Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1
Talhei, artífice de um morto rito,
Talhei, artí ce de um morto rito,
Talhei, artí ce de um morto rito,
Na esmeralda de haver um mundo feito
Um brasão circunscrito
No anel em que é perfeito.
Fiz dele o símbolo de um prazer morto?
De um sonho por haver?
Não sei: a nau do sonho não tem porto
E é inútil querer.
Se isto não tem sentido, as rãs coaxam
O sentido que tem.
Vou ver se acho nos charcos onde as acham
Se a nal sou alguém.
15-9-1933