Eu Acho que Amo Você

Allison Pearson · Capítulo 24 de 27

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Eu Acho que Amo Você

Capítulo 21

21

 

Petra estava sentada à m esa da cozinha, im óvel, segurando um a caneca de café com as duas m ãos. Ela observava o vapor subindo à luz da m anhã. O dia ainda estava com eçando; o avião aterrissara de m adrugada.

Tom ou um gole e depois franziu a testa. Sua m ala estava no corredor da entrada, com as etiquetas da com panhia aérea grudadas. Na espera de que Molly entrasse e tropeçasse nela.

Petra se levantou e carregou a m ala para cim a, batendo-a em cada degrau, e depois a j ogou com esforço sobre a cam a. Ela expirou e j á estava saindo do quarto para descer e term inar seu café. Parou e achou m elhor pendurar seu novo blazer de linho antes que ficasse am arrotado dem ais. Voltou até a cam a e abriu os dois fechos da m ala.

A m ala abriu, ela em purrou a parte de cim a para trás e, m ais um a vez, ficou parada. Seu prim eiro pensam ento foi de que pegara a m ala errada no aeroporto. Mas não, seu blazer estava ali, dobrado cuidadosam ente, e a ponta da blusa de sua m ãe estava por baixo. No entanto, por cim a, havia algo que não era dela. Mas era para ela, pois seu nom e estava na frente.

Petra pegou o envelope e o exam inou. A aba não estava colada, apenas enfiada para dentro. Ela abriu o envelope e tirou a carta. Leu-a um a prim eira vez e depois leu novam ente para ter certeza:

 

Cara Petra,

Com o posso ter certeza, nesse m undo que está sem pre m udando, em que pé estou com você?

Estou com eçando a pensar que nunca encontrei as palavras certas para fazer você

gostar de m im .

Entretanto, am or é a palavra que uso para descrever o sentim ento que venho

escondendo dentro de m im pra você.

Com o alguém certa vez cantou, esqueci o nom e dele: a vida é bela dem ais para se

viver com pletam ente sozinho.

Acredite em m im , você não precisa se preocupar com nada. Eu só quero te fazer

feliz e se você disser “ei, vá em bora”, eu irei. Mas acho que é m elhor ficar por aqui e te am ar. Você acha que tenho algum a chance? Vou te perguntar da form a m ais direta: você acha que... etc. etc.

Acho que você sabe o resto.

Sem pre seu,

Bill

 

Petra colocou a carta no bolso e desceu as escadas. Passando pela m esa da entrada, notou um j arro com ervilhas-de-cheiro. O arom a era m uito forte, inebriante. Encontrou um bilhete escrito em um post-it grudado na parede com a caligrafia arredondada e cheia de voltas de Molly : “Eu as peguei. Eu te disse!!!”

Petra sorriu. A filha, ao contrário da m ãe, levaria um a vida cheia de pontos de exclam ação. Ela pensou em Molly, obedecendo o pedido para pegar as ervilhas-de-cheiro enquanto Petra estava em Las Vegas, para que as flores continuassem a brotar, um a instrução que a mamgu de Molly dera há m ais de 30 anos à própria Petra e, quem sabe, talvez Greta tenha escutado isso de sua m ãe na Alem anha. Coisas sendo passadas; hábitos, arom as, m elodias, queixo em form ato de coração: m aternidade e m em ória forj ando um estreito corrim ão para unir gerações.

Ela ficou pensando o que Greta e Molly achariam de Bill. Levou um segundo para se lem brar que um desses encontros não seria m ais possível agora. Cedo dem ais, pensou. É cedo demais. Mesm o assim , não podem os escolher o m om ento em que duas pessoas estão abertas e o m enor olhar tem o poder de consolar ou curar.

Nos anos que se seguiriam , a única coisa em que achariam difícil concordar era se eles realm ente haviam se encontrado em White City. Petra dizia que tinham se encontrado porque am ava a perfeita sim etria desse fato. Bill foi o prim eiro hom em a pegá-la nos braços e, se a vida fosse boa com eles, seria o últim o.

Bill, que inventara a história que aproxim ara Petra dele, estava feliz que sua querida esposa escrevesse qualquer final que gostasse m ais. Cariad era a palavra galesa para dizer querida. Isso Petra o ensinou, j unto com tantas coisas que ele nunca conhecera antes.

Ela estava tão cansada naquela m anhã em que acabara de chegar de viagem , m as o velho hábito e o novo desej o a m andaram para a sala. Ela se inclinou e abriu as travas do estoj o do violoncelo. A carta de Bill estava em seu bolso. Puxando o violoncelo para si, ela a respondeu. Incitando a m úsica com ardor. Cada nota com o um a pérola. Cada com passo com o um colar de pérolas. Um a só frase, e tantas m aneiras de dizê-la.