Brizola
Encontros e reencontros com brasileiros no exílio
Na Europa, os exilados concentravam-se principalmente em Paris e, depois da
Revolução dos Cravos, em Lisboa e no Porto. Alguns foram parar na Alemanha, que
apoiava, principalmente depois do golpe de Pinochet no Chile, os que desejavam
ali viver (Arthur Jose Poerner, o próprio Moniz Bandeira e Jaime Rodrigues). Um
pequeno mas significativo grupo foi para a Suécia, governada então por Olof Palme
(Mauricio Dias David e Beatriz David, Carlos Fayal e Tania Fayal, Fernando Gabeira,
Glória Ferreira, entre outros).
Feita a trajetória de aproximação com a IS, Brizola queria agora encontrar os
velhos e os novos amigos brasileiros. Terminada a reunião da IS em Hamburgo, a
primeira etapa foi partir para Colônia, na Alemanha e depois para Roterdã,
Holanda. Além de Trajano Ribeiro e sua esposa, Maria Ribeiro, acompanhava-os o
professor Moniz Bandeira. A estada em Colônia foi breve, e logo partiu-se de trem
para Roterdã, para contatos com o Partido Trabalhista Holandês e com os
brasileiros que por lá viviam.
Logo ao chegar à gare de Colônia, os passageiros já estavam embarcando, e
quando o grupo brasileiro se aproximou com as malas, um homem magro e
agitado, cruzando e descruzando os braços no ar, em sinal de interdição, gritava
“Reserviet! Reserviet!” (Reservado! Reservado!). O vagão encontrava-se lotado de
crianças escolares, uniformizadas. Brizola e os acompanhantes mostraram os
bilhetes. Havia algum engano, mas não havia tempo para desfazê-lo. Eram cerca
de 16 horas, o trem partiria imediatamente e, desafiando o professor alemão, eles
embarcaram.
Foi ocupada a cabine com quatro meninos, curiosos para saber de onde eles
vinham. Quando entenderam que eram brasileiros, ensaiaram um batuque e
disseram “Amazon, Amazon”, surpreendendo-os com o conhecimento que naquela idade já possuíam do Brasil e com a alegria que demonstraram pelo
contato com habitantes de um país para eles mágico, e até então só presentes nas
páginas de seus livros escolares. Já naquela idade estudavam latim e nessa língua
conseguiram uma comunicação precária, mediante a formulação penosa de
algumas frases, que exigiam grande esforço de memória e consultas deles ao
professor, na cabine ao lado.
Brizola queria fazer anotações e ler alguns documentos. Por isso, eles buscaram
um vagão mais sossegado e conseguiram um lugar em outro carro, longe do
burburinho dos estudantes. Chegaram a Roterdã noite fechada. Quando foram
tomar o táxi, Brizola deu-se conta que esquecera a máquina de escrever portátil no
trem. Ele já havia deixado a gare, mas a pequena máquina de escrever, tão cara a
Brizola, estava no setor de achados e perdidos da estação e logo foi recuperada.
Em Roterdã todos se hospedaram no Hotel da Paz: prédio antigo, simples e
modesto, mas bem-cuidado e com quartos amplos, mobiliados com austeridade
quase monástica. Logo na manhã seguinte Brizola foi procurado por Paulo
Medeiros, exilado, que vivia com a mulher e os filhos em um bairro operário de
Roterdã.
Paulo articulou os contatos com dirigentes do Partido Holandês do Trabalho
(PvdA9), incluindo uma reunião com o então primeiro-ministro Joop Den Uyl, na
Haia, que deu todas as demonstrações de respeito e apoio a Brizola. A rainha
Beatriz homenageou-o colocando um barco de seu uso particular à disposição de
Brizola e seus acompanhantes para um passeio, guiado por um solícito
funcionário, numa manhã fria e excepcionalmente ensolarada, em que parecia
navegar dentro da tela de um quadro impressionista holandês.
À noite Brizola recebeu no hotel a visita do ex-deputado cassado, o
pernambucano Maurílio Ferreira Lima, exilado na Argélia. Ele viajara a Roterdã
com seu irmão Bruno Ferreira Lima, candidato a deputado nas eleições daquele
ano. Brizola recebeu-os no átrio do hotel, onde havia um sofá e algumas poltronas,
dispostos de modo a formar um ambiente à parte, em frente ao balcão da recepção.
Depois das costumeiras análises da conjuntura internacional, a conversa
enveredou para a situação no Brasil. Encostado ao balcão da recepção, um homem de estatura mediana, tez cobreada, ostentando discreto bigode, prestava atenção
no diálogo que se desenrolava a poucos passos.
Destacava-se a voz do ex-deputado, sonora e com acentuado sotaque regional.
Maurílio passou a uma análise da situação nas forças armadas brasileiras, nas
quais se detectavam sinais claros de descontentamento com o que ocorria no país.
