Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 424 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Tédio

Não vivo, mal vegeto, duro apenas,

Vazio dos sentidos porque existo;

Não tenho infelizmente sequer penas

E o meu mal é ser (alheio Cristo)

Nestas horas doridas e serenas

Completamente consciente disto.

12-5-1910

Tenho dó das estrelas

Tenho dó das estrelas

Luzindo há tanto tempo,

Há tanto tempo...

Tenho dó delas.

Não haverá um cansaço

Das coisas.

De todas as coisas,

Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,

De ser,

Só de ser,

O ser triste brilhar ou sorrir...

Não haverá, en m,

Para as coisas que são,

Não a morte, mas sim

Uma outra espécie de m,

Ou uma grande razão —

Qualquer coisa assim

Como um perdão?

s. d.