Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 420 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Talhei, artífice de um morto rito,

Talhei, artí ce de um morto rito,

Talhei, artí ce de um morto rito,

Na esmeralda de haver um mundo feito

Um brasão circunscrito

No anel em que é perfeito.

Fiz dele o símbolo de um prazer morto?

De um sonho por haver?

Não sei: a nau do sonho não tem porto

E é inútil querer.

Se isto não tem sentido, as rãs coaxam

O sentido que tem.

Vou ver se acho nos charcos onde as acham

Se a nal sou alguém.

15-9-1933