A Águia Solitária
Capítulo 14
Kate telefonou para contar a novidade aos pais no dia a seguir ao pedido de Andy e, com o seria de esperar, eles ficaram encantados. A m ãe estava radiante e perguntou-lhe quais eram os planos. Ficou ainda m ais satisfeita quando Kate lhe respondeu que iriam casar em j unho. Aquilo era m esm o sério. Finalm ente.
Durante os quatro m eses seguintes, Kate e a m ãe andaram m uito ocupadas preparando casam ento. Kate queria apenas três dam as de honra, Beverly e Diana de Radcliffe, e um a antiga am iga da escola. Escolheu vestidos de organza azul-claros m uito bonitos e a m ãe foi a Nova Iorque aj udá-la a escolher o vestido de casam ento. Era elegante e sim ples e Kate ficava linda nele. A m ãe chorou durante a prim eira prova, e o pai tam bém , quando a levou pela nave da igrej a até ao altar.
Tinham sido quatro m eses de festas dadas essencialm ente por am igos dos pais de Andy em Nova Iorque, e de outras tantas em Boston no m ês de m aio. Houve m uitos alm oços e j antares. Kate nunca tivera tanta excitação na sua vida. E tinham decidido ir a Paris e a Veneza na lua-de-m el. Era tudo incrivelm ente rom ântico, e ela estava constantem ente a dizer a si própria que era um a sortuda.
Um a parte secreta de si esperava receber notícias de Joe depois de o noivado ser anunciado, com o se ele pressentisse o que ela estava prestes a fazer e retornasse para a im pedir e para a recuperar. Mas Kate sabia que isso não passava de um a fantasia. Tam bém achava que era o m elhor. Voltar a ouvir a voz dele tê-la-ia deixado destroçada. Tentava não pensar m uitas vezes nele, m as à noite ele invadia-lhe os pensam entos, bem com o de m anhã, naqueles m inutos agradáveis de preguiça depois do acordar. Fora a época preferida de am bos. Ele estava sem pre lá, na m argem da sua vida, e Kate sentia um aperto no coração sem pre que pensava nele. Continuava duvidando se teria tom ado a decisão acertada, se não deveria ter sacrificado o casam ento e os filhos para estar com ele.
Continuava a am á-lo com o antes, e isso era o m ais difícil, m as dizia a si m esm a que tom ara a decisão acertada. Ele só se interessava pelos aviões. Mas claro que nunca contou a Andy que pensava em Joe inúm eras vezes.
O casam ento foi perfeito e ela estava linda. O longo vestido de cetim fazia-a parecer-se com Rita Hay worth, e tinha um a cauda enorm e. Ela levava véu, e quando chegou ao altar e Andy a olhou nos olhos viu algo terno e triste que o tocou profundam ente.
— Vai correr tudo bem , Kate... am o-te... — m urm urou ele quando duas lágrim as saíram dos olhos dela.
Kate sabia que não podia contar a ninguém , pois não seria correto, m as durante toda a m anhã estivera pensando em Joe. Tinha a sensação que estava abandonando-o de novo. Mas sabia que teria um a boa vida com Andy, ele era um hom em bom , e am avam -se. Sem paixão, m as com ternura e com preensão. Independentem ente do que ainda sentia por Joe Allbright, Kate sabia que tom ara a decisão certa com Andy e esforçar-se-ia por fazer com que o casam ento desse certo para am bos.
A noite de núpcias teve lugar no Plaza, e os noivos passaram a noite num a suíte fabulosa com vista para o Central Park. Era encantadora e rom ântica, e estavam am bos exaustos depois do casam ento. Só fizeram am or na m anhã seguinte. Andy não queria apressá-la, tinham o resto das suas vidas. Nunca tinham feito am or antes do casam ento, e ele não quisera perguntar-lhe se ela ainda era virgem . Nunca quisera saber os porm enores da sua longa relação com Joe, e continuava não querendo saber. Ela tam bém não lhe contou. Não era o tipo de coisa que achava dever dizer ao m arido, e ele não tinha certeza se o assunto não a faria sofrer, m as gostaram de fazer am or. Ela parecia inocente e tím ida e um pouco cautelosa, e Andy calculou que fosse falta de experiência da parte dela. Na verdade, Kate achava estranho estar na cam a com ele. Sem pre foram am igos. Mas com um pouco de tem po e de esforço, ela descobriu surpreendida que se sentia m uito à vontade com ele. Era m eigo e brincalhão e estava desesperadam ente apaixonado por ela. E quando foram para o aeroporto, pareciam m ais velhos am igos do que j ovens am antes. Para Kate era m uito im portante estar à vontade com ele. Aquilo que partilhavam não tinha nada da paixão ou do fogo que ela sentira com Joe. Era fácil, ligeiro e divertido, m as ela confiava totalm ente em Andy e o seu coração corria m enos riscos com ele do que correra com Joe.