Alguns setores recusavam-se a aceitar qualquer relaxamento das medidas de
segurança e muito menos reformas políticas que implicassem a possibilidade de
retorno dos militares aos quartéis, anistia, reorganização partidária. Por outro
lado, havia a decisão do general Ernesto Geisel de insistir em uma abertura
controlada do regime, aliada a uma política interna e externa com forte conotação
nacionalista – inclusive com grande ênfase na retomada da política nuclear
iniciada por Vargas ainda em 1950.
À medida que falava, o tom de voz do ex-deputado se elevava. No balcão da
recepção o homem de bigode interessava-se cada vez mais pela conversa. A essa
altura, Trajano pediu licença para interromper Maurílio e sugeriu que a conversa
continuasse em local mais reservado. Eles subiram ao apartamento dos irmãos,
que estavam hospedados no mesmo hotel. Quando se dirigiam ao elevador,
Trajano disse ao governador:
— Estavam nos observando.
— Quem? — ele perguntou.
— Um homem encostado no balcão da recepção, que certamente é brasileiro.
— Como é que tu sabes que é brasileiro?
— Pela pinta — respondeu Trajano.
— Não é possível — replicou Brizola. — Tu estás vendo “guampa em cabeça de
égua”.
Trajano foi até o recepcionista e perguntou-lhe se o homem que estivera algum
tempo encostado ao balcão era brasileiro, e o holandês confirmou. Voltou ao grupo
em frente ao elevador:
— É brasileiro, governador.
— Mas onde ele está?
— Entrou naquela sala.
Trajano apontou para uma sala ao lado do salão de recepção, onde o homem
acabara de entrar. Brizola dirigiu-se a passos largos para lá. Trajano e os Ferreira
Lima o seguiram. Era uma sala de estar, onde um grupo assistia a televisão.
Trajano mostrou a Brizola o homem. Para seu espanto e dos irmãos
pernambucanos, Brizola dirigiu-se ao indivíduo, sentado numa poltrona,
postando-se à sua frente:
— Boa noite.
— Boa noite.
— Brasileiro?
— Sim, sou brasileiro.
— Passeando?
— Não, trabalhando. Na verdade, fazendo um curso.
— E o amigo trabalha em quê?
— Eu sou da Marinha do Brasil.
Refazendo-se do impacto da surpreendente resposta, Brizola disparou:
— Eu sou Leonel Brizola e lhe desejo sucesso na sua missão. Boa noite.
Sem comentar mais o assunto, subiram ao apartamento dos Ferreira Lima, e a
conversa estendeu-se por horas. Maurílio, quando retornou ao país, engajou-se no
projeto de construção do novo Partido Trabalhista Brasileiro que Brizola logo
iniciaria.
Brizola seguiu com Neusa para Amsterdã; Trajano e Maria voaram para Paris –
para preparar a chegada deles, dois dias depois. Chegaram ao Hotel de La Paix, o
que no Brasil seria um “três estrelas”, com pouca estrutura e acomodações simples.
A recepção era pequena, com balcão à esquerda da entrada e um bar à direita, num
pequeno salão com mesas. Tratava-se de um hotel tradicional, situado no
boulevard du Montparnasse na esquina com o boulevard Raspail.
Para a surpresa deles, o porteiro, recepcionista e gerente de plantão era
brasileiro. João Pedro de Barros Cassal, crítico de cinema, havia sido colega de
turma de Trajano no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.102 Este
informou Cassal sobre a chegada, em dois dias, de Brizola ao hotel e pediu sua
interferência de modo a criar condições para que ele pudesse receber exilados
brasileiros em Paris, que certamente acorreriam ao hotel.
Na manhã seguinte, o gerente-geral do hotel prontificou-se a tomar as
providências necessárias para que Brizola pudesse receber seus visitantes,
inclusive uma sala para contatos reservados. Trajano alertou que o movimento
seria muito grande. O homem não titubeou:
— Estamos preparados.
No dia seguinte à chegada de Brizola, o bar do hotel havia se transformado
quase numa assembleia permanente. Cassal desabafou:
— Eu não podia imaginar, eu não podia imaginar.
O interesse que a presença de Brizola despertava entre os exilados refletia a
necessidade dos que, longe do país, viam nele um elo com o Brasil, que os militares
haviam tentado suprimir da História. Alguém que os antecedera na luta, no caso
dos mais jovens, como Sidnei de Miguel, ou José Carlos Mendes, que estivera na
mesma trincheira, no caso dos mais velhos, como José Maria Rabelo, capitão Altair
e Fernando Perrone.
Por outro lado Brizola representava a possibilidade de, novamente, retomar a
luta, agora com uma referência nítida e de enorme peso político, em outro quadro
histórico e dentro de uma perspectiva democrática. Em Paris isso era mais
perceptível, em razão do grande número de exilados que lá residia. Brizola era o
denominador comum, e por ter defendido, durante algum tempo, a resistência
armada à instauração da ditadura, era respeitado pelos jovens que haviam
participado em diversas organizações da luta armada.
