A Virgem da Hungria, ou a Mulher Vampiro

Étienne-Léon de Lamothe-Langon · Capítulo 9 de 25

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A Virgem da Hungria, ou a Mulher Vampiro

Capítulo VIII

 

A profunda solidão em que a estrangeira continuava a viver, ia dim inuindo cada vez m ais a pública curiosidade: nem sem pre podem os ocupar-nos dum só obj eto, e tanto em R ***, com o na cidade m ais populosa, a m archa do espírito hum ano é sem pre a m esm a; nunca m uda de direção. Apenas se falava j á dos habitantes da casa isolada, quando um novo acontecim ento, atraindo com m ais força, a atenção dos cam poneses, acabou de riscar inteiram ente da sua im aginação a lem brança de Alinska e do seu dom éstico.

Havia naquele distrito um a m enina, robusta e saudável, que tanto por sua beleza, com o por sua fortuna, se tornava o ponto de m ira de todos os m oços abastados, que a conheciam .

Todas as vezes que Páscoa (era o seu nom e) se apresentava num a festa, em breve se form ava, em torno a ela, um círculo de rústicos adm iradores, que a seu m odo lhe prodigalizavam essas adorações, que os am antes em geral costum am tributar à form osura. Páscoa conservou-se por m uito tem po indiferente àqueles galanteios: aceitava, é verdade, as hom enagens que lhe dirigiam , sem contudo fazer a m ais leve distinção entre os seus am antes. Enfim , um rendeiro do distrito de Montbrum conseguiu enternecer o coração da bela indiferente.

A escolha de Páscoa irritou o am or próprio daqueles, que deviam perder a esperança de a possuir. Furiosas am eaças retum bavam por toda a parte contra o feliz sedutor; e, segundo se dizia, m uitos conluios se form aram , para pôr obstáculo a um a união, que punha em com pleto desespero tantos am antes desprezados. Tranquilo, no m eio da tem pestade que se preparava, dispunha-se o venturoso casal a apertar para sem pre os laços da m ais terna união: esperavam unicam ente que o seu maire voltasse a R ***, donde se achava ausente, a fim de efetuar o desej ado consórcio. O seu aj udante tam bém se não achava presente naquela ocasião; e esta dem ora m ergulhava Merlet (era o nom e do noivo) na m ais viva im paciência. Todavia, com o não é possível que os em pregados civis de um distrito se conservem ausentes por longo tem po, não podiam aqueles deixar de voltar antes de pouco: deviam chegar no próxim o sábado à noite; e no dia seguinte, antes da m issa, haviam as form alidades civis preceder as cerim ónias da religião, para santificar os laços conj ugais. Era nesse m esm o sábado, que Raul se resolvera fazer à húngara a visita, cuj o resultado fora para ele tão pouco satisfatório. Tinha sido convidado para o casam ento de Páscoa, e no seguinte dia devia reunir-se aos am igos do noivo, para partilhar os seus folgares, ou para se opor, com eles, às furiosas tentativas, que pudessem em preender os rivais e m al intencionados invej osos dos dois am antes.

Concluída a ceia, retirou-se Raul ao seu quarto, ainda todo preocupado pelo que lhe havia acontecido. Tinha sem pre presente a força colossal do velho criado, e figurava-se-lhe ainda o sangue, que gotej ava da ferida, que Alinska casualm ente lhe patenteara. Enquanto engolfado num a série de confusas ideias, que cruelm ente ocupavam seu espírito, lançava em volta do quarto seus olhos distraídos, estes se fixaram de súbito sobre um obj eto, que arrancara do fundo do coração de Raul a m ais dolorosa exclam ação. A sua espingarda de m unição estava despedaçada; o m esm o cano achava-se partido em várias partes!...

