia, m as Kate j á se conform ara e iria encontrar-se com ele na Califórnia.
Ela levou-lhe um a sandes enquanto ele assistia ao j ogo e estava rindo com qualquer coisa que ele dissera quando, de súbito, Joe notou a sua expressão estranha e a sua palidez. Ficou em pânico. Nunca a vira assim .
— Você está bem ?
Kate parecia nauseada.
— Estou. — Sentou-se no sofá ao lado dele, tentando recom por-se. Tivera um a intoxicação alim entar uns dias antes e pensava que a m á disposição devia ser por causa disso. O seu estôm ago continuava sensível.
— Sente-se um pouco. Você tem corrido de um lado para o outro toda a m anhã. — Ela subira e descera a escadinha um a dezena de vezes para tirar a decoração do pinheiro, e correra atrás dos filhos. A am a tinha folga aos dom ingos e feriados.
— Estou bem , é sério — insistiu pouco depois, levantando-se. Tinha m uita coisa para fazer e não queria perder tem po. Assim que se levantou, Joe virou-se para a observar; ela revirou os olhos e caiu no chão. Desm aiara.
Ele aj oelhou-se im ediatam ente ao lado dela, verificando-lhe o pulso e confirm ando que continuava respirando. O seu rosto estava próxim o do de Kate quando ela abriu os olhos devagar e gem eu. Não fazia idéia do que acontecera. Num m inuto estava olhando para ele, no outro estava estatelada no chão. Joe parecia em pânico.
— O que aconteceu, Kate? O que é que você sente. — Ela tinha trinta e um anos e parecia estar m orrendo.
— Não sei — respondeu, assustada. Senti-m e tonta. A m ulher de um dos pilotos de Joe m orrera com um tum or no cérebro e ele só conseguia pensar nisso enquanto a aj udava a levantar.
— Vou levar-te ao hospital e é j á — disse Joe, deitando-a no sofá.
Ela não tentou levantar-se, sabia ser bom ficar deitada, em bora j á se sentisse um pouco m elhor.
— Tenho certeza de que não é nada. E não podem os deixar as crianças sozinhas. Vou telefonar ao m édico.
— Fica quieta.
Ela obedeceu e pouco depois adorm ecera. Joe observava-a. Não queria dizer nada, m as estava abaladíssim o. Já a conhecia há m uito tem po e nunca a vira desm aiar. Continuava sentado ao lado de Kate no sofá quando ela acordou. Parecia bem m elhor. Apesar dos protestos dele, ela levantou-se para fazer o j antar, em bora depois tivesse com ido m uito pouco. Joe fê-la prom eter que iria ao m édico de m anhã e j á estava planej ando ligar ao diretor do Hospital Colum bia-Presby terian. O m édico era um velho am igo e um fanático por aviões e Joe queria obter o nom e dos m elhores m édicos de Nova Iorque, para o caso de o assunto ser sério. No entanto, Kate parecia m uito m ais descontraída que ele. Joe estava tão preocupado quando foram se deitar nessa noite que ela não teve coragem de lhe esconder a novidade durante m ais tem po. Virou-se para o m arido quando ele ia a apagar a luz e beij ou-o. Ele j ulgava-a às portas da m orte e teve de reprim ir as lágrim as enquanto a abraçava.
— Querido, não se preocupe, eu estou bem . Não queria que ficasse zangado com igo. Especialm ente durante o natal. — Preferia esperar pelo m enos até j aneiro, m as agora era im possível. Não parecia j usto preocupá-lo.
— Porque é que eu ficaria zangado com você? Não tem culpa de estar doente, Kate, — disse com m eiguice.
Ela recostou-se na alm ofada.
— Não estou doente... estou grávida. — Se o tivesse agredido com um tij olo, o efeito teria sido m enor.
— Você está o quê? — perguntou ele boquiaberto.
— Vam os ter um bebê. — Ela parecia m uito calm a e Joe percebeu que ela estava feliz, em bora apreensiva quanto à sua reação.
— Há quanto tem po é que você sabe? — Joe sentia-se um pateta. Ela ocultara-lhe aquilo.
— Desde antes do Natal. O bebê deve nascer em agosto. — Ficara grávida pouco antes do Dia de Ação de Graças.
— Você enganou-m e! — exclam ou ele, saltando da cam a furioso. Kate nunca o vira tão zangado e ficou im óvel enquanto ele andava de um lado para o outro no quarto, atirando coisas no chão. Era a reação que ela tem ia, e não a que queria ver.
— Não te enganei — respondeu baixinho.
— Um a ova! — Disse que tom ou precauções. Há anos que usava o diafragm a, desde o aborto em Radcliffe, em bora durante o casam ento com Andy tivesse parado.
