E a Vida Continua...
Evelina em ação
Criaturas prej udicadas ou perseguidas de todos os recantos do m undo, perdoai a quantos se fizeram instrum entos de vossas aflições e de vossas lágrim as!
Quando sentirdes a tentação de revidar, lem brai-vos daquele que nos concitou a “am ar os inim igos” e a “orar pelos que nos perseguem e caluniam !”
Recordai o Cristo de Deus, preferindo ser condenado, a condenar, porque, em verdade, quantos praticam o m al não sabem o que fazem ! Convencei-vos de que as leis da m orte não excetuam ninguém e não vos esqueçais de que, no dia do vosso grande adeus aos que ficarem na estância das provas, som ente pela bênção da paz e do am or na consciência tranquila é que podereis alcançar a suspirada libertação!
Evelina em ação
Antes que o Sol reaparecesse, Ernesto, Evelina e alguns am igos do
Instituto de Proteção Espiritual — dentre os quais se destacava o Irm ão Plotino que, a pedido do Instrutor Ribas, chefiava a dim inuta caravana socorrista — abordaram em São Paulo, no intuito de cooperarem com os assistentes espirituais, em penhados na libertação de Elisa, encerrada na prisão dos próprios restos.
Inform ados de que a filha determ inara a rem oção da m orta para casa, dem andaram Vila Mariana.
Evelina trazia o coração ensofrego. Veria o pai pela prim eira vez.
Acariciava na m em ória a im agem dele, colhida em retratos de fam ilia. Ansiava com preendê-lo, am pará-lo.
Ernesto encoraj ava-a.
Quase no lim iar da residência, Plotino recom endou parada à equipe e com unicou que, prim eiram ente, ganharia o interior, desacom panhado, de m aneira a efetuar ligeira inspeção, exam inando o serviço a fazer.
Sob as atenções da filha que se apoiava em Serpa e em alguns am igos da vizinhança, tanto quanto guardada pela vigilância de vários benfeitores espirituais, Elisa, sem idesperta, j azia no im passe, de vez que agarrada por Desidério por um a das m ãos e alentada pelas forças dele, que lhe invadiam a alm a, parecia com prazer-se com a estranha hipnose.
Às prim eiras inquirições de Plotino, o piedoso enferm eiro desencarnado que se encarregaria do apoio m agnético para exonerar a viúva dos despoj os a que se im anizara, confessou o receio de que se via acom etido; se constrangesse a senhora Fantini a largar o carro físico inutilizado, não lograria violentar-lhe o pensam ento perfeitam ente lúcido. Forçar-lhe-ia a retirada, m as não dispunha de m eios para isolá-la m entalm ente do acom panhante rebelde, a cuj o patrocínio ela m esm a se confiara.
Im prescindível a intervenção de alguém com suficiente poder de persuasão para com pelir Desidério a m udar de atitude.
Irm ão Plotino abeirou-se dele com delicadeza fraternal e suplicou-lhe o concurso para que Elisa fosse liberada e conduzida a m ansões de refazim ento.
Acom odado ao pé da m orta, o interpelado se achegou ainda m ais para ela e sim plesm ente rugiu em voz selvagem :
— Palhaços! Não m e tirarão daqui... Que querem nesta casa? Ela é m inha m ulher.
Ninguém m e dem overá com petitórios e ladainhas. Tenho experiência!
Conheço os que não se separam nas furnas tenebrosas que recebem os por m oradias... Ninguém , m as efetivam ente ninguém , m e arrancará desta sala!...
— Alguém fará isso, irm ão Desidério — enunciou Plotino sem alterar-se.
— Quem ? diga quem !
O em issário sorriu paciente e m urm urou apenas:
— Deus.
O inconform ado am igo trovej ou blasfêm ia terrível e Plotino voltou sobre os passos percorridos, pondo-se ao encontro dos com panheiros. Explicou-lhes o que se passava e im aginou as providências cabíveis. Aquele era o m om ento para a intervenção pessoal de Evelina. Todo o grupo persistiria em oração, a fim de apoiá-la, porquanto a com panheira deveria entrar a sós, no refúgio dom éstico, de m odo a tentar a renovação do pai, que, decerto, não hesitaria em obedecer-lhe.