Foram inúmeras as reuniões em Paris, e não raro Brizola se fazia acompanhar
de mais de um companheiro que fazia as vezes de intérprete, como foi na reunião
com a secretária de Relações Internacionais do Partido Socialista Francês, para a
qual designou Moniz Bandeira, Sidnei de Miguel e Trajano Ribeiro, que
intervinham alternadamente, ora traduzindo, ora vertendo, conforme ele
solicitava. Longe de ser um capricho, Brizola com isso impedia o destaque de
qualquer sentimento de disputa de prestígio entre seus novos seguidores, todos
experientes e envolvidos na política desde os tempos de luta no Brasil e
igualmente durante o penoso exílio.
Em uma noite parisiense, após negociações com o jornalista Roberto D’Ávila,
então na TV Manchete, que mantinha, desde Paris, o programa Conexão Internacional (dirigido por Fernando Barbosa Lima), Brizola concedeu sua
primeira entrevista a um meio de comunicação de massa brasileiro. Pisando em
ovos, cauteloso, mas firme, aproveitou bem aquele momento e fez pausada
autocrítica em relação ao episódio de sua agressão, lá nos anos 60, ao David
Nasser, da revista O Cruzeiro, no aeroporto Santos Dumont, em razão dos artigos
daquele jornalista que o atacava sistematicamente.
No mais, a entrevista serviu para Brizola tocar afinadamente seu realejo para o
público brasileiro. Para comemorar aquela sua primeira entrevista, convidou-nos
para jantar em um restaurante parisiense, regado a excelente vinho francês.
Brizola retoma os contatos com Miguel Arraes. O realejo da reorganização do
trabalhismo começa a ser adotado e encontra boa acolhida entre inúmeros
exilados, tanto dos que ali viviam como os que para lá se deslocaram para
encontrar com ele, que não parava e trabalhava 12 horas ao dia, sem deixar de
atender a todos os brasileiros que o procurassem. E os contagiava com seu
otimismo sobre o futuro do Brasil. Miguel Arraes, porém, continuava irredutível na
tese de unidade das oposições em torno do MDB.
Brizola evitou, durante todo o tempo em Paris, encontros coletivos com os
exilados, porque achava ser contraproducente. Naquele momento, não
contribuiria para uni-los em torno de um projeto comum. Não lhe escaparam as
divergências entre eles, que não raro se transformavam em discórdia e
relacionamentos conflituosos. Tais divergências tinham raízes diversas, muitas
originadas ainda no Brasil, quando da militância nas várias organizações
clandestinas de combate à ditadura, outras nascidas já no exílio.
Deixando Paris para trás, Brizola, Neusa, Maria e Trajano Ribeiro seguiram para
Genebra. A estada em Paris fora coroada de êxito. Ali era onde mais divergências se
verificavam entre os exilados, em alguns casos chegando a inimizades pessoais.
Brizola fora acolhido com simpatia, cativara a muitos e seu realejo da anistia fora
bem recebido. Firmara sua liderança junto a um grupo de exilados e, pelo menos,
não havia uma oposição ostensiva que o questionasse ou lhe recusasse apoio. O
terreno estava preparado para a futura semeadura da reorganização do
trabalhismo, com a adesão desse grupo de exilados em Paris.
Em Genebra, Brizola foi ao encontro de Lysâneas Maciel, o jovem deputado
cassado que se rebelara contra o regime no Brasil e em consequência perdera o
mandato, exilando-se voluntariamente na Suíça. Lysâneas, presbiteriano, tinha
vínculos com o pensamento cristão de esquerda, nutrindo simpatia pela Teologia
da Libertação, e proclamava a necessidade de organizar-se a oposição ao regime
em torno da opção pelos excluídos.
Chegaram a Genebra numa manhã cinzenta e se instalaram em um hotel bem
mais confortável e moderno que o do boulevard Raspail, previamente reservado
por Lysâneas. À tarde, Brizola e o ex-deputado tiveram uma longa conversa a sós.
Brizola nada comentou com Trajano a respeito da conversa, mas, meses depois, ele
pôde concluir que não havia absorvido ainda a tese da reorganização dos partidos,
porque, ao encontrar casualmente com Lysâneas (quando este retornou ao Brasil)
no Rio, na esquina da avenida Rio Branco com Nilo Peçanha, o provocou:
— Então, Lysâneas, o homem está empenhado na reorganização do
trabalhismo, o que você está pensando a respeito?
— Estou pensando… creio que você deve vestir essa camiseta.
— A camiseta apenas não, vesti o uniforme completo, e já estou em campo, mas
você pode ajudar na articulação, tem liderança, uma palavra sua aglutina e
orienta.
— É, vou pensar.
Na verdade, Lysâneas somente se integraria realmente ao esforço de
organização do PTB quando do retorno de Brizola ao Brasil, mais de um ano e meio
depois do encontro em Genebra. E em Genebra deu-se por encerrada a peripécia
internacional de Brizola pela Europa.
