Minha Versão de Você

Christina Lauren · Capítulo 13 de 25

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Minha Versão de Você

Capítulo Treze

Tenda sob a qual se realiza o casamento judaico.

 

Sebastian me envia mensagens de texto todos as noites antes de dormir e todas as manhãs assim que acorda. Às vezes, são apenas um “oi”.

Outras vezes, são mais longas, mas não muito. Como na quarta-feira, depois do jantar em sua casa, ele me enviou uma nota que apenas dizia: “Que bom que chegamos a um acordo sobre a situação”.

Entendo que definitivamente estamos juntos.

Também entendo que nosso relacionamento definitivamente é um segredo.

Porém... somos mais ou menos como dois sem-teto. Minha casa agora está fora de questão. A casa dele definitivamente está fora de questão. Poderíamos ficar no meu carro, mas isso não apenas pareceria suspeito demais, como também nos traria a sensação de estar dentro de um aquário, sem nenhuma privacidade nem parede nos protegendo.

Então – desde o fim de semana em que fomos flagrados por meu pai no meu quarto –, fazemos trilha pelo menos duas vezes por semana. Esses passeios não apenas nos deixam longe dos olhos à espreita (pelo menos, agora, durante uma época do ano em que não há mais ninguém na montanha), mas também (pelo menos para mim) ajuda a gastar a energia extra que pareço ter ultimamente. Tem dias que são frios pra caramba, mas vale a pena.

Coisas que fizemos nos dois finais de semana depois que ele sussurrou a palavra “namorado” durante um beijo:

1) Celebramos nossos aniversários de uma e duas semanas do jeito mais brega possível – cupcakes e cartões feitos a mão;

2) Roubamos olhares um do outro durante todas as aulas do Seminário; 3) Trocamos cartas da maneira mais sutil que conseguimos – eu fingia que passava páginas do “meu livro” para ele ler e ele as devolvia. (Nota: meu livro está fluindo extremamente bem, mas não aquele que eu deveria estar escrevendo. Aliás, só de pensar nesse assunto, já sinto o pânico golpear dentro de mim. Mas vamos em frente); 4) Relemos as cartas até as folhas de papel quase se desfazerem;

5) Encontramos usos criativos para emojis em nossas mensagens de texto.

Coisas que não fizemos desde que ele sussurrou a palavra “namorado” durante um beijo:

1) Beijar.

Sei que é difícil para nós dois conseguirmos nos sentir próximos sem nos sentirmos próximos, mas todo o resto parece ir tão bem agora que não vou deixar a falta de uns apertões me arrastar para fora do país das maravilhas.

Autumn pega um dos handouts que estão passando pela sala, antes de colocar a pilha na minha carteira, afastando-me dos meus pensamentos. Sebastian está lá na frente, analisando os textos de Clive e Burrito Dave. Não importa o fato de Clive estar saindo com Camille Hart e Burrito Dave sair com todas as meninas do primeiro ano. O ciúme golpeia duramente as minhas costelas.

Como se sentisse o fogo de meu olhar, Sebastian vira-se em minha direção e depois disfarça, enrubescendo.

– Você...? – Autumn começa, mas logo nega com a cabeça. – Ah, não é nada.

– Eu o quê?

Ela inclina o corpo na minha direção e sussurra:

– Você acha que ele gosta de você? O Sebastian?

Meu coração tropeça com essa pergunta e forço para tentar concentrar toda a minha atenção no notebook à minha frente enquanto digito a mesma palavra repetidas e repetidas vezes:

Quinta-feira

Quinta-feira

Quinta-feira

Quinta-feira

Faltam três dias para quinta-feira, quando vamos outra vez fazer a trilha.

– Como é que eu vou saber? – arrisco em um tom casual. Despreocupado.

Talvez, eu devesse mesmo convidar Sasha para o baile de formatura.