Viu-se, para logo, o prodígio dos pensam entos congregados em um só obj etivo.
Sem qualquer indução à teatralidade, m as sim fundidos no só intuito, profundo e sincero, de proj etar as energias do am or na obra socorrista, aqueles corações em prece lançaram vasto lençol de safirina luz sobre a porta de entrada, credenciando a com panheira para a abençoada m issão que se lhe delegara. Espiritualm ente ligada aos am igos que se lhe haviam m etam orfoseado em base de equilíbrio e sustentação, Evelína penetrou o recinto, qual se fora um a estrela repentinam ente transfigurada em m ulher.
Desidério, aterrado, fixou a aparição e caiu de j oelhos .... Era ela, sim — pensou —, a sua filha, a sua am ada filha que j am ais lhe escapara da lem brança, m esm o quando se m ergulhara em aventuras nas trevas m ais densas!
À m edida que Evelina o fitava, entrem ostrando radiante e doce ternura, o infortunado genitor contem plou-se no suave clarão que a m ensageira irradiava... Viu-se na penúria de um sentenciado que persistisse, por anos e anos, no fundo de um cárcere, sem o m enor cuidado para consigo m esm o.
Qualificou-se por m onstro, à frente de um anj o, e, à m aneira de um cão batido e aviltado, intentou arrastar-se para fugir...
A m oça adivinhou-lhe o propósito e falou, sim ples:
— Meu pai!
Desidério sentiu que aquela voz lhe alcançava as entranhas... Sim , aquelas duas palavras lhe vinham daquela alm a querida que ele j ulgara nunca descesse do Céu para interpelá-lo. Tornando a fletir os j oelhos trêm ulos, o assom bro se lhe rebentou no peito, num a explosão de lágrim as:
— Pois é você, m inha filha, é você a quem Deus m anda para m e pedir o im possível?
Evelina abeirou-se dele, colocou-lhe a destra na fronte padecente, e o diálogo prosseguiu.
— Meu pai, decerto que Deus abençoa esta hora de reencontro, m as som os nós m esm os, o senhor e eu, os prom otores, não do im possível, m as de nossa reaproxim ação, em nom e dele m esm o, nosso Criador e Pai de
Misericórdia...
— Que quer você de m im !
— Venho convidá-lo a estar com igo... Adm itiria o senhor que o tem po desaparecesse, sem que eu sonhasse com este m om ento? Atravessei a infância e a j uventude, nam orando seus retratos, casei-m e, um dia, na Terra, rogando a sua bênção nas m inhas orações e, quando os Desígnios Divinos m e retiraram do corpo físico, form ei o ideal de reencontrá-lo!
O infortunado esboçou um gesto de autocom paixão, e gem eu:
— Vej a, m inha filha, o que fizeram de m im , os crim inosos que nos Destruíram .
— Oh! m eu pai, não acuse! O senhor terá sofrido, m as a dor é sem pre bendita perante Deus, o senhor terá suportado provas difíceis; no entanto, aprendem os, presentem ente, que todo dia é ocasião de renovar e partir para destinos m ais altos!
— Com certeza, nas Moradas Divinas, que você m ereceu, ficou sabendo que não perdi m eu corpo em acidente algum ...
— Sim , conheço hoj e toda a verdade a nosso respeito...
— Não pode, então, ignorar que os m eus verdugos são igualm ente os seus, nós dois fom os esbulhados pelos m esm os bandidos! Se no Céu não existe m em ória para o m al, é preciso recordar a você que Am âncio Terra, o celerado que se arvorou em seu padrasto...
Porque os soluços o com pelissem a com pridas reticências, Evelina aclarou com hum ildade:
— O senhor não se agastará com igo se disser que ele m e quis bem e m e respeitou sem pre com o sua própria filha... Se é inegável que com eteu falta grave para com o senhor, diante das Leis Divinas, creio que o arrependim ento que ele carrega, há m ais de vinte anos, fala pela regeneração que fez dele um hom em de bem ...
— Você não pode esquecer que ele exilou você de casa, ainda em tenra idade...