De volta a Lisboa, Trajano continuaria ali de prontidão. Almoçando num
restaurante na avenida da Liberdade, Brizola fez uma longa digressão sobre a
viagem, seus momentos mais importantes, a boa acolhida na Internacional
Socialista, a solidariedade dos diversos partidos europeus; analisou pessoas, suas
opiniões, às vezes o que esperava delas, para finalmente concluir:
— Creio que não nos resta outra alternativa senão reorganizarmos nosso
partido. Retomar o fio da História que eles tentaram cortar. Fora do nosso partido
não há caminho para nós.
Essa marcha foi interrompida pela violência e o arbítrio. O PTB era o maior
partido brasileiro no Congresso quando veio o Golpe, a maior bancada. Brizola
continua:
— Agora sinto que se abre o horizonte para nós. O MDB está esgotado, é árvore
que já deu frutos, nós temos só dois caminhos: ficar na geleia geral que é o MDB ou
buscar a nossa identidade, retomar as nossas lutas, com os nossos mártires nos
inspirando. O PTB é o partido com maior número de cassados, presos, exilados e
mortos. O Dr. Getúlio e o Jango foram sacrificados pela causa do nosso povo
trabalhador.
Brizola não se sentia com o direito de ocupar uma posição cômoda e de abrir
mão do patrimônio histórico, de se acomodar no MDB. Ele afirmava que tinha de
honrar essa herança política e oferecer ao povo trabalhador uma alternativa a tudo
aquilo que estava ali. Trajano ficou pensando se aquele discurso era um novo
realejo que estava sendo testado. Logo veio a explicação. A voz saía-lhe do peito
com um misto de alegria quase infantil e entusiasmo, como se diante dele fosse
assumindo contornos um sonho havia muito escondido em algum canto, e que
agora, ainda sob o impacto das experiências que vivera durante a longa viagem
que acabara de fazer, ele acreditava ser possível retomar.
— Olha, tu tens que procurar algumas pessoas. Vais ter que trabalhar muito. Eu
vou te dar alguns nomes. Transmite tudo o que tu viste aqui e o que nós estamos
pensando. — Brizola sempre usava o plural majestático, nunca a primeira pessoa,
quando se referia a si próprio. — Olha, vais ter que andar, vais ter que ir ao Rio
Grande. Tu vais ver que aos poucos as pessoas vão se juntando, se organizando.
Tens que procurar os troncos guarda-fogo103 e vais ver que basta um pequeno sopro
e a chama do nosso partido vai se erguer de novo em labaredas.
Naquele momento, Trajano entendeu o longo discurso político que Brizola
havia feito para justificar a reorganização do PTB. Era a mensagem que ele queria
que Trajano transmitisse aos que o mandava procurar. Era uma aula, e mais que
isto: uma missão.
Em dezembro de 1978, Brizola, com o total apoio do Partido Socialista Sueco,
através do contato da figura de Pierre Schori, então secretário de Relações
Internacionais e amigo pessoal do primeiro-ministro Olof Palme, convocou grande e diversificada reunião para debater os caminhos do Brasil: O Brasil no Limiar da
Década dos Oitenta. O local escolhido era a Escola de Treinamento Sindical sueca e
para lá se encaminhou quase uma centena de convidados – do Brasil, dos EUA, do
México e de vários países da Europa.
Fotos: Carlos Contursi
Reunião na sede do sindicato sueco com centenas de brasileiros, exilados e vindos do Brasil para o Encontro, patrocinado pelo Partido Social Democrata sueco, com Brizola, e tendo como anfitrião Pierre Schori, Secretário Internacional do PSD da Suécia (dezembro 1978/janeiro 1979).
Durante dois dias, todos passaram por uma verdadeira sabatina coletiva,
incluindo uma peça de teatro encenada por brasileiros, como a que fez o papel de
atriz, Glória Ferreira, e um sueco, como uma paródia da situação do exílio. Ali
estavam representantes de praticamente toda a oposição brasileira: exilados,
deputados federais e estaduais, políticos, sindicalistas, representantes e figuras da
sociedade, como Gerardo Mello Mourão. Dos EUA viera o então exilado, e que viria
a ser do PDT, Abdias do Nascimento.
Foi uma reconstituição dos Cabildos Abiertos, em que todos se expressaram,
trocaram ideias – nem sempre de forma civilizada –, posições sobre a situação
internacional, o que estava ocorrendo no Brasil, e sobre a reorganização partidária.
Difícil imaginar algum outro cenário no exílio de tal diversidade e pluralidade de
representação política brasileira.
Sua visita ao México – cujo governo do Partido Revolucionário Institucional (PRI)
o apoiava – era, ao mesmo tempo, uma forma de agradecimento a essa
solidariedade e à ocasião, muito prazerosa para reunir-se com o grupo de
brasileiros que ali viviam exilados. O México mantinha a longa tradição de
acolhimento aos exilados latino-americanos.104
Em março de 1979, Brizola iria reencontrar-se com o seu velho e fiel amigo Neiva
Moreira, e sua esposa Beatriz Bissio; o líder das Ligas Camponesas, Francisco Julião;
Herbert de Souza, o Betinho, que havia participado das conjuras junto com Brizola,
desde o Uruguai; Maria Nakano, esposa do Betinho; o economista e também
militante socialista Theotônio dos Santos; assim como Vânia Bambirra e o cientista
político José Thiago Sintra.105
O encontro com o grupo do México, no Hotel Cassino de La Selva, em
Cuernavaca, contou com o apoio do Partido Revolucionário Institucional (PRI),
especialmente do governador de Morelos, e com a presença do escritor Gabriel
García Márquez. A discussão acabou encaminhando-se na direção, exposta por
vozes entre o grupo, de que Brizola deveria retomar o projeto revolucionário e ser o
Fidel Castro brasileiro.
