Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 148 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Em torno ao candeeiro desolado

Cujo petróleo me alumia a vida,

Paira uma borboleta, por mandado

Da sua consistência inde nida.

1-9-1928

En a, a agulha,

En a, a agulha,

E ergue do colo

A costura enrugada.

Escuta: (volto a folha

Com desconsolo).

Não ouviste nada.

Os meus poemas, este

E os outros que tenho —

São só a brincar.

Tu nunca os leste,

E nem mesmo estranho

Que ouças sem pensar.

Mas dá-me um certo agrado

Sentir que tos leio

E que ouves sem saber.

Faz um certo agrado.

Dá-me um certo enleio...

E ler é esquecer.

31-8-1930