Eu Acho que Amo Você

Allison Pearson · Capítulo 1 de 27

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Eu Acho que Amo Você

Epígrafe

Ele entra em pânico. Sem pre deixa as cortinas

fechadas. “Elas estão lá fora, m ãe, estão lá fora.”

Evely n Cassidy , contando a reação de seu filho,

David, com relação às fãs.

PRÓLOGO

1998

 

Era um guarda-roupas duplo, com quatro portas e um espelho de corpo inteiro. Dentro dele estavam o blazer de lã com gola de visom de sua m ãe, saias feitas sob m edida e cam isas penduradas nos cabides. As m alhas de lã tinham cores suaves, com cam adas de papel de seda entre elas. Na parte de baixo estavam as prateleiras com sapatos.

Foi ali que ela o encontrou, atrás das prateleiras. Não estava procurando aquilo. Não buscava nada em particular. Estava apanhando um par de sapatos de verniz pretos, de saltos altos, ainda brilhando depois de 30 anos, quando seus dedos encostaram em algum a coisa m ais fria que o couro. Ela retirou o obj eto. Era um a lata com o desenho de um lago e m ontanhas na tam pa. Um presente de Natal da Áustria. Dentro da lata havia cartões-postais, fotos em preto e branco de seus pais ainda j ovens e um m aço de cartas am arradas com um a fita verm elha.

O envelope rosa estava fora do lugar. Tinha várias carinhas sorrindo e um arco-íris na parte da frente. Estava endereçado a ela, m as havia algo de estranho naquela caligrafia. Levou algum tem po para que ela reconhecesse que aquela caligrafia era a sua. Não era sua letra de agora, m as era com o escrevia m uito tem po atrás, com voltinhas e floreios. O envelope fora aberto, então foi fácil puxar a carta. Leu a carta pela prim eira vez, e depois um a vez m ais para ter certeza.

Ela se levantou, andou pelo corredor e em purrou a porta de seu antigo quarto. O edredom m arrom ainda estava sobre a cam a, m acio e levem ente úm ido ao toque. Ela se aj oelhou e puxou um rádio transistor cinza que estava debaixo da cam a. Girou o botão.