Fujita anda pela sala, verificando como estamos progredindo com a contagem de palavras, arco narrativo, desenvolvimento do enredo e ritmo. Hoje é 10 de março e, em tese, era para termos 12 mil palavras escritas para que um colega lesse e nos desse um feedback. Tenho mais de 40 mil palavras escritas, mas são todas daquele livro – e não posso entregar aquele livro.

Autumn não quis trabalhar comigo – todos, menos eu, se surpreenderam com essa decisão –, então não tenho um parceiro e vou me aproveitar disso todo o tempo que puder. Mas eu devia imaginar que não seria tão fácil. Apesar de sua aparência de meio hippie desligado, meio “cara desgrenhado da literatura”, Fujita conhece todos os detalhes.

– Tanner – ele me chama, vindo tão discretamente atrás de mim que chego a saltar enquanto fecho o notebook com uma pancada. Rindo, ele se inclina mais perto, sussurrando: – Que tipo de romance você está escrevendo, meu rapaz?

Se eu tivesse essa opção, seria uma obra que se transforma de juvenil em romance erótico mas estou certo de que não vai rolar. Ver também: relacionamento secreto, sem-teto.

Ver também: preciso começar o livro novo o mais rápido possível.

– Contemporâneo. – Respondo, acrescentando para me defender caso ele tenha visto o termo “quinta-feira” escrito várias vezes na tela: – É que hoje estou um pouco travado.

– Todos nós temos dias em que as coisas fluem e dias em que não fluem. –

Assegura alto o suficiente para toda a sala ouvir. Depois, concentra-se outra vez em mim: – Mas, fora isso, está se mantendo em dia?

– Surpreendentemente, sim – respondo.

Depende do ângulo de onde você olha.

– Muito bem. – Fujita agacha, olhando-me diretamente nos olhos. – Então parece que todo mundo já está com um colega para dar feedback. Como você está em dia, mas não está fluindo muito bem hoje, vou chamar Sebastian para lhe dar feedback. – Meus batimentos disparam. – Sei que ele vem conversando com você sobre a sua ideia e, como temos um número ímpar de alunos e falta alguém para formar uma dupla, acho que é o melhor jeito de resolvermos essa situação.

– Fujita dá tapinhas em meu joelho. – Tudo bem para você?

Abro um sorriso.

– Para mim, tudo bem.

– Me chamaram?

Fujita e eu olhamos para Sebastian, que se materializou ao nosso lado.

– Eu só estava dizendo ao Tanner que você vai ser o colega para dar feedback sobre o texto dele.

Sebastian abre aquele seu sorriso leve e confiante, mas seus olhos dançam na minha direção.

– Legal. – As sobrancelhas perfeitas e escuras se arqueiam. – Isso significa que você terá que me mostrar o que escreveu até agora.

Arqueio as sobrancelhas em resposta.

– Ainda está bastante bagunçado.

– Não tem problema. – Responde distraidamente. – Posso ajudar a encaixar

 

tudo direitinho.

Autumn raspa a garganta.

Fujita dá tampinhas em nossas costas.

– Excelente! Trabalhem juntos, então.

Sebastian desliza uma pasta sobre a minha carteira.

– Aqui estão algumas notas do nosso último encontro.

Meu pulso perde completamente o controle e minha voz sai trêmula quando tento fazê-la soar casual, ao dizer:

– Legal, obrigado.

Assim que Sebastian vai embora, sinto a atenção de Auddy na lateral do meu rosto.

Sem olhar para ela, pergunto:

– O que foi, Auddy?

Ela aproxima o rosto de mim e sussurra:

– Você e Sebastian acabam de ter toda uma conversa usando termos sexuais.

– É?

Ela fica em silêncio, mas sua pausa intencional é uma presença viva entre nós.

Por fim, olho-a nos olhos e, antes de me virar, pergunto a mim mesmo se minha amiga percebe tudo o que está acontecendo. Sei que está estampado na minha testa com a mesma clareza de uma faixa no céu: SEBASTIAN + TANNER = NAMORADOS

– Tanner – ela me chama outra vez, lentamente, como se estivéssemos no fim de um romance de Agatha Christie.