— Enviou-m e para a escola, m eu pai. Deu-m e disciplinas que m e livraram de tentações, nas quais eu teria sucum bido em m uitos erros, durante a perm anência no m undo; nunca m e regateou assistência e nem m e contrariou os im pulsos para o m atrim ônio; em m inha m eninice, encoraj ava-m e nos estudos, interessava-se por m inhas notas, prem iava a m inha boa vontade com brindes e carinhos que som ente o senhor m e poderia dar... É verdade que m eu padrasto nunca substituiu o senhor em m eu coração, m eu pai, m as sua filha não deve ser ingrata a quem lhe deu tanto!... Em casa, foi sem pre um protetor de nossa felicidade. Nunca lhe vi o m ínim o gesto de desconsideração para com m inha m ãe...
— Ah! não m e fale de Brígida, aquela infam e!
— Oh! pai de m eu coração, porque condenar aquela que nos uniu? que conseguiria fazer m inha m ãe ainda tão m oça, a carregar-m e nos braços, não fosse o apoio de um com panheiro?
Aceitando a colaboração de Am âncio, ela não acolhia deliberadam ente o desditoso caçador que lhe im pusera a desencarnação, m as sim o am igo que o senhor m esm o, um dia, levou para a nossa casa, segundo as confidências de m ãezinha, em suas horas de saudade e desolação... Saiba que m inha m ãe sem pre m e ensinou a reverenciar a sua m em ória e a enobrecer o seu nom e...
Ante a com preensão superior que a filha punha em evidência, Desidério chorava com m ais força, em suas m anifestações de auto-piedade, dando a im pressão de quem se propunha buscar, de qualquer m odo, novas razões para ser infeliz -
Você talvez não desconheça que m e acho aqui, ao pé da fam ília de outro inim igo que não posso exculpar, Ernesto Fantini, o traidor que intentou m atar-m e, dando a seu padrasto o figurino pelo qual m e aniquilou... Esta m ulher cadaverizada, m as viva em m inhas m ãos, foi a esposa dele, pela qual, consum ido de ciúm es, pretendeu ele assassinar-m e, nada fazendo com isso, senão aproxim ar-m e dela, j á que o com portam ento de Brígida m e bania do lar. Pense no doloroso destino de seu pai! - Expulso de m inha casa, depois da m orte do corpo, à face da influência de um perseguidor, tive de asilar-m e em casa de outro, porque no pensam ento da com panheira, hoj e m orta para o m undo, encontrava o m eu sustento!
— Quem penetrará os desígnios de Deus, m eu pai? não estarem os todos num a rede de testem unhos de am or, em vista de faltas e com prom issos nas existências passadas? Peço à Providência Divina abençoe nossa irm ã Elisa e a recom pense pelo bem que nos tem feito... Quanto a Ernesto Fantini, a quem o senhor se refere, é forçoso lhe diga que ele tem sido para sua filha um devotado am igo na Vida Espiritual. Muito antes de saber-m e vinculada ao seu coração, rodeava-m e de cuidados, restaurando-m e as energias. Em todos os lances da estrada nova, vem sendo para m im um apoio, um irm ão...
— Você, querida filha, terá adquirido a visão dos anj os para enxergar benfeitores nesses canalhas, m as eu não consigo reconhecer as criaturas hum anas com retinas celestes. Sou um hom em , sim plesm ente um hom em infeliz! Apesar de tudo, não acredito que você possa guardar a m esm a benevolência para com aquele que lhe foi carrasco, entre as paredes dom ésticas, este crim inoso foragido do cárcere, que se apresenta m ascarado, aqui m esm o, diante de nós... Caio Serpa...
— Que diz, m eu pai?
E Evelina fez a voz m ais com passiva:
— Caio foi para m im um guia generoso, auxiliando-m e a entender a vida com m ais segurança... Nos dias da m ocidade, propiciou-m e sonhos de ventura que m e aj udaram a viver...
Com ele im aginei o paraíso na Terra... E, se na condição de esposo esperou de m im a felicidade que não lhe pude dar, será isso m otivo para que venham os a condená-lo?
