Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o in nito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim me ca
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço —
Um mar onde boiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
13-9-1933