A Virgem da Hungria, ou a Mulher Vampiro
Capítulo XIII
O Estrondo repetido de dois tiros, retum bando no interior do castelo, nele espalhou subitam ente o m aior terror e sobressalto. Os trabalhadores da granj a (parte dos quais dorm ia no castelo), não se tinham entregado ainda ao descanso; porque devendo ir no seguinte dia a Tolosa, se ocupavam nos preparativos necessários para a j ornada. Espalharam -se logo pelas diversas salas e quartos do edifício, enquanto um a das criadas, abrindo a porta principal, corria desorientada em busca de socorro.
Madame Delm ont que, apesar dos pungentes cuidados que a devoravam , dorm itava naquele m om ento, acordou espavorida ao estrondo do prim eiro tiro de pistola, que lhe pareceu um desses m otins noturnos, que no m eio do sono a fantasia nos oferece m ais assustadores do que realm ente são. Mas tendo ouvido, após ao prim eiro, um segundo tiro, a ideia lhe ocorreu, de que os ladrões se tinham introduzido no castelo, e de que o bravo Raul os com batia. Depois, lem brou-se tam bém de seu filho; tom ou a resolução de se levantar de pronto; e sem reparar no perigo que poderia correr, voa ao quarto onde devia encontrar o obj eto de seus m ais ternos cuidados.
Que terrível espetáculo se não oferece a seus olhos, quando ao clarão da lua, que brilhava através de um a j anela, e da pálida claridade dum a pequena lâm pada, descobriu dois corpos ensanguentados, estendidos sobre o chão, e que logo reconheceu serem os de Raul e da estrangeira!...
Soltando então um grito de horror, correu à cam a do m enino, que tom ou em seus trém ulos e convulsos braços: foi debalde que procurava arrancá-lo ao profundo sono que parecia oprim i-lo... Não o poderia fazer, porquanto o infeliz Eugénio tinha adorm ecido, para som ente despertar lá nessa época tão incerta, em que a universal trom beta nos há de acordar a todos!...
Pouco depois deste fatal acontecim ento, apresentaram -se as criadas e os trabalhadores, arm ados com vários instrum entos de lavoura, que o acaso lhes havia deparado. Viram um a escada de corda, presa fortem ente à j anela; encontraram Raul e Alinska, banhados em seu sangue, e sem darem o m enor sinal de vida! Um pouco m ais distante descobriram tam bém madame Delm ont, que apenas respirava j unto dos tristes restos de seu querido filho!... Esta horrível cena infundiu na alm a daqueles, que a contem plavam , um terror, um a consternação, bem difíceis de descrever.
Os assassinos não podiam achar-se longe; m as talvez aj udados pela escada, se tivessem evadido. Por um lado, apressaram -se em prodigalizar a madame Delm ont os socorros que a sua triste situação reclam ava; e por outro a continuar no castelo as investigações j á com eçadas.
O núm ero dos auxiliares não tardou em aum entar-se; os vizinhos corriam em tropel, trazendo consigo as autoridades locais; m as as diligências m ais m inuciosas não produziram resultado algum ; não se descobriu o m ais pequeno vestígio, que indicasse a existência dos salteadores. Todos se convenceram de que esses m iseráveis, assustados naturalm ente pelos tiros de pistola, que sobre eles se dispararam , haviam logo fugido. Correram pois em seu seguim ento, investigaram -se os vizinhos cam pos, ainda antes de rom per a aurora; porém nada se descobriu, que j ustificasse a persuasão em que todos se achavam . Im aginava-se então, que eles se haviam subtraído ao castigo que a sua atrocidade lhes granj eara.
Helena, ao prim eiro alvor do dia, pareceu recuperar algum alento: seus sentidos inteiram ente abatidos, se reanim avam pouco a pouco; e o prim eiro brado que soltou, foi para cham ar seu filho, o querido Eugénio.
