Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Fernando Pessoa · Capítulo 95 de 472

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Poesia de Fernando Pessoa - Volume 1

Dai-me rosas e lírios,

Dai-me ores, muitas ores

Quaisquer ores, logo que sejam muitas...

Não, nem sequer muitas ores, falai-me apenas

Em me dardes muitas ores,

Nem isso... Escutai-me apenas pacientemente quando vos peço Que me deis ores...

Sejam essas as ores que me deis...

Ah, a minha tristeza dos barcos que passam no rio, Sob o céu cheio de sol!

A minha agonia da realidade lúcida!

Desejo de chorar absolutamente como uma criança Com a cabeça encostada aos braços cruzados em cima da mesa, E a vida sentida como uma brisa que me roçasse o pescoço, Estando eu a chorar naquela posição.

O homem que apara o lápis à janela do escritório

Chama pela minha atenção com as mãos do seu gesto banal. Haver lápis e aparar lápis e gente que os apara à janela, é tão estranho! É tão fantástico que estas coisas sejam reais!

Olho para ele até esquecer o sol e o céu.

E a realidade do mundo faz-me dor de cabeça.

A or caída no chão.

A or murcha (rosa branca amarelecendo)

Caída no chão...

Qual é o sentido da vida?

s. d.