A m ãe desconfiara que Kate não estava loucam ente apaixonada por Andy quando aceitara casar com ele, e isso não a preocupava. Com entara o assunto com a filha durante um a das provas do vestido e disse-lhe que o tipo de paixão que ela partilhara com Joe era um a coisa perigosa. Se a pessoa deixasse, ela dom inava-nos por com pleto. Kate estaria m elhor assim , tranquilizou Liz, casada com o m elhor am igo.
A lua-de-m el foi tudo o que devia ser. Tiveram j antares rom ânticos no Maxim ’s e refeições rápidas na Rive Gaúche, exploraram o Louvre, fizeram m uitas com pras e deram longos passeios na m argem do Sena. Foi a época perfeita, a estação perfeita, o tem po estava ensolarado e quente e Kate percebeu que nunca fora tão feliz. Andy provara ser um am ante m eigo e habilidoso. Quando chegaram a Veneza ela j á tinha a sensação de que estavam casados há m uitos anos. Ele desconfiava que ela não fora virgem para o casam ento, m as nunca lhe fez perguntas. Preferia não saber e não gostava de lhe perguntar sobre coisas que a faziam lem brar-se de Joe. Pressentia que ainda era um tem a difícil, e desconfiava que o seria por m uito tem po. Mas agora Kate era sua, não de Joe.
Veneza foi ainda m ais rom ântica que Paris, se é que tal era possível. Com eram coisas deliciosas, andaram de gôndola adm irando a vista e beij aram -se quando passaram sob a Ponte dos Suspiros.
Retornaram a Paris por um a noite e depois voaram para Nova Iorque. Tinham ficado ausentes durante três sem anas e fora a lua-de-m el perfeita. Voltaram para casa radiantes, descontraídos e unidos e ansiavam por um a vida longa e feliz.
Andy voltou ao trabalho no dia seguinte e Kate levantou-se para lhe fazer o café da m anhã. Ele tom ou banho, fez a barba e vestiu-se, e quando entrou na cozinha ela pusera na m esa um a tigela com cornflakes e um a garrafa de uísque.
— Querida, você lem brou. — exclam ou ele, abraçando-a ao estilo das estrelas de cinem a, e em seguida m eteu um a colherada de cornflakes na boca e em purrou-a com um trago de uísque. Era um hom em alegre e bondoso, e tinha um excelente senso de hum or. E o m elhor de tudo era que estava louco por ela. — O m eu pai vai pensar que você m e transform ou num alcoólatra se eu chegar ao escritório cheirando a uísque. Tem os reuniões o dia inteiro.
Ele saiu e ela ficou arrum ando a casa. Despedira-se do em prego no m useu um m ês antes de casar. Andy não queria que ela trabalhasse, e na época ela tivera m uito que fazer. Mas agora nada tinha para a ocupar até ele retornar para casa ao fim da tarde. Quando Andy chegou, ela estava tão aborrecida que o arrastou para a cam a e depois sugeriu que fossem j antar fora, em bora Andy estivesse cansado. Kate aborrecera-se de m orte durante o dia. Com entou com ele que gostaria de voltar a trabalhar, pois não fazia idéia do que podia fazer para estar ocupada. A vida de casada deixava-a com m uito tem po livre.
— Vai às com pras, vai a m useus, divirta-se, alm oçe com as suas am igas — respondeu ele, m as as am igas de Kate ou estavam todas trabalhando ou viviam nos subúrbios com os filhos. Ela sentia-se à parte.
Tinham falado em com prar um apartam ento m aior, m as gostavam am bos do de Andy e por enquanto servia perfeitam ente. Tinha dois quartos, por isso, m esm o que tivessem um bebê, haveria espaço para todos.
Três sem anas depois de retornarem da Europa, Kate sorriu-lhe tim idam ente ao j antar e disse-lhe que tinha novidades. Ele im aginou que ela tinha feito algo divertido durante o dia, ou falado com a m ãe ou com as am igas. Ficou adm irado quando em vez disso Kate lhe disse ter certeza de que estava grávida. Só estavam casados há seis sem anas, e ela achava que devia ter acontecido no dia a seguir ao casam ento, da prim eira vez que tinham feito am or.