Um a dam a, que se achava ao lado dela, procurou derram ar algum as gotas de bálsam o consolador no dilacerado coração da consternada m ãe; m as naquele doloroso m om ento todos estes desvelos eram inúteis: ela continuava a cham ar o filhinho, que j á não existia, sem atender aos discursos de consolação que lhe dirigiam . Ai!... o infeliz m enino j á não podia ouvi-la; o pobrezinho tam bém tinha sido um a das vítim as daquela espantosa tragédia!... Havia sucum bido inopinadam ente, quando o seu restabelecim ento parecia quase infalível!
Helena tinha presenciado o seu passam ento, e contudo não podia decidir-se a acreditá-lo: a dúvida parecia-lhe m ais preferível a um a realidade, que lhe arrebatava a m ais lisonj eira esperança!
Neste com enos, dois novos personagens, se apresentaram no castelo: o m édico que tratava do infeliz Eduardo, e o coronel Delm ont. O prim eiro tinha sido cham ado pelas autoridades, para form ar o processo verbal, que a j ustiça reclam ava; o segundo, tendo conseguido conciliar seu cunhado e sua irm ã, vinha receber, nos carinhosos braços de sua esposa, a recom pensa que um a tão bela ação lhe granj eara. Quanto não estava longe este desgraçado pai de presenciar tão terrível catástrofe! Julgava, que a sua chegada restabeleceria outra vez a alegria no castelo; e ele m esm o recebeu o m ais profundo golpe, quando um dos circunstantes, cham ando-o de parte, lhe participou as desgraças que acabavam de enlutar sua fam ília!
Delm ont era pai; am ava extrem osam ente seu filho! Oprim ido pela funesta narração, que acabava de ouvir, não pôde dissim ular a pungente dor, que tanto o atorm entava; m as ao m esm o tem po quis ver sua desconsolada consorte, a fim de m isturar suas lágrim as àquelas que a m esquinha derram ava. Não serem os nós, que descreverem os a aflitiva cena desta cruel entrevinda; as dolorosas exclam ações, os repetidos soluços destes desditosos pais!...
Com grande susto os separaram do cadaverzinho, que regavam de suas lágrim as; a vista de Julieta, longe de os tranquilizar, veio aum entar a explosão da sua natural sensibilidade; e naquele prim eiro m om ento todos j ulgaram , que valia m ais deixá-los entregues à sua dor, por se lem brarem que estas feridas só o tem po pode cicatrizar.
No m eio da saudade, que o coronel sentia pela perda de seu filho, nem por isso deixava de lastim ar o seu fiel Raul. Vivendo j untos tantos anos, partilhando os m esm os perigos e as m esm as fadigas; socorrendo-se tantas vezes um ao outro; tudo isto despertava na dilacerada alm a do coronel a m ais triste recordação. Recom endou ao cirurgião, que fora cham ado para o socorrer, que em pregasse todos os m eios im agináveis para restituir a vida, se tanto fosse possível, a este bravo m ilitar: m as desgraçadam ente tudo era inútil: o ferro hom icida tinha-lhe chegado ao fundo do coração; toda a esperança de o salvar era sem fundam ento; não podia realizar-se! O m esm o acontecia com a j ovem dam a, que da m esm a form a tinha sido vítim a dos salteadores: a bala havia-lhe varado o corpo de lado a lado; outra ferida que se lhe encontrou, indicava que a sua m orte era infalível: nada restava m ais, do que render-lhe os últim os deveres do sepulcro!
Delm ont, consternado com esta notícia, não quis ver seus restos inanim ados. Encerrou-se no quarto de sua m ulher, depois de haver encarregado a respetiva autoridade de fazer as suas vezes, recom endando contudo que o corpo de Eugénio, que parecia não ter expirado de m orte violenta, se conservasse até ao seguinte dia. Assim lho prom eteram , ocupando-se desde logo em transportar dali os outros dois cadáveres: o de Raul foi conduzido ao quarto que antes ocupava; o da estrangeira foi levado a um a sala ao rés do chão, que foi logo guarnecida convenientem ente para a fúnebre cerim ónia...