— E tom ei, m as o diafragm a deve ter escorregado. Acontece, Joe.
— Por que agora? Aqui, há uns m eses eu disse-te que não queria filhos. Quando chegou em casa nessa noite deve ter atirado o diafragm a no vaso. Não te interessa o que eu quero? — perguntou furioso. Kate estava quase chorando. As necessidades de Joe eram distintas das suas.
— Claro que interessa, foi um acidente, Joe. Não pude evitá-lo. Acontecem coisas piores. — Mas não para Joe. Ela não lhe dera ouvidos e ele sentia-se encurralado.
— Nem por isso. Bolas, Kate! Livre-se dele. Não o quero.
— Joe, você não pode estar falando sério! — exclam ou, chocada.
— Estou. Não vou ter um filho na m inha idade. Faça um aborto. — Deitou-se finalm ente e olhou-a furioso. Ela estava horrorizada com as palavras dele.
— Joe, som os casados... é o nosso filho... não vai alterar nada nas nossas vidas. Arrum arem os um a am a e vou continuar a poder viaj ar com você.
— Não m e interessa, não o quero. — Parecia um a criança de cinco anos governando o m undo.
— Não vou fazer um aborto — retorquiu ela cheia de calm a. — Já um a vez perdi um filho seu. Não vou m atar outro. — Isso acontecera fazia onze anos, m as ela ainda se lem brava de todos os segundos de sofrim ento e de tristeza. Levara m eses para se recuperar.
— Você vai m atar-m e se tiver este filho, Kate. E colocar em perigo o nosso casam ento. Já estam os sob dem asiada pressão, passa a vida dizendo que nunca estou em casa. E depois você vai queixar-se de que nunca estou em casa com o bebê. Caram ba, se era isto o que queria devia ter-se casado com outro, ou ter continuado casada com o Andy. Ele parece ter um filho a cada vez que olha para um a m ulher.
Kate ficou m agoada com o com entário de Joe.
— Quero estar casada com você, Joe. Sem pre quis. Isto não é j usto. A culpa não é m inha. — Queria m esm o ter aquele filho. Contudo, Joe estava convencido de que Kate engravidara de propósito e nada do que ela pudesse dizer o faria m udar de idéia.
Pouco depois ele apagou a luz e virou-lhe as costas. Quando ela acordou de m anhã ele j á tinha ido em bora. A reação dele preocupava-a bastante, e especialm ente o fato de ter lhe dito para fazer um aborto. E parece que Joe estava m esm o decidido, porque nessa noite voltou a falar-lhe no assunto. Estava feliz por ela não ter um a doença term inal com o a princípio pensara quando a vira desm aiar, m as na sua opinião, aquela gravidez era quase tão m á com o isso.
— Pensei naquilo que você disse ontem à noite, Kate, acerca... sabe, da gravidez... — Até tinha dificuldade em cham ar-lhe bebê. Olhava para o prato enquanto falava. Parecia que nem queria vê-la, m as, por um m inuto, Kate j ulgou que ele iria ceder. — Quanto m ais pensei no assunto, m ais fiquei com a certeza de que é a opção errada para nós. Sei que isto te incom oda, Kate, m as acho m esm o que devia pôr fim a essa gravidez. É o m elhor para nós dois e para os seus filhos. Já vão ficar perturbados quando o Andy e a m ulher tiverem um filho, e se ainda por cim a nós tiverm os outro vão achar que ninguém os am a e acabar por tornarem -se invej osos e neuróticos. — Fora o m elhor argum ento que conseguira arrum ar, e Kate teria rido na cara dele se não tivesse ficado tão perturbada com as suas palavras.
— As outras crianças parecem conseguir sobreviver com irm ãos — contrapôs. Não iria perm itir que ele a pressionasse, m as tam bém não queria colocar o casam ento em risco. Nunca vira Joe tão perturbado com o na noite anterior. Agora j á estava m ais calm o, m as igualm ente descontente com a notícia.
— Não têm pais divorciados, Kate.
— Joe... não vou fazer um aborto — afirm ou. — Não vou. Am o-te e quero ter um filho nosso.
Ele ficou calado e perm aneceu no escritório até ir se deitar. No dia seguinte partiu para um a viagem de quatro sem anas pela Europa. Nem sequer se despediu dela. Saiu de casa de rom pante.
