As Casas de Armas de Isher

A. E. Van Vogt · Capítulo 18 de 32

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As Casas de Armas de Isher

Fara e Creel transportaram suas coisas para…

CAPÍTULO DÉCIMO SEXTO

 

Fara e Creel transportaram suas coisas para uma única peça mobiliada. Fara levou dois meses a tomar essa decisão.

Naquele dia, quando as ruas ficaram desertas, ele foi à Casa de Armas, arrastando-se contra as paredes. Atravessou a avenida, percorreu um jardim florido e parou diante da porta da loja. Por um instante teve medo de que ela não se abrisse, mas sua apreensão durou pouco:

Ela abriu-se ao primeiro empurrão. O velho de cabeleira prateada, sentado numa poltrona, lia à luz de uma lâmpada velada. Ao ver Fara, pousou o livro e levantou-se.

- Mas é o Senhor Clark, não é verdade? Em que lhe podemos ser úteis?

As faces de Fara enrubesceram. Tinha a esperança de não ser reconhecido, que aquela humilhação lhe seria, pelo menos, poupada. Mas agora que aquela esperança se desfizera, sentia crescer nele a vontade teimosa de ir até o fim. Se ele se matasse, o enterro nada custaria a Creel. Agora só isso o interessava. Mas nem o punhal nem o veneno seriam usados.

- Quero uma arma capaz de desintegrar um objeto de seis pés de diâmetro. O senhor a tem?

O velho abriu uma vitrine e apanhou um revólver de cano curto, de reflexos dourados vibrantes. De plástico Ordin, evidentemente.

- Eis um artigo perfeito para ser usado num coldre sob o casaco - disse o vendedor, com uma voz precisa. - É extremamente rápido: corretamente sintonizado, pula diretamente para a mão do atirador. Olhe. Vou pô-lo no coldre. Neste instante ele está sintonizando comigo. Observe com cuidado...

Foi fantástico. O homem fez um gesto com os dedos e a arma, que estava a um metro dele, pulou para a sua mão. Fara não percebeu nenhum deslocamento. Exatamente como quando a porta havia sumido na sua mão e batera no nariz de Jor. Havia sido instantâneo!

Ele vira e manejara armas, vulgares armas de metal ou de plástico como as que os soldados usam. Jamais vira uma que fosse capaz de obedecer assim à ordem de seu proprietário.

Teve que fazer um esforço para voltar ao assunto.

- É bastante interessante. Mas e o feixe?

- Da espessura de um lápis, perfura não importa que corpo, salvo certas ligas de chumbo, num raio de quinhentos metros. O senhor poderá desintegrar um objeto de seis pés a menos de cinqenta metros. O ejetor é regulado por esta molinha. Vira-se para a esquerda, para disparar o feixe e para a direita, para travá-lo.

- Quanto é?

O vendedor fez uma pausa.

- Já lhe expliquei nossas regras, Senhor Clark. Suponho que ainda se lembra.

- Hein? Quer dizer que elas são mesmo aplicáveis? Mas não são... O que eu preciso é de uma arma de defesa, mas que eu possa também virar contra mim, em caso de necessidade - ou se eu desejar.

O rosto do velho iluminou-se.

- Ah! É para um suicídio? Caro senhor, se o senhor deseja se suprimir, isso não nos diz respeito de modo algum. Destruir-se é um dos raros privilégios de que um indivíduo pode ainda se gabar num mundo onde os direitos são cada vez mais restritos. Quanto ao preço, quatro créditos.

- Só?

Era uma soma irrisória e Fara estava assombrado. Ordin, nem mais nem menos... E a arma era fina, artisticamente cinzelada. Fara teria achado barato vinte e cinco créditos.

O mistério das Casas de Armas pareceu-lhe de repente ter também uma importância igual à sua própria sorte.

- Se quiser tirar o casaco para fixar o coldre... Fara obedeceu. Dentro de alguns segundos, quando deixasse a loja, não teria mais problemas. Nada impediria sua morte. Sentiu-se curiosamente decepcionado. Contrariamente ao esperado, um débil luzir de esperança, que bruxuleava em algum lugar dentro dele, vinha de se apagar. A esperança de que os Fabricantes de Armas pudessem... pudessem...

- É preferível que saia pelos fundos, onde o risco é menor de se fazer notar.

Fara não resistiu quando o negociante o empurrou suavemente pelo cotovelo para o fundo da loja. Houve um clique e a porta se materializou. Atrás, havia flores. Fara caminhou como um autômato.