Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 408 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Sob olhos que não olham — os meus olhos —

Sob olhos que não olham — os meus

olhos —

Sob olhos que não olham — os meus olhos — Passa o ribeiro, que nem sei se é

Rápido no lento passar incerto ao pé

Dos invisíveis espinhos e abrolhos

Da margem, minha estagnação sem fé.

É como um viandante que passasse

Por um muro de quinta abandonada

E, por não ter que olhá-lo, por ser nada

Para o seu interesse, o não olhasse,

Fiel somente ao nada sem a estrada.

22-11-1934