Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 361 de 472

Páginas do PDF

Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Pudesse eu como o luar

Sem consciência encher

A noite e as almas e inundar

A vida de não pertencer!

1920

Qual é a tarde por achar

Qual é a tarde por achar

Em que teremos todos razão

E respiraremos o bom ar

Da alameda sendo verão,

Ou, sendo inverno, baste estar

Ao pé do sossego ou do fogão?

Qual é a tarde por voltar?

Essa tarde houve, e agora não.

Qual é a mão cariciosa

Que há de ser enfermeira minha —

Sem doenças minha vida ousa —

Oh, essa mão é morta e osso..

Só a lembrança me acarinha

O coração com que não posso

22-1-1929