Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 5 de 472

Páginas do PDF

Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

A esperança como um fósforo inda aceso,

A esperança como um fósforo inda

aceso,

A esperança como um fósforo inda aceso,

Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso.

A falha social do meu destino

Reconheci, como um mendigo preso.

Cada dia me traz com que esperar

O que dia nenhum poderá dar.

Cada dia me cansa da esperança...

Mas viver é esperar e se cansar.

O prometido nunca será dado

Porque no prometer cumpriu-se o fado.

O que se espera, se a esperança é gosto,

Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

Quanta acha vingança contra o fado

Nem deu o verso que a dissesse, e o dado

Rolou da mesa abaixo, oculta a carta,

Nem o buscou o jogador cansado.

22-11-1928