As Casas de Armas de Isher

A. E. Van Vogt · Capítulo 30 de 32

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As Casas de Armas de Isher

Capítulo Trigésimo · Tudo era silêncio na adormecida aldeia de…

 

 

Tudo era silêncio na adormecida aldeia de Glay. Silêncio, calma e paz. No entanto, pensava Fara, esta aldeia é feia. Feia a não poder mais.

Estar armado é ser livre... Sua garganta contraiu-se e vieram-lhe lágrimas aos olhos. Enxugou-as com as costas da mão. Não tinha vergonha de chorar. Quando se está com raiva, as lágrimas fazem bem.

O pesado cadeado não resistiu ao fino feixe de energia que jorrou, cegante, da sua pistola. Num relâmpago, o metal evaporou-se e Fara empurrou a porta da oficina. Seu primeiro gesto foi o de ligar o comando de invisibilidade das janelas. Só depois de tê-lo fixado nas "vibrações negras", acendeu a luz. Com a garganta contraída pela emoção, examinou o precioso material que o meirinho havia apreendido. Tudo estava ali, em ordem, pronto a funcionar.

Então, com passos vacilantes, foi até o telestate e ligou para Creel. Passou bastante tempo antes que a imagem de sua mulher aparecesse na tela. Creel acabara de amarrar o peignoir. Ao vê-lo, empalideceu.

- Fara... Oh! Fara! Pensei... Ele a interrompeu.

- Estive nos Fabricantes de Armas, Creel. Ouve. Vai ver tua mãe imediatamente. Estou na oficina e não sairei daqui. Mais tarde darei um pulo em casa para comer alguma coisa e mudar de roupa. Não quero que estejas lá nessa hora. Entendeste?

Creel voltara a si.

- Não precisas te incomodar, Fara. Eu me encarregarei. Vou pôr tudo que precisares, até mesmo um leito de campanha, num autoplano. Nós nos instalaremos na oficina, na sala dos fundos.

Pelas dez da manhã, uma sombra projetou-se na soleira da porta escancarada e Jor, o guarda campestre, entrou na oficina. Não se sentia à vontade.

- Fara, foi expedido um mandado de prisão contra você.

- Diga aos que o enviaram que estou disposto a resistir. Tenho o que preciso para isso.

A arma surgiu com tal rapidez entre seus dedos que Jor estremeceu. Contemplou o objeto brilhante, o engenho mágico apontado para ele.

- Olhe... Devo entregar-lhe uma citação para comparecer ao Tribunal de Ferd esta tarde. Você a recebe?

- Claro.

- Você virá?

- Meu advogado irá. Ponha a citação no chão e diga-lhes que a recebi.

O homem da Casa de Armas lhe dissera: "Não zombe da autoridade imperial se uma ação legal for intentada contra o senhor. Contente-se em desobedecer. "

Jor tinha um ar satisfeito quando foi embora.

Uma hora mais tarde, o prefeito também se manifestou, sempre afetado.

- Preste atenção, Fara Clark! - gritou com voz tonitruante. - Está errado se pensa que pode sair facilmente, enganando a lei impunemente.

Fara ficou calado e o prefeito entrou. Curioso que aquele homem, que cuidava tão delicadamente de sua rotunda pessoa, ousasse se arriscar daquela maneira!

- Bem representado, Fara - disse ele, baixando o tom. - Somos dezenas a apoiá-lo. Saiba disso. Agora, não desista. Desculpe a comédia que fui forçado a representar: lá fora há uma verdadeira multidão. Você me prestaria um bom serviço se me xingasse em voz alta e clara. Mas antes devo avisá-lo de que o diretor do truste de Manutenção está a caminho para visitá-lo. Está acompanhado por dois guarda-costas.

Aproximava-se o instante crítico. Fara contraiu o maxilar. "Ora, que venha", pensou, esforçando-se por dominar seu tremor, "que venham... "

Tudo aconteceu mais facilmente do que ele esperava: quando os intrusos perceberam sua arma, empalideceram. Depois de uma rajada de invectivas homéricas, baixaram o tom.

- Temos um reconhecimento de dívida de doze mil e cem créditos. Afinal, o senhor não vai desmentir sua palavra.

- Pago-lhes mil créditos e nem mais um níquel - respondeu Fara sem se impressionar. - Foi essa a quantia que realmente emprestaram a meu filho.

O homem de focinho grosso encarou-o durante bastante tempo.

- De acordo - terminou por dizer.

- Queiram assinar um recibo de quitação total.

O primeiro cliente foi Lan Harris e, à vista do ancião, Fara compreendeu num instante porque os Armeiros tinham escolhido o terreno do velho para instalar a loja. A seguir, chegou a sogra.

- Então, conseguiu, não? - exclamou, depois de ter fechado a porta. - Bom trabalho! Lamento ter sido tão dura com você no outro dia. Mas os partidários dos Fabricantes de Armas não têm o direito de correr riscos. Enfim, não falemos do passado! Vim aqui para levar Creel para casa. O importante agora é que tudo volte ao normal o mais rápido possível.

Estava acabado. Incrível, mas verdade. Quando, de noite, Fara voltou para casa, ia pensando se tudo aquilo não passara de um sonho. O ar estava capitoso como vinho. Glay voltara a ser um paraíso circundado de verdura, um ancoradouro de paz, um asilo fora do tempo.