Viro-me para encará-la. A pele debaixo da minha camisa está pegando fogo; meu peito, quente, formigando.

– Acho que vou convidar Sasha para o baile de formatura.

T., Como foi o seu fim de semana? Sua família acabou indo para Salt Lake?

Nesse fim de semana, a casa dos Brothers foi uma loucura. A impressão era a de que a campainha não parava de tocar. Tivemos algumas atividades na igreja no sábado. Lizzy e eu fomos ajudar, e tentar colocar vinte crianças de seis anos em uma única fila é como tentar domar felinos selvagens. Além do mais, acho que a Irmã Cooper deu doces para eles depois que ela terminou sua atividade, antes da nossa, então as crianças estavam loucas.

No sábado, cheguei tarde em casa, fui ao meu quarto e pensei em você por duas horas, antes de conseguir dormir. Bem, pensei em você e orei, e depois

pensei mais um pouco em você. Essas duas atividades me fazem sentir incrível –

quanto mais oro, mais confiante fico de que o que estamos fazendo é certo. Mas também me sinto sozinho. Queria que pudéssemos estar juntos ao final de dias assim, conversando sobre nossas vidas no mesmo espaço, e não por meio dessas cartas. Mas pelo menos temos elas.

E temos quinta-feira. É loucura eu estar tão animado assim? Talvez você precise me controlar. Tudo o que quero fazer é beijá-lo, e beijá-lo, e beijá-lo.

Quando vai me mostrar o seu novo livro? Você tem talento, Tanner. Estou morrendo de curiosidade para ver o que andou escrevendo. Vou ao campus agora, mas estarei no Seminário hoje, e, aí, entregarei esta carta. Quando terminar de ler, saiba que estive pensando em beijá-lo enquanto escrevia esta frase (e todas as que vieram antes, provavelmente).

Com amor,

S.

Leio a carta umas dezessete vezes, antes de enfiá-la no bolso mais fundo da mochila, onde ficará até eu chegar em casa e conseguir guardá-la em uma caixa de sapato na prateleira mais alta do meu armário. (Pensando nisso, se eu morrer hoje, a caixa de sapato na prateleira mais alta do meu armário deve ser onde meus pais vão buscar as primeiras pistas do que aconteceu comigo; preciso procurar um esconderijo melhor.)

Deixo esses pensamentos leves me distraírem do desconforto que sinto ao me deparar com a curiosidade de Sebastian por ler meu livro novo.

Não me entenda mal: realmente amo o que tenho até agora. Mas preciso encarar a realidade: se continuar assim, não terei um livro para entregar como trabalho final. Até agora, essa verdade tem funcionado como um repelente, e meu pensamento vaga livremente para longe dela. Já disse a mim mesmo várias e várias vezes que posso mostrar que fiz alguma coisa, entregar ao Fujita algumas páginas de amostra, antes de Sebastian aparecer na narrativa – sob pedido de confidencialidade –, e pedir que me dê nota com base no que leu.

Fujita é um cara bastante tranquilo; acho que faria isso por mim. Ou, então, posso admitir para Sebastian que meu livro ainda é sobre nós e pressioná-lo para me dar uma nota decente com a desculpa de que está corrigindo alguns trabalhos para aliviar um pouco a carga de Fujita.

Mas o que acontece se Fujita não aceitar? E se me reprovar com base nas primeiras vinte páginas? Ando escrevendo loucamente. Desde que editei porcamente os primeiros quatro capítulos para Sebastian ler, não mudei mais nenhum detalhe, nem sequer nossos nomes. Na versão atual, ainda está tudo lá, exposto para o mundo ver, e não quero mudar. O Seminário. Bispo Brother. Nossos passeios na montanha. Meus pais. Minha irmã. Nossos amigos. Sei que Sebastian precisa que eu altere o texto, mas não quero esconder nada.

Às três horas de quinta-feira, ele está me esperando na entrada da trilha. Só nos restam algumas poucas horas de luz do sol, mas espero que possamos ficar lá em cima até tarde, até depois de escurecer. Sei que ele não tem aulas antes do almoço amanhã, e eu funciono bem dormindo pouco.

