Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1
Quando já nada nos resta
É que o mudo sol é bom.
O silêncio da oresta
É de muitos sons sem som.
Basta a brisa pra sorriso
Entardecer é quem esquece.
Dá nas folhas o impreciso,
E mais que o ramo estremece.
Ter tido esperança fala
Como quem conta a cantar.
Quando a oresta se cala
Fica a oresta a falar.
9-8-1932