Brizola
Desembarcando no Rio de Janeiro
Foto: Agência O Globo
Brizola chega no Aeroporto Internacional do Galeão, Rio de Janeiro, em 1º de outubro de 1979.
Tendo passado 15 anos no exílio, Brizola queria retornar à cidade que lhe dera um
em cada quatro votos válidos nas eleições para deputado federal no ano de 1962, o
que lhe garantira o título de deputado federal mais votado do país até hoje. Para
chegar ao Rio, fez o percurso desde Nova York, passando por Assunção, São Borja e
Porto Alegre: foram 23 dias nesse retorno de meandros.128
A Campanha da Legalidade de 1961, por ele liderada a fim de garantir a posse de
João Goulart na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, bem
como a fama de suas realizações enquanto prefeito da capital e governador do Rio Grande do Sul, como a construção de 6 mil escolas, fizeram de Brizola o depositário
da admiração dos cariocas.
Anistiado e sabedor de que o Rio de Janeiro ainda era o centro político do Brasil,
o tambor que ecoava do Oiapoque ao Chuí, não hesitou em decidir recomeçar
exatamente onde havia sido forçado a interromper sua trajetória política.
No escritório da avenida Nilo Peçanha, os esquemas de segurança para a
recepção eram motivo de discussões que se estendiam por dias e dias, buscando
oferecer a Brizola a recepção mais digna e com esquema popular de grande monta,
com garantias de não haver qualquer espírito de revanche ou, muito menos,
provocação.
Em razão de toda a história do Golpe militar, Brizola poderia ter armado uma
megaoperação para recepcionar sua chegada ao Brasil e ao Rio de Janeiro. Reuniria
entre 500 mil e l milhão de pessoas: o povo já estava farto do regime militar, do
milagre econômico e da sociedade aprisionada politicamente, e suas frustrações
levariam todos a ovacionar o líder trabalhista.
No entanto, Brizola já havia dado sinais para que não houvesse algo grandioso
que pudesse parecer ato político contra a ditadura. Junto aos organizadores,
insistia na moderação; algo festivo, mas que não viesse representar qualquer sinal
de provocação aos militares. Um grande, e o mais entranhado, inimigo dos
militares estaria liberado pela anistia, o que lhe abria caminho para que, diante das
reformas, chegasse ao desafio máximo da Presidência. E os militares teriam de
bater continência para ele.
Pois foi nesse cenário que o homem impulsivo e desafiador tornou-se moderado
e paciente. A disputa política já estava instalada no Rio de Janeiro e a recepção
revela as divisões, no MDB, com Chagas Freitas e seu grupo de um lado e, do outro,
o senador Amaral e o prefeito de Niterói, Moreira Franco.
Os preparativos para seu retorno foram então iniciados. Na sede da Comissão
Nacional Provisória do Partido, na avenida Nilo Peçanha, nº155, passou a funcionar
a Comissão de Recepção, formada pela Comissão Nacional Provisória e pelos ex-
sargentos Praxedes, Gelci e Barroso, liderados pelo simpático sargento Figueiredo,
todos responsáveis pela segurança de Brizola.
O prefeito de Niterói, Moreira Franco, foi quem mobilizou a infraestrutura
(transporte, faixas, placas e gente) para a recepção de Brizola no Galeão. Os
companheiros foram convocados pelas lideranças comunitárias filiadas ao
partido, com destaque para Alzira Leite na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Ruth
Pardal na Zona Norte e João de Deus, que havia organizado núcleos de base. O
número de pessoas que queria ir ao aeroporto esperá-lo era muito maior do que a
disponibilidade de transporte. Foi quase uma mobilização espontânea, deflagrada
pelo noticiário que anunciava a volta do líder trabalhista. O governo e os setores do
regime militar estavam apreensivos e, lógico, de sobreaviso…
Foto: Agência O Globo
Brizola chega no Aeroporto Internacional do Galeão e é abraçado pelo povo. Rio de Janeiro, 1º de outubro de 1979.
No dia 1º de outubro de 1979, Brizola era recepcionado por uma multidão, em
um ambiente festivo e popular, no recinto do Aeroporto do Galeão; com todos
aqueles ingredientes característicos e emocionantes esperados depois de anos de
afastamento da ex-capital.