Este novo incidente, que lhe parecia superior às forças hum anas, cobriu seus m em bros de um suor glacial; um m ortal calafrio o fazia trem er convulsam ente; e com os olhos espavoridos, com a m ão estendida, com o corpo m eio curvado, ficou Raul, por m uito tem po, com o petrificado de horror. Este acontecim ento era m uito sobranceiro à sua com preensão e perspicácia: não podia ligar a eles um m otivo natural, que o j ustificasse; e no m eio de seu involuntário susto, quase que fez o j uram ento de se não em baraçar m ais com os negócios de Alinska, bem convencido de que para lutar com vantagem contra ela, carecia de um poder superior aos insuficientes m eios que possuía.

Bastos m inutos decorreram antes que o tím ido sargento pudesse deparar com algum conselho. Estrem ecia ao sentir o m ais leve ruído; prostrado inteiram ente, nada lhe restava de sua natural energia; e esta pusilanim idade aliava-o, naquele m om ento, à classe dos hom ens fracos e covardes, que tantas vezes escarnecera. O cansaço enfim , o lançou num desfalecim ento, que foi seguido de um a espécie de letargo; porquanto j á eram sete horas da m anhã, quando despertou ao estrondo que alguém fazia à porta do seu quarto. Recordou-se então do noivado para que fora convidado; e j ulgando que o vinham cham ar para esse fim , levantou-se todo envergonhado da sua preguiça. Ao abrir a porta, deparou com um cam ponês seu am igo, ficando de novo assustado à vista do sobressalto e consternação que divisava sobre o rosto do aldeão. Ia interrogá-lo; m as ele o preveniu por este m odo:

— Ah! sr. Raul — lhe disse ele, com voz entrecortada de fundos ais, — que horrível catástrofe nos sobreveio esta noite! A infeliz Páscoa foi desum anam ente assassinada!

— Que dizeis, desgraçado!... E quem com eteu um crim e tão atroz? Vós m e fazeis estrem ecer!...

— Ai!... Já não podem os duvidar da sua m orte; m as ignora-se absolutam ente o nom e do assassino: introduziu-se furtivam ente no quarto da infeliz, sangrou-a em quatro veias; e por um a particularidade, que a todos espanta, acha-se o corpo da vítim a de todo esgotado; apenas algum as ligeiras m anchas se divisam sobre os lençóis!

— Esgotada por esse m odo! — exclam ou o consternado Raul — Inteiram ente vazia de sangue!... Oh! santo Deus, acaso se repetirão em França os horrores que tanto assolam a desgraçada Hungria?!...

Depois destas palavras, ficou com o suspenso e arrependido de as haver pronunciado; m as o m al que quisera evitar, j á não tinha rem édio. O cam ponês Mathurin, picado em sua curiosidade, reclam ou com instância a explicação de um discurso que não podia com preender. Em vão procurava Raul m udar de conversação, pedindo novos detalhes sobre o assassinato; m as o seu cam arada, depois de haver satisfeito a sua curiosidade, novam ente o instava para que lhe explicasse o que na Hungria se passava a este respeito. Tais foram as suas instâncias, que foi m ister ao sargento contentá-lo, a fim de evitar algum a querela com o seu am igo.