Brizola deu voltas e voltas no seu raciocínio para, então, negar que aquele fosse
seu propósito e destino. Comentou mais tarde com Clóvis que ficara irritado com aquela comparação e insinuação, e que seu projeto de volta ao Brasil jamais seria o
de retomar o caminho da revolução, mas, sim, o de travar a luta democrática.
Na verdade o chamado Grupo do México mantinha uma linha ideológica típica
do terceiro-mundismo. Os exilados que estavam na Europa vivenciavam a
experiência social-democrata estreante em Portugal e na Espanha. Eles também
tiveram a oportunidade de acompanhar a experiência de Mitterrand, na França,
bem como a de Olof Palme, na Suécia. Nos demais países nórdicos e na Alemanha,
muitos vivenciaram a política do ex-primeiro-ministro Willy Brandt, da Ostpolitik,
e revisavam muitas posições em relação à revolução no Brasil e as perspectivas da
luta pela redemocratização e pós-redemocratização.
Em Nova York Brizola iniciou contatos com o cientista político, radicado nos
EUA e professor na Universidade de Harvard, Mangabeira Unger. Após ter
apostado no MDB e orientado sua liderança para um novo programa, Mangabeira
teve em Brizola um novo interlocutor para a defesa de suas teses. Por duas vezes, e
em companhia de Brigagão, Brizola deslocou-se a Boston, além de tê-lo recebido
em Nova York.
O professor Mangabeira Unger o acolheu em seu escritório, de estilo clássico,
onde não havia cadeiras ou sofás para se sentar. O diálogo era ao estilo
peripatético, de pé, caminhando em círculos, com paredes cobertas de quadros
com pinturas de São Sebastião. Nessas ocasiões, o professor Mangabeira
apresentava a Brizola suas visões e panoramas programáticos sobre o Brasil, bem
diferentes dos debates feitos tanto pelo grupo de Lisboa, quanto pelo Grupo do
México.
Seu discurso eloquente mesclava o otimismo metafísico com o idealismo
pragmático: altamente sofisticado do ponto de vista filosófico e da ciência política,
mas a realidade, lá longe, distante. Em uma das visitas que fizeram ao professor
Mangabeira Unger,106 este, após dar seus visionários conselhos, convidou Brizola e
Clóvis para almoçar em restaurante health food (comida natural, saudável) de
Boston. Brizola fingiu engolir aquelas saladas e pratos leves (lights) com certa
ansiedade. Findo o saudabilíssimo repasto, despediu-se do professor e, no
caminho para o aeroporto para voltar a Nova York, pediu que Clóvis consultasse o
taxista sobre um restaurante com boa carne, onde ele se fartou...
Outra figura muito interessante era o diplomata Márcio do Rego Monteiro.
Afastado do Itamaraty por suas posições políticas, tornou-se funcionário da ONU,
atuando no Departamento de Descolonização. Márcio era um tipo brilhante, além
de ter uma gostosa e envolvente gargalhada, com aquela verve brasileira de
grande estilo, com excelente formação sobre questões de desenvolvimento político
internacional. Brizola sempre o consultava, encontrava-se com ele muitas vezes e
buscava nas opiniões dele, as quais eram coincidentes com as suas, inspiração
teórica para suas ideias políticas empíricas.
Para um encontro com plateia seleta em Washington, no âmbito do Programa
de Estudos Latino-americanos, dirigido por Riordan Roett, na Universidade Johns
Hopkins, Brizola quis experimentar o trem-bala, que levava cerca de três horas e
meia entre Nova York e a capital americana. Durante essa viagem, foi a primeira
vez que Brigagão ouviu dele uma versão romanceada de sua vida e de suas
peripécias, comentando trivialidades engraçadas sobre pessoas, suas atitudes,
virtudes e farsas políticas.
Em Washington, falou durante um bom par de horas àquela plateia de
americanos – nem sempre crédula no Brizola democrata – e de muitos brasileiros,
estudantes e profissionais empregados em organismos internacionais. Houve um
debate muito direto e inquieto sobre os projetos da vida política brasileira, e Brizola
tocava solenemente seu realejo sobre a anistia, sua volta e, principalmente, sobre a
reorganização do trabalhismo brasileiro.
