Eu Acho que Amo Você

Allison Pearson · Capítulo 16 de 27

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Eu Acho que Amo Você

Capítulo 13

13

 

Foi com pletam ente por acaso que Marie atendeu a ligação da m ulher m aluca. Ela chegou cedo à revista essa m anhã, com um a ressaca que a fazia se sentir com o um ovo de avestruz. Grande, porém frágil, podendo se quebrar a qualquer m om ento. Ela transferiu com sucesso sua cabeça, do apartam ento onde m ora até seu carro, do estacionam ento até o elevador, e depois até sua sala, perto da j anela, com o alguém equilibrando um a taça de cristal sobre um a carta de baralho. Agora ela está sentada à sua m esa com um a garrafa grande de Evian e um café expresso triplo, tom ando goles alternados de cada um para suprim ir a náusea. Marie precisa pensar. Mas seu crânio e a repentina e indesej ável percepção de seu cérebro, ressecado e latej ante dentro dele, faziam pensar ser quase im possível.

Hoj e é o grande dia da reunião editorial do grupo, na qual tentará vender a história de sucesso de sua revista, Teengirl, contra os outros editores com seus pedidos idiotas de publicidade, todos em pertigados em frente ao diretor editorial. Sasha Harper, a editora de Babe, estará lá com sua arm adura: Prada dos pés à cabeça e sua lança de confiança, a caneta Mont Blanc. Ao pensar em Sasha, Marie gem e suavem ente e m ergulha a m ão dentro de sua gaveta, tateando em busca de um a aspirina. No interior da gaveta, seus dedos encontram algo m ole e frio ao toque, e recuam . Abrindo um dos olhos com m uito cuidado, Marie vê que é o preservativo que a revista Babe recentem ente colocou com o brinde na capa. Cam isinhas sabor chocolate para as adolescentes.

Jesus. Está tudo tão errado.

Marie e Sasha deveriam ser colegas de trabalho da m esm a equipe; as duas dom inam o m ercado de revistas adolescentes que está crescendo diariam ente. A Teengirl de Marie foca m ais em artistas pop, am or na adolescência e m úsica, enquanto Babe se especializa em fofocas sobre celebridades, sexo e problem as relacionados a ele. Longe de se apoiarem , as duas tornaram -se rivais, provavelm ente porque o diretor editorial do grupo é um conhecido guru deste m ercado. Elas com petem pela aprovação do chefe com o irm ãs brigando pelos elogios de um pai distante. Todos o cham am de chefe, com exceção de Barry, o diretor de m arketing, que é um velho am igo e o cham a pelo seu prim eiro nom e.

Marie não precisou de despertador essa m anhã. Ela acordou sentindo-se bastante alarm ada, às 4h da m anhã, três horas depois de ter ido dorm ir. O subconsciente de Marie perm itiu que ela adm itisse o que nunca aceitaria à luz do dia: ela está perdendo a batalha para Sasha. A batalha com relação a preferência, sexo e dinheiro. As garotas de 14 anos de idade cada vez m ais optam por se vestir com o prostitutas, enquanto as de 40 se vestem com o adolescentes. Não há dúvidas na cabeça de Marie de que as garotas estão desesperadas para crescer m ais rápido. Até m esm o as m eninas de 9 anos vestidas com m iniblusas querem entrar de penetra nas festas. Onde antes procuravam conselhos sobre m ordidas do nam orado que precisam ser escondidas, agora as leitoras parecem devorar coisas sobre sexo oral, se é que devorar é a palavra que estão procurando.

Ela gem e e puxa a garrafa de água na sua direção, pressionando a frieza do obj eto contra a têm pora. As revistas ficaram m ais sexy para acom panhar as m eninas. Ou foram as revistas m ais grosseiras que fizeram as m eninas pensar que deveriam saber m ais sobre sexo? Definitivam ente algo m uito estranho aconteceu com as m ulheres desde que Marie era criança e tinha um pôster da banda Duran Duran sobre a cam a e um a coleção prem iada de trolls com cabelos lum inosos, m as ela não tem energia ou curiosidade suficientes para pensar o que pode ser. Vam os deixar que outra pessoa pense sobre esse assunto.

Norm alm ente, Marie não atende o telefone. Katie, que fica do lado de fora da porta, sem pre o atende instantaneam ente. Então aquele toque chiado é novidade para ela. Ainda é tão cedo – não são nem 8h ainda – e Marie atende com cautela. A voz da m ulher do outro lado da linha, engasgada com um tipo de tristeza ou em oção da qual não tinha controle ainda, alerta Marie que deveria ter deixado o telefone tocar. Tarde dem ais. Está presa com ela agora.

