A Águia Solitária

Danielle Steel · Capítulo 25 de 25

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A Águia Solitária

Epílogo

EPÍLOG O

O funeral de Joe teve toda a pom pa e circunstância que lhe era devida. Kate organizara-o nos m ínim os porm enores. Era a sua últim a dádiva para Joe. E quando saiu da vivenda com Stephanie e Reed na lim usine, olhou pela j anela para a neve e pensou em Joe e em tudo o que ele havia sido para ela. Recordou Cape Cod, a guerra, os tem pos que haviam passado em New Jersey construindo a em presa. Na época com preendera-o tão pouco. Agora seria capaz de pintar o seu retrato com os tons do arco-íris. Nunca conhecera ninguém tão bem com o conhecera a ele. Custava-lhe a crer que ele desaparecera.

Quando saiu do carro com Stephanie e Reed, Kate sentiu o pânico invadi-la. O que faria agora com o resto da sua vida? Com o sobreviveria sem ele? Dezessete anos antes tinham voltado a j untar-se, depois de se conhecerem havia outros tantos anos. Quase o perdera na época. E se o tivesse perdido, a sua vida teria sido m uito diferente naqueles últim os anos. Duas vidas para sem pre alteradas. Até Joe reconhecera m ais do que um a vez o quanto teriam perdido.

A igrej a estava cheia de dignitários e de hom ens im portantes. O governador faria o elogio fúnebre e o presidente dissera que tentaria estar presente, m as acabara por m andar o vice-presidente. Encontrava-se no Médio Oriente e teria um a viagem m uito longa, m as enviara um telegram a a Kate.

Ela e os filhos ocuparam o banco da frente, e um m ar de gente enchia a igrej a. Andy e Julie estavam em algum lugar. A m ãe m orrera quatro anos antes. Kate avistou Anne, a viúva de Lindbergh, de preto e chapéu, ela própria tam bém ainda de luto pelo m arido. Joe falara no funeral de Charles apenas quatro m eses antes. Era um a estranha ironia que os dois m elhores pilotos de todos os tem pos tivessem m orrido com quatro m eses de intervalo. O m undo perdia m uito, m as Kate ainda m ais.

A secretária de Joe ocupara-se de alguns porm enores do funeral e o serviço fúnebre foi m uito bonito, as palavras ditas poderosas. As lágrim as escorriam pelo rosto de Kate enquanto ela dava as m ãos aos filhos. Recordava-se do funeral do pai e de a m ãe ter ficado devastada pela dor e ter se isolado. Fora Joe quem sarara a ferida no coração de Kate. Joe quem lhe abrira os olhos e lhe ensinara m uito acerca do m undo e dela própria. Com ele, Kate conquistara o Everest. E a vida que haviam partilhado fora m aravilhosa.

As pessoas que foram prestar-lhe a últim a hom enagem ficaram para trás respeitosam ente, e Kate seguiu o caixão em silêncio pela nave da igrej a e viu-os colocá-lo no carro da agência. O cheiro de rosas im pregnava o ar. Quando entrou na lim usine para seguir até ao cem itério ia de cabeça baixa, e m il pessoas saíram da igrej a em silêncio. Tinham ouvido histórias acerca de Joe nos elogios fúnebres por m uitos j á conhecidas, os seus feitos na aviação, as m edalhas que ganhara na guerra, as suas m uitas conquistas, o seu gênio, a form a com o alterara a aviação. Disseram todas as coisas que Joe teria gostado que fossem ditas a seu respeito. Mas Kate era a única pessoa que realm ente conhecera Joe. Ele fora o único hom em que ela realm ente am ara. E apesar do sofrim ento que tinham infligido um ao outro nos prim eiros anos, tinham partilhado um a vida que trouxera a am bos um a alegria incom ensurável. Ela aprendera tudo o que tivera de aprender. E ele fora feliz com ela. Kate soubera am á-lo. Isso confortou-a um pouco naquele m om ento, m as continuava sem im aginar o resto da sua vida sem Joe.