A ida da Comissão Nacional até o avião não foi autorizada. O ex-sargento
Figueiredo foi recebê-lo na porta do avião e tinha a incumbência de trazê-lo até o
ponto do saguão onde Doutel de Andrade e demais membros da Comissão
Nacional Provisória o aguardavam. Mas os esquemas de segurança foram
deixados de lado com a festança popular, e não chegaram aos ouvidos do próprio Brizola, que se deixou ser abraçado, beijado, carregado nos ombros de seus
correligionários e populares que lá foram recepcioná-lo.
Junto à porta principal do aeroporto estava estacionado um Ford Galaxy preto
de propriedade da Sra. Alice Tamborindeguy. Gessy Sarmento postou-se ali, e
Brizola e Brigagão entraram no carro. O sargento Barroso não titubeou, entrou na
frente, ao lado de Gessy, que se fazia de motorista, mostrou-lhe um revólver
dissimuladamente e advertiu:
— Eu não sei quem você é, mas veja bem aonde você vai levar o Dr. Brizola.
A intervenção de Barroso se deu porque o que estava planejado era que Brizola
iria para o Hotel Everest em Ipanema no carro de Doutel de Andrade, parado
alguns metros atrás do Galaxy.
A partida para o Hotel Everest foi dada pelo carro em que estavam Doutel de
Andrade, Trajano Ribeiro e Eduardo Chuahy. Passados uns 500 metros, desde o
início da reta da estrada do Galeão, eles constataram, surpresos, a presença de
garateias129 ao longo da via de acesso ao aeroporto. Quem as teria colocado ali,
premeditadamente? A direita civil ou militar inconformada com o retorno do líder?
Provavelmente a mesma turma de radicais, responsável pelo atentado do
Riocentro.
Milagrosamente, o carro de Doutel passou incólume pelas garateias sem um
pneu furado. Outros carros que seguiam a mesma direção começaram a sentir os
efeitos das garateias: pneus explodindo, plac, plac, e com isso os motoristas
perdiam a direção, o que poderia causar acidente – provavelmente o objetivo de
quem colocara aqueles pregões espalhados pela estrada.
Logo após, o Galaxy dirigido por Gessy Sarmento seguiu em direção à estrada do
Galeão e as mesmas garateias começaram a explodir os pneus do carro… Gessy
ainda conseguiu parar o grande automóvel e deixá-lo para trás com os pneus
furados. Providencialmente havia ali um pequeno furgão da TVE, que levou o casal
Brizola até o Hotel Everest, onde já os estavam esperando Doutel, Trajano e
Chuahy.
Ficaram o susto e o aviso. Era o primeiro sinal de provocação daqueles setores
que permaneciam atuando nos porões da ditadura.
No Everest, teve início a temporada de conversas preliminares e composições
iniciais, num vai e vem constante de políticos, lideranças partidárias, líderes
sindicais, representantes de movimentos sociais, militares e civis. Era interessante
observar a “contabilidade” das pessoas interessadas em estar com o “homem”:
quem seriam os primeiros a ser recebidos, quantos minutos ou horas demoraria a
conversa etc.
Nessa primeira noite visitou-o o então prefeito de Niterói, Moreira Franco, e o
diálogo com Brizola parecia frutífero. Além de agradecer pelo apoio logístico em
sua chegada ao Rio, Brizola contabilizou a jovem representação de Moreira Franco,
a ligação com o senador Amaral Peixoto e a filha de Getúlio, Alzira Vargas, com o
simbolismo getulista a apoiar essa convergência.
Dias depois, Brizola e Neusa foram fazer uma visita a Niterói e jantaram com o
casal Wellington Moreira Franco e Celina Vargas do Amaral Peixoto. Brizola
manteve também várias conversas com o senador Amaral Peixoto, então um dos
cardeais do MDB. Havia muita reação a ele no MDB de Chagas no Rio, mas
principalmente no MDB de São Paulo. A reação do comando do MDB era
mascarada por uma atitude de temor de abrir mão da sigla do MDB, que durante o
período ditatorial havia acumulado um bom capital político-eleitoral.