Passou-se um a sem ana até Joe telefonar a Kate, o que não era norm al. Estivera rem oendo a idéia e ela podia apenas deixá-lo em paz. Joe ligou-lhe de Madrid e o seu tom foi um pouco frio. Perguntou-lhe com o estava, com o estavam as crianças e depois contou-lhe o que estava fazendo. Em seguida disse que em breve voltaria a ligar. Acabou por lhe telefonar três a quatro vezes por sem ana. Quando retornasse iria ficar em Nova Iorque apenas dois dias antes de ir para Hong Kong e para o Japão, e só retornaria ao fim de três sem anas. Voltara de novo ao corropio.
Chegou a Nova Iorque no dia 1 de fevereiro e as crianças j á se encontravam na cam a quando ele entrou em casa. Kate estava na sala vendo televisão e ficou sobressaltada quando o ouviu entrar. Ele levou alguns m inutos para aparecer na sala e aproxim ou-se dela devagar. Nem lhe telefonara dizendo quando iria chegar.
— Com o é que você está, Kate? — Era um cum prim ento frio após quatro sem anas de ausência, e ela calculou que ele ainda estivesse zangado. Aquilo com eçava a parecer-se com a atm osfera gelada entre ela e Andy depois de ele ter se recusado a dar-lhe o divórcio, e Kate receou que Joe pusesse fim ao casam ento por causa daquela gravidez. Com eçava a duvidar se ele algum a vez lhe perdoaria, apesar de a culpa não ter sido dela.
— Estou bem , e você? — perguntou ela quando ele se sentou num a cadeira à sua frente.
— Cansado. — O voo fora longo.
— Correu tudo bem ? — Há um a sem ana que não falava com ele e estava feliz por tê-lo de novo em casa. Teria gostado de o abraçar, m as não ousou fazê-lo.
— Mais ou m enos. Então e com você? — Olhou-a com ar inquiridor e ela suspirou. Era fácil adivinhar o que ele queria saber.
— Não fiz um aborto, se é a isso que se refere — respondeu ela, desviando o olhar. Era um a guerra de vontades por causa de um a pequena vida. Kate achava aquilo m uito triste. — Disse-te que não o faria.
— Eu sei — respondeu ele, levantando-se e indo sentar-se ao pé dela. Pôs-lhe um braço sobre os om bros e puxou-a para si. — Não sei por que m otivo quer ter este filho, Kate. — Parecia exausto e triste, m as m enos zangado.
Kate ficou aliviada.
— Porque te am o, tontinho — disse ela com um soluço, aninhando-se j unto de Joe. Tivera m uitas saudades dele e preocupara-a o fato de ele ter partido zangado.
— Eu tam bém te am o. Acho que não devíam os ter um filho, m as se é isso que quer, tenho de aceitar. Mas não espere que eu troque fraldas ou que m e levante de noite quando a criança chorar. Sou um velho, Kate, preciso do m eu sono — disse Joe com um sorriso.
Ela fitou-o incrédula. Joe reagira de form a violenta inicialm ente, m as acabara por tom ar a decisão correta.
— Você não é um velho, Joe.
— Sou sim . — Não lhe contou, m as estivera sentado em um a igrej a em Rom a m editando no assunto. Não era religioso, m as quando saíra de lá decidira deixá-la ter o filho, se isso significava assim tanto para ela. — Mas não volte a desm aiar na m inha frente. Quase m e provocou um ataque cardíaco. Tem se sentido bem ? — perguntou, preocupado.
— Estou ótim a. — Ficou tão aliviada que não teve coragem de lhe contar que o m édico era de opinião que, com o a sua barriga estava crescendo m uito depressa, iria ter gêm eos. Joe dem orara a aceitar a idéia de um filho; sabe-se lá qual seria a sua reação ao saber que teria dois.
Foram até à cozinha depois disso e ela contou-lhe m uito anim ada tudo o que tinha feito, quem vira, onde estivera. Ele adorava ouvi-la, m esm o quando estava cansado. Am ava a energia dela, a expressão dos seus olhos, a sua beleza e, acim a de tudo, aquilo que ela o fazia sentir. Mesm o quando o cansaço o dom inava, Kate conseguia trazer anim ação à sua vida. Fora isso que o atraíra desde a prim eira vez que a vira, e o que o m antivera cativado.
Ficaram sentados à m esa da cozinha durante bastante tem po conversando e quando foram para a cam a tinham feito as pazes. Haviam sentido m uito a falta um do outro. Joe não era capaz de im aginar o que era ter um filho, m as j á que ia ter um , m ais valia que fosse com Kate.
Antes de adorm ecerem , ele pôs os braços à volta dela. Adorava sentir aquela pele sedosa encostada à sua. E quando as suas m ãos afagaram de leve o ventre dela, Joe ficou espantado por sentir um pequeno alto arredondado. Kate estava de costas, pelo que não viu o rosto dele, m as Joe sorria quando adorm eceu.