– Quantos anos você disse que tem ? – Marie pergunta. – Aqui é da revista Teengirl. Sim , TEENGIRL. Não, nunca ouvi falar nessa revista, sinto m uito.

Ela escuta pacientem ente a história da m ulher, m urm ura coisas educadas, ainda que sem com prom etim ento, e por fim anota rapidam ente o nom e da Mulher Maluca, seu telefone e endereço, que fica nas redondezas de Londres.

– Sim , alguém vai entrar em contato – Marie prom ete. – Claro, posso ver o quanto deve ter sido decepcionante. Não há de quê.

Meu Deus, isso está m ais para um a ligação para os sam aritanos do que para um pedido de um a leitora. Pelo m enos a Mulher Maluca pareceu um pouco m ais calm a quando Marie desligou o telefone. Com sorte, essa será a últim a vez que escutam falar dela.

Marie rem exe em sua bolsa e encontra sua m aquiagem . Aos 29 anos e 11 m eses, Marie O’Donnell ainda é j ovem , m as é velha o suficiente para saber que a j uventude não dura para sem pre. E j uventude é o que conta no seu negócio. O tim e m ais j ovem , que m al consegue escrever seu nom e com um galho, está regularm ente sendo prom ovido para as cadeiras dos editores, desde que os poderosos decidiram que não é o suficiente atrair leitores; o editor precisa ser o leitor – j ovem , solteiro e sexy. Marie ainda é solteira. Ocupada dem ais trabalhando e divertindo-se com suas am igas, sem pre que consegue escapar do escritório. Com o outras m ulheres da sua geração, Marie disse a si m esm a que o am or poderia esperar. O am or estava ali, no m odo de espera, voando em um céu azul, logo ali, até o dia em que ela passaria um a m ensagem pelo rádio para dizer que há condições favoráveis para aterrissagem . (Essa é a ilusão m ais cruel da sua geração, a ideia de que se pode ditar regras ao am or, program ar suas chegadas e partidas. O am or tem seus próprios planos.)

Com m ãos hábeis, Marie com eça a espalhar a nova base Chanel usando as pontas dos dedos, com toques leves com o os de um a plum a. Depois, seu batom coral favorito. Um a aplicação com o pincel, tirando o excesso com lenço de papel; depois a segunda aplicação para durar: o m odo com o as revistas a ensinaram quando tinha a idade que suas leitoras têm agora. Tão perto e tão longe, os anos vulcânicos da adolescência. Ela não voltaria a ter 13 anos novam ente nem se lhe pagassem um m ilhão de libras.

 

A sala da diretoria da editora Nightingale fica no sétim o andar, com um a vista espetacular de 180º para o rio. O chefe está ao lado da j anela, brigando com a persiana nova, quando vê Marie entrando. O rio Tâm isa, norm alm ente de um tom cinza pálido com o o de um rato, está m arrom esta m anhã, um estranho m arrom rem exido, com o se alguém tivesse j ogado chocolate quente ali durante a noite. A rua que acom panha o outro lado do rio, sem pre um a faixa contínua de m etal de veículos lançando fum aça, está quase vazia. Os ônibus verm elhos m ovim entam -se com o brinquedinhos sendo puxados por um fio. Mais adiante, em um espaço vazio entre os blocos de escritório, está a catedral. Incrível, o chefe pensa, que depois de todos esses anos trabalhando nesse prédio nunca tenha se cansado de olhar para a cúpula da catedral de St. Paul. Quando ouve no rádio um vigário falando sobre a graça de Deus, é sem pre a cúpula da catedral que lhe vem à cabeça.

Ele se volta para ver sua equipe se sentando à com prida m esa de m adeira. Recentem ente alvo de um a grande reform a, a sala da diretoria da Nightingale agora é um a sinfonia de m adeira de teca e vidro, com várias estatuetas rechonchudas dispostas no painel decorado na parede, em pequenos nichos ilum inados. Provavelm ente arrem atados em algum a liquidação de fornecedores de Buda, o chefe suspeita. Desperdício total de dinheiro, m as os anunciantes esperam que você pareça m oderno – e pagam por isso. Se as estatuetas tentavam passar a im pressão de sabedoria divina e tranquilidade, então fracassavam , ele pensa. O que os Budas arrem atados em liquidação m ais parecem são aqueles Teletubbies que andam com o patas-chocas na TV infantil.