Franco Montoro foi um dos mais aguerridos contra a união com o PTB de
Brizola. Dizia que o PTB, desde Getúlio e Goulart, e com Brizola, não era afinado
com o pensamento e a ação política dele e de seus associados, no passado e no
presente.130
A bomba
Corria o mês de novembro. Brizola, instalado no Hotel Everest, ensaiava os
primeiros movimentos como líder do trabalhismo ressurgente, representado
àquela altura, no Rio de Janeiro, por algumas centenas de pessoas mobilizadas
desde que, de Nova York, ele determinara a reorganização do Partido Trabalhista
Brasileiro.
Logo após sua chegada, Brizola convoca Trajano Ribeiro para um café da manhã
em seu apartamento, pois queria acertar detalhes para a convocação de uma
reunião partidária para começar a nova fase de organização, agora sob seu
comando direto. Era uma dessas manhãs de primavera que no Rio de Janeiro se
constituem em um verdadeiro espetáculo de cores e luminosidade, que a
efervescência da grande metrópole não consegue empanar.
Trajano chegou por volta das nove horas. O apartamento era razoavelmente
confortável. Possuía um pequeno hall de entrada, dois quartos e uma sala onde
Brizola recebia as pessoas. Eles se sentaram à mesa e Brizola disse:
— Precisamos convocar o partido. Já mandei reservar um salão no térreo.
Convoca todo mundo que esteja empenhado nas tarefas de mobilização e
organização. Preciso ouvir esses companheiros e também dizer a eles o que nós
estamos pensando. É preciso reafirmar a necessidade de assumirmos a nossa cara.
Temos que sair dessa geleia geral que é o MDB, hoje. Temos que refletir também
sobre as novas questões que estão na pauta, como a questão da mulher, do negro,
dos índios. E temos que reafirmar a necessidade de cuidar das nossas crianças.
Naquele momento, o discurso foi interrompido. Alguém tocara a campainha e
Neusa havia aberto a porta. Era um garçom trazendo-lhe um cafezinho, que ela
solicitara alguns minutos antes. Da porta Neusa indagou:
— Este pacote é teu Trajano?
— Não — ele respondeu, já se dirigindo à porta.
Então, Trajano se lembrou do que Brizola falara no dia anterior, de que haviam
colocado na porta do apartamento uma cesta de palha com uma garrafa contendo
um líquido escuro e um bilhete ameaçador. O pacote lhe pareceu uma caixa de
garrafa de uísque, embrulhada em um papel de cor desbotada, estampado, fechado
com fita adesiva.
A essa altura o garçom já havia descido e naquele momento não ocorreu a
Trajano outra atitude senão pegar o embrulho. Ele deu uma leve sacudida e sentiu
que dentro havia algo, talvez uma garrafa. Mas depois daquela armadilha na
estrada do aeroporto e do cesto com o bilhete ameaçador, foi inevitável a suspeita
de algo perigoso. Trajano pegou o embrulho e o depositou cuidadosamente em um
cinzeiro alto que ficava entre os dois elevadores que serviam ao andar.
Desfez parte do embrulho e abriu a tampa superior da caixa. Para seu espanto
havia ali um cilindro metálico, de aço escovado, encimado por um relógio
pequeno, redondo, fixado ao que seria uma tampa plástica preta do cilindro e a ele
conectada por três fios em espiral, um vermelho, um verde e um amarelo.
Ele voltou rapidamente para o apartamento. Brizola indagou:
— E então?
Em voz baixa para que Neusa não escutasse, Trajano respondeu-lhe:
— É uma bomba.
— Como assim? — retrucou.
— Parece uma bomba-relógio. Vou chamar o diretor do hotel.
— Não — disse Brizola —, vamos chamar o Gessy.
Naquele momento Trajano não entendeu por que chamar o Gessy. Mais tarde
ele compreenderia que Gessy tinha relações com pessoas da polícia, que poderiam
intervir no assunto com a discrição com que Brizola queria tratar o caso.
Trajano não esperou outra providência – pois o que ele vira não permitia
hesitações nem esperas – e chamou o gerente Alfeu Fett, que prontamente acorreu
acompanhado de um segurança do hotel, a quem, depois de examinar
rapidamente o conteúdo da caixa, determinou que a levasse para a rua. O
segurança ficou lívido, com ar incrédulo, mas Fett insistiu:
— Leva para fora.
E o homem desceu no elevador com o artefato que, após ser colocado sobre o
canteiro central da avenida Vieira Souto, foi desativado e recolhido pela polícia.
