Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 363 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Qualquer coisa de obscuro permanece

No centro do meu ser. Se me conheço,

E até onde, por m mal, tropeço

No que de mim em mim de si se esquece.

Aranha absurda que uma teia tece

Feita de solidão e de começo

Fruste, meu ser anónimo confesso

Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.

Mas, vinda dos vestígios da distância

Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente

Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.

Remiu-se o pecador impenitente

À sombra e cisma. Teve a eterna infância,

Em que comigo forma um mesmo ente.

23-9-1933