— Você foi ao m édico? — perguntou ele encantado e preocupado. Levantou a m esa, insistiu para que ela não fizesse esforços e perguntou-lhe se se sentia enj oada e queria deitar-se.
Kate deu um a gargalhada.
— Não, ainda não fui ao m édico, m as tenho certeza. — Já se sentira antes assim , cinco anos antes, com o bebê de Joe, m as não podia contar isso a Andy. — E não é um a doença term inal, por am or de Deus! Eu estou bem .
Ele foi m uito m eigo nessa noite quando fizeram am or, com receio de que algum a coisa pudesse m achucar a ela ou ao bebê, insistiu que ela fosse ao m édico assim que conseguisse m arcar um a consulta e ficou desapontado quando ela não o deixou contar a novidade aos pais.
— Porque não, Kate? — Queria contar a todas as pessoas e Kate ficou m uito sensibilizada. Andy estava ainda m ais anim ado do que ela e isso agradava-lhe. Queria um bebê, afinal de contas fora um a das razões porque abandonara Joe, e a criança ligá-la-ia ainda m ais a Andy. Era aquilo que ela queria, um a vida de casada. E contudo, apesar de toda a felicidade e do am or que sentia por Andy, havia sem pre um vazio que ela não conseguia preencher por m uito que se esforçasse. Kate sabia o que era, m as não com o curá-lo. Era Joe. Só esperava que o bebê preenchesse o enorm e vazio que Joe deixara nela.
— E se o perco? — retorquiu ela. Seria horrível se todas as pessoas j á soubessem .
— Porque haveria de o perder? — contrapôs ele intrigado. — Acha que há algum problem a? — A possibilidade nunca lhe ocorrera.
— Claro que não — respondeu ela com um ar feliz. — Só quero ter certeza de que está tudo bem . Dizem que há sem pre o risco de se abortar durante os prim eiros três m eses. — Especialm ente quando se era atingida por um rapaz de bicicleta. Andy nunca ouvira dizer que os prim eiros três m eses eram um período crítico.
Kate foi ao m édico alguns dias depois e ele disse-lhe que estava tudo bem . Ela contou-lhe que abortara cinco anos antes, e ele ficou preocupado por ela não ter sido vista por um m édico na época, m as achava que fora um incidente isolado, não devido a um a fraqueza da parte dela, m as porque fora atingida pela bicicleta. Disse-lhe para ter calm a, descansar, com er bem e não fazer nada idiota com o andar a cavalo ou pular corda, o que a fez rir. Mandou-a para casa com vitam inas e com algum as instruções para partilhar com o m arido, e pediu-lhe que fosse vê-lo daí a um m ês. O bebê deveria nascer no início de m arço.
A cam inho de casa, Kate concluiu que era um a m ulher de sorte ao passar j unto ao Central Park. Era feliz, am ada, casada, tinha um m arido ótim o e estava grávida. Todos os seus sonhos se tinham tornado realidade e soube finalm ente que tom ara a decisão certa ao casar com Andy. Iriam ter um a ótim a vida.
Contaram finalm ente aos pais dela quando foram passar com eles um a sem ana no fim de agosto em Cape Cod. A m ãe ficou radiante, tal com o o pai.
— Eu disse-te que ele seria perfeito para ela — disse Elizabeth m uito feliz ao m arido depois de Kate e Andy terem voltado para Nova Iorque.
— Por quê? Porque a engravidou? — brincou Clarke. Gostara bastante de Joe, m as concordava com ela: Andy era o m arido certo para Kate e estava feliz pelos dois.
— Não, porque ele é um bom hom em . E o bebê vai fazer m uito bem à Kate. Ficará com os pés m ais assentados na terra, acalm ará e sentir-se-á m ais próxim a do Andy.
— E vai tam bém dar-lhe m uito trabalho! — exclam ou Clarke com um a gargalhada.
No entanto, Kate nada m ais tinha para fazer. Estava pronta para constituir fam ília. Tinha vinte e seis anos, idade suficiente, e era m ais velha do que as am igas quando estas tinham engravidado. A m aior parte das suas colegas j á dera à luz dois ou três filhos. Muitos j ovens haviam se casado logo após a guerra, e tinham um filho a cada ano para com pensar o tem po perdido. Com parada com elas e com as que tinham casado antes da guerra, Kate com eçara tarde.