Stephanie e Reed falavam baixinho no carro a cam inho do cem itério e deixaram a m ãe em paz. Kate ia m ergulhada nos seus pensam entos, vendo a paisagem de inverno passar pela j anela, recordando tudo o que haviam partilhado. A tapeçaria das suas vidas fora de um a riqueza incom parável.

Apenas Kate e os filhos foram ao cem itério; ela quisera estar sozinha com eles e com as suas recordações do m arido. Devido à explosão, sepultavam um caixão vazio. Era um últim o gesto de respeito; o pastor disse um a últim a oração e afastou-se. Em atenção à m ãe, Stephanie e Reed foram para o carro e deixaram -na sozinha.

— Com o é que vou fazer isto, Joe? — m urm urou ela olhando para o caixão. Para onde iria? Com o viveria sem voltar a vê-lo? Era com o ser de novo um a criança e ver enterrar o pai, e sentia velhas feridas voltarem a abrir. Ficou ali durante m uito tem po, pensando em Joe, e quase que sentiu a presença dele ao seu lado. Ele era o hom em com quem sem pre sonhara, o herói por quem se apaixonara quando era pouco m ais que um a criança, o hom em cuj o retorno aguardara no fim da guerra, o hom em que quase perdera e voltara a encontrar, por m ilagre, dezessete anos antes. Na sua vida em conj unto tinha havido vários m ilagres, e Joe fora o m aior de todos. E ali parada, Kate soube que ele levara o seu coração. Não voltaria a haver m ais ninguém na sua vida com o Joe. Ele ensinara-lhe todas as lições im portantes da vida, curara as suas feridas e ela curara as dele. Joe tocara no âm ago da sua alm a. Ensinara-lhe não só o que era o am or, m as tam bém a liberdade. Ensinara-a a deixá-lo voar. Ela libertara-o quando m ais o am ava e ele acabara sem pre por voltar para casa.

Aquela era a derradeira liberdade, a últim a fuga de Joe. Kate tinha de voltar a deixá-lo partir. E ao fazê-lo, ele nunca a abandonaria, tal com o nunca a abandonara antes. Voltara para ela, voara para longe, e tornara a voltar. E m esm o quando estava ausente am ava-a, tal com o a am ava naquele m om ento. Aquele am or tornara-se tão forte que não necessitava de prom essas nem palavras. Existia.

Kate acabara por aprender na perfeição os passos de dança. Aprendera a dançá-los para ele. Com o recuar. Com o deixá-lo livre. Com o am á-lo. Com o deixá-lo ir e vir e a dar-lhe valor pelo que ele era. Estava grata por tudo o que aprendera com ele.

— Voa, m eu querido... Voa... am o-te... — m urm urou, pousando um a rosa branca no caixão que iriam enterrar em nom e dele. E ao fazê-lo sentiu os seus receios desaparecerem . Sabia que ele nunca estaria longe dela. Voaria, com o sem pre fizera, nos seus próprios céus, quer ela pudesse vê-lo ao seu lado, quer não. Mas fosse Kate para onde fosse, Joe estaria sem pre perto. Ela recordar-se-ia de tudo o que ele lhe ensinara, todas as lições de vida m ais im portantes. Dera-lhe tudo o que ela precisava agora para poder continuar a viver sem ele. E ensinara-a bem .

Tinham -se conhecido um ao outro na perfeição, am ado um ao outro da m elhor form a para am bos. Kate levou consigo o que tivera dele. Tal com o Joe levara o m elhor dela. Ela soube sem a m enor dúvida que ele am á-la-ia para sem pre, tal com o ela o am aria. A dança term inara, m as nunca teria fim .

Table of Contents

(Sem título)

A Águia Solitária

PRÓLOGO

CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 7

CAPÍTULO 8

CAPÍTULO 9

CAPÍTULO 10

CAPÍTULO 11

CAPÍTULO 12

CAPÍTULO 13

CAPÍTULO 14

CAPÍTULO 15

CAPÍTULO 16

CAPÍTULO 17

CAPÍTULO 18

CAPÍTULO 19

CAPÍTULO 20

CAPÍTULO 21

CAPÍTULO 22

CAPÍTULO 23

EPÍLOGO

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