As Casas de Armas de Isher

A. E. Van Vogt · Capítulo 19 de 32

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As Casas de Armas de Isher

Fara imobilizou-se no meio da aléia cuidadosamente…

CAPITULO DÉCIMO SÉTIMO

 

Fara imobilizou-se no meio da aléia cuidadosamente traçada. Havia chegado o momento decisivo. Estava tentando se concentrar nessa idéia mas não conseguia disciplinar seus pensamentos. Qualquer coisa estava errada. Continuou a andar, para contornar a loja e, progressivamente, o vago mal-estar que o envolvia transformou-se num sentimento de estupefação. A evidência o dominou, cortando-lhe a respiração: não estava mais em Glay. A loja não estava mais em seu lugar.

Alguns homens passaram-lhe à frente, tomando lugar numa fila de espera, mas Fara não reparou, fascinado que estava pela máquina que se erguia no lugar onde deveria se encontrar a loja. Em seu lugar, um imenso bloco de metal destacava-se contra o azul-mediterrâneo de um céu sem nuvens. Cinco terraços, de cerca de trinta metros cada um, subiam, em direção ao céu, terminando por uma ogiva de luz, por uma flecha audaciosa cujo brilho rivalizava com o do sol.

E não era um edifício, era uma máquina. Todo o andar inferior palpitava de luzes cambiantes. Verdes, na maioria, mas que, às vezes, tornavam-se vermelhas, azuis ou amarelas.

O segundo terraço só comportava dois fogos: branco e vermelho; o terceiro: azul e amarelo; quanto ao quarto, liam-se as palavras:

BRANCO Nascimentos

VERMELHO Mortes

VERDE População ativa

AZUL Imigração

AMARELO Emigração

 

No último terraço, outras palavras ainda. E números:

POPULAÇÃO

SISTEMA SOLAR.. . 11. 474. 463. 747

TERRA.. .. .. .. .. 11. 193. 247. 361

MARTE.. .. .. .. .. .. .. 97. 298. 604

VÊNUS.. .. .. .. .. .. .. 141. 053. 811

LUAS.. .. .. .. .. .. .. 42. 863. 971

Os números mudavam incessantemente. Pessoas morriam, nasciam, trocavam Marte por Vênus, as Luas por Júpiter ou pela Lua da Terra; outras tornavam a pousar em dezenas e dezenas de espaçodromos. A imagem que Fara tinha sob os olhos era o reflexo da imensa pulsação da vida.

- Será melhor o senhor entrar na sua vez - disse, perto dele, uma voz cheia de cordialidade. - Os casos individuais são difíceis de regularizar.

Fara encarou o homem que acabava de falar. Não percebeu o que ele quis dizer.

- Minha vez?

Não conseguiu falar mais. Um soluço contraiu-lhe dolorosamente a garganta. Afastou-se do desconhecido, apavorado pela idéia vertiginosa que acabara de assaltar-lhe o espírito: fora daquela maneira que Jor, o guarda campestre, tinha sido transportado para Marte. Um caso individual, dissera o outro.

O rapaz o observava com curiosidade.

- O senhor deve saber por que está aqui. O senhor tem um problema que os tribunais dos Armeiros devem resolver pelo senhor. Não há outro motivo para vir ao Centro de Informações.

Fara incorporou-se à fila que serpenteava inexoravelmente em volta da máquina. Avançava rapidamente e ele era, pouco a pouco, empurrado para uma porta.

Era portanto, um edifício e não apenas uma máquina.

Um problema? Evidentemente, ele tinha um problema. Um problema insolúvel, um problema sem esperança, um problema cujas raízes mergulhavam na própria estrutura da civilização isheriana. Para resolvê-lo, seria necessário derrubar as próprias fundações do império.

Finalmente, chegou diante da entrada. Com a boca seca, pensou que, em alguns segundos, seria presa de uma inexorável engrenagem. Mas ignorava qual.