Ela sentiu-se bem durante toda a gravidez. Pelo Natal, Andy disse-lhe que ela parecia um balão. Estava grávida de quase sete m eses e ela própria achava-se grande. Parecia não ter engordado em m ais lugar nenhum , a não ser na barriga. Dava grandes passeios todos os dias, dorm ia m uito, com ia bem e era a im agem da boa saúde. O único pequeno susto foi na noite de fim de ano. Foram dançar com uns am igos em El Morocco, pois tinham um a vida social bastante ativa, especialm ente com os am igos de Andy ou com pessoas que ele conhecia através do trabalho, e quando chegaram em casa às duas da m anhã ela com eçou a ter contrações. Kate sentiu-se culpada porque tinha dançado m uito e bebido vários copos de cham panhe. Andy telefonou ao m édico e este m andou-os ir im ediatam ente ao hospital. Depois de a ter observado, disse-lhe que queria que ela passasse o resto da noite no hospital, para ter certeza de que não entrava em trabalho de parto. Kate ficou assustada, m as Andy disse que passaria a noite com ela, e um a das enferm eiras instalou um divã ao lado da cam a.
— Com o é que se sente, Kate? — perguntou ele quando j á estavam deitados, ela na confortável cam a do hospital, ele no divã estreito.
— Assustada — respondeu. — E se o bebê for prem aturo?
— Não vai ser, acho só que exagerou um pouquinho. Deve ter sido do últim o m am bo que você dançou. — Ela soltou um a gargalhada e ele sorriu.
— Isso foi divertido.
— Parece que o bebê não é da m esm a opinião. Ou talvez sej a.
— E se acontece algum a coisa e perdem os o bebê? — perguntou ela deitando-se de lado.
Ele pegou-lhe na m ão.
— E se você parar de se preocupar por alguns m inutos. Que tal? — E a seguir fez-lhe um a pergunta para a qual ela não estava preparada. Já há algum tem po que andava pensando naquilo. — Porque você se preocups tanto com a possibilidade de perder o bebê? — perguntou olhando-a nos olhos. Os seus eram da cor de chocolate derretido, tinha o cabelo escuro despenteado e estava m uito bonito ali no divã olhando para ela.
— Acho que todas as pessoas se preocupam com isso — respondeu ela desviando o olhar
— Kate?
Houve um a longa pausa.
— Sim ?
— Você j á esteve grávida antes?
Era um a pergunta à qual ela não queria responder, m as tam bém não queria m entir-lhe
A pausa desta vez foi ainda m ais longa.
— Sim — respondeu por fim Kate, olhando-o com tristeza. Não queria m agoá-lo, m as tem ia tê-lo feito.
— Foi o que pensei. — Ele não pareceu m uito abalado. — O que aconteceu?
— Fui atingida por um a bicicleta em Radcliffe, — respondeu ela.
— Lem bro-m e desse incidente com a bicicleta. Você teve um a concussão. Estava grávida de quantos m eses?
— Dois m eses e m eio. E tinha decidido dar à luz o bebê. Não contei ao Joe enquanto estava grávida, nem nunca contei aos m eus pais. O Joe só soube m uito m ais tarde, quando veio para casa de licença.
— Os seus pais teriam ficado m uito satisfeitos — com entou ele, olhando-a. Aquilo não im portava, m as ele tinha pena do sofrim ento por que ela passara. Contudo, agora Kate era sua, e ali deitados no hospital Andy sorriu ao olhar para a enorm e barriga dela. — Desta vez vai tudo correr bem , Kate. Você vai ver. Vam os ter um bebê m aravilhoso. — Ele inclinou-se e beij ou-a, e ela pensou de novo que era um a sortuda por tê-lo com o m arido. Não se perm itiu pensar em Joe. Talvez agora conseguisse finalm ente esquecê-lo, talvez finalm ente se libertasse dele.
Saíram do hospital na m anhã seguinte, de m ãos dadas, e ela passou o resto da sem ana descansando. Depois disso, tudo correu bem , não houve m ais contrações, até certo dom ingo de m anhã, quando ela o acordou. Kate estivera deitada durante duas horas contando o tem po entre as contrações, enquanto Andy dorm ia. Por fim , acordou-o.
— Hum ... sim ? Está na hora dos cornflakes com uísque?
— Melhor do que isso — retorquiu ela com um sorriso, sentindo-se extraordinariam ente calm a. — Está na hora do bebê.