– Oi.

Deus, como somos bobos. Sorrimos como se tivéssemos ganhado uma medalha de ouro do tamanho de Idaho. Seus olhos estão endiabrados e eu amo esse seu lado. E me pergunto quem mais consegue ver isso. Quero pensar que o que enxergo agora em seus olhos é sua mais pura verdade.

– Você trouxe água? – Sebastian pergunta.

Viro-me para mostrar o cantil.

– Essa garrafona aqui.

– Legal. Hoje vamos subir mesmo. Está pronto?

– Vou segui-lo a qualquer lugar.

Com um sorriso enorme, ele dá meia-volta e começa a avançar pela trilha, passando pelos arbustos pesados, umedecidos pela chuva. Vou logo atrás. O

vento ganha velocidade conforme vamos subindo e não nos importamos em jogar conversa fora. Isso me lembra uma vez em que fui a um rodízio de frutos do mar com meu pai, durante um congresso em Nova Orleans. Ele mantinha um semblante focado. “Não coma os acompanhamentos”, aconselhou, referindo-se aos pães, pequenos sanduíches e mesmo aos bolos (que, embora fossem lindos, não tinham sabor nenhum). Meu pai apressou-se na direção dos caranguejos, salmão e atum grelhado.

Agora, aqui, sem fôlego, jogar conversa fora seria equivalente a comer pães.

Quero sentir o corpo de Sebastian junto ao meu quando ele pronunciar suas próximas palavras.

A maioria das pessoas que fazem trilha na Y Mountain param no enorme Y

pintado, mas nós chegamos lá depois de andar meia-hora e seguimos em frente, deixando a cidade cada vez mais longe. Atravessamos a área onde a trilha se estreita e seguimos ao sul, depois viramos no sentido oeste e chegamos a Slide Canyon. Aqui, o chão é mais acidentado, então damos passos mais cuidadosos para evitar urtigas e arbustos espinhosos. Por fim, alcançamos uma área da montanha coberta por pinheiros. Precisamos dessas árvores não pela sombra que produzem – sentimos cada vez mais frio, agora abaixo de 0ºC, mesmo com

nossas jaquetas pesadas –, mas pela privacidade que nos dão.

Sebastian diminui o ritmo e senta-se debaixo de copas de árvores em uma área voltada a Cascade Mountain e Shingle Mill Peak. Solto o corpo ao lado do seu; passamos mais de uma hora andando. Quaisquer questionamentos que eu tivesse sobre se estaríamos aqui ao anoitecer foram deixados de lado. Nunca andamos tanto, nem nos finais de semana, menos ainda nos dias de semana, e vamos precisar de pelo menos mais uma hora para voltar para casa. O sol desce no horizonte, forçando o céu a adotar um azul pesado e sedutor.

Sua mão desliza na minha, e ele inclina o corpo para trás, encostando nossas mãos dadas em seu peito. Muito embora estejamos com jaquetas pesadas, consigo sentir seu calor.

– Nossa... uma trilha e tanto.

Permaneço sentado, apoiado na outra mão para manter o equilíbrio e apreciar a vista do cânion. As montanhas são de um verde dramático pontilhado pelo branco da neve. Seus picos parecem pontiagudos e as laterais pontilhadas por árvores. É tão diferente do vale lá embaixo, onde tudo parece ser restaurantes de fast-food e lojas de conveniência.

– Tann?

Viro-me e olho para ele. É quase impossível resistir à tentação de me arrastar em cima de Sebastian e beijá-lo por horas, mas também é gostoso ficar aqui, apenas segurando a mão...

Do.

Meu.

Namorado.

– Eu?

Ele leva minha mão à boca e beija os nós dos dedos.

– Posso ler?

Esse assunto chegou cedo demais. Eu esperava que ele quisesse falar sobre o livro, mas, mesmo assim...

– Mais para frente. Eu ainda... ainda não terminei.

Ele se senta.

