Contos escolhidos de Antonio de Trueba

Antonio de Trueba · Capítulo 8 de 32

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Contos escolhidos de Antonio de Trueba

Capítulo VI

D'este juizo das obras de Trueba, que se me affigura imparcial, deduz-se naturalmente um pensamento de louvor a quem promove entre nós a vulgarisação d'estas boas producções. Em uma quadra, como esta, em que a litteratura portugueza está sendo a todo o momento, não enriquecida, mas sim invadida por traducções de romances que, na maior parte dos casos, não a honram pela pureza da linguagem, e a desauthorisam pela licenciosidade dos costumes, que põem em seductora exposição; presta o traductor um bom serviço ás letras e á moral publica.

Auctores como Trueba illustram e ennobrecem a litteratura que os adopta e perfilha. Livros, como os seus, podem ser offerecidos á mocidade por leaes conselheiros e guias seguros nos escabrosos caminhos da vida.

Na versão prestou o traductor verdadeiro culto aos preceitos e exigencias da lingua materna, conservando aos pensamentos e ás imagens originaes toda a sua elevação e vigor, todo o seu brilho e poesia.

A litteratura hespanhola é tão rica e variada em todos os ramos do saber humano, quão mal conhecida, infelizmente, em o nosso paiz, n'estes tempos modernos. Desde o principio d'este seculo temo-nos quasi restringido a cultivar a litteratura franceza, dedicando-lhe a nossa exclusiva admiração, em prejuizo de outras não menos opulentas e brilhantes. Por conseguinte tambem por este lado o distincto traductor dos contos de Trueba bemmerece dos seus concidadãos. O seu talento, já provado nas lides de escriptor publico, apresenta agora n'este ensaio a amostra do que vale no difficil genero, que encetou; difficilimo, sem duvida, quando se quer verter em linguagem de lei os pensamentos de auctor estranho com toda a belleza e vigor da inspiração original.

I. DE VILHENA BARBOSA.