À noite ele participou de um jantar em um excelente restaurante das melhores
carnes, aprovadas com louvor e regozijo. O grupo era formado por brasileiros que,
em sua maioria, trabalhavam em organismos multilaterais, em Washington –
entre eles o que seria mais tarde ministro da Cultura de Itamar Franco, Aluísio
Pimenta. Presente também estava o hoje senador pelo PDT, Cristovam Buarque. O
pernoite foi na residência do então jornalista e correspondente de O Estado de S.
Paulo em Washington, Antonio Pimenta Neves, hoje acusado do brutal
assassinato de sua ex-namorada e jornalista Sandra Gomide (2000).
No quarto da casa dos Neves, Brizola roncava fortemente, enquanto Brigagão,
que tem sono leve, passou a noite a pensar no destino a que estava ligado… No dia
seguinte, ainda cedo, Brizola comentou com o anfitrião que precisava voltar para Nova York, onde tinha compromisso. Clóvis e ele tomaram o café e depois o táxi
para o aeroporto, mas no meio do caminho Brizola mostrou a pequena caixa de
fósforos com o endereço do restaurante da noite anterior, e para lá foram. Mais
uma vez, ele se fartou com as melhores carnes – com o corte americano que lhe
chamava a atenção – e um excelente vinho tinto, aliás, a única bebida que Brizola
tomava em ocasiões especiais.
Uma nova vertente do trabalhismo também ali nascia. Abdias do Nascimento,
exilado em Buffalo, ao norte do estado de Nova York, lecionava estudos afro-
brasileiros e volta e meia vinha a Nova York para saborear suas delícias e militar
pelo fim da discriminação racial contra a população negra no Brasil. A primeira
vez que Abdias encontrou-se com Brizola foi logo após a chegada deste ao Hotel
Roosevelt. Abdias e sua esposa, Elisa Larkin do Nascimento, foram recepcionados
pelo próprio Brizola, que fez questão de preparar e servir-lhes um bom e quente
café com leite. Conversou com Abdias sobre o assunto da discriminação racial no
Brasil, ouviu-o atentamente, e em sua cabeça foi sedimentando as noções que para
ele eram novidades sobre o caráter racista das desigualdades econômicas
existentes no Brasil.
Brizola guardava ainda a visão mais tradicional da questão da desigualdade,
em que dominava o caráter socioeconômico, sem que a questão racial fosse
incluída. Num segundo encontro, em 1979, juntou-se a Abdias a nova liderança
negra no Rio, Lélia Gonzalez. Atravessaram a noite discutindo o significado do
trabalho do negro na construção da nação, e foi aí que Brizola entendeu melhor o
assunto: o negro, pelo seu trabalho escravo, exploradamente gratuito – portanto,
sem o salário que pudesse justificar a sua mais-valia –, era o grande construtor dos
bens de produção do Brasil Colônia e do Brasil Império.
Mesmo no Brasil República o negro continuava a ser discriminado racialmente,
além da discriminação econômica vivida por todos os pobres. E foi ali que a
questão negra entrou na agenda principal do trabalhismo. Sua importância, agora
entendida por Brizola, foi, então, abordada, inicialmente na Carta de Lisboa e,
mais tarde, incorporada como política pública, em seu primeiro governo, com três
Secretarias de Estado voltadas para a população negra no Rio de Janeiro.
Outra área que o interessava e lhe dava prazer, e sobre a qual podia debater, era
a dos brasilianistas. Eles estavam sempre à disposição de Brizola e faziam
elucubradas análises e recomendações sobre as relações entre o Brasil e os EUA.
Brizola os ouvia, pacientemente e com respeito, às vezes com certa ironia fina, e ao
fazer suas análises sobre o Brasil deixava alguns brasilianistas puros de cabelo em
pé.
Fotos: Kathryn Taverna
Reunião, em casa de Kathryn Taverna, em Nova York, em maio de 1979, entre Brizola e Abdias Nascimento sobre a situação do negro no Brasil. Na cabeceira da mesa, à esquerda, Abdias Nascimento, ao seu lado Leonel Brizola, ao fundo, sentadas no sofá, Neusa Brizola e Marieta Dalmas (viúva do poeta negro León Damas, da Guiana Francesa), à mesa, à direita, José Almino Alencar, Clóvis Brigagão e, de costas, a militante negra Lélia Gonzalez. Em meio a cigarros e vinho californiano de garrafão, as discussões foram ainda mais calorosas.
Na mesma reunião, a líder negra Lélia Gonzalez, falecida em 1994.
Após a preleção com os brasilianistas, Brizola comentava com sorriso irônico:
— O Brasil é verdadeiramente um país surrealista.
Recordamos aqui o grande espírito de colaboração que foi Brady Tyson.
Inquieto, sincero e agradável, mantinha contatos com o governo Carter e
assessorava Andrew Young, então embaixador de Carter na ONU. Brady teve
importante papel na equação da vinda de Brizola para os EUA, e junto com Andrew
Young mantinha-se informado sobre a presença de Brizola em Nova York,
preocupando-se com a solução que o regime militar buscava para o reencontro de
todos os brasileiros.107
Durante toda a sua viagem pela Europa, Estados Unidos e América Latina,
Brizola teve seus passos vigiados. Certa vez, um diplomata que nutria grande
admiração por ele propôs, por meio de um intermediário, um encontro em sua
residência em Paris. Brizola pediu que Trajano o acompanhasse porque do
encontro talvez resultasse algum desdobramento que requeresse providências no Brasil. No dia e hora marcados eles se dirigiram ao endereço indicado. Era no
quinto andar de um prédio antigo, sem portaria.
