Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 121 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Dói-me quem sou. E em meio da emoção

Dói-me quem sou. E em meio da

emoção

Dói-me quem sou. E em meio da emoção

Ergue a fronte de torre um pensamento.

É como se na imensa solidão

De uma alma a sós consigo, o coração

Tivesse cérebro e conhecimento.

Numa amargura arti cial consisto,

Fiel a qualquer ideia que não sei,

Como um ngido cortesão me visto

Dos trajes majestosos em que existo

Para a presença arti cial do rei.

Sim, tudo é sonhar quanto sou e quero.

Tudo das mãos caídas se deixou.

Braços dispersos, desolado espero.

Mendigo pelo m do desespero,

Que quis pedir esmola e não ousou.

26-7-1930