Indiscutivelm ente, assum iu com prom isso para com Mancini que, decerto, resgatará em m om ento j usto; entretanto, porque desprezar os que se fazem obj eto de nosso am or, quando nos certificam os de que não são tão felizes quanto supunham os? Adm ite o senhor que os nossos irm ãos delinquentes não são enferm os, carecedores de atenção? porque não m anifestar piedade, à frente das vítim as da loucura, qual o fazem os diante dos acidentados nos desastres que lhes furtam a existência? Serão os m utilados de espírito, diferentes dos m utilados do corpo?
Os lam entos do genitor inconform ado se patentearam m ais tristes:
— Ai de m im , que não sei perdoar! O carro da vida m e esm aga por farrapo inútil!
— Meu pai, não lhe ocorre que todos som os filhos de Deus, dependentes uns dos outros?
— Não posso! Não posso com preender com o devo abraçar os que m e espancam !
— Não desej a cam inhar adiante? ser livre e feliz?
— Oh! sim !
— Então, olvide todo m al. Nunca refletiu no poder do tem po? O tem po nos auxilia a descobrir a fonte do am or que nos lava todas as culpas...
— O tem po, filha? para os Espíritos de m inha espécie, o relógio é m áquina de enlouquecer...
Anteontem , ontem e hoj e padeço por abom inar três lobos, Am âncio,
Ernesto e Serpa, e sofro para defender três ovelhas, Elisa, você e Vera, j á que arredei Brígida para longe de m im ! Você não ignora que Vera se deixou m agnetizar pelo tratante que foi seu m arido!
— Piedade, m eu pai .... Pensem os em Vera e Caio com os m elhores sentim entos de que sej am os capazes! Reflitam os no futuro... Am anhã, ser-nos-ão eles preciosos am igos, devotados protetores!
— Você apenas enxerga o bem , eu vej o o m al que vence o bem .
— Não é isso. O senhor se j ulga perfeitam ente são de espírito, quando, na realidade, com o acontece ainda com igo, precisa de assistência e reaj uste. Eu tam bém , m eu pai, de princípio, adm iti-m e espoliada pela vida! Aceitava m ãezinha e m eu padrasto, em m uitas ocasiões, por adversários que m e haviam desterrado propositadam ente de casa, para que eu não lhes estorvasse a felicidade, m as na estância de recuperação a que m e conduziram , por m isericórdia de Deus, passei a abraçá-los por nossos reais am igos, de quem recebi todo o am paro que m e foi possível assim ilar... Até nos dias últim os, quando reencontrei Caio m ais fortem ente encadeado a Vera Celina, esbati-m e em m ágoas arrasadoras, interpretando aquele que m e foi o esposo terrestre por m odelo acabado de ingratidão, ao m esm o tem po em que censurava Celina, por intrusa e ladra de m eu tesouro afetivo; entretanto, o orvalho da Bondade
Infinita de Deus visitou a ressequida plantação de m eus sentim entos pobres, através das lições de instrutores abnegados — m édicos e enferm eiros da
Com paixão Divina —, e reequilibrei-m e, concluindo que Caio e Vera são nossos irm ãos da alm a...
Eles são com o são, enquanto que som os com o som os e Deus espera que nos am em os, assim com o nos perm ite ser! Indispensável, m eu pai, entender-nos, aj udar-nos reciprocam ente e cam inhar adiante! Cam inhar sem pre, resgatando os com prom issos de ontem para que o am anhã sej a m elhor... O Todo-Misericordioso sem eou flores e bênçãos em todos os sítios da estrada a perlustrar... Com preender é buscar a frente, auxiliar os outros será garantir-nos! O am or não falha e Deus nos criou para o am or sem lindes!
Desidério chorava, im possibilitado de em itir qualquer observação.
E Evelina:
— Analise com o seu próprio raciocínio. Naturalm ente que o nosso irm ão
Ernesto, não obstante os conflitos íntim os que o afastavam espiritualm ente do lar, consagra à nossa Elisa a afeição do hom em de bem , e, por isso m esm o, com o discernim ento que hoj e possui, ter-lhe-á entregue, de todo o coração, o título de com panheiro que tem sido e será para ela, perante Deus.
Porque não deverem os, de nosso lado, conferir a Caio o direito de dar-se a Vera, conquistando a felicidade que lhe não pude proporcionar, nem m esm o quando m e achava no m undo físico?