Subiram ao apartamento e nem bem Brizola e o anfitrião haviam iniciado uma
conversa genérica sobre o Brasil e suas relações com a Europa, percebeu-se
claramente um ruído na porta. O apartamento era pequeno e a porta dava
diretamente na saleta onde o diplomata os recebia. Trajano fez-lhes um sinal,
indicando que alguém estava espreitando. Brizola e o dono da casa precipitaram-
se, abrindo-a. Não conseguiram ver ninguém, mas ouviram passos em correria,
escada abaixo. Brizola comentou:
— Eles não descansam, estão sempre de olho.
O diplomata demonstrava claramente sua preocupação em manter a iniciativa
em sigilo, reiterando várias vezes que havia estreita vigilância exercida pelos
serviços de informações, mas que se dispunha a correr riscos para, como pudesse,
contribuir para a reabertura política do país e a anistia, que entendia
absolutamente necessária e urgente. Segundo ele, muitos colegas seus
compartilhavam desse pensamento e igualmente nutriam grande admiração por
Brizola, embora, predominantemente, o Itamaraty fosse uma casa conservadora.
Numa tarde ensolarada em Paris, ainda com alguma neve pelas calçadas,
acompanhavam Brizola, o professor Moniz Bandeira, Trajano Ribeiro e mais
quatro companheiros. Haviam saído de uma reunião e resolveram entrar em um
café para conversar e comer alguma coisa. Nem bem se acomodaram, entra um
sujeito, toma uma mesa próxima e abre um jornal. De onde Moniz estava sentado
podia-se observar, claramente, o interesse do homem nas conversas. Moniz
chamou a atenção de Trajano, que passou a observar. Este alertou os demais. A
conversa passou a versar sobre amenidades. O homem firme. Eles pagaram a
conta e se retiraram.
Trajano e Moniz Bandeira deixaram o grupo seguir na frente, atravessaram a
rua e ficaram observando: em menos de um minuto o homem saiu ao encalço do
grupo. Cremos que em Paris o serviço de informações brasileiro era mais ativo, em
razão da maior quantidade de exilados e a maior importância política de alguns.
Mas em Lisboa o controle não era menor, e muitos exilados alertavam para o fato.
Brizola, embora fizesse questão de minimizar esse problema, não se descuidava, e, como já relatado, sempre que tinha algum assunto que requeria maior reserva a
tratar com seu interlocutor, empreendia longas caminhadas pelas ruas de Lisboa,
como já fazia em Nova York.
Hoje, com os dados que temos a respeito do serviço de informações ligado ao
Itamaraty (CIEX), com a função específica de vigiar os exilados, além de outras mais
condenáveis, muitos episódios, que muitas vezes nos pareciam fruto da nossa
imaginação e de alguns companheiros, encontram explicação inquestionável para
justificar nossas preocupações de então. A existência do Serviço Secreto do
Itamaraty foi relatada em reportagem do jornalista Cláudio Dantas Sequeira, que
informava sobre o plano do Itamaraty de busca externa.108
Diplomatas brasileiros perseguiram opositores da ditadura por meio de um
poderoso sistema de inteligência, criado e operado pela cúpula do Ministério das
Relações Exteriores. O Correio Braziliense desvendava um mistério de quatro
décadas. Um rígido código de honra, uma portaria ultrassecreta e seguidas ações
de desinformação garantiram que até hoje permanecesse desconhecido da
sociedade um dos segredos mais bem guardados da ditadura: de 1966 até 1985, o
Itamaraty operou um poderoso serviço de inteligência, tendo como modelos o MI6
britânico e sua versão norte-americana, a CIA.
Naquele período, os punhos de renda da diplomacia do Barão do Rio Branco
ganharam abotoaduras de chumbo. Diplomatas de vários escalões foram
recrutados para compor o chamado Centro de Informações do Exterior (CIEX) – que,
agora se sabe, foi a primeira agência criada sob o guarda-chuva do Sistema
Nacional de Informação (SNI), o aparato de repressão política usado para sustentar
o regime militar.
O Correio obteve acesso exclusivo ao arquivo secreto do CIEX, um acervo com
mais de 20 mil páginas de informes produzidos ao longo de 19 anos. Depois de
quatro meses analisando cada documento, seu grau de confiabilidade e nível de
distribuição, foi possível concluir que nunca houve refúgio seguro para os
brasileiros contrários ao Golpe de 64. Banidos ou exilados, eles foram monitorados
a cada passo, conversa, transação ou viagem ao exterior. A malha de agentes e
informantes operada pelo Itamaraty se estendeu para além da América Latina,
alcançando o Velho Continente, a antiga União Soviética e o norte da África.