No dia seguinte a imprensa noticiou o fato com a seguinte versão: “Foi
encontrado na porta do apartamento do ex-governador Leonel Brizola, no hotel
Everest, um dispositivo composto de algumas bananas de dinamite em mau
estado e um relógio despertador.” O dispositivo, segundo a notícia, não
apresentava qualquer perigo. A foto que ilustrava a matéria era de umas bananas
de dinamite quase desfeitas e um relógio despertador enorme, em suma, nada
semelhante ao que Trajano encontrara e que foi visto também por Alfeu Fett e pelo
segurança do Hotel Everest.
Brizola havia conseguido desmoralizar a bomba e minimizar o episódio. Dias
depois, Trajano lhe comunicou:
— Governador, fui chamado para depor sobre a bomba.
— Não dá muita importância ao fato — disse —, não vale a pena. 131
Passado esse primeiro pouso em terras cariocas, Gessy Sarmento providenciou
então o que seria a primeira residência do casal. Dois apartamentos na rua João
Lira, 118, no Leblon. O apartamento de baixo era a residência e no de cima instalou-
se o escritório político de reorganização do PTB. No escritório, a procissão era
constante: entravam e saíam pessoas à procura de orientações e articulações
voltadas para a reaglutinação do PTB, que continuava a progredir por todo o país.
Desde muito cedo, o escritório já estava preparado: cafezinho, água, salas
separadas para conversas privadas… Eram velhos e novos adeptos, com a
preparação de listas de nomes nos estados onde houvesse algum antigo ou novo
contato a fim de formar os diretórios estaduais e municipais.
Ainda no final do ano de 1980, Brizola comprou da família Bornhausen o
apartamento da avenida Atlântica, uma espécie de lugar público, do lado de fora,
na calçada do edifício – sem garagem – e lá dentro do apartamento, o local onde
seriam desenrolados episódios, encontros e decisões políticas marcantes durante
os próximos 24 anos. Ali começaria outra história – após uma árdua luta política e
judicial em que se perdeu a sigla do PTB –, com a organização do PDT e vários
processos eleitorais em que Brizola se envolveu até sua morte, em 2004.
Para lá seguia, todos os dias, uma caravana de colaboradores envolvidos na
organização do PTB, depois do PDT. Ainda nesse mesmo período foi transferido
farto material e documentação132, trazidos do exílio de Nova York e de Lisboa, para
uma casa na rua Dr. Júlio Otoni, 505 – cujo proprietário era Salvador Fernandes,
político petebista de Mato Grosso e que comerciava pedras semipreciosas (acabaria
sendo assassinado em sua fazenda) – e onde iria morar por algum tempo, durante
a primeira eleição de 1982, o cacique Juruna.
Juruna, com seu inseparável gravador, possuía uma sabedoria indígena
matreira comparada às raposas políticas tradicionais. Certa manhã, ao chegar à
casa da rua Dr. Júlio Otoni, Clóvis Brigagão com os demais colaboradores
encontraram o quarto de Juruna fechado por dentro. Bateram e chamaram, várias
vezes, o Juruna, mas nada de resposta. Continuaram a insistir, até que Juruna
respondeu, com sua voz peculiar, que apenas atenderia ao Brizola:
— Falar Brizola — repetia.
Eles então ligaram para Brizola e contaram o que estava acontecendo. Brizola
disse que iria logo para lá, acompanhado pelo professor Darcy Ribeiro, padrinho
político de Juruna.
Quando Brizola e Darcy chegaram, foram direto até a porta do quarto. Então
perguntaram a Juruna o que ele queria. Passados alguns minutos, ele respondeu:
— Juruna querer fazenda.
Não houve entendimento imediato e Brizola novamente perguntou o que
Juruna queria dizer com fazenda.
— Juruna querer fazenda, terra para mim e família.
Esclarecida a proposta, Brizola e Darcy prometeram a Juruna comprar terra na
região de onde vinha Juruna. E de fato Juruna receberia sua fazenda, após as
eleições em que sairia vitorioso como deputado federal.