Os dois enterros deviam fazer-se às quatro horas da tarde. Já o digno pastor principiava a vestir suas vestes sacerdotais, para acom panhar o funeral; j á o sino da paróquia vibrava seus dobles m elancólicos, quando as densas nuvens, que sobre o castelo se haviam aglom erado, rom pendo-se, de súbito principiaram a despej ar sobre a terra caudais torrentes, acom panhadas de m edonhos trovões e relâm pagos, que pareciam incendiar a natureza inteira! O m ais terrível com bate se engaj ou no im enso espaço dos ares; os ventos furiosos se entrechocavam com fúria insana; um turbilhão de ram os e outros despoj os m ais pesados, im pelidos por todos os lados, vinham despedaçar-se contra os tetos do castelo, que m al podiam resistir ao ím peto da tem pestade; e no m eio de tão m edonho cataclism o dir-se-ia, que um novo dilúvio vinha derram ar seus furores, a desolação, sobre aquela porção da França, que até ali fora abençoada.
No m eio do bram ido da tem pestade pretendiam vários cam poneses ouvir distintam ente algum as rouquenhas vozes; soltar sinistros clam ores! Não duvidavam , que os espíritos m alfazej os, espalhados pelas nuvens, se não regozij assem da cruel calam idade, de que era vítim a aquele distrito! Talvez m esm o, diziam os próprios cam poneses, que as pessoas assassinadas se não achassem em graça, e que suas alm as, repelidas do céu, errassem em torno de seus envoltórios, dentro dos quais pretendiam , debalde, tornar de novo a aloj ar-se!
A com oção que agitava a natureza, só se desvaneceu depois da noite. Enquanto ela durou, im possível fora proceder à fúnebre cerim ónia do enterro: correria perigo de m orte o im prudente, que se atrevesse a deixar o asilo, onde se abrigara do furor da torm enta. Foi pois necessário esperar pelo seguinte dia, o que decerto não foi pouco sensível para os habitantes do castelo. Só madame Delm ont parecia indiferente a este novo revés; seu filhinho que nunca m ais veria, absorvia todas as faculdades de sua alm a; ela m esm a parecia desej osa de term inar um a existência tão cruel e am argurada. Seu esposo não se afastava de seu lado, procurando consolá-la; e para o conseguir, lhe apresentava m uitas vezes sua filha, cuj a beleza, naquele solene m om ento, oferecia novos atrativos, pelas lágrim as que derram ava. Conj urava-a a que se resignasse à vontade da Providência... Vãos esforços!... Helena ouvia-o m uito bem ; m as não o escutava; só um a única ideia a ocupava; era que seu filho lhe fora para sem pre arrebatado!...
Enquanto se prolongava esta cena de desolação, e que a escuridão da noite se tornava m ais opaca, pelas negras nuvens que ainda pesavam sobre a atm osfera, os cam poneses de R ***, de am bos os sexos, que tinham sido escolhidos para guardar os finados, entretinham -se na cozinha do castelo, onde se entregavam , folgazões, aos prazeres da ceia, que lhes m inistraram . O vinho circulava em grandes vasos de louça, e todos bebiam à saúde da ilustre sociedade. De espaço a espaço, a insensibilidade desta classe de gente deixava escapar alguns gracej os, assaz ridículos: suscitavam um riso involuntário sobre os lábios dos circunstantes, que em breve reprim iam as gargalhadas, cuj a causa contrastava dem asiadam ente com o pesado luto, que traj ava a desventurada fam ília Delm ont.
Contudo, a conversação não parecia esgotar-se: m udava m uitas vezes de obj eto; m as quase sem pre voltava aos acontecim entos da passada noite.
— Vede — dizia Germ ana, — o que nós som os! Aquele pobre Raul, ainda ontem tão robusto, e hoj e reduzido a um cadáver!...
