Faroeste Caboclo - O Livro

Jorge Leite de Siqueira · Capítulo 16 de 27

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Faroeste Caboclo - O Livro

Capítulo 14: - Temido e Destemido

Ainda naquela noite.

– Natinho, chama os rapazes que temos uns negócios a acertar. – Quem, João?

– Chama os quatro de sempre: o Alex, o Rodrigo, o China e o Mundo. Chame-os porque hoje quero dar uma supervisionada no serviço dos pontos. Depois da prisão, deu uma diminuída e quero animar o pessoal. “Os quatro” era como João se referia ao seu grupo predileto. Eram pessoas de sua confiança, fortes e que não tinham medo de nada. Eram corajosos a ponto de obedecer cegamente a uma ordem de João. Cada um deles já tinha alguma morte no currículo.

Meia hora depois estavam na rua. O primeiro ponto estava correto. O pessoal atento, sem drogas em excesso, tudo como João ordenava. João inspecionou um a um os outros pontos de venda de drogas que ele mantinha na região. Em dois pontos ele teve problemas.

Em um dos pontos João parou um pouco afastado do local e percebeu que tinha gente suspeita rondando o movimento. Demorou um pouco e mandou o China comprar alguma coisa do cara.

China foi, como se fosse um viciado.

João viu o China encostar-se ao cara, conversar alguma coisa e voltar para o carro. Entrou no carro e mostrou ao João que alguém estava passando drogas no ponto de João.

Vamos pegar aquele cara! China voltou para conversar com o cara, enquanto o carro era ligado e encostava-se a ele. Rapidamente, o rapaz foi jogado dentro do carro. Levaram-no para um campo abandonado, onde era comum o encontro de traficantes e seus clientes.

– Qual o seu nome, rapaz?

– Esdras – falou o rapaz, preocupado. – O que vocês querem? É assalto? Toma o dinheiro...

– Que assalto, cara! Quem te mandou vender droga ali, no meu ponto? – perguntou João.

O rapaz entendeu onde havia entrado.

– Olha, cara, foi só hoje. Eu estava de bobeira e precisava vender alguma coisa para poder usar.

– Eu acho que você está mentindo.

João deu um murro no estômago do rapaz que caiu no chão, gemendo. – Acho melhor você falar a verdade, senão você não sai daqui vivo... O rapaz percebeu que não tinha muita coisa a fazer. – Eu vim do Rio de Janeiro, recebi o bagulho de uns amigos, um pessoal me trouxe aqui e foi embora. Eu devia um dinheiro para eles lá no Rio e eles me trouxeram para cá, para vender para eles, até pagar a conta. – E quem mais veio com você?

– Só mais um cara, eu nem conheço. Está lá na outra rua. Daqui a pouco a gente vai embora.

João se preocupou.

Deixou Alex e Rodrigo no campinho e foram atrás do outro. Levaram o rapaz no carro até onde ele disse que estava o outro rapaz. Se não fosse verdade, o matariam ali mesmo.

Era verdade. Lá estava o outro cara, perto de outro ponto de venda. Da mesma forma, empurraram-no para dentro do carro o levaram para o campinho. – O que você estava fazendo ali, meu chapa? O que você estava fazendo no meu ponto? – gritou João.

– Pode falar! O seu amigo já se abriu – disse China. O rapaz percebeu que estava em perigo. Quando ia falar, Alex deu um murro em seu rosto. João segurou Alex e o mandou ficar quieto. – Esse safado! – disse Alex.

João ficou surpreso com Alex. Nunca era tão violento espontaneamente. Sempre esperava ordens, mas, hoje, estava tomando a frente. – Fica quieto, Alex! – falou João. E virando-se para o rapaz: – Fala, cara, se não quiser coisa pior.

E o rapaz falou a mesma coisa. Era mandado do Rio de Janeiro. – Escuta, rapaz – gritou João, para Esdras. – Você vai voltar para o Rio de Janeiro e dar um aviso aos seus amigos.

Virou para o segundo rapaz, e, a sangue frio, deu um tiro na testa dele, que caiu morto instantaneamente.

– Volta lá, e fala para a esses caras para eles não aparecerem mais por aqui, senão a coisa vai ficar feia para o lado deles. Eu não quero ver a sua cara nem a de nenhum amigo seu por aqui. Entendeu?

O rapaz estava em estado de choque.

– Entendi... Entendi...

E saiu em desabalada carreira.

João não sabia que teria problemas terríveis no futuro. Ah, se ele tivesse bola de cristal...

No outro dia ele falou com Pablo.

– Pablo, quero que você observe o que está acontecendo. Ontem à noite tive que tomar as providências de expulsar dois caras do ponto nove. Estou achando que alguém está tentando entrar no nosso comércio. – João, foi você quem matou aquele cara do campinho? – Foi, sim. Quem te falou?

– O pessoal de lá. Não entendi nada, mas agora estou compreendendo. – Pablo, tinham dois caras vendendo drogas no nosso ponto. Eu matei um e mandei o outro dar o recado de que aqui quem manda é a gente. Mas, eu não sei quem são os chefes deles. Parece que eles estavam só de olho como funciona o nosso esquema.

– Vou ficar de olho, João. Deixa comigo.

– Ah. Na próxima semana vou passar uns quinze dias em Porto Seguro, na Bahia. Eu iria só daqui a um mês, mas resolvi ir logo. Você fica de olho se aparece alguma novidade e me telefona, caso encontre algum suspeito. Você sabe que eu volto aqui na hora, e arraso com qualquer um que queira se intrometer.

– Eu sei, João. Só não sei se esse é o método certo, entendeu? – O quê? Violência? A violência é tão fascinante... – João, cuidado, você não pode ser tão violento... João não ligou para o que Pablo disse e saiu. Estava preocupado com quem eram os chefes dos rapazes, mas achava que com a morte de um e a expulsão do outro o assunto seria encerrado.

Encontrou-se com Natinho.

– Natinho, providencie o que for necessário para passarmos uns quinze dias em Porto Seguro. Leve meu carro para um check-up, pois vamos nele. Providencie as reservas de hotel e o que for necessário. Vamos ver se viajar é bom mesmo. – Ok, João. Quem mais vai com a gente?

– Ninguém. Vamos só nós dois. Lá não vai faltar companhia. Já escutei muita coisa boa desse lugar.

– Falou, João. Vou falar com o Eduardo para ver se eles nos indicam alguma coisa.

Uma semana depois estavam em Porto Seguro.