Brigagão fora incumbido de dar aulas de português a Juruna, mas depois das
primeiras lições percebeu que ele não queria aprender a falar o português do
branco, pois se o aprendesse certamente deixaria de ser o cacique Juruna. Clóvis
comunicou essa situação a Brizola, enfatizando que Juruna deveria continuar
falando de seu jeito, pois assim ele continuaria a ser original. Certa vez levou-o
para comer numa churrascaria em Botafogo e, ingenuamente, imaginou que índio
só comia frutas, legumes e verduras (que Brigagão gostava, porque já não comia
carne). Mas Juruna pediu todo tipo de carne que se possa imaginar. Brigagão lhe
perguntou por que ele gostava tanto de carne e ele respondeu:
— Juruna não é coelho.
Nesse mesmo período, o primeiro debate público importante de Brizola foi
travado na TV2 Guaíba de Porto Alegre, coordenado pelo jornalista Rogério
Mendelski, com o senador Pedro Simon (MDB-RS), em 10 de março de 1980. Foram
estabelecidas algumas regras para que o debate seguisse normalmente. Vale
registrar aqui: de um lado, Brizola, fumando seu inveterado cigarro Marlboro; do
outro, o senador Pedro Simon, do PMDB-RS, fumegando, incessante, seu
inseparável cachimbo. O ambiente do estúdio da TV estava contaminado por essa
densa fumaça provocada pelos dois gladiadores tabagistas.133
O tema, com a presença de um grupo escolhido de pessoas do Rio Grande do Sul
que faria perguntas aos debatedores, concentrou-se na questão que dividiria os
dois: a reorganização do PTB, o lugar do MDB e o do próprio senador Simon, que,
em várias ocasiões, fora instigado a esclarecer sua declaração (ao professor Ajadil
de Lemos e ao próprio Brizola, durante sua visita a Nova York, em companhia de
Tancredo Neves) de que, extinto o MDB, iria para o PTB.
Brizola tramava em seu realejo a questão do renascimento do trabalhismo, suas
histórias antes de 64, seus personagens e, sempre que possível, soltava aquelas
frases irônicas contra o senador Simon. Sobre a dúvida shakespeariana do
senador, Brizola alfinetava mencionando a simbologia da boca torta pelo uso
constante do cachimbo.
Pedro Simon desviava o olhar e fazia uma ginástica verbal (e até mesmo física,
pois não parava de se mexer na cadeira com seu cachimbo indo de uma mão à
outra e delas para a boca) para responder. O teatro televisivo, com a atuação dos
contendores, a magia do realejo tocado por Brizola e os escapes do senador Simon,
foi um momento inesquecível. Ali ficou demarcado o espaço político,
particularmente significativo, das diferentes propostas políticas entre o projeto de
Brizola, do PTB/PDT, e o do senador Pedro Simon, representante da corrente
favorável à manutenção da unidade da frente emedebista/PMDB.
Notas
128. Nem o retorno de Jango Goulart, depois da renúncia de Jânio Quadros em 1961, que partiu da China para
ocupar o Palácio do Planalto, deu tantas voltas como a viagem de Brizola de Nova York à São Borja, no RS. Cf. F.
C. Leite Filho. El Caudilho Leonel Brizola, ps. 369-370.
129. Instrumento cortante, formado por vários pregos apontados para cima que saem de uma base única e
provocam furos ou explosões em materiais de borracha.
130. Cf. entrevista de W. Moreira Franco a Brigagão, Rio de Janeiro, 21/8/2005.
131. Ver a reportagem de Chico Otávio e Alessandra Duarte, “A rede secreta do sargento – linha direta com o
terror”, O Globo, Rio de Janeiro, 24/4/2011, p. 3-5, que conta a colocação da bomba-relógio no Hotel Everest logo
nas primeiras semanas em que o casal Brizola ali se hospedara.
132. Esse arquivo, muito rico sobre toda a trajetória de Brizola e as primeiras iniciativas de reorganização do
PTB – segundo João Otávio Brizola, o “baú do Brizola” –, está hoje guardado enquanto não se decide se vai para
a Fundação Darcy Ribeiro ou se espera a criação de um Memorial Leonel Brizola. Os autores não tiveram
acesso a essa documentação, embora, pelo menos a parte internacional, tenha sido organizada por Brigagão.
Em 20/4/2013 noticiou-se a precariedade do local onde estavam os arquivos de Brizola, sendo necessárias
providências urgentes para que não se percam de vez.
133. Nossos agradecimentos a Edison Luís Silva Martins, funcionário do Arquivo da TV2 Guaíba, que cedeu cópia
do vídeo do debate aos autores.