— Ah! querida filha — alarm ou-se o genitor —, sem elhante renúncia não significará destruir-nos em suicídio m oral?
— Não, m eu pai. O am or verdadeiro eleva-se de nível... Hoj e entendo que as afeições transviadas podem ser corrigidas no santo instituto da fam ília, através da reencarnação... Deus nos perm ite abraçar, com o filhos, aquelas m esm as criaturas que não soubem os am ar em outras posições sentim entais!
Os nossos pensam entos de ternura, uns para os outros, um dia serão livres e puros, quais as fontes cristalinas que se irm anam no chão em pedrado do
Planeta ou com o as irradiações dos astros, que se enlaçam sem perder grandeza e originalidade, nas im ensas vias do Céu...
Depois de longa pausa, seguida pelo silencioso respeito dos am igos desencarnados, ali presentes:
— Se nuvens de m ágoa lhe anuviam ainda o coração, lance-as fora e sigam os para a frente, aspirando à paz! Por agora, deixe que a nossa Elisa se distancie de quaisquer lem branças desagradáveis! Liberte-a e verá que a m ulher escolhida lhe pertencerá com m ais força! Aj ude-a para a ascensão a novos cam inhos e ela voltará ao seu encontro! Não enclausure na m asm orra de carne putrescível aquela que lhe m erece a m ais sagrada dedicação! Elisa ser-lhe-á grata e, de nossa parte, prom etem os solenem ente ao senhor, perante a Infinita Misericórdia de Deus, que a reverá, em nossa própria m oradia, onde se prepararão am bos, com o nosso carinho, para um a nova existência j untos, novam ente j untos e m ais felizes! Aceite m eus rogos, pai querido!
— Não, não! — trovej ou ele, em m ais violenta crise de desespero — sou um réprobo, não posso fugir!
Viu-se, então, o ponto m ais alto e m ais enternecedor do reencontro.
De m ãos pousadas na cabeça do genitor, Evelina lançou os olhos para o
Alto e exorou:
— Oh! Deus de Bondade! m eu pai e eu som os dois rem anescentes ainda unidos de grande fam ília espiritual, presentem ente dispersa! Concede, á Todo-Misericordioso, se é de tua vontade, que perseverem os em sintonia, no m esm o anseio de redenção!
A voz, porém , esm orecera-lhe na garganta, asfixiada de dor, e, ao inclinar-se para a fronte paterna, as lágrim as que lhe perolavam a face, quais gotas de bálsam o divino, se precipitaram sobre o desventurado am igo, transfigurando-lhe o coração.
Tangido por energias recônditas, Desidério desferiu doloroso gem ido e largou, de im ediato, a m ão da m orta... Abraçando os pés da filha, bradou com veem ência:
— Ah! Evelina, Evelina! Minha filha, m inha filha, leve-m e para onde quiser! Confio em você! Apague a fogueira de m eu espírito que tem sabido tão-som ente odiar! Socorro, m eu Deus! Socorro, m eu Deus!
A m oça, suplem entada de força pelos com panheiros que oravam , reergueu-o facilm ente, com o se tom asse de encontro ao peito um a criança abatida.
Acorreram enferm eiros desencarnados, desentranhando Elisa do corpo inerte, a lem brarem um a equipe de técnicos que operassem , rapidam ente, para retirá-la de um vestido im prestável, e o Irm ão Plotino, seguido pelos colaboradores, entrou em ação, acom odando Desidério, sem i-inconsciente, na am bulância que o transportaria para o novo dom icílio espiritual.
Alguém acom panhara discretam ente conosco todo o diálogo. Era o
Instrutor Ribas que viera, de surpresa, ao lar de Vila Mariana, a fim de encoraj ar, em prece, a pupila do Instituto de Proteção Espiritual, no testem unho inesquecível... Assim que a viu, aj udando a carregar o genitor, em sublim ada m etam orfose, o venerado orientador, talvez rem em orando acontecim entos de sua própria vida, afastou-se, em silêncio, com os olhos m arej ados de pranto que não chegava a se desprender das pálpebras m olhadas.