O chefe coloca a caneta e o caderno sobre a m esa e exam ina sua equipe. O grupo de editores está todo ali, sentado em cadeiras tão pesadas quanto tronos. Greg Chisholm , cabeça do Departam ento de Relações Públicas e sem pre três anos atrás de Elton John na escolha dos óculos, está sentado ao lado de Declan Walsh, diretor de criação. Declan, que j á fez parte de um a banda quando garoto, saiu de um a linha de produção de um a fábrica que produzia adoráveis ladinos irlandeses. Entre Declan e Sasha Harper está Wendy, cuj a revista é endereçada às m ães que lutam no m ercado de trabalho. Wendy às vezes é um pouco prolixa, m as é um a profissional extraordinária.

Em frente a Wendy está a im aculada Louisa Becks, um a prim a distante da rainha. Sua coluna Você Melhor está conquistando leitoras abastadas entre as m ulheres que trabalham e podem se dar ao luxo de pagar por um a j uventude estendida, abrangendo férias com y oga e o “tem po para m im ”, cuj o pacote de beleza inclui o abraço caloroso de aplicação de lam a no corpo inteiro. Sem pre que o chefe fala com Louisa, tem a im pressão de que é ela quem está lhe concedendo um a audiência, e não o contrário. Deve ser da classe social, ele acha. Apesar do terno Arm ani e do escritório com um a bela vista, ele ainda é o garoto de classe m édia baixa que só teria encontrado a fam ília de Louisa lendo o j ornal.

Ao lado de Louisa, ostentando o m esm o corte de cabelo bem curto, raspado à m áquina, e calças de couro Gucci, estão Gavin e Matthew. O m ercado dos hom ens é m ais direto que o das m ulheres. Há revistas para hom ens que gostam de esporte, bebidas, carros, eletrônicos, m ulheres e sabem ler – um a m inoria tão especializada quanto os cultivadores de orquídeas. Há tam bém as revistas para os caras que gostam de esporte, bebidas, carros, eletrônicos e não sabem ler, m as sim plesm ente querem olhar para os peitos das m ulheres. Gavin cuida dos prim eiros e Matthew dos últim os. Apesar de o chefe saber que os m eninos desej ariam trocar suas posições, ele acha que ficarão m ais m otivados onde estão.

Marie, a editora favorita do chefe, parece cansada hoj e. Sua palidez celta está m ais aparente que de costum e. Enquanto Marie lhe faz um aceno de cabeça e sorri, ele im agina se ela está grávida. Se estiver, qual dos dois venceria: seu catolicism o ou sua am bição? Ele detestaria perdê-la. Ela é a única que o faz lem brar dele próprio m ais j ovem .

De costas para a j anela, com a catedral de St. Paul visível sobre seus om bros, o chefe pede à editora de Babe para dar o pontapé inicial. Usando um cigarro com o pontuação para sua fala, Sasha com eça um discurso apaixonado e contundente sobre com o Babe tem total com ando quando o assunto é sexo na adolescência.

– Nós tem os o sexo adolescente da m esm a form a que a revista PowerPlay com anda a testosterona.

Segundo Sasha, Babe está dom inando o m ercado de fofocas de celebridades teen, e com outro grande em purrão logo será líder de m ercado.

– Tem os um a notícia m uito quente chegando dessa garota nova cham ada Britney – ela prom ete.

– E até que ponto dom inar o tem a sexo na adolescência deixa de lado o velho e ultrapassado anseio rom ântico? – pergunta o chefe com um sorriso sarcástico, o que sem pre deixa sua equipe em dúvida se ele está de brincadeira.

Essa é a dica de Marie e ela aproveita:

– Bem , pessoalm ente, acho que as m eninas sem pre irão fantasiar sobre os garotos que consideram heróis e sem pre vão querer saber m inúcias de sua vida. A sociedade pode ter se tornado m ais explícita com relação ao sexo, m as as cartas que recebo das garotas m e dizem que suas preocupações não m udaram .

– Que tipo de preocupações? – o chefe pergunta.

– Eh, hum , estou desesperada para ser am ada, m eu nam orado m e acha feia, estou assustada porque m eus m am ilos são desiguais.

Marie é recom pensada com boas gargalhadas ao redor da m esa, e até o chefe sorri.

– Estou detectando um a luta coraj osa, ainda que solitária, contra a erotização precoce, srta. O’Donnell?

Ela fica verm elha.

– Só não tenho certeza de que as leitoras da Teengirl queiram inform ações específicas sobre um boquete antes m esm o de terem dado seu prim eiro beij o.