— À fé, m eu caro — lhe disse Raul, — vós dais-m e m enos tem po para resfolegar, do que os hussardos negros, em um a carga que nos deram , e que coraj osam ente repelim os na célebre batalha de Iena. Mas, com o insistis em querer saber o que teve lugar longe daqui, ouvi-m e com atenção; e se acaso tiverdes m edo esta noite, não vos queixeis de m im , m as sim da vossa curiosidade. Sabei pois, que a Hungria é um vasto país, que se acha na extrem idade da Alem anha, sobre a fronteira da Turquia. Os seus cam poneses são quase selvagens, sem elham -se m ais a brutos, do que a racionais; passam a vida em um a espécie de escravidão, à qual seria im possível que nós os franceses, nos resignássem os: m as, se porventura se hum ilham , enquanto vivos, a seus senhores, desforram -se com dem asiada usura, depois que os cobrem com seis pés de terra: m uitos destes m iseráveis, depois de terem sido enterrados, surgem de seus túm ulos no m eio das enregeladas noites de inverno, inspirados talvez pelo diabo, voltam sobre a terra para torm ento e flagelo dos vivos! Esses entes, que não são, nem m ortos nem vivos, introduzem -se, envolvidos nas trevas da noite, em casa de seus parentes, ou de seus am igos; deitam -se ao lado deles, e rasgando subtilm ente as veias de suas desgraçadas vítim as, lhes sorvem o sangue necessário, para sustentar sua odiosa existência! Desde a m eia-noite, até à um a hora da m adrugada, continuam esses m onstros suas abom ináveis excursões, até que concluam o trespasse de suas vítim as. Muitas vezes, eles se dirigem , ao m esm o tem po, a diversas casas, levando a consternação e o luto a várias fam ílias. Quando um destes dem ónios, a que cham am vampiros, aparece no m eio de um a aldeia, não se ouve falar senão de terríveis acontecim entos, de m ortes prem aturas! A destruição e o luto os acom panham ; cada um dos habitantes receia por ele, e pela sua fam ília, a visita destes inim igos da hum anidade. Cham am -se os padres; os seus exorcism os não têm vigor; o vampiro não deixa por isso de continuar seus terríveis estragos! Resta um único m eio para o aniquilar: consiste em desenterrá-lo do seu j azigo; o seu corpo parece à prim eira vista inanim ado; m as suas faces singularm ente coradas, seus lábios verm elhos, e ainda ensanguentados, em breve m anifestam a terrível existência do m onstro. Então, arrastam -no do sepulcro, decepam -lhe as m ãos, os pés, e a cabeça; m as nada disto seria ainda suficiente a extingui-lo de todo, se por m eio de pontiaguda estaca, lhe não trespassassem o infam e coração, do qual se vê roj ar, de m istura com um grito espantoso, um a torrente de ensanguentada m atéria, que então anuncia a total extinção de vida naquele corpo hom icida. Depois term ina-se a cerim ónia, lançando ao fogo os noj entos restos do m iserável: restabelece-se então o sossego no país, até que um novo vampiro venha de novo perturbá-lo. O que acabo de referir-vos, m eu caro Mathurin, pode ser-vos confirm ado por um a nação inteira, a qual se acha há longos séculos debaixo do peso de tão cruel flagelo, que desgraçadam ente parece propagar-se. Um hom em , im olado por estes dem ónios, torna-se m uitas vezes noutro vampiro: as m ulheres são tam bém suj eitas a esta calam idade; e seria difícil narrar-vos, quanto ouvi na Hungria a este respeito, e o que li em um livro, que o m eu coronel com prou em Tolosa, quando ali esteve.

Raul poderia pregar ainda por m ais tem po, sem que o seu ouvinte o interrom pesse: escutava-o com a m ais profunda atenção; não perdia um a só palavra, abraçava-as em sua m em ória, e atribuía j á a m orte da desventurada Páscoa, ao detestável e horrível vampirismo!

— Virgem puríssim a! — exclam ou ele — Será verdade quanto acabo de ouvir? Olhai, Raul; estou arrependido de vos haver interrogado, ainda que a vossa narração m e deu esclarecim entos, que até aqui ignorava. Graças a Deus, ainda até agora não tínham os visto no nosso país, m ais do que algum as fadas ou pelotiqueiros: de tem pos a tem pos tam bém tem aparecido alguns duendes; m as tudo isto não passa de causar-nos algum m edo, em desarranj ar os trastes da casa, em atorm entar os pastores e os rebanhos nos seus apriscos; m as nutrir-se de sangue hum ano!... Oh! basta pensá-lo para m orrer de susto!... Pobre Páscoa! Foi decerto um vampiro que te arrebatou deste m undo. Vam os, vam os, não é possível duvidá-lo...

Raul, apesar de sua íntim a crença, engaj ou Mathurin, para que atribuísse o passam ento da triste noiva a outro m otivo m ais plausível; m as o rústico estava bastante desej oso de espalhar as luzes, que acabava de receber, para que riscasse de sua im aginação essa ideia.

— Tudo quanto disserdes — continuou ele, — será excelente, até razoável; m as o que é incontestável, é que neste negócio anda obra de vampirismo. Quero anunciá-lo na igrej a, na ocasião da m issa do dia; e talvez sej a ainda m ais conveniente fazê-lo quanto antes, a fim de solicitar algum as preces, para que o Senhor nos livre de tão terrível flagelo. Mas qual será o nosso patrício, que possa representar tão infam e papel? É necessário esclarecer este negócio; corro em busca dos veteranos da paróquia, a fim de consultar a sua opinião.

Os esforços de Raul, para o dissuadir deste proj eto, foram de todo infrutuosos. Mathurin retirou-se precipitadam ente, quase consolado da desgraça que acontecera, por isso que j ulgava ter descoberto a verdadeira causa que a produzira. Assim que chegou à grande árvore, que frondosa se eleva defronte da porta da igrej a, principiou logo a divulgar aos prim eiros cam poneses, que encontrava, quanto Raul lhe havia contado. O m aravilhoso dum a tal narração não podia deixar de aterrar aquelas alm as pusilânim es, supersticiosas, e ignorantes. Em breve se form aram diversos grupos: cada um fazia as conj eturas que lhe parecia a tal respeito; j á ninguém duvidava da existência desses dem ónios corpóreos, cuj a história se ouvia pela prim eira vez; e todos concordes resolveram , ainda que com sinais de fundo pavor, que algum vampiro se achava na povoação de R ***: divagavam sobre o nom e do defunto, a quem poderiam atribuir tão grande abom inação. As conversações tornavam -se cada vez m ais m isteriosas; receavam nom ear o indivíduo de quem se lem bravam , tem endo atrair sobre si o ódio de sua fam ília; exam inavam escrupulosam ente a vida de todos os finados; citavam -se as m alícias que haviam praticado; as m ás qualidades de que eram dotados! Houve um entusiasta que pretendia, que o vampiro devia encontrar-se entre aqueles que se haviam apoderado dos bens do clero, principalm ente daqueles, que eram destinados para sufrágios das alm as do purgatório; e esta terrível ideia não achou no auditório a m ais leve oposição. Todavia, um a velha m ulher, abanando a cabeça, não receava dizer:

— Então não vos recordais vós daquele bufarinheiro, que tanto enam orado só m ostrava pela m ísera Páscoa? Sabeis que ela recusou, com desprezo, a sua m ão, e que o pobre rapaz se ausentou para Tarbes, sua pátria, protestando que ali havia de term inar a sua m alfadada existência. Pois bem ! desde então, nunca m ais houveram notícias dele, e provavelm ente foi ele que veio do outro m undo, para se vingar daquela que o desdenhava.

Este discurso, cheio de franqueza e de ingenuidade, pareceu aos cam poneses a explicação genuína de um prodígio tão assom broso. Decidiram unanim em ente, que o tal bufarinheiro era decerto o verdadeiro assassino de Páscoa; e quando se separaram , todos prom eteram de rezar alguns padres-nossos por sua alm a, e de se com unicarem m utuam ente quaisquer esclarecim entos, que pudessem haver a este respeito. Mas, dali em diante ninguém se ocupou m ais com a estrangeira, nem com seu procedim ento extravagante. Não se falava senão no vampiro, do qual se referiam as em presas m ais singulares e absurdas. Todas as m anhãs se espalhava um novo acontecim ento: pretendiam uns haver enxergado, à claridade da lua, surgir do cem itério um a figura branca, e dirigir-se rapidam ente à aldeia de Pechabou; outros afirm avam , que antes de despontar a aurora, tinham observado, por entre as árvores que guarnecem os bosques de Souterrène, um fantasm a hediondo, que sem tocar o solo, se balanceava no ar; e que depois de haver espargido de si um clarão fosfórico, que alum iara os vizinhos m ontes, tinha subitam ente desaparecido! Outro havia, que afirm ava não se ter deitado, e ter ouvido um surdo m otim à porta da sua habitação, com o se alguém pretendesse arrom bá-la; outro, tinha sentido abraçar-se, na sua própria cam a, por um corpo frio e glutinoso, do qual se havia desem baraçado por m eio de fervorosa oração, acom panhada da prom essa, que tinha cum prido de dar duas dúzias de ovos, e um par de frangos, ao m ilagroso S. Lázaro, patrono do país!...

Estas narrações, exageradas por aqueles que as repetiam ; espalharam ao longe universal terror; e por m uito tem po, depois que a noite enlutava o hem isfério, consultavam -se os cam poneses, entre si, antes de se aventurarem sozinhos a percorrer os sinuosos cam inhos do distrito.

Raul, prim eiro m óvel deste novo receio, nem por isso o partilhava. Outro cuidado ocupava as suas ideias; desej ava conhecer, de um m odo positivo, os m eios em pregados pela húngara, para se introduzir clandestinam ente no castelo. Vigiava pois, com escrúpulo inquisitorial, não só as duas dom ésticas de madame Delm ont, m as ainda todos os trabalhadores, ocupados no serviço da granj a; espreitava seus passos e ações as m ais inocentes; conservava-se horas inteiras num esconderij o obscuro do seu quarto, para m elhor surpreender o tem erário que ali se atrevesse a penetrar. Seus esforços não foram coroados do resultado que tanto desej ava; não podia, com j ustiça, lançar suas suspeitas sobre pessoa algum a, ocupada no castelo: a sua conduta era tão regular, e tão pouco suspeita, que se viu obrigado a proclam ar, a seu pesar, a inocência daquela boa gente.

Mas, longe de suspender suas indagações, apenas se lim itou a dirigi-las para outro lado. Sabia que os antigos castelos possuíam quase todos desconhecidos subterrâneos, corredores, secretos, onde se podiam ocultar tenebrosos conluios. Com o pretexto de se assegurar da solidez dos m uros e alicerces, e para, enfim , se desenganar sobre esta nova descoberta, procedeu desde logo a um a rigorosa vistoria, para cuj o fim se fez acom panhar de um hábil pedreiro, que de propósito foi buscar a Castanet, lugar principal daquele distrito: gastaram dois dias a exam inar os tetos, os sobrados, as grossas paredes; e por toda a parte, em que um som vazio anunciava a existência de algum a cavidade, não passavam avante sem indagar escrupulosam ente o m otivo do seu reparo.

A severidade de suas pesquisas lhes descobriu finalm ente um pequeno corredor, que tendo sua origem no ângulo de um quarto ao rés do chão, ia descendo por apertada escada, até se perder no centro da terra, na direção do noroeste. Com esta descoberta, e m ais ainda com o m isterioso cam inho, que o subterrâneo parecia seguir, persuadiu-se Raul haver encontrado a vereda, por onde aí poderia penetrar no castelo. Em com panhia do pedreiro, e levando cada um sua lanterna, determ inaram -se a percorrê-lo em toda a sua extensão; m as tendo cam inhado uns cem passos, pouco m ais ou m enos, viram -se obrigados a suspender a sua m archa por causa de um grande rochedo, que lhes não oferecia a m ais pequena saída. Depois de em pregados os m aiores esforços para destruir este rude obstáculo, a resistência que ele ofereceu às suas alavancas e picaretas, os convenceu da inutilidade de suas fadigas. Voltaram ao castelo, e Raul só ficou satisfeito depois de fazer tapar, com pedra e cal, a entrada do m isterioso corredor, que ele reputava m uito perigoso, por se persuadir, que devia com unicar com a casa isolada do bosque; a qual, antes da revolução, pertencia tam bém ao senhor de R ***, e que só tinha sido desanexada do principal edifício, na desgraçada época das últim as oscilações políticas. Raul, m ais satisfeito, ainda que nada tivesse descoberto de positivo, lisonj eava-se de haver destruído os planos da cruel inim iga do seu repouso; e sem a m enor contestação satisfez pontualm ente ao pedreiro, quanto ele lhe exigira pelo seu trabalho.