— Agora? — Ele sentou-se de repente, em pânico, e ela riu-se. — Será que devo vestir-m e?
— Acho que você faria figura de tonto no hospital com estes traj es. Mas de um tonto bom . — Ele estava nu.
— Está bem , está bem . Vou m e despachar. Você telefonou ao m édico?
— Ainda não. — Ela sorriu enquanto ele se apressava de um lado para o outro, pegando em um a roupa e voltando a largá-la. Kate parecia a Monalisa. Andy estava bastante nervoso e parecia incapaz de se organizar, m as tinha um ar m uito doce.
Meia hora depois, ela j á tom ara um a ducha, vestira-se e penteara-se. As roupas de Andy estavam um pouco em desalinho. Saíram de casa, ele com um braço sobre os om bros de Kate e com a m ala dela na m ão. Quando chegaram ao hospital, a enferm eira disse que estava tudo correndo bem , e m andou Andy para a sala de espera, onde ele ficou fum ando com os outros pais.
— Quanto tem po vai dem orar? — perguntou ele com nervosism o ao sair de perto de Kate.
— Algum tem po, Mister Scott — respondeu ela fechando a porta com firm eza e regressando para j unto da paciente.
Kate com eçara a sentir m uitas dores e queria Andy perto, m as era contra a política do hospital ele estar ali. E, pela prim eira vez, ela sentiu m edo.
Três horas depois, ela continuava em trabalho de parto, m as a coisa parecia dem orada e Andy j á estava com os nervos em frangalhos. Tinha chegado ao hospital às nove, e ao m eio-dia ainda não havia novidades. Sem pre que ia perguntar, m andavam -no em bora. O bebê parecia levar um a eternidade para nascer.
Eram quatro da tarde quando a levaram para a sala de partos, perfeitam ente a tem po, na opinião da equipe m édica, m as nessa hora Kate j á não aguentava as dores e chorava. Só queria Andy perto dela. Ele não com era nada durante todo o dia e vira outros pais irem e virem , e alguns esperavam há m ais tem po do que ele. Parecia um processo sem fim , e só queria estar j unto dela. Esperava que tudo corresse bem e que Kate não sofresse m uito. Na verdade, sofria, o bebê era m uito grande e o parto estava levando m uito tem po. Parecia-lhes interm inável.
Às sete da noite os m édicos com eçaram a pensar na hipótese de um a cesariana, m as acabaram por decidir deixar Kate continuar norm alm ente durante m ais algum tem po. Finalm ente, duas horas m ais tarde, Reed Clarke Scott nasceu. Pesava quase quatro quilos e m eio e tinha cabelo escuro com o o pai, m as Andy achou-o parecido com Kate. Nunca tinha visto ninguém tão bonito com o ela, deitada na cam a, com o cabelo penteado, num casaquinho cor-de-rosa, com o filho adorm ecido nos braços.
— Ele é tão perfeito — m urm urou Andy. As doze horas que passara na sala de espera, raladíssim o, quase o tinham enlouquecido.
Kate estava m uito calm a e feliz, em bora cansada, e agarrara na m ão de Andy. Os seus sonhos tinham finalm ente se tornado realidade. A m ãe tivera razão. Tom ara a decisão certa, e naquele m om ento teve certeza disso.
Kate e o bebê ficaram no hospital durante cinco dias, e depois Andy levou-os para casa com um a enferm eira que haviam contratado para quatro sem anas. Com prara flores para ela e espalhara-as pela casa, e segurou o bebê enquanto ela se deitava no quarto. O m édico queria que ela repousasse três sem anas na cam a, m as isso era norm al nas m ulheres que tinham o prim eiro filho. Tinham colocado um berço ao lado da cam a para o bebê dorm ir, e sem pre que ele acordava, Kate dava-lhe o peito. Andy observava-os fascinado.
— Você está linda, Kate. — Achava que tinha valido a pena esperar por eles. Norm alm ente valia a pena esperar pelas coisas boas. E o bebê encantava-o. Era rosado, redondo e perfeito.
Kate tinha vinte e sete anos quando Reed nasceu. Era m uito m ais velha do que as suas am igas quando deu à luz pela prim eira vez, m as estava pronta para o bebê. Era um a m ulher calm a e m adura, tinha m uito j eito para tratar dele e adorava dar-lhe o peito. Esperara toda a vida por aquele m om ento e decidiu saboreá-lo, e saborear a com panhia do m arido. Nunca tinham sido tão felizes.