Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 165 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fiquei doido, fiquei tonto…

Fiquei doido, quei tonto…

Fiquei doido, quei tonto...

Meus beijos foram sem conto,

Apertei-a contra mim,

Aconcheguei-a em meus braços,

Embriaguei-me de abraços...

Fiquei tonto e foi assim...

Sua boca sabe a ores,

Bonequinha, meus amores,

Minha boneca que tem

Bracinhos para enlaçar-me,

E tantos beijos p'ra dar-me

Quantos eu lhe dou também.

Ah que tontura e que fogo!

Se estou perto dela, é logo

Uma pressa em meu olhar,

Uma música em minha alma,

Perdida de toda a calma,

E eu sem a querer achar.

Dá-me beijos, dá-me tantos

Que, enleado nos teus encantos,

Preso nos abraços teus,

Eu não sinta a própria vida,

Nem minha alma, ave perdida

No azul-amor dos teus céus.

Não descanso, não projeto

Nada certo, sempre inquieto Quando te não beijo, amor,

Por te beijar, e se beijo

Por não me encher o desejo

Nem o meu beijo melhor.

s.d.