Ela não tem certeza de que isso sej a verdade, de fato tem e que sej a o oposto, m as Marie faz a afirm ação de qualquer j eito porque quer que sej a verdade. Se não for, o que aconteceu com as m eninas? Elas com eçaram a agir com o m eninos quando lhes disseram que eram iguais, m as alguém esqueceu de dizer a elas que não foram proj etadas para serem hom ens; elas nem teriam coração para isso. Ou teriam coração dem ais, talvez.

– Concordo com Marie – diz Gavin. – O prim eiro am or ainda existe.

– E latindo adoidado – diz Declan.

– Para m im – Gavin continua –, a tendência forte do m om ento é a nostalgia pelo passado. É aquele m aldito fim do século, sacou?

Ele cai apressadam ente para um linguaj ar m ais inform al para afastar qualquer acusação de ser um babaca pretensioso. Para azar de Gavin, nesses tem pos de igualdade em que vivem , ser o prim eiro em história em Oxford é considerado um a desvantagem profissional, pior do que ser viciado em cocaína.

– Fin de siècle – acrescenta Louisa, quase que para si m esm a.

– Tem os visto m uitas ações do passado acontecendo novam ente – Gavin diz. – Há um apetite im enso por coisas do tipo “com o éram os antigam ente”: na indústria da m oda, da m úsica, dos film es, sej a lá o que for.

Marie ri m uito alto e os outros a olham com curiosidade.

– Nem m e fale sobre nostalgia – ela diz. – Atendi a ligação de um a m aluca hoj e bem cedo. Ela disse que venceu um teste do David Cassidy e queria saber se podia receber o prêm io.

– Que prêm io? – pergunta Sasha, para garantir que a voz de Marie não sej a a única a ser ouvida. Ela olha de relance para o chefe, m as ele tem o olhar distante e está franzindo as sobrancelhas para algum a coisa.

Marie pode sentir seu rosto ficando verm elho por baixo da base com cobertura de longa duração. É a derm atite de estresse recom eçando.

– Vocês não vão acreditar. O prêm io era um a viagem para duas pessoas, a m aluca e um a am iga, para conhecer David Cassidy nos estúdios de A Família Dó-Ré-Mi, que term inou por volta de 600 a.C.

A sala explode em gargalhadas de prazer e zom baria.

– O que houve com Cassidy , por falar nisso? – Matthew pergunta.

– Ele ainda faz um show em Vegas, e aquele estranho show do reencontro.

– Ele era um m enino lindo – diz Declan. – Vocês se lem bram daquela foto dele nu na capa da Rolling Stones? Início dos anos 1970? O pobre coitado estava tentando se livrar da im agem de garoto certinho, m as não deixaram o ídolo teen se libertar porque ele valia m uito do j eito que era. Qual a idade da nossa Mulher Maluca?

Marie não sabe.

– Bem – diz Louisa –, eu era fã do Donny Osm ond e as garotas que gostavam do David Cassidy geralm ente eram um pouco m ais velhas. Portanto, m eu palpite é que ela estej a por volta dos 37 ou 38 anos.

– Caraca, Louisa – Declan diz com apreço. – Você era fã do Donny ?

Ela sorri com o se estivesse sonhando.

– Ah, eu era com pletam ente apaixonada por ele. Matava aula com um bando de am igas para ficar do lado de fora do Churchill Hotel onde os Osm onds se hospedavam . Era dem ais. Candida Hancock ficou com um dos lençóis dele.

Faz-se um silêncio educado, porém perplexo, que é quebrado por Greg.

– Donny não era aquele cheio de dentes que usava um a boina roxa?

– Ele ficava m uito bem – Louisa o defende com lealdade. – Estava fantástico no program a de Terry Wogan.

– Eu era um pouco fã de David – Wendy diz com cautela. Ela está tem erosa em revelar sua idade exata entre os colegas m ais j ovens, m as sente as antigas lem branças com eçando a rem exer dentro dela, com o um anim al hibernando que percebe que a prim avera está chegando novam ente. Na verdade, Wendy Petrie de Margate, com o se cham ava na época, foi a dois shows de David Cassidy em Wem bley, os picos gêm eos de sua adolescência, e, durante 18 m eses de exaltação, ela ia dorm ir toda noite com o “Kit do Am or de David Cassidy ” debaixo do travesseiro.

– Ele tinha as fãs m ais leais – ela continua –, em m aior núm ero do que os fãs de Elvis ou até m esm o dos Beatles. Minha am iga Paula diz que se casou com um hom em cham ado David Connor porque ele era am ericano e tinha as m esm as iniciais.