– Já entendi. Você acabou de começar, não é?

A mentira está me tornando sombrio por dentro.

– Na verdade, estou tendo dificuldades para começar. Quero escrever algo novo, quero mesmo, mas toda vez que me sento diante do computador, escrevo sobre... nós.

– Eu também entendo isso. – Sebastian fica em silêncio por alguns instantes. –

Fui sincero em minhas palavras. O que eu li era muito bom.

– Obrigado.

– Então, se você quiser, eu posso editar seu texto. Torná-lo menos reconhecível, talvez?

Tenho certeza de que ele faria um trabalho incrível, mas anda tão ocupado.

– Não quero que se preocupe com isso.

Ele hesita, depois aperta a minha mão.

– Mas não é difícil editar. Você não pode entregar aquele livro ao Fujita. Por outro lado, se não entregar nada, vai ser reprovado.

– Eu sei.

Sinto a culpa se espalhando em minha pele. Não sei o que seria pior: pedir a ajuda dele ou tentar começar tudo do zero.

– Também gosto de pensar na gente. – Afirma. – Acho que adoraria editar o seu texto.

– Entendi. Eu posso enviar o que tenho em lotes para você trabalhar, mas não quero enviar no seu e-mail da BYU.

Percebo que nunca lhe ocorreu a ideia de criar outro e-mail.

– Ah, entendi.

– Você pode fazer um Gmail novo e eu envio para lá.

Sebastian já está assentindo e seus movimentos ficam acelerados quando ele parece entender as implicações do que estou dizendo. Sei exatamente o que está pensando: poderíamos enviar e-mails um para o outro o tempo todo.

– Mas seja cuidadoso com o que faz na sua casa. – Peço. – Minha mãe criou um software chamado Parentelligentsia. Sei melhor do que qualquer pessoa como é fácil acompanhar cada movimento que você faz.

– Não acho que meus pais sejam tão descolados assim com tecnologia –

comenta, rindo –, mas pode deixar, entendi a mensagem.

– Você ficaria surpreso se descobrisse como é fácil usar esse programa. –

Afirmo, parcialmente orgulhoso, parcialmente me sentindo culpado por aqueles da minha geração que foram flagrados pela primeira invenção da minha mãe. –

Foi assim que meus pais me descobriram... descobriram meu interesse em meninos. Eles instalaram o software na nossa nuvem e, aí, puderam ver tudo o que eu buscava na internet, mesmo depois de eu limpar o histórico.

Sebastian fica pálido.

– Eles vieram falar comigo sobre o assunto – prossigo. – E foi então que admiti que tinha beijado um menino no verão anterior.

Já tocamos nesse assunto, mas nunca falamos abertamente.

Sebastian se ajeita para me olhar no rosto.

– O que eles disseram?

– Minha mãe não ficou surpresa. – Pego uma pedrinha e a jogo no penhasco. –

Foi mais difícil para o meu pai, mas ele queria que a situação fosse tranquila.

Meu pai lida com seus sentimentos em seu próprio tempo, acho. Na nossa primeira conversa, me perguntou se eu achava que era só uma fase, e eu disse que talvez. – Dou de ombros. – Quero dizer, eu francamente não sabia. Nunca tinha passado por nada do tipo. Só sabia que sentia a mesma coisa quando olhava fotos de homens e de mulheres.

O rosto de Sebastian fica totalmente vermelho. Acho que nunca o vi tão enrubescido antes. Será que nunca viu fotos de pessoas nuas? Eu o deixei constrangido? Incrível.

Suas palavras saem um pouco arrastadas:

– Você já transou?

– Com algumas meninas. – Admito. – Meninos, só beijei.

Ele assente como quem entende o que acabei de dizer.

– Quando você descobriu? – pergunto.

Sua testa fica franzida.

– Descobriu o quê? Que você é bi?

– Não. – Dou risada, mas logo me controlo, porque não quero que Sebastian ache que estou debochando. – Quando descobriu que é gay?

A confusão parece acentuar-se em seu rosto.

– Eu não sou.