Dentre os brasileiros que foram alvo do CIEX estão lideranças políticas, militares
rebelados, guerrilheiros, estudantes e pessoas comuns que se opunham à ditadura
militar.
Para citar alguns exemplos, foram monitorados exaustivamente o ex-
presidente João Goulart e o ex-governador Leonel Brizola, os deputados Miguel
Arraes, Neiva Moreira, Márcio Moreira Alves, o ex-ministro e fundador da UnB,
Darcy Ribeiro. Também o ex-almirante Cândido Aragão e o ex-coronel Jefferson
Cardim. Os intelectuais Antônio Callado, Florestan Fernandes, Celso Furtado e
Fernando Henrique Cardoso. E até o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
A análise do arquivo do CIEX revela ainda que a perseguição política da
diplomacia não se restringia aos brasileiros. Seus agentes também perseguiram os
estrangeiros contrários ao regime em seus próprios países, em flagrante violação
do direito internacional e do princípio de soberania – tão caro à tradição do
Itamaraty. Também foram alvos políticos, empresários e até diplomatas de países
socialistas ou comunistas em missão oficial dentro do território brasileiro. Para o
CIEX, a espionagem não era uma atividade meramente operacional.
Ela se inscrevia num contexto político mais complexo e, geralmente, alheio à
compreensão da maioria dos agentes do SNI. Tal visão era potencializada pela
vasta cultura geral e a rígida hierarquia – que prescinde de uniformes e patentes –
próprias aos diplomatas. Em seu profissionalismo de servidores públicos, os
membros que integraram o serviço secreto do Itamaraty acreditavam ocupar um
patamar superior ao dos demais espiões da ditadura, uma verdadeira elite dentro
do sistema de informação.109
Notas
102. João Pedro era neto do líder republicano João de Barros Cassal, que chegou a presidir no Rio Grande do Sul
o “Governicho”, por alguns meses, entre novembro de 1891 e junho de 1892, como membro do Partido
Republicano Rio-grandense, ancestral em linha direta do trabalhismo gaúcho.
103. Tronco guarda-fogo é um pedaço de tronco de árvore que o gaúcho põe no fogo do galpão nas estâncias,
onde esquenta a água para o chimarrão e assa a carne, e que, mesmo depois que o fogo é apagado à noite, ele
permanece em brasa sob as cinzas. Basta, no dia seguinte, colocar alguns gravetos sobre ele e soprar para se
reacender com força.
104. Brizola não só teve contatos, mas recebeu significativo apoio e a solidariedade (além da amizade) do
então embaixador do México na ONU (1978-1985), que romperia mais tarde com o PRI e fundaria o Partido
Revolucionário Democrático (PRD), o embaixador Muñoz Ledo (Porfírio Alejandro Muñoz Ledo y Lazo de la
Vega).
105. O deputado Neiva Moreira dá sua versão sobre o encontro em Cuernavaca, sem mencionar, certamente
por esquecimento involuntário, a presença do autor, Clóvis Brigagão, durante todo o encontro, cf. seu livro O
pilão da madrugada, p. 414.
106. Nos momentos em que Clóvis e Brizola se encontraram com Mangabeira,Vivaldo Barbosa, que estudava
Direito ali em Boston, nunca dispunha de tempo para encontrar-se com Brizola, apesar da insistência de
Clóvis, que havia sido seu colega nos tempos universitários dos anos 60. Somente anos mais tarde é que
Vivaldo Barbosa, com a entrada de Saturnino no PDT, e apresentado, por Clóvis, a Brizola em seu apartamento,
tornou-se brizolista convicto...
107. Brady Tyson era ministro da Igreja Metodista e passou algum tempo no Brasil durante os anos 60. Foi
diplomata da administração Carter e do staff do embaixador dos EUA, Andrew Young, na ONU, e ainda
professor da American University, vindo a falecer aos 75 anos. Entre outros brasilianistas, os queridos Ralph
Della Cava, Patrick Hughes, Joan Dassin e a senhora Fay Haussman, da Columbia University, amável e
excelente pessoa, sempre à disposição para ajudar sobre qualquer necessidade, e Robert Pastor, assessor
internacional de Jimmy Carter e que muito apoiou a estada de Brizola nos EUA, professor da Universidade de
Maryland, nos EUA, falecido.
108. Correio Braziliense, Brasília, 23/7/2007.
109. Tal reportagem integra a denúncia enviada pelo Instituto João Goulart e familiares do ex-presidente João
Goulart ao procurador-geral da República, na qual requerem a abertura de inquérito para esclarecer a
provável eliminação do mandatário deposto pelo Golpe de 1964, em face de novas provas, documentais e
testemunhais, trazidas à luz. Da documentação apresentada ao chefe do Ministério Público Federal, conclui-
se que a ideia macabra era eliminar não apenas o presidente João Goulart, mas também o governador Leonel
Brizola. Em 2013, a família conseguiu que o corpo do ex-presidente João Goulart fosse exumado.