Marie está olhando para o chefe. Ele é sem pre m uito difícil de decifrar. O que será que ele está pensando sobre essa m erda toda? Ela não tem certeza de quantos anos ele tem . Quarenta e poucos? Ela sabe que ele se divorciou de um a carreirista am biciosa e que fez m uita grana, anos atrás, quando vendeu ao proprietário a ideia de um a nova revista sobre m úsica direcionada às garotas adolescentes. Marie acha que seu chefe pode não ser bem o que parece. Alguns hom ens usam terno com o se o terno definisse quem são; o chefe usava seu terno com o se estivesse apenas em prestando sua constituição física elegante à roupa até que conseguisse um a oferta m elhor. Ele lem bra um ator, se seu pobre cérebro prej udicado apenas conseguisse pescar o nom e. Daquele film e com Michelle Pfeiffer que ela adora, Susie e os Baker Boys. Mais tarde o nom e viria.

– O que acontece com o ídolo adolescente – Louisa está dizendo –, é que ele se transform a com o tem po. Os rostos e os nom es m udam , m as a necessidade em ocional que eles preenchem , isso nunca m udará.

– Eu acho... – o chefe diz por fim , tão baixo que todos têm de se calar e prestar atenção para conseguirem ouvi-lo, esse é um truque antigo dos professores – que som os capazes de fazer algo com isso. O potencial enorm e de identificação das fãs de David Cassidy e quem m ais se lem brar de seus sentim entos por um ídolo pop. Tenho a im pressão de que isso é para os seus leitores, Wendy . Nossa m ulher m aluca tem nom e, Marie?

– É um nom e diferente, estrangeiro. Acho que é Petra.

Ele assente afirm ativam ente e rabisca um a anotação em seu caderno.

– Muito bem , o que acham de cham arm os Petra, fazerm os um a sessão de m aquiagem com ela e a levarm os para Las Vegas para um show de Cassidy, program ando um encontro entre os dois? Vej a isso com o pessoal de Cassidy, tudo bem , Greg? Isso é um a ordem , e não um a pergunta.

– Deixa com igo. Vou adorar isso – Greg diz, acenando com seus óculos no ar. A arm ação verm elho-cerej a é do tam anho de um a tábua de queij o. – Isso está parecendo um daqueles soldados j aponeses que saem da selva e não sabem que a guerra acabou há 40 anos. É com o um a cápsula do tem po real. Os tabloides vão adorar. “Mãe Reivindica Prêm io de Ídolo Adolescente. Que Am or Duradouro!”

– Cinderela, você vai ao baile! – exclam a Matthew.

– Sim , só que 25 anos depois e 12 quilos m ais pesada – Marie diz, cuj a fé no Príncipe Encantado está difícil de ser rem endada.

– Grande interesse para a hum anidade – ironiza Declan –, contanto que a Mulher Maluca não sej a um a desequilibrada que acha que Daaay -vidd vai arrancar suas roupas e pular na cam a com ela.

– Cala a boca – diz Marie, sentindo um ím peto de proteger a Mulher Maluca. A voz da m ulher dem onstrara que ela estava à beira do desespero.

– E a am iga – diz o chefe, que segue seu próprio trem de pensam entos, distante dos outros agora. – A am iga dos velhos tem pos pode ser m uito útil. Im agino se é possível desenterrar o teste de David Cassidy .

Seus subalternos, desconcertados, fazem ruídos respeitosos e com eçam a pegar seus arquivos e seus m aços de cigarros.

Marie está agradecida agora por ter atendido o telefone. Declan estava certa, eles apenas têm de torcer para que a Maluca sej a apresentável. As técnicas com airbrushing para m elhorar fotos fazem m aravilhas hoj e em dia, m as têm seus lim ites. E David Cassidy, ela se esquecera dele. Será que está são e sim pático, ou estará prej udicado com o tantos pobres coitados que ficaram fam osos m uito j ovens?

O chefe segura a porta da sala da diretoria para ela. Eles andam j untos pelo corredor em silêncios, até que, de repente, ele diz:

– Sabe, Marie, há m uito o que dizer sobre a crise da m eia-idade. As pessoas com frequência estão no seu m elhor durante um a crise. Você vê com o as pessoas realm ente são.

Marie ri, sem ter certeza de que essa é a resposta correta. Se ela não desej asse tanto a adm iração do chefe, poderia ser m enos insegura.

Através da porta de vaivém à frente, eles veem o diretor de m arketing se aproxim ando.

– Oi, Baz, posso falar com você na m inha sala um m inuto? – pergunta o chefe.

Barry dá a Marie um aceno irônico usando apenas as pontas dos dedos.

– É claro – responde. – Sem problem a, Bill.