— E a sua alm a — dizia um a velha j á decrépita, cuj os sinistros olhares faziam estrem ecer os rapazes e raparigas, que se achavam presentes; — j ulgais, digo, que sua alm a se ache atualm ente em bom lugar? Que tal! m orrer sem confissão, com o um herege! E deixar-nos-á ela em sossego? Não virá talvez, antes da noite de natal, atorm entar-nos, raivosa pelos tratos que ela m esm a sofrerá?
— Eis aí com o vós sois, tia Pernot — respondeu um j ovem lavrador, — nunca haveis de perder esse m ofino costum e de m eter m edo à gente... Apre!... E por que m otivo quereis vós que o bravo Raul, que, durante a sua vida, nunca nos fez senão bem , viesse m altratar-nos depois de m orto?
— E porque se não confessou ele?...
— E podereis afirm ar que o não fez?... Todos sabem que era um bom católico; ainda dom ingo passado ouviu m issa a m eu lado.
— Muito bem , Nicolau; porém essa j ovem dam a, que j az perto de nós, ia ela porventura à m issa? Deu-nos j am ais a conhecer qual era a sua religião? Foi por isso que Deus j á se tinha conspirado contra ela. O incêndio da casa, onde habitava o seu criado reduzido a cinzas... Oh! ela não quis atender a tão severas advertências, pereceu m iseravelm ente, no m esm o instante em que talvez j ulgava, que seus dias se prolongassem ; queria certam ente lutar com a m orte!... Que loucura!... Ei-la para sem pre desfalecida, ao passo que nós outros ainda aqui nos acham os com vida.
— Nesse caso, beberem os à sua saúde — replicou um m oleiro, que ali se achava, cuj a estatura colossal, e extraordinária força, eram obj etos da pública adm iração. — Confiam os em que se há de achar perfeitam ente dentro do sepulcro, e que de lá não tornará a levantar-se...
Neste com enos todos ouviram um com prim ido gem ido!... Levantaram -se surpreendidos; o susto se m anifestava em quase todos os sem blantes; e aquele m esm o que acabava de falar, não era por certo o que m enos pusilânim e se m ostrava... Dava m eia-noite no relógio da escada, e todos escutavam em silêncio o retum bante som da cam painha.
— De quem seria este gem ido? — perguntou então um dos com ensais.
— Talvez da j ovem defunta — respondeu a velha —. Provavelm ente foi um agradecim ento que dirigiu ao m oleiro, pelo interesse que parecia tom ar por ela.
— Vam os, tia Pernot — lhe replicou ele m esm o, — nada de gracej os; deixem os o negócio no estado em que se acha, e não nos ocupem os do passado...
Um segundo gem ido se fez ouvir, e todos ao m esm o tem po soltaram um grito de espanto e de confusão.
— Santa Virgem , nossa protetora! — exclam ou Germ ana. — Este gem ido saiu da sala onde se acha depositado o corpo da defunta!... Ó m eu Deus! quem terá a coragem necessária para ir observar tão estranho acontecim ento?
Nenhum dos circunstantes se prestou a este convite: pela terceira vez outro gem ido veio ecoar a seus ouvidos; m as tão distintam ente, que im possível fora duvidar da evidência! O terror se apoderou então de todos, que à porfia saíam precipitados em busca da porta do castelo: alguns tom aram o partido de ir cham ar o cirurgião, que ainda se não havia retirado, por causa de madame Delm ont, e contaram -lhe o que acabavam de presenciar. Atribuiu prim eiro aquele incidente à sua im aginação ainda im pressionada; m as à vista de reiteradas protestações, resolveu levantar-se da cam a, onde se havia reclinado, sem se despir, e a descer à sala de onde tinham partido os gem idos, que causavam tão grande alarm e. Delm ont, que tam bém não dorm ia, tendo ouvido tão extraordinário tum ulto, se m ostrou curioso de conhecer o m otivo: vendo que sua m ulher, sucum bindo ao excesso do desfalecim ento em que se achava, havia adorm ecido naquele m om ento, tom ou o cam inho da escada, onde encontrou o facultativo, que descendo conj untam ente com ele, lhe ia dizendo, que talvez um pânico terror era o único m otivo que tinha assustado aquela pobre gente.
Sentindo am bos a tem pestade que ainda durava, não duvidaram que esses gem idos, que os supersticiosos cam poneses pretendiam ter ouvido, não fossem atribuídos ao sibilar dos ventos desenfreados. Continuaram a descer; e seguidos pela m ultidão, ainda tim orata, chegaram à sala, onde se tinha depositado o corpo da estrangeira, e que m uitas lâm padas alum iavam .
Ao passar o lim iar da porta, ouviram outro gem ido; e foi então, que se convenceram , que só do ataúde poderia sair aquela voz! O bando cam pezino quase todo desapareceu; m as os m ais resolutos acom panharam o coronel e o cirurgião, que ao m esm o tem po exclam aram :
— A desgraçada ainda vive!... Corram os a salvá-la da horrível situação em que se acha!...
Aproxim aram -se com desvelo do caixão onde Alinska estava depositada; levantaram -na docem ente, e sem a desenvolverem de sua m ortalha, a transportaram com a m aior precaução ao quarto que antes ocupava. O facultativo, durante o trânsito, pondo a m ão sobre o coração da ressuscitada, reconheceu que tornava de novo a palpitar, ainda que frouxam ente. Pasm ado à vista de tão grande fenóm eno, decidiu-se a em pregar toda a sua assiduidade, para restituir a vida àquela que parecia arrancar-se dos braços da furibunda m orte. Pediu ao coronel que descobrisse a cabeça da m oribunda; Delm ont obedeceu, exam inando com a m aior avidez aquelas feições pálidas e j á quase decom postas; m as qual não seria o seu espanto, quando aquele rosto ainda belo lhe patenteou a extrem osa e desgraçada Alinska!... Um grito escapou de seu seio, e o observador perspicaz não deixaria logo de conhecer o estado em que sua alm a se achava. O cirurgião, todo em bebido em suas reflexões, não pôde fazê-lo; atribuiu esse grito ao estado de sensibilidade em que era o coronel; estava m uito longe de conhecer a verdadeira causa, e Delm ont em penhava-se em ocultá-la aos circunstantes: Reconcentrou pois dentro em si todas as em oções, que de tropel o acom etiam , sem contudo deixar de em pregar as m ais sérias m editações sobre os extraordinários acontecim entos que presenceava.
O cirurgião, m andando retirar os cam poneses, quis ficar só com as m ulheres, que, restabelecidas do susto que a princípio as assaltara, se ofereciam do m elhor grado para prestar seus serviços a um a criatura do seu sexo. O m esm o coronel saiu do quarto; m as antes de o fazer, aproxim ou-se do facultativo; e no m eio de um transporte, que não pôde reprim ir, o conj urou de em pregar todos os recursos da sua arte, para arrancar do fundo do sepulcro a infeliz, que nele j azia.
— Ficai descansado, coronel — replicou ele. — Sou eu o único interessado em colher os louros de tão m aravilhosa cura; a arte poderá sem dúvida auxiliar-m e; m as acreditai que este prodígio pertence antes à natureza: só ela pôde conduzir-nos a um feliz resultado. Juraria que o tiro de pistola houvera arrancado subitam ente a existência desta j ovem criatura; todos os sinais de vida tinham desaparecido; e se acaso se reanim ar, atribuí-lo-ei antes a um a m isteriosa ressurreição, do que a um a sim ples cura.
Depois destas palavras, que inspiraram no coração do coronel alguns vislum bres de esperança, este se retirou pausadam ente, lutando num abism o de perplexidades, e sem poder fixar-se num a só ideia que fosse plausível ou verosím il, voltou ao quarto de sua m ulher, que ainda desfrutava o descanso de um sono m alfazej o e letárgico. Quanto não devia ser doloroso o m om ento em que despertou! Que novo golpe não ia descarregar em seu coração a notícia da ressurreição da estrangeira, ao passo que seu pobre filhinho